caro leitor! você já conhece a marquesa daisy elizabeth hillburn-darlington? chegou ao meu conhecimento que ela tem vinte e seis anos, é natural de brighton e está acompanhando a temporada como espectadora. o sustento de sua família se faz por meio de heranças e de arrendamentos do marquesado, e muitos dizem que ela se parece com elizabeth lail. apesar de ser sensível e protetora, já chegou aos ouvidos desta escritora que ela também é intrometida e geniosa.
I. BREVE BIOGRAFIA.
o amor entre elijah e mary hillburn era lendário para a sociedade londrina, com um cortejo repleto de declarações amorosas de arrancarem suspiros até mesmo daqueles com o coração mais insensível, sem poderem deixar de emocionar todos quando se casaram no esplendor da juventude. nomearam as suas filhas em homenagem às tão amadas flores para as quais a mulher dedicava seus dias a cuidar e manter com tanto afinco nos jardins da residência do casal. tendo nascido no período em que sua família ainda morava em brighton, daisy sentia o amor de seus pais desde a infância como a sua maior inspiração; os dois dançando pelas salas em busca de elevarem o humor de todos, não se mantendo afastados mesmo quando o decoro indicava a necessidade contrária, a montanha de cartas que a mãe recebia quando seu pai estava em alguma das missões do exército… era esplendoroso acompanhar aquilo como criança, e inevitável sonhar que algum dia encontraria um amor como aquele.
a partida para londres ocorreu com o início da adolescência de daisy, quando aulas de etiqueta, dança e idiomas eram extremamente necessários para uma jovem dama que estrearia na sociedade futuramente e que gostaria de alcançar um bom casamento. assim, dividia seu tempo entre as ocupações e cuidar de sua irmã mais nova, magnolia, com quem sempre havia mantido um laço para lá de especial. quando o seu debute finalmente chegou, a garota estava determinada a encontrar alguém com quem poderia ter o amor que percebia entre seus pais; era completamente apaixonada pela ideia de construir uma vida em que sempre teria ao seu lado alguém com quem poderia contar todos os dias, e se sentir especial para a vista de alguém. quando sua mãe adoeceu, entretanto, tudo pareceu mudar; durante os períodos em que não estavam na capital londrina, daisy permanecia diariamente ao lado de mary em sua cama na cidade natal dela e de sua irmã. até mesmo teimava em não retornar para a temporada no ano seguinte para ter mais tempo com a mulher, acompanhá-la, mas ela insistia que sempre teria magnolia e o marido ao seu lado, e que deveria aproveitar a juventude.
ficando os períodos da temporada social na casa de uma tia, irmã de mary, acabou demorando mais do que imaginava originalmente como uma jovem solteira; não estava com o mesmo ânimo para procurar um marido no ano em que descobriu a doença de sua mãe, muito menos naquele em que parecia poder perdê-la a cada carta que tardava. entretanto, daisy entendia o peso que carregava como primogênita e irmã mais velha, e como não tardaria muito para a irmã desabar caso se permitisse demonstrar que não tinha certeza do que poderia vir adiante. a mais velha sempre fora a mais racional entre ambas, e sabia que nolly tendia a deixar o seu lado emocional falar mais alto com constância; era simplesmente o seu dever protegê-la. assim, prosseguiu com a vida na sociedade. no terceiro ano de seu debute, quando estava chegando ao fim da temporada, daisy recebeu o pedido de casamento do marquês de salisbury, o qual prontamente aceitou. com o apoio de seu marido, retornou para a proximidade de sua mãe para acompanhá-la em seus últimos dias.
entretanto, com o falecimento da mãe, começava a notar algo um tanto quanto estranho: o comportamento de seu pai. as viagens do homem nunca lhe haviam causado a estranheza que deveriam, pois a carreira militar era a mais conhecida por levar os homens para longe de suas famílias. mas simplesmente parecia existir algo de errado com as ações de elijah. quando pensava sobre elas nos anos que se seguiram, era óbvio o que estava acontecendo, e somente a inocência a havia impedido de se dar conta mais cedo sobre a verdade por trás do homem. estava descobrindo a verdade sobre elijah e desenterrando anos de segredos guardados quando o mesmo ainda vivia, contudo, somente depois que o homem faleceu que daisy veio a saber de toda a verdade: aquelas viagens nada mais eram que para o militar visitar a amante que vivia em uma cidade próxima de brighton, com a qual até mesmo tinha ido passar alguns meses quando a esposa estava com saúde, e por quem havia sugerido que retornassem para a cidade litorânea, como vivia nas redondezas de brighton.
mais uma vez, era o papel de daisy proteger a sua irmã. não iria ajudar de nada magnolia descobrir que toda a crença que possuía no amor dos pais era uma mentira, especialmente quando aquilo era parte de quem era. o coração de daisy poderia estar partido, a desconfiança em tudo poderia a estar afligindo, o medo do que mais poderia ser uma mentira a atingia com tudo, mas não poderia acontecer o mesmo de nenhuma forma com nolly. talvez estivesse errando em esconder tudo dela, entretanto, não pensava em quais seriam as consequências disso; somente queria garantir que a mais nova estaria bem e feliz. o pai não precisaria deixar o coração de mais uma das filhas partido, muito menos daquela que sempre tinha o idolatrado.
II. PERSONALIDADE.
a racionalidade sempre esteve com daisy entre as duas irmãs, e ela sempre se esforçou em se manter dessa forma. também é de firmar o pé quanto ao que acredita, possuindo até que uma personalidade... difícil quando quer, porque não são poucos os casos em que o que ela acredita acaba sendo realmente só uma história inteira que criou na cabeça dele a todos os medos (especialmente nos últimos anos) acabaram alimentando. é sensível, tem o coração aberto para o amor e deseja que todos encontram a felicidade de alguma forma; às vezes, é até comum que se preocupe mais com os demais que com o seu próprio bem-estar. vem a ser extremamente protetora com quem ama, por mais que acabe tomando decisões por sua própria conta quanto aos demais que nem sempre possam ser bem interpretadas. adora a possibilidade de ajudar os demais a encontrarem seus pares e colaborar com as damas que queiram ajuda com a temporada, por mais que possa acabar sendo taxada de intrometida - o que, vamos e convenhamos, ela é mesmo. especialmente acaba sendo quando resolve se meter na vida dos outros por achar que sabe o melhor... mas cada um sabe o seu, não é?
III. RUMORES.
é extremamente comentado entre uma parte da sociedade que os motivos para o marido de daisy estar viajando tanto é de duas uma: ou está com outra, ou o casamento dos dois foi já para o brejo com menos de dois anos juntos. o que, sinceramente, está deixando daisy mais pra lá do que pra cá ao pensar que era exatamente o que falavam de seu pai e ela não dava a menor bola (e na verdade é falso rs o coitado só viajou mesmo e pronto). também existem fontes que juram que o general hillburn, pai de ambas, tinha uma segunda família inteira com uma outra mulher, o que facilmente sujaria o sobrenome do homem (o que é verdade rs).


















