– Não é? Tivemos alguns problemas na hora de escolher o bolo. – Connie concordou, assentindo com a cabeça, observando-a enquanto ela tomava nota do assunto. Havia aquela mesma sensação estranha, a de conhecer alguém no outro mundo e estar vendo outra pessoa com outra história, outra vida, agir dentro daquele mesmo corpo. Ela se concentrou em mandar as fotos que tinha tirado para a cliente.
– Ah, com certeza. Eles vão ficar tão felizes… – Ela disse, assentindo, como se estivesse mais se convencendo do que dizendo aquilo seriamente. Cornelia seguiu a outra para fora do quarto e então de volta para o elevador em silêncio. Antigamente, era difícil encontrar as duas em silêncio. Estavam sempre planejando alguma coisa, sempre caminhando pelos corredores de Shiz, como se vivessem em um mundo só delas. – É claro. Estava mesmo curiosa para testar os seus serviços.
Ela limpou a garganta, agradecendo com a cabeça ao receber o cartão. – Tudo bem. E se souber de alguém que precise dos meus serviços… – Ela tirou um cartão próprio, cor-de-rosa, perfumado como baunilha e estendeu na direção dela. – Nunca se sabe.
Quando o elevador se abriu, Connie pisou do lado de fora e deu alguns passos em direção da saída. Ela sentia o peito se apertar a cada passo que dava, então decidiu agir - como normalmente fazia. Ela parou e se virou de volta para Elizabeth. – Srta. Elizabeth, espero que eu não seja indelicada de alguma maneira ao dizer isso, mas… Você está muito bonita hoje. E… Eu gostaria de falar novamente com você… Não sobre negócios. Se isso é… Uma coisa que você faz. Com… Pessoas como eu. – Ela disse, fazendo um discreto sinal dobrando seu pulso.
Era outra pessoa. Por mais que o formato fosse o mesmo, Elizabeth era completamente diferente de Elphaba, ou pelo menos era o que estava tentando arduamente fazer. Elphaba havia sofrido muito, havia passado por coisas horríveis que preferia nem lembrar, mas as memórias estavam ali. Em parte, estava com medo de que algo semelhante acontecesse de novo se resolvesse envolver-se com Glinda mais uma vez. Era Connie aqui, era outra pessoa também, por mais que ela parecesse lembrar-se de tudo, o que não fazia o menor sentido para Elizabeth, ela supostamente não deveria se lembrar, assim como qualquer outro que não fosse responsável pela maldição. Algo estava errado, como faria pra falar com os outros se estava fingindo não lembrar-se também? Era complicado... Principalmente com tudo o que sentia.
— Meus serviços? — soltou uma risadinha, meneando a cabeça para os lados. — Melhor não se acostumar, os recepcionistas conhecem esse lugar melhor que eu, das próximas vezes pode ser que não me encontre por aqui. — afinal de contas, ela só estava na parte administrativa, não queria saber de nada daquilo, a parte que dava trabalho de verdade.
— Oh, claro, se quiser deixar alguns cartões na recepção... Sempre tem quem queira. — era difícil conversar com muita gente, então não serviria de nada para ajudá-la com o trabalho dela, então né? dava uma solução útil de verdade.
Quando Connie virou-se para falar aquelas coisas, em um primeiro momento, Elizabeth estranhou, piscando algumas vezes. — Obrigada, senhorita... Cor-de-rosa? — sabia o sobrenome dela? Deveria ter olhado o cartão melhor. — O que você tá querendo dizer? Você tem meu número, se precisar de algo, pode ligar. — sentia uma pontada no peito em agir assim, dando um passo para trás voltando para o elevador. — Tem certas coisas que eu não faço. Espero que tenha um bom dia. — seu coração doía mais ainda com esse tipo de ação, acenando com um movimento de cabeça para a loira, fechando a porta do elevador para subir de volta para o quarto. Era como se estivesse se livrando de um peso enorme só de terminar a conversa, de tanto que aquilo machucava, não queria manter as coisas assim, mas quando é que havia tido chance de fazer algo que realmente queria? Nunca. E não seria agora que ia acreditar que podia, já estava desacreditada o suficiente.