Eu quero um espĂrito livre.
Eu quero um espĂrito que saiba dançar independente dos olhos alheios lhe julgando desengonçado.
Eu quero um espĂrito que sorria quando lhe ofendam a alma e que dĂȘ gargalhadas quando lhe admiram a essĂȘncia.
Eu quero um espĂrito simples, no qual a humildade se faz sem esforços, e o esforço se dĂĄ sem vontade.
Eu quero um espĂrito que se banhe no seu prĂłprio choro e que tambĂ©m saiba se enxugar com as mĂŁos amigas.
Eu quero um espĂrito que entenda que os ponteiros do relĂłgio nĂŁo caminham de acordo com os seus passos, mas que os seus passos caminham de acordo com o tempo.
Eu quero um espĂrito que tenha fome, sede e necessidades, e quando isso tudo nĂŁo lhe faltar que ele saiba que ao seu redor tambĂ©m hĂĄ quem tem fome, sede e necessidades.
Eu quero um espĂrito que dĂȘ o braço quando lhe pedem apoio, que dĂȘ a mĂŁo quando lhe imploram ajuda e que se entregue de corpo inteiro quando lhe rogam perdĂŁo.
Eu quero um espĂrito regido pela boa vontade e pela paciĂȘncia para com os orgulhosos.
Eu quero um espĂrito que seja sincero com os seus prĂłprios sentimentos, mas que duvide de todos eles.
Eu quero um espĂrito que entenda que a solidĂŁo Ă© tĂŁo e somente opcional.
Eu quero um espĂrito que cante quando lhe tampam os ouvidos, que escute quando lhe negam a palavra e que, acima de tudo, dĂȘ a quem censura a oportunidade de fazer do silĂȘncio a compreensĂŁo.
E, finalmente, diante da minha prĂłpria fragilidade, eu almejo um espĂrito que saiba se ver no olhar do prĂłximo e perceber que dentro dele hĂĄ todo o mundo em apenas uma Ășnica vontade: a de querer incansavelmente.
Nietzsche Cywisnki, com o apoio de amigos ocultos e bondosos