desde que saíra de casa por motivos muito além da compreensão dos presentes ali, Alec não se importava muito com as condições nas quais era submetido. trabalhava sob sol, chuva, tempestades, raios, desertos tanto de areia quanto de gelo. ele sabia que a conquista da tão estimada promoção viria após muito esforço, sangue, suor e trabalho. principalmente trabalho. e o trabalho, na maioria das vezes acalmava a dor insuportável que sentia a todo momento. então, apesar do duro treinamento, ele seguia forte. o sangue, ele desejava ser dos rebeldes. o rosto, apesar de sem muitas marcas de expressão pela pouca idade era duro, trincado, cansado, o que o fazia parecer talvez dez anos mais velho do que realmente era. a barba mal feita crescia irregular na face, e o cabelo colado à testa estava de um tom castanho escuro pela terra acumulada. a roupa estava completamente imunda, os nós dos dedos sangravam por causa do treinamento recente– mas ele não se importava com a dor aguda. na verdade, havia muito pouco com o que se importar na sua vida. Deville torceu a expressão, porém, enquanto enfaixava os próprios dedos; era algo tortuoso não ter ninguém, sentir-se completamente só em meio a tantas pessoas. sentado no chão de cascalho no qual havia erguido a própria barraca, xingava em voz baixa a si mesmo por não conseguir dar o maldito nó (não havia levado esparadrapo, ou outra coisa para que deixasse firme a bandagem). Aleksandra saberia exatamente o que fazer. teve que respirar fundo, mas cedeu à raiva e afundou o rosto suado nas mãos sujas. após alguns segundos na pose de luto, vasculhou com o olhar semicerrado as pessoas ali presentes. ele não tinha intimidade com ninguém o suficiente para que o ajudasse a realizar o que precisava; enfaixar a maldita mão direita. e ninguém também parecia estar no melhor humor para o ajudar. levantou-se então, irritado e caminhou ligeiramente sem rumo, muito provavelmente iria treinar sozinho e esquecer que precisava cuidar dos seus machucados. ao caminhar, as pessoas pareciam as mesmas devido a privação de sono prolongada. e foi assim até se deparar com uma das únicas, senão a única mulher ali presente. era estranho. de início, não iria falar com ela, mas muito provavelmente por não estar andando em um caminho muito conveniente, passando pelas barracas ela havia interpretado que ele queria falar algo a si. “uh..” Alec ponderou por um instante, parando de andar imediatamente “na verdade, estou indo treinar.”
“Está indo treinar? Agora?” a curiosidade presente na mulher era genuína. Dana não conseguia entender o motivo pelo qual qualquer um ali, que acabara de chegar, iria voltar a treinar na mata de onde havia saído a pouco. De qualquer forma, não era de sua conta. Havia aprendido isso de uma maneira bem rude e nada cordial, não lhe envolvia? Então não lhe interessava. “Boa sorte com a caminhada amanhã.” franziu o cenho, voltando a comer mais daquela ração que não tinha gosto algum no paladar pouco sensível da mulher. O corpo dolorido, sujo e cansado era um sinal de que não deveria ir mais além naquele dia. Dana merecia um descanso, ainda que provavelmente não dormiriam mais do que pouquíssimas horas. Menos do que precisavam. Por um segundo passou a ponderar se era mais fácil acordar depois de dormir ou se ficar acordada até o outro dia era melhor. Os olhos passaram para a mochila jogada ao seu lado direito na barraca. A mulher não podia negar para si, ela gostava da ação. Um sorriso ladino cruzou seus lábios no momento em que se levantou, envolvendo a mochila nas costas e saindo de sua barraca na direção que pensou ter visto o seu colega seguindo. Desta vez, sob suas botas, havia apenas o som dos galhos sendo quebrados no silêncio da noite. Se fosse uma garotinha, provavelmente teria medo da escuridão. Mas não era, então via algo bom naquele breu completo. “Bom, se por acaso estiver armado não atire, sou eu.” começou a se aproximar da clareira, segurando uma lanterna na mão por precaução. “E com eu quero dizer Weinz.” identificou-se. “Espero não estar atrapalhando... Como é o seu nome mesmo? Me desculpe, eu não tenho uma boa memória para nomes.”