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"Wayne, you’re obssessed with this girl"
"I know. I can’t help myself."
Show me what you're hiding | Wayne & Montague
Ele ainda não sabia, não até aquele momento, mas desvendar mistérios era algo que o atraia muito. E Selina Montague era, sem dúvidas, um mistério que valia a pena desvendar. Cada um dos mecanismos de proteção da mulher que tinha em seus braços o fazia, ao invés de afastar-se, querer correr em direção a ela. Não entendia porque, mas queria descobri-la. Talvez fosse seu ego ferido, repetidas vezes, pelas recusas da ex-ravina. E era bem provável que fosse, que quando a conseguisse, sentisse que ela não atendia às suas expectativas ou que embebedasse-se tanto da sensação de não tê-la que a ressaca não o permitiria e aproveitá-la quando realmente a tivesse.
- Do you really think I chase women? – Colou o corpo ao dela novamente, enquanto aproximava os lábios do ouvido da morena. – I chase you. – Sussurrou, logo afastando-se mais uma vez. Esforçava-se ao máximo para comportar-se como deveria e não se entregar aos seus desejos. Ainda que esse desejo fosse o de estar sozinho com Selina fazendo tudo aquilo que sonhava há meses. Como um completo adolescente. Que era a posição de Wayne emocionalmente, já havia escutado isso de muitos e a conversa com Annie na noite anterior havia lhe provado isso. – You’re a mistery I’m willing to solve, miss Montague. – Perdeu-se nos olhos dela. Eram de um tom de castanho, mas não comum. Havia algo que fazia com que ele quisesse observá-los por muito, muito tempo. – If only you’d let me… So, what you’re saying is that I should give up on you? That I have no chance with you? – Apertava os dedos contra as costas dela, logo deslizando-os à sua cintura novamente, colando o corpo no dela por uma última vez naquela noite, prometeu a si mesmo. Infelizmente – ou felizmente, ele nunca foi bom em manter promessas.
Ele poderia se comportar não? Na verdade não, o ego dele crescia a cada instante de uma forma que cada recusa de Selina o motivasse. Estava conseguindo o movimento do contrário que desejava, e isso deixava a morena ligeiramente desconcertada. Não o bastante para demonstrar o incômodo. Montague não tinha a natureza de parecer frágil, não ao menos quando não lhe interessava. Idiota. Pensou quando ouvi o timbre da voz de Wayne vibrar próximo ao ouvido dela. — Certainly. — Disse a princípio quando ele voltara à posição normal. — I mean, almost all who like fall into your charms. Fairly predictable. A good physique, a pleasant smile even presumptuous. With possessions, albeit one leaning on the work of someone's life. How to resist, isn't it? — Devolveu minimamente à provocação, ela mesma sabia que não era bem assim. Contudo era difícil controlar os instintos felinos sobre alguém que tentava dominá-la de alguma forma.
— Be careful. — Alertou em meio a um sorriso brilhante. — I suppose you are aware that not every mystery has a solution. And those who have the possibility of that, how could I say? Are not always the desired solutions, Sherlock. — Troçou mais uma vez. Sentiu o corpo ceder um pouco contra o dele, e em como ele poderia ser persistente. Não saberia se era apenas em função do ego, ou se era um simples jogo de poder. A resposta sempre esteve ao alcance dele e só ele poderia enxerga-la, se assim quisesse. — The answer is right in front of you, Wayne. Only needs sees it. — Respondeu, em forma de enigma. Sabia que nem sempre era bom deixar algumas coisas subentendidas. No entanto, esperava que ele utilizasse um pouco da força do pensamento para entender. E por Rowena, que não interpretasse errado. — I need some air, excuse me. — Falou em tom baixo, sendo a voz um pouco abafada pelo barulho da música.
Just Another Story — Emmeline Vance & Selina Montague.
Emmeline Vance se expressava tão bem quando falava. Quando literalmente falava, cara a cara, com horas a sua disposição. Era tão mais complicado colocar tudo que desejava falar para a amiga em um mero pedaço de pergaminho que sem querer acabou demorando mais do que programara para responder Selina. A outra provavelmente nem esperava mais uma resposta, e com toda certeza julgava Emmeline como a (ex!) amiga mais relapsa que pudera arranjar. A verdade era que já há algumas boas semanas o início da carta da ex ravina se encontrava rabiscada entre o material da setimanista, e naquela noite de terça feira, finalmente, Emmeline resolvera que terminaria, escreveria o tanto que fosse necessário para contar a Montague sobre os últimos meses no castelo.
Primeiramente, me perdoe, Sel.
Sabia que Selina não era das mais rancorosas, mas ainda assim sua vontade era de preencher toda a folha com um imenso pedido de desculpas. Mesmo que isso fosse completamente desnecessário.
Espero que não tenha me desconsiderado como sua amiga. O mês das festividades sempre são de um caos absurdo, tenho que voltar pra Yorkshire e viver como uma trouxa por duas semanas! Me perdoe, me perdoe, me perdoe. Eu que deveria estar brigando por você demorar tanto para responder as minhas correspondências de setembro! Mas olha só, basicamente fiz a mesma coisa com você agora. Por favor, sabe que jamais faria por mal, não é mesmo? Eu te perdoo, você me perdoa e assim podemos ficar bem de novo, certo? Enfim. Não me chame de louca! Mas então, como anda esse trabalho novo? Como demorei para escrever acredito que tenha mais novidades… Me pareceu muito interessante! E importante. Conheceu muitas pessoas? Me parece o tipo de trabalho que você conhece pessoas todos dias! Pelas viagens e tudo mais… Espero que esteja indo muito bem, mas se cuida, viu? Não quero saber de cartas no futuro com você me contando o quanto está triste com seu trabalho… Pois além de importante também me pareceu um pouco estressante, não sei? E uma coisa que não suporto é ver alguma amiga infeliz. Prometa que está se cuidando, sim? For Merlin’s sake, será que você não leu nenhuma das minhas cartas no verão? Lembro de discursar por longos parágrafos sobre minha relação com o Macmillan. Ou o fim dela, o que preferir. Terminamos no verão e nos falamos nos primeiros meses normalmente, mas ele se transferiu! Acredita? Por razões que nem mesmo eu sei e, bem, a minha curiosidade também não se alongou demais. Principalmente porque, talvez, assim, bem talvez mesmo, eu esteja interessada em uma outra pessoa. Do qual você já sabe que existe interesse porque eu nunca escondi nada de você, mesmo namorando o Doug. Espero que ainda seja tão esperta quanto era enquanto ainda estudava aqui e descubra sozinha! Okay? Você me conhece e sabe que minha carta já está ficando um pouco grande demais para um pergaminho e eu quero fingir que por cartas sei conter a vontade de falar!
Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios da ravina ao escrever as últimas palavras. Se não finalizasse a carta em poucas linhas dali, teria de buscar um novo pergaminho.
Estou querendo muito te ver de terno e maleta do trabalho. Quando nos encontrarmos faço questão de que se vista assim, por favor? Estou morta de saudades! Responda logo! Com amor, Emmeline. ✿
Finalizou a carta caprichando na assinatura e no desenho da pequena flor depois de seu nome. Esperava ansiosamente por mais notícias da amiga, assim também como saber se ela saberia de quem Emmeline fazia referência na carta. Selina era muitíssimo esperta, ela sabia. Ela entenderá.
O rolar pelas linhas moveu um novo sentimento dentro da morena, um riso incontrolável viera em resposta de cada palavra escrita. Nem mesmo em um pergaminho a amiga conseguia controlar o incessante tagarelar. Balançou a cabeça negativamente em relação ao drama que Vance insistia em alimentar, alcançando a pena mais próxima juntamente a um novo pergaminho. Não esperaria um segundo para responder, estava ávida de curiosidade e também queria contar os avanços das semanas de espera da resposta da outra.
“Vejo que não mudou nem um pouco. Não é necessário que peça desculpas em demasia. Eu demorei e você demorou. Estamos quites, afinal.”
Sorriu novamente, recordando-se do que Emme tinha escrito e continuou a rabiscar da pena sobre o pergaminho de forma firme.
“Por Rowena, você sempre tão dramática. Eu sei que deve ter sido uma loucura por esses tempos. Não mais, eu e estou bem. E juro que não pensei nada sobre a sua sanidade mental. Ok, talvez um pouco depois desse surto em meio do pergaminho.
Bem como todo trabalho tem dos altos e baixos. E das coisas desagradáveis que acontecem afinal pessoas existem. E o mais difícil nisso tudo é saber lidar com elas, e todos os caprichos que vem com o pacote. Nada fora do rotineiro, com algumas aventuras. Algumas encomendas amaldiçoadas. E acabamos por ter que sinalizar ao Ministério da Magia. E se eu conheci alguém? Sim, alguns eu desejei não ter conhecido. Tal como um dos aurores mais mal encarado que eu pudera lidar. Apenas porque são aurores se sentem no direito de menosprezar os outros. E principalmente porque estou no meu auge da juventude e o tal com o pé quase na cova. Proudfoot, ou qualquer coisa assim. Eu realmente não me importo, deles ele é o meu menor problema até o momento.”
Naquele momento parou por longos minutos antes de continuar, pensando de qual forma poderia abordar sobre o assunto Wayne. Sabia que geraria uma sucessão de perguntas, logo foi a mais sucinta que pode para mencionar o ocorrido de um dos encontros com ele.
“Contudo, eu estou me cuidando. E estou bem. Não se preocupe quanto a isso. Em outra parte da situação, eu conheci um dos sócios do meu pai. Um herdeiro, não muito mais velho do que eu. Digo, não ao ponto de estar com o pé na sepultura. E o que posso dizer dele... ser absolutamente irritante? Não importa. Wayne não vai ser o foco do meu pergaminho.”
Dera uma pausa completando mentalmente ‘nem dos meus pensamentos’. E continuou a escrever.
“Devo dizer que já tinha falado sobre o que eu pensava sobre isso, e sempre achei o Doug mais apanhado do que o Podmore. Se quer saber, digo. Ele é fofo, mas é o seu gosto. E eu tenho claramente o meu. Enfim, me conte melhor sobre os avanços com o Podmore. E sim, era bastante óbvio descobrir quem era. Ao menos para mim, e esqueça sobre tentar se conter nos pergaminhos. Só estou surpresa de não receber uns dez em resposta.
Bem, podemos marcar durante a próxima semana. Quando você tiver uma visita disponível, não sei. Arranje um tempo pra mim e me informe. Estarei lá de qualquer forma. E Por Merlin, isso é realmente necessário? Posso fazer um esforço por você. Ok?
Espero notícias breves, já que me esforcei em ser rápida com a resposta. Sinto saudades.
Com amor;
Selina Montague.”

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[Flashback] The Loudest Silence — Harrison Flint
Se Harrison fosse capaz de escolher um dos cantos do castelo como o seu preferido, esse seria, sem sombra de dúvidas, a biblioteca. Era quieto, então não precisava escutar quem quer que fosse tagarelar sobre coisas que não lhe acrescentariam nada à vida. Muito menos precisava ver as tentativas - mal sucedidas - de seus colegas de casa em chamar a atenção de qualquer garota ou parecerem melhores que os outros.
Por esses e outros motivos, estava sentado em sua mesa preferida - não muito perto da porta, mas também não muito longe da janela, lendo um livro de Transfiguração que havia pegado ao acaso. Esse era seu assunto preferido e, se pudesse, assistiria somente a essa aula. Por conta disso, com frequência, se aventurava por livros mais avançados do que os que precisava.
O que era o caso, naquele dia em específico.
Havia avistado o livro vermelho, com marcas do tempo por toda a capa, assim que chegara à biblioteca naquele dia. Provavelmente, haviam acabado de devolvê-lo e era um dos poucos pelos quais ele não havia passado. Sorriu em contentamento ao pegá-lo, sentindo as páginas que deveriam ser muito mais velhas do que ele ásperas contra seus dedos finos e, logo em seguida, o levou para a mesa que costumava sentar, perdendo-se nas palavras escritas numa perfeita caligrafia, enquanto fazia anotações em um pequeno bloco ao lado.
Não sabia ao certo quantas horas haviam passado desde que se sentara ali, sendo interrompido de seu transe por uma voz feminina e autoritária. Ergueu os olhos, avistando a ravina. Já a havia visto pelos corredores algumas vezes, mas nunca havia feito questão de falar com ela. Mas nunca fazia questão de falar com ninguém.
Continuou encarando-a, com um tom de desprezo no olhar, enquanto a observava se aproximar. Abrindo ambas as mãos sobre o livro e segurando-o com certa força ao vê-la estender a mão para pegá-lo. — O que exatamente te faz pensar que precisa dele mais do que eu? — Indagou, ouvindo os "shh!" da bibliotecária que, somente naquele instante, havia tirado os olhos do Profeta Diário que lia com extrema curiosidade. — E acho que não deveria falar tão alto, afinal de contas, estamos em uma biblioteca. Somente por essa falha, podemos perceber que não é uma frequentadora assídua e, portanto, não vai pegar o meu livro. — Disse, com um sorriso irônico lhe cortando os lábios. Logo em seguida, abaixando-se e voltando a ler da linha que havia parado. — Agora, se me permite, eu preciso terminar de ler esse livro. — Seu tom era extremamente presunçoso. O que ele, de fato, era… Quando lhe permitiam mostrar.
A morena não era das pessoas mais paciência de todo o universo bruxo, e certamente a atitude do rapaz a fazia com que essa ficasse mais escassa a cada respiração. O desprezo e a postura de alunos típicos da casa de Salazar, ela já deveria esperar tal reação que era mais pontual do que um relógio suíço. Não via o porquê de insistir em um livro que não aprenderia tanto, mas sabia que era apenas questão de fazer a ravina de boba. Ele só não sabia que ninguém passava para trás, não ela.
— Por motivos muito óbvios. — Disse impaciente, controlando um pouco mais a voz agora seguida a um silenciar vindo da bibliotecária. — Eu poderia enumerá-los todos se eu quisesse. A questão toda é que eu não tempo o bastante para ter que lidar com os lamentos de um piralho. — Praguejou internamente por antes ter elevado a voz em demasia. Ele tinha um ponto certo e que dava todo crédito a teoria dele, contudo a morena não deixou-se abater pela alfinetada.
— Seus pensamentos estão muito equivocados. Seja lá quem você for. — Ignorando o fato de estar discutindo com alguém que nem ao menos sabia o nome. Não que fosse costume de fazer isso, mas não poderia evitar quando o sangue subia forte de uma maneira que não conseguia ignorar qualquer tipo de provocação por mais ínfima que fosse. — Não. — Disse de forma incisiva antes que a pequena discussão se findasse. Não iria acabar daquele modo, não até que conseguisse o objetivo. O livro em todo caso. Não deixaria que um patético sonserino atrapalhasse.
— Não pense que vá ser tão fácil assim. Eu preciso do livro, e você vai me entrega-lo. — A ravina suspirou pesadamente trocando o peso da perna esquerda para a direita, enquanto estendia mais as mãos em uma tentativa de capturar o livro. Falhou. —Facilite as coisas. — Disse em tom novamente alto, rolando as orbes castanhas em sinal de clara impaciência. — Por Merlin, você por um acaso é surdo? — Questionou finalmente em uma expressão insatisfeita na face.
Show me what you're hiding | Mason Wayne
Mason não sabia ao certo porque, mas quando estava frente a frente a Selina, não conseguia deixar que sua faceta mais vulnerável ficasse à mostra. Naquele instante, esqueceu-se de todos os convites sem resposta, de todas as noites no Três Vassouras, enchendo a cara e saindo com uma qualquer. Alguém que não era Selina, alguém a quem ele olharia na manhã seguinte, descontente consigo mesmo. Sentindo-se fracassado. Esqueceu-se da sensação de fracasso, tão presente que havia se tornado um fantasma que o acompanhava onde quer que fosse. Esqueceu-se, também, da dor de cabeça. Fruto da ressaca do dia anterior.
E, principalmente, que aquela agora em seus braços, era o motivo pelo qual ele havia bebido a ponto de ter uma ressaca daquelas.
Lembrava-se apenas do fato de que ela era ridiculamente bonita. E que não o queria. Naquele momento, sentiu-se desafiado. E um sorriso típico, deixando suas tão charmosas covinhas à mostra, ilustrou os seus lábios. – You don’t know me, miss Montague. – Deslizou as mãos por sua cintura, apertando os dedos enquanto a conduzia no ritmo da música. – And I’m pretty sure you would like to. – Piscou para a morena à sua frente. Dotado daquela autoconfiança que não sentia há dias, há meses.
Umedeceu os lábios, logo fazendo outro passo complicado, no qual ela deslizava por seus braços, voltando a colar o corpo ao dele. Ainda mantinha o sorriso nos lábios quando teve o rosto dela próximo ao seu, logo se afastando, evitando ficar tão colado a ela quanto antes. Uma vez em que estavam em um evento de gala e o pai dela estava tão perto. O herdeiro ainda tinha resquícios de zelo por sua vida e por seus negócios. – You could see this whole thing as na opportunity to see me, not an obligation. You would enjoy more. – Subiu a mão, posiciando-a no centro das costas da ex-ravina. Lançando um olhar para o pai dela, que caminhava por perto, indo em direção às bebidas.
Naquele exato instante esquecia parte das inúmeras correspondências e outros convites vindos do herdeiro dos Wayne. A princípio, a estória dele não parecia chamar-lhe muita atenção. Em outras palavras, não que não deixasse ficar complacente ao pesar que ele devesse ter tido durante a infância. Contudo, colocava parte a perder com o comportamento e ego exorbitante. Falta de um pulso firme e alguém que o pudesse guiar e, sobretudo dizer como deveria prosseguir com mulheres. De fato, como poderia agir em relação a jovem Montague. Em seus braços, sentia-se um pouco acuada por não agir propriamente como faria em outra ocasião. Tudo em nome da postura e negócios que o pai mantinha com o solitário herdeiro.
Ainda sim, com a presença dele ele parecia iluminar o ambiente com um sorriso que não poderia definir. A única memória era que detestava o que vinha depois do largo sorriso, que deixava presente as covinhas do rosto. O que poderia interpretar como um balde de água fria ou apenas uma provocação. Eram duas vertentes já conhecidas pela morena.
— No, I think. I mean, better than you. Certainly. — Respondeu rapidamente, sentindo os dedos apertarem contra a cintura. A confiança dele parecia ganhar forma a cada segundo, durante os passos descomplicados trocados. O toque do salto ecoando sobre o piso liso, fez com que voltasse a atenção dentro dos olhos de Wayne. Um sorriso contido elevou a voz da mais jovem. — I'm sure, that I'm not interested in fact. Or, would answer and would not be talking about it. I prefer to keep the mystery. Or I just would be one among the other women you chase Wayne. — Disse deixando claro em partes o que pensava, e sabia que não poderia ser muito diferente de outros homens que conhecera. E todos tinham o mesmo padrão de comportamento. O dinheiro parecia chamariz para interesseiras, e ao contrário dela. Não ligava nem um pouco para os atrativos que ele oferecia para mulheres comuns. Ele passava facilmente por um rosto agradável para se admirar, mas a conversa não lhe parecia prender como as mãos faziam com maestria.
There's Something Disturbing Your Sleep? @Lorcan D'eath | Flashback
Não pode evitar um breve sorriso que exibiu os dentes ao final da frase de Selina justamente pela ironia que continha-se nela – lá estava a ravina, frente a frente com um vampiro (apesar de não saber disso), afirmando que tinha medo de fantasmas, uma das criaturas mais pacíficas do castelo. Bem, exceto pelo Peeves. — Não, não, eu entendo. O Peeves pode ser bem assustador quando quer — arqueou as sobrancelhas, tentando fazer com que a morena ficasse mais confortável, enquanto lembrava-se de quando Peeves descobriu que ele era um vampiro. Não foi engraçado, nem um pouco. O episódio até requereu a presença imediata de Dumbledore – e também do Bloody Baron – para evitar que Peeves espalhasse aquilo pelos quatro ventos. — Digo isso por experiência própria, mas não pergunte — apesar de ter suavizado a expressão, realmente não queria que ela perguntasse. Não queria inventar mais uma mentira.
Para o híbrido, era claro que Selina estava desconfortável à sua presença. Os sentidos aguçados por ser parcialmente vampiro conseguiam captar os mais diversos sinais que evidenciavam o pensamento anterior, algo que era perceptível até mesmo para um humano mortal. Primeiro, o batimento cardíaco dela estava acelerado – não muito, mas o suficiente para denunciar um nervosismo. Segundo, quando começava a falar, gesticulava com as mãos e atrapalhava-se com as próprias falas, por vezes se contradizendo e exagerando em explicações. Terceiro, ela não o olhara nos olhos nenhuma vez desde que se viram. Isso era novidade para Lorcan. Talvez nem tanto, já que não era incomum as pessoas sentirem-se desconfortáveis ao seu lado, mas não era nada como aquilo, nada que beirasse o medo. Ele entendia, parcialmente, como seu pai gastara mais de metade da vida conquistando garotas e mordendo pescoços. Aquele sentimento de causar medo trazia uma adrenalina em suas veias e ele viu-se falando e agindo de uma maneira que jamais faria. — Não queria ser visto, tinha esperanças que você desse meia volta e evitaríamos esse momento estranho — deu de ombros, sendo sincero quanto a como se sentia com aquilo. Mas, ainda assim, qualquer conversa com outra pessoa era considerada estranha por ele, exceto com Dirk.
O novo assunto, vampiros, fez com que Lorcan se soltasse mais, ao contrário do que ele imaginava que aconteceria. Sentia-se um predador. — Eu acredito, de fato. E não me surpreenderia se encontrasse com um em um corredor deserto de madrugada. Como você disse, existem lobisomens e fantasmas aqui, por que não vampiros? — Notou que ela diminui o ritmo e, inconscientemente, aproximou-se dele. Como seria fácil. Não havia ninguém ali por perto, como ele constatava pelo silêncio absoluto que envolvia os dois ravinos. Ninguém para ver, ninguém para denunciar, ninguém de quem se esconder. E Selina ali, vulnerável, agindo como uma presa e fazendo exatamente o que ele esperava. Não pensou nas consequências, nem que provavelmente seria expulso se Dumbledore ou qualquer outra pessoa descobrisse, só pensou no momento e no sangue que pulsava suavemente na veia visível no pescoço de pele clara de Montague. — Não grite — disse com o olhar incisivo, logo antes de alongar suas presas.
Concordou em um breve acenar positivo com a cabeça, sem dúvidas Peeves era o dos fantasmas mais atormentadores do castelo. Não só pelas peças e brincadeiras de mal gosto que costumava pregar, apenas por ser um espírito fantasmagórico sem nenhum limite. Com a afirmação do rapaz ele ficou ligeiramente curiosa, mas com o complemento que o ravino fizera desistiu de pergunta-lo o porque do fantasma ser tão assustador para ele. Várias possibilidades poderiam surgir na mente da morena, mas não se atentara a nenhuma delas. Até mesmo porque não tinha tido um episódio ruim o bastante com Peeves para ter uma mínima ideia que fosse. Apenas, se baseava em experiências de outros alunos no castelo. — Sem problemas. — Disse firmemente sem querer se delongar no assunto, franzindo ligeiramente o cenho pelo desconforto que o assunto causava no rapaz. Lhe intrigara mais ainda, mas deixou que a questão passasse como o vento que soprava pelo corredor.
Contudo a situação em um todo tornava-se mais intrigante e esquisita se olhasse por outro ponto de vista. Talvez começasse a se arrepender de não ter ido embora, sem levantar a presença obrigatória do jovem ravino. A teimosia agora parecia ser uma das piores características e se provava com o momento estranho que envolvia ambos em meio do corredor mal iluminado. A questão levantada pelo moreno era suspeita em não querer ser visto, a não ser que ele estivesse praticando atividades ilícitas. Ao contrário de Montague, que estava andando pelo corredor assim como ele, apenas movida pela insônia. E este não parecia ser o único motivo dele, não apenas esconder-se de monitores. — Existe algum motivo além do horário para não querer ter sido visto? — Questionou em um tom baixo, o assunto não pareceu perdurar quando a nova pauta fora colocada a frente.
Vampiros eram um assunto certamente um pouco desconhecido para Selina, ainda que soubesse o que os livros diziam em relação aos trejeitos e comportamentos peculiares dos seres de aparência extremamente pálida. E ele parecia concordar com a existência deles, ainda que para a jovem não parecia notar presença destes no castelo. Até o momento, o coração aumentou o ritmo furiosamente. Ao vê-lo com os caninos tão salientes agora. Poderia estar tendo alucinações ou a mente pregando-lhe uma peça? Não saberia dizer, e não queria se arriscar quando o outro disse para não gritar. Na verdade, não parecia ser brincadeira. — Você... — Disse com a voz ligeiramente fraca em frente ao que considerava ao horror, a mão trêmula tateava a varinha em meio das vestes não tendo muito sucesso nas tentativas. Os olhos vívidos e castanhos da morena estavam pregados na figura a frente. A única chance parecia recuar a passos não calculados para ganhar tempo. — Não pode ser. — Negou ao que enxergava pois parecia um truque como qualquer outro. — Não pode ser... vampiro? — Repetiu ainda com um tom incrédulo na voz.

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Show me what you're hiding | Mason Wayne
Odiava ter que ser o anfitrião de milhares de eventos ao ano, todos com a função de deixar que sociedade soubesse o quão rico era e quão bem as empresas iam. Não que fosse o mais humilde dos caras, mas a ideia de ser tão explícito quanto ao que tinha, o deixava desconfortável. Ainda mais quando era avisado sobre o evento em cima da hora.
Havia chegado à mansão hoje cedo, com os cabelos desgrenhados e olheiras tão profundas quanto podiam ser. Havia passado a última noite – e metade das noites das quais tinha memória, ou pensava ter, no Três Vassouras. Acompanhado de uma velha amiga. E, curiosamente, dessa vez não era eufemismo pra qualquer uma de suas amantes. Assim que adentrou a porta da sala, foi recepcionado por Alfred, o velho elfo doméstico, avisando-o que haveria um evento beneficente da Fundação Wayne naquela noite e correndo de um lado para o outro com os preparativos.
Mason subiu as escadas e caiu em sua cama, sendo acordado algumas horas mais tarde, pelo mesmo elfo que ofegava em meio às palavras, por ter corrido ou pela idade, não soube distinguir. – Sr. Wayne, a festa começa em algumas horas, vá se arrumar! – e num tom um tanto quanto paterno, a figura de pai que ele conhecia desde sua infância gritou, saindo do quarto logo em seguida. Wayne revirou um pouco mais na cama, com a certeza de que poderia arrancar os olhos com um garfo.
Encarou o teto, odiando a ideia de ter que lidar com pessoas. Não hoje, por favor, não hoje. Pediu mentalmente, querendo que o tempo parasse e ele não tivesse responsabilidade alguma. Enfiou a cara no travesseiro e antes que pudesse dormir mais uma vez, escutou um berro do elfo. Não entendeu bem o que ele havia dito, mas achou melhor obedecê-lo. Se havia uma pessoa a quem ele respeitava, essa pessoa – ou elfo – era Alfred.
Rolou pela cama, olhando-se no espelho pouco antes de começar a se arrumar e se deu conta de que estava um lixo. Não lembrava muito da noite anterior, mas tinha a certeza de que havia dado algum tipo de vexame. Prova disso eram as manchas de bebida por toda sua camisa. Respirou fundo, pensando no que raios estava fazendo da vida e dele mesmo, sentia-se completamente perdido. E sabia que havia só uma culpada.
Há dois meses estava perfeitamente bem.
E jamais voltava para casa, após uma noite de bebedeira, sem ter feito daquela noite a melhor de sua vida. Ou da vida de alguém. Jamais passava a noite sem a companhia de alguma amante recém-conquistada com cantadas baratas, algumas bebidas e a promessa de uma noite incrível. E, após ter conhecido ela, após ter sido sumariamente desprezado por uma das pessoas mais irritantes que ele teve o desprazer de conhecer, essas noites solitárias estavam se tornando cada vez mais constantes. Era como se o mundo soubesse que ele tinha fracassado.
Selina Montague. O que é que essa garota tinha de tão atraente? Não é como se ela fosse mais bonita do que qualquer outra, não é como se ela tivesse lhe dirigido a palavra alguma vez com algum tipo de simpatia. Não é como se… Fechou os olhos com raiva, preparando-se para tomar banho, quando lembrou que ela sempre vinha a esses eventos. Era obrigada pelo pai. Ela sempre estava lá.
Toda a raiva e a ideia de fracasso que, anteriormente, perambulavam por sua mente se esvaíram tão rápida que parecia feitiço. Ela estaria lá. Sentiu-se um adolescente apaixonado – ainda que não tivesse se apaixonado em sua adolescência – e passou a se arrumar o mais rápido que pode.
Horas depois, trajando um de seus melhores ternos, um de seus melhores sorrisos e com os cabelos devidamente arrumados, o homem que acordara aquela tarde já era um fantasma em sua memória. Estava arrumado, agora, como um verdadeiro herdeiro deveria fazê-lo. O elfo até mesmo dizia algumas palavras de motivação – Seu pai ficaria muito orgulho, Mason. – que faziam com que o rapaz (com alma de garoto) sentisse bem consigo mesmo.
Foi no meio da festa, após o discurso, após alguns vexames por parte de alguns convidados; quando já havia perdido parte das esperanças de vê-la que foi agraciado com a visão da morena pela qual esperava há horas, a viu dançando com um rapaz que parecia muito velho para conduzi-la. Ele teve a certeza de que o faria melhor.
Confiante, caminhou em direção á morena, pedindo licença ao senhor que dançava com ela. Fitou-a, abrindo um sorriso logo em seguida. – You don’t look so happy to see me, Montague. – Disse, num tom descontraído, enquanto entrelaçava os dedos nos dela, deslizando a outra mão por sua cintura, onde apertou os dedos com firmeza, passando a conduzi-la no ritmo da música. – In fact, it seems like you never want to see me. – Transformou o sorriso num falso biquinho, conduzindo-a para o lado e então fazendo com que seu corpo rodopiasse em meio a seus braços, voltando à posição inicial mais uma vez. Colando o corpo no dela e seguindo no ritmo da música.
Você precisa comparecer. Você vai comparecer, Selina. Não adiantar dizer que não. As palavras do progenitor da morena ainda ecoava na cabeça dela, praticamente como um mantra. Ela não queria ter que marcar presença em tal evento, ainda mais esse sendo exatamente no território em que Wayne era o anfitrião de tudo que ocorria. Tinha maiores motivos para isso, além do fato claro de ter ignorado completamente a última coruja dele. Típica para um encontro no Três Vassouras. Ela não entendia muito bem a fixação de Manson sobre si, e provavelmente nem ele por continuar com tal incessante ideia. No caso de Selina, passava o pensamento em que a primeira vez que aceitasse e por fim saísse com ele tudo isso acabaria. Contudo, não estava disposta a ser mais uma das conquistas do bem sucedido bruxo.
Ainda que tivesse uma beleza normal, por assim dizer não conseguia enxergar nada além de que rejeição era algo que Wayne não estava acostumado a lidar. E naquela noite, teria que encará-lo. Não estava com medo apenas não sentia a necessidade de forçar o mais doce sorriso para quem não merecia empatia. Arrumava-se para si mesma, ou para atrair os olhares de outras convidadas. Aliás, o único e principal objetivo das mulheres em grande parte era causar inveja entre elas mesmas. Um motivo fútil, simplesmente motivado pela vaidade exorbitante.
Trajava um dos mais belos vestidos que pudera encontrar entre os que tinha, cor preta e sóbria o bastante para não chamar atenção. Em complemento ao coque feito no cabelo, preso de forma elegante para a ocasião. No entanto, dentro de si saberia que não poderia esconder durante a festa inteira do anfitrião e não acreditava que fosse o bastante correto para isso. Não o devia nada, quem sabe algumas respostas. Balançou a cabeça negativamente em sinal para dispersar os milhares de devaneios que permita-se fazer. Em campo neutro, deixou o sorriso guiar o caminho entre os convidados presentes. Sentiu um alívio boa parte da festa por não encontrá-lo, enquanto era embalada por outro homem mais velho até mesmo que Wayne em uma dança cordial já que o pai tratava de negócios em um círculo de outros homens mais afastados.
Tudo parecia bom o bastante, e esse era o grande problema em questão quando notou a presença de quem tanto evitara. O outro pediu licença ao acompanhante que em certo desagrado se afastou da morena. Wayne não perdera tempo em entrelaçar os dedos com os de Selina, no ritmo lento em que a dança pedia. A voz firme soou entre eles, iniciando um diálogo. Bem, pensando bem não tanto assim já que ele não dera um espaço tão grande entre as sentenças ditas, enquanto conduzia-a na dança. A outra mão deixava a firmeza dos movimentos calculados na altura da cintura de Montague, que em súbito humor continuava a flutuar sob o salto alto o acompanhando. Existia uma regra, que não se podia dispensar que lhe tirava para dançar. E talvez fosse por isso que não tinha interrompido o rodopiar no próprio eixo, dentro do espaço criado por ele.
Estava mais colado ao corpo dele, dançando em passos uníssonos. Fora então que a morena decidira que era hora de falar com ele. — Indeed. — Respondeu curtamente oferecendo um meio sorriso para ele, antes de continuar. — Actually, Mr. Wayne I came just for business. Business of my father. You know right? — Complementou em termos óbvios, ele sabia bem os motivos de estar lá. — Obligations isn't the my favorite things. — Disse novamente a dar um passo mais complicado, até encará-lo de forma firme. — Neither you. — Concluiu com um semblante suave.
[Flashback] The Loudest Silence — Harrison Flint
Poderia julgar pelo horário que não teria maiores problemas ao continuar a meta de estudos daquela tarde. Ainda que fosse sexta, e a semana estivesse chegando ao seu fim e os estudos por mais importantes que fossem não pareciam ter tamanha urgência. Isso em uma visão de outro e qualquer estudante do castelo, que obviamente não fosse Selina. Contudo, tinham outros motivos que levavam a ravina para deixar a jovem mais impaciente. No início da semana tinha planejado começar um relatório de Transfiguração, que de fato era muito importante e o prazo se esgotava. Deixou postergar ao máximo que pode por não conseguir um livro em específico, este só tinha dois exemplares e ambos estavam emprestados para o azar da morena.
Em uma das milhares tentativas, rumou para a biblioteca pela segunda vez no dia em busca do preciso exemplar. Ignorou a presença da funcionária, sem sequer perder tempo de importuná-la como fizera durante a semana. Ao passar por algumas prateleiras abarrotadas, chegou a encontrar uma presença não muito agradável ao olhar de relance um sonserino que jazia no recinto. Podia estar se enganando quanto as estantes da sessão de Transfiguração, pois não encontrava o livro de capa avermelhada e com aparência já bastante deteriorada pelo tempo. Cansada e irritadiça com o que acontecia, deixou que o olhar repousasse sobre o moreno de gravata verde prateada. Parecia irônico o bastante para ver que ele no momento em que as orbes preguiçosas recaíram sobre a imagem deste, segurava o objeto de consumo de Montague.
Ela não o conhecia e julgava ser alguém de algum ano inferior a ela, quem certamente não teria nada para fazer com um livro tão avançando o que era justamente o oposto com que a ravina pretendia. — É um livro avançado. — Disse em voz alta, com o intuito de chamar atenção do rapaz. Continuou encarando, sem deixar que o silêncio a contivesse esquecendo por hora que deveria manter um tom um pouco abaixo do imaginado. — Não precisa dele. — Constatou com um ligeiro ar de soberba como se já soubesse o que o sonserino pretendia com o livro, já imaginando o quão irônico era o destino ao ter que justamente fazê-la falar com alguém que costumava não ter contato: estudantes das Masmorras. — Aliás, eu preciso dele. Se me der licença. — Concluiu dando um passo a frente, estendendo uma das mãos para alcançar o livro em poder do outro.
Just Another Story — Emmeline Vance
“Dear Emme;”
A morena chegou a franzir o cenho no mesmo momento que começou a escrever a carta para a amiga. Já previa uma futura reclamação de uma demora em não manter o contato de forma tão contínua como antigamente.
“ Primeiramente, como está tudo por aí? Eu bem sei o quanto você pode estar preocupada com o meu silêncio absurdo dentre tantas linhas e outras cartas que trocamos desde que parti de Hogwarts. O grande problema em tudo isso é que eu sinto saudades dos tempos do castelo, principalmente do nosso convívio. E sabe... com a vida fora dos terrenos mágicos. Tudo mostra ter uma grande responsabilidade, dobrada aliás. Desde então, meu pai conseguiu ter algum conhecimento além do que eu aprovava. Sabe o que eu quero dizer, não? Ele ainda pensa que sou a menina indefesa e que preciso de ajuda em arrumar um emprego. Ou qualquer coisa, ele me dá nos nervos. No mais consegui uma posição em uma empresa de transporte de artefatos mágicos, um tanto animado o dia-a-dia dentro da empresa. Quero dizer, quando não temos maiores problemas com mercadorias amaldiçoadas, ou o simples fato do cliente estar insatisfeito com a entrega.
Tirando esse pequeno detalhe que está sempre presente, devo dizer que tenho certa emoção de trabalhar aqui. As viagens são boas, mas os fusos são terríveis. Acabo me perdendo no espaço tempo. E claramente não me esqueço de escrever, mas esses tempos foram um tanto conturbados demais para conseguir ter uma calma em dispensar alguns minutos do meu dia para escrever calmamente. Enfim, acredito que tenha informações o suficiente e um sinal de que estou bem. Chega de falar de mim, como estão as coisas com o Macmillan? Nem ouse esconder-me qualquer tipo de coisa, quero saber de tudo! Podemos marcar alguma coisa quando eu voltar para Londres, odeio ter que arrancar informações de você sem saber ao certo sua expressão facial.
Att. Selina.”
Finalizou a cara em meio sorriso, estava um tanto saudosa com tudo aquilo que trazia toda vez que escrevia para Emmeline.

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There's Something Disturbing Your Sleep? @Lorcan d'Eath | Flashback
Depois de alguns momentos de tensão que seguiram após a revelação de Lorcan, a ravina mais velha finalmente abaixou a varinha, antes em posição nada amistosa. Talvez fosse um bom sinal, Lorcan pensava, mesmo ela sendo extremamente formal e cordial com o companheiro de casa. Logo após pensar isso, ela pediu desculpas, algo que Lorcan com certeza não previa que aconteceria. Ela aparentava estar agitada, apreensiva e algo mais que Lorcan não sabia identificar. Medo, talvez? Não era mentira que os rumores acerca do comportamento e das atitudes inusitadas de Lorcan rondavam o castelo inteiro, principalmente a Ravenclaw. Mas, para sua sorte, só achavam que ele era esquisito, nada mais. – Ficou o quê? – Seguiu o questionamento com mais um passo para a frente, diminuindo a distância que os separava. Estava curioso com relação à Montague e aquele receio súbito pela companhia dele. Não tinha como ela saber que ele era… Tinha?
Aparentemente, a curiosidade era mútua, visto que agora ela indagava sobre o motivo de ele estar andando por aí tarde. Ah, desculpe, Selina. É que eu sou meio-vampiro e durmo muito pouco, então quase todas as madrugadas eu passeio pelos corredores para tirar o tédio, sabe como é. Respondeu-a, sinceramente, apenas em pensamento. Imaginava qual seria a reação dela caso ele dissesse o que pensava. Sairia correndo gritando? Procuraria Dumbledore? Provavelmente, para ambas perguntas. – É tarde, sim, mas eu não conseguia dormir. E você? – Decidiu por responder a mentira, claro, mas replicara o questionamento para ela. Não se conheciam, mal se falavam em Hogwarts, mas o fez para continuar a conversa e pois parecia a atitude esperada no momento. Pela segunda vez na noite, ela se desculpou, depois de explicar que sofria do mesmo mal: falta de sono. Lorcan não entendia o motivo de tantas desculpas, mas tinha certeza que não aparentava ser tão intimidador quanto Selina imaginava. – Não precisa pedir desculpas, nem sei o motivo pelo qual o fez. De novo. – Admitiu, deixando escapar um sorriso discreto no canto dos lábios. Estava achando aquilo, no mínimo, divertido. Já chegara à conclusão que Montague estava, sim, com medo dele, e essa era uma sensação que não havia experimentado antes.
- Eu lhe acompanho. – Anunciou, juntando-se à ela na caminhada de volta à Torre, mesmo sem ter sido convidado. – Se não se importar, claro. – Enfiou as duas mãos nos bolsos das calças, sem saber exatamente o que fazer com elas. Nem mesmo sabia como agir, aquela situação toda era novidade e a dúvida se ela sabia ou não da condição especial dele, se acreditava ou não nos rumores, era algo que não conseguia tirar da cabeça. – Pelo menos não fomos pegos por aí. Digo, por algum monitor. No mínimo, perderíamos pontos para a Ravenclaw. – Não queria que se instaurasse um silêncio constrangedor e ainda tinha que descobrir o que exatamente a mais velha sabia sobre ele, apenas não sabia como abordar o assunto de uma maneira sutil, sem se denunciar. A última coisa que queria era que soubessem que ele era um híbrido, pois tinha certeza que o fato não seria encarado de boa forma. – Você acredita que vampiros existam? – Parecia um questionamento normal e que lhe daria a resposta necessária.
Ainda parecia engraçado a forma de reagir, mas após sentir um arrepio percorrer a extensão da espinha ao ouvir a nota do ravino mais novo. Claro que ela ainda se sentia muito tola, ainda mais agora com o questionamento do rapaz. — É besteira, você só me... assustou. Pensei que fosse um monitor, ou algum fantasma. — Ok, a explicação não parecia muito convincente apesar da expressão séria delineada no rosto da morena. E o sinal mais claro de que estava falhando miseravelmente em esquivar de futuros ou já decorrentes questionamentos era ter mencionado fantasmas ao final da frase. Certamente ela não tinha medo daquilo, embora ao refletir de forma melhor o que dissera acabara dando uma risada fraca, um tanto nervosa. — Bom, um fantasma na verdade não... — Começou novamente a se explicar, ainda que fosse de alguma forma em vão. — ...afinal eles já andam pelos corredores que eu mal os noto. Fico com a primeira opção de antes. — Acenou afirmativamente a cabeça, como se quisesse também se convencer sobre o que dizia.
Tivera a mesma resposta, só que bem menos detalhada e mais evasiva em quase par com os gestos de Montague. Não fora necessário se replicar, quando anteriormente tivera uma explicação sobre estar perambulando pelo corredor, e de certo verdade ou não era a primeira coisa a se pensada quando se é pego de surpresa. Contudo, a morena já não analisava maiores questões. Ele não entendia o motivo das desculpas excessivas e nem ela mesma ao certo sabia, o que fora mais sensato externar um pensamento mais do que lógico par ela. — Bom, é que obviamente ao não esperar me encontrar... bem. Não é realmente necessário uma conversa, se não quiser. Estava apenas me antecipando por um possível incômodo. — Continuou em sinceridade, sabia muito bem que nem ela ou o garoto que tinha uma expressão mais quieta gostaria de tal afobação em forma de palavras.
Ao anunciar a saída não demorou muito que ele também se pronunciasse, declarando que ainda seria a companhia dela até a caminhada ao Salão Comunal. Aos passos vagarosos e um tanto hesitantes sem motivo, ela continuou escutando a voz do ravino a fundo, mirando o chão como se fosse um ponto muito interessante. — De forma alguma. — Anunciou de forma ainda baixa, continuando o caminho. — De certa forma, vamos dizer que foi bastante sorte de ambos. Você só, deveria ter falado ou se revelado antes. Por Merlin, eu quase o azarei. Mas, apenas porque pensei que fosse algum sonserino idiota. Antes que pense que eu saio atacando qualquer um. — Sacolejou os ombros de forma displicente quando elevou uma das mãos para ajeitar uma mecha de cabelo. Esqueceu-se por hora que ainda estava com a varinha em punho e a guardou dentro do roupão fino que usava sobre as vestes de dormir. Escutou a mais nova pergunta do moreno, e por uma fração de segundos franziu o cenho devido a aleatoriedade desta. Ponderou por um curto tempo, já sabendo o que responder. — Ora, se existem lobisomens, fantasmas e tantas outras criaturas. Vampiros definitivamente não seria muito difícil de existirem. Claro que, eu nunca tenha cruzado com até então. Apenas sei sobre algumas teorias acerca deles. — Explicou brevemente, não deixando a curiosidade morrer dentro de si. — Por quê? Você também acredita que eles existam? ... No castelo? — Direcionou o olhar ao rapaz ao lado, quando diminuíra o ritmo para ele se aproximar.