Quando me autorizei a superar, passei a enxergar o oculto e compreender o não dito.
Decidi partir e então entendi o porquê precisava partir.
E os sinais que insisti em não encarar, fui obrigado a rememorar.
E na memória, os instantes são fragmentados e repetidos em câmera lenta à exaustão.
E me recordo dos primeiros encontros quando o meu santo não bateu com o seu...
E o quanto desmereci o que senti até atravessar a borda de nossos egos e encontrar sua alma através de seu sorriso mais sincero.
E meu sorriso encaixou no seu, meu olhar sorriu pro seu. Pensei ter obtido respostas, mas depois questionei minha percepção.
E quando parou de corresponder, percebi que de fato, em algum momento, foi recÃproco.
Só se perde o que se tem.
O que posso resumir, das paixões que ja vivi, esta certamente foi a mais leve...
Um passarinho que pousou na janela e partiu de forma suave, numa dança espontânea e natural, um flow!
Um passarinho, livre e belo que deve ser admirado por todos, que devo ser grato e feliz por ter pousado em minha janela, e não ter a pretensão de monopolizar sua presença por egoÃsmo e posse.
E justamente por isso que não há de ser eterno; não por ser chama, mas por ser volátil como o vento, de tão indomável, invisÃvel.
Foi profundo, verdadeiro e maduro. Foi professor e eu aluno. Me ensinou a me expressar e manifestar no mundo.
Me ensinou a relembrar e me lembrou do meu futuro. Me lembrou do meu passado e de quem eu sou. Me ensinou a me amar e eu aprendi a me cuidar.