callie-s-callaway:
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Logo de início, o político correu seus olhos pelo corpo bem desenhado de Callisto sem o mínimo de discrição. Ela estava acostumada a tais olhares sujos e na maioria das vezes os apreciava, amaciavam seu ego. Mas sentiu-se despida, como se somente com os olhos o tal ministro a tivesse tocado. Respirou fundo, prosseguindo com a conversa que iniciou de maneira simplista, embora cheia de flertes e insinuações. Em determinado ponto, foi como se uma parte de sua consciência falasse em voz alta, dizendo que ela podia tentar argumentar, podia mostrar ao pai que conseguiria convencê-lo com suas ideias. Sim! Era o que faria, provaria que era uma boa política e não precisava se rebaixar a tal. Apresentou a proposta de seu pai, detalhando conforme o solicitado, observando um brilho de interesse genuíno nos olhos do outro. Haviam se sentado, enquanto Callisto gesticulava explicando animadamente a proposta. Infelizmente, tinha decidido testar aquele caminho tarde demais. Já havia insinuado o suficiente para que o outro apenas prendesse sua atenção em uma única coisa, e portanto as palavras que saíram da boca masculina a fizeram diminuir o sorriso. “Isso é tudo muito interessante, querida. Mas quero saber o que eu posso ganhar apoiando o seu pai.” O homem pronunciou, o sotaque carregado e o olhar malicioso diretamente em seu decote. Então, no fim, ali estava a comprovação. Ela não era nada além de uma mulher bonita. Engoliu em seco, sentindo um enorme nó na garganta. Não poderia se desestabilizar, tinha um trabalho a cumprir. O sorriso ficou mais difícil, e quem prestasse atenção, notaria o desconforto. O próprio russo devia te-lo feito, mas não se importou. Callie inclinou-se sobre ele, a mão pousando delicadamente em sua coxa, alguns centímetros acima do joelho. — Eu posso garantir que terá muitas vantagens, senhor ministro.
observando aquela cena nada confortável, Deville se questionava se Callisto estava fazendo aquilo de propósito, para irritá-lo, ou se só estava sendo ela mesma. as duas hipóteses faziam sentido, ela era presunçosa àquele ponto de pensar que ele se importaria com que ela fazia ou deixava de fazer, e, bom, suas experiências pessoais mostravam que ela era bastante incisiva quanto ao contato físico prematuro. os lábios se curvaram para baixo, involuntariamente, quando viu a mão tão conhecida subir a coxa de outro homem, e ele só percebeu que encarava insistentemente a cena quando sentiu as orelhas se esquentarem. estava com raiva. perguntou-se se ela fazia coisas assim tão descaradas com todos os que conhecia e bufou alto, sozinho, sem perceber que o rádio estava ligado. recebeu algumas perguntas dos outros soldados preocupados se havia acontecido algo, as quais ele prontamente respondeu que não. então, tornou a voltar a observar o baile nos jardins, Callisto, mesmo inconscientemente o distraía de seus deveres. nos últimos dias, além de tentar esquecer treinando e lidando com a loucura que tinha sido a ideia (em sua visão, estúpida) de lançar um evento com tantas pessoas após um assassinato, Deville tinha conseguido colocar mais ou menos seus pensamentos em ordem. ele, talvez mais do que ninguém, sabia o que era dizer coisas no calor do momento-- ainda sim, não a perdoara por aquilo. seria um processo lento, o qual, talvez, ele estivesse disposto a esquecer. talvez; mas o primeiro ministro russo estava deixando tudo mais difícil. a forma com que ele a encarava; de repente, sentia que ele estava tentando tomar algo que era seu. que irônico ele pensar isso, sendo que a Ible tinha deixado claro que não havia intimidade nenhuma ali.
















