O loiro era muito responsável, especialmente com as coisas do jornal, mas ao passo que seu nível de responsabilidade era alto, o seu nível de distração e desajeitamento era altíssimo. Por isso que enquanto carregava os papéis e fotos para o jornal, viu todos eles irem para o chão quando foi tentar atender ao celular. Esqueceu o aparelho e agachou-se para juntar seus papéis, eram fotos importantes para a próxima matéria, que seria sobre o casamento do prefeito, e ele não podia arriscar-se em molhá-las. Foi então que uma sombra brilhantemente loira surgiu em sua visão periférica, fazendo Graham respirar aliviado quando Winnie aproximou-se. “ Oi, é pra próxima matéria, acho que todos estão animados com o casamento ou ao menos curiosos. ” Agradeceu a garota com um pequeno aceno de sua cabeça e estava prestes a levantar quando sem querer se chocou com o rosto alheio. A sucessão de acontecimentos após a cotovelada foi como um filme em câmera lenta. Primeiro, Winnie soltou todas as fotos que havia juntado – para desespero inicial de Graham –, então ela levou as mãos ao nariz e soltou o xingamento, fazendo ele se surpreender e aumentar ainda mais o desespero do rapaz – que ficou parado olhando da loira para as fotos e das fotos para a loira – e então, para concluir, o nariz dela começou a sangrar. Ao ver o filete rubro escorrendo do nariz alheio – que já começava a inchar – e o sangue na mão dela, Graham sentiu o próprio sangue esvair-se de seu corpo. Ele odiava sangue, não podia ver sangue sequer em filme que tinha vontade de vomitar e se não vomitasse, sua pressão baixava e ele desmaiava, não tinha vergonha em assumir essa fragilidade e por isso, mesmo com o olhar de Winnie o alertando para fazer alguma coisa, Graham sentiu a perna ceder e ele deu um passo para o lado, escorando-se na parede mais próxima. “ ai meu deus… ”
Winnie queria muito saber porquê sempre gostava dos medrosos. Se o seu nariz não estivesse doendo naquele momento, ela teria ido embora imediatamente, repensando o que tinha visto em Graham. Fosse seu rosto bonito à sua simpatia, a loira tinha muito para analisar. Conquanto, a situação atual não dava espaço para isso, ambos pareciam estar em um episódio de Friends hiper-mega-dramático e tudo que Winona conseguiu dizer foi: “Você tem um algodão aí?” Péssima pergunta, claro, mas como ela ia estancar àquela droga de sangue? Aliás, quem é que anda com algodões por aí?! Apenas suspirou frustrada, o olhar elevado em Graham enquanto ela limpava o sangue com a própria camisa para que o outro não visse quaisquer resquício e ela pudesse ajudá-lo. “Sabe, você não me disse que tinha medo de sangue.” Comentou com um sorriso contido, mostrando que talvez os dois deviam se conhecer melhor --- nada de segundas intenções, Winona só queria evitar esse tipo de coisa acontecer novamente. Olhou para os lados em busca de alguma loja, avistando uma farmácia e agradecendo mentalmente. “Vamos ali,” Apontou para o estabelecimento em frente, do outro lado da rua. “e eu compro um band-aid, ou algodão, o que for pra mim e peço uma água pra você, tudo bem?” Por mais que as coisas não tivessem corrido como a Richards desejava --- e talvez fosse exatamente por isso que estivesse preocupada com o estado do outro, embora fosse seu nariz o violado ali; Winnie aproximou-se mais uma vez de Graham, visando ajudá-lo. “Fecha os olhos.” Pediu, incisiva. “Não quero que você desmaie vendo o sangue.” Explicou, a voz calma para não desesperar o homem. “E aí eu vou segurar sua mão- ou você pode se apoiar em mim, tanto faz” O nervosismo era palpável na voz de Winnie, a respiração até ficando transpassada só de imaginar. Balançou a cabeça negativamente, focando no que importava no momento. “e a gente vai até lá, ok? Pode fazer isso?”