Eu nunca amei ninguém.
Esse talvez seja o meu Karma. Nunca poder amar de verdade. Amar só na minha cabeça, porque é onde dói menos. Onde não existe a opção abandonar. Onde ninguém pode me magoar. E então fingir que isso foi amor. Viver uma história de amor na minha cabeça onde nada de ruim pode acontecer. E então me entregar apenas para quem eu não tenho intenção alguma de amar.
Eu nunca amei ninguém. Não de verdade. Já me deitei em camas que tinha o aroma do vazio e beijei bocas fingindo um amor que não eu sentia. Mas eu nunca amei ninguém. O amor é tudo que eu mais temo no mundo e isso é engraçado porque geralmente as pessoas tem medo da morte. Vai ver o amor para mim é como a morte para as outras pessoas. Eu não tenho medo da morte, mas me desfaço em pensar amar alguém de verdade.
O amor nunca ficou. Nunca ficou porque eu nunca tive paciência; O amor nunca ficou porque em algum momento eu estraguei tudo com medo demais de dar certo; O amor nunca ficou porque ele é incompatível com a minha ansiedade; O amor nunca ficou porque eu achei que era uma piada; O amor nunca ficou porque eu tranquei a porta.
Eu não quero passar por essa vida sem nunca ter amado ninguém de verdade. Escrevendo sobre amores que eu inventei e nunca vivi. Quero deixar esse amor florescer como e onde ele quiser, porque dói viver contida numa bolha, sempre fugindo dos sentimentos que a vida quer me oferecer.
Por hoje, talvez, essa seja a atitude mais corajosa que eu tomei. Me permitir amar alguém de verdade, sem os medos que eu crio na minha cabeça, que me afastam de tudo e todos dizendo que é impossível que alguém me ame na mesma intensidade. Se não for quem eu escolhi, então que seja alguém algum dia, ou então que seja eu mesma.
O importante é que eu parta desse mundo com mais histórias de amor reais pra contar do que com arrependimentos demais que me impeçam de ficar em paz.
- Letícia Dlarosa (@escrevasereia) • o texto é meu, é seu, é nosso! Mas se for compartilhar, lembra de creditar a pagina











