Just Another Story — Emmeline Vance & Selina Montague.
“Dear Emme;”
A morena chegou a franzir o cenho no mesmo momento que começou a escrever a carta para a amiga. Já previa uma futura reclamação de uma demora em nĂŁo manter o contato de forma tĂŁo contĂnua como antigamente.
“   Primeiramente, como está tudo por aĂ? Eu bem sei o quanto vocĂŞ pode estar preocupada com o meu silĂŞncio absurdo dentre tantas linhas e outras cartas que trocamos desde que parti de Hogwarts. O grande problema em tudo isso Ă© que eu sinto saudades dos tempos do castelo, principalmente do nosso convĂvio. E sabe… com a vida fora dos terrenos mágicos. Tudo mostra ter uma grande responsabilidade, dobrada aliás. Desde entĂŁo, meu pai conseguiu ter algum conhecimento alĂ©m do que eu aprovava. Sabe o que eu quero dizer, nĂŁo? Ele ainda pensa que sou a menina indefesa e que preciso de ajuda em arrumar um emprego. Ou qualquer coisa, ele me dá nos nervos. No mais consegui uma posição em uma empresa de transporte de artefatos mágicos, um tanto animado o dia-a-dia dentro da empresa. Quero dizer, quando nĂŁo temos maiores problemas com mercadorias amaldiçoadas, ou o simples fato do cliente estar insatisfeito com a entrega.
     Tirando esse pequeno detalhe que está sempre presente, devo dizer que tenho certa emoção de trabalhar aqui. As viagens sĂŁo boas, mas os fusos sĂŁo terrĂveis. Acabo me perdendo no espaço tempo. E claramente nĂŁo me esqueço de escrever, mas esses tempos foram um tanto conturbados demais para conseguir ter uma calma em dispensar alguns minutos do meu dia para escrever calmamente. Enfim, acredito que tenha informações o suficiente e um sinal de que estou bem. Chega de falar de mim, como estĂŁo as coisas com o Macmillan? Nem ouse esconder-me qualquer tipo de coisa, quero saber de tudo! Podemos marcar alguma coisa quando eu voltar para Londres, odeio ter que arrancar informações de vocĂŞ sem saber ao certo sua expressĂŁo facial.
                        Att. Selina.”
Finalizou a cara em meio sorriso, estava um tanto saudosa com tudo aquilo que trazia toda vez que escrevia para Emmeline.
Emmeline Vance se expressava tĂŁo bem quando falava. Quando literalmente falava, cara a cara, com horas a sua disposição. Era tĂŁo mais complicado colocar tudo que desejava falar para a amiga em um mero pedaço de pergaminho que sem querer acabou demorando mais do que programara para responder Selina. A outra provavelmente nem esperava mais uma resposta, e com toda certeza julgava Emmeline como a (ex!) amiga mais relapsa que pudera arranjar. A verdade era que já há algumas boas semanas o inĂcio da carta da ex ravina se encontrava rabiscada entre o material da setimanista, e naquela noite de terça feira, finalmente, Emmeline resolvera que terminaria, escreveria o tanto que fosse necessário para contar a Montague sobre os Ăşltimos meses no castelo.
        Primeiramente, me perdoe, Sel.
Sabia que Selina não era das mais rancorosas, mas ainda assim sua vontade era de preencher toda a folha com um imenso pedido de desculpas. Mesmo que isso fosse completamente desnecessário.
         Espero que não tenha me desconsiderado como sua amiga. O mês das festividades sempre são de um caos absurdo, tenho que voltar pra Yorkshire e viver como uma trouxa por duas semanas! Me perdoe, me perdoe, me perdoe. Eu que deveria estar brigando por você demorar tanto para responder as minhas correspondências de setembro! Mas olha só, basicamente fiz a mesma coisa com você agora. Por favor, sabe que jamais faria por mal, não é mesmo? Eu te perdoo, você me perdoa e assim podemos ficar bem de novo, certo? Enfim.          Não me chame de louca!          Mas então, como anda esse trabalho novo? Como demorei para escrever acredito que tenha mais novidades... Me pareceu muito interessante! E importante. Conheceu muitas pessoas? Me parece o tipo de trabalho que você conhece pessoas todos dias! Pelas viagens e tudo mais... Espero que esteja indo muito bem, mas se cuida, viu? Não quero saber de cartas no futuro com você me contando o quanto está triste com seu trabalho... Pois além de importante também me pareceu um pouco estressante, não sei? E uma coisa que não suporto é ver alguma amiga infeliz. Prometa que está se cuidando, sim?         For Merlin's sake, será que você não leu nenhuma das minhas cartas no verão? Lembro de discursar por longos parágrafos sobre minha relação com o Macmillan. Ou o fim dela, o que preferir. Terminamos no verão e nos falamos nos primeiros meses normalmente, mas ele se transferiu! Acredita? Por razões que nem mesmo eu sei e, bem, a minha curiosidade também não se alongou demais. Principalmente porque, talvez, assim, bem talvez mesmo, eu esteja interessada em uma outra pessoa. Do qual você já sabe que existe interesse porque eu nunca escondi nada de você, mesmo namorando o Doug. Espero que ainda seja tão esperta quanto era enquanto ainda estudava aqui e descubra sozinha! Okay? Você me conhece e sabe que minha carta já está ficando um pouco grande demais para um pergaminho e eu quero fingir que por cartas sei conter a vontade de falar!
Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios da ravina ao escrever as últimas palavras. Se não finalizasse a carta em poucas linhas dali, teria de buscar um novo pergaminho.
        Estou querendo muito te ver de terno e maleta do trabalho. Quando nos encontrarmos faço questão de que se vista assim, por favor?         Estou morta de saudades! Responda logo!         Com amor,         Emmeline. ✿
Finalizou a carta caprichando na assinatura e no desenho da pequena flor depois de seu nome. Esperava ansiosamente por mais notĂcias da amiga, assim tambĂ©m como saber se ela saberia de quem Emmeline fazia referĂŞncia na carta. Selina era muitĂssimo esperta, ela sabia. Ela entenderá.














