(Charity Auction, 1979) Você foi diferente | Fletchen
- That is not the point. – Replicou, revirando os olhos contrariada, porque mais uma vez, ele tinha razão. Por que só agora a opinião da família importava? Por que era a perfeita desculpa pra ela continuar ali naquela sala e não em qualquer outro lugar? Não deixou que a provocação dele a respeito da bebida a atingisse, afinal, faria a mesma coisa. Era engraçado como duas pessoas com vidas tão diferentes conseguissem ser ao mesmo tempo tão similares. – Maybe I’m just getting you drunk so can get away from here. – Com uma piscadela, Charlie entrou na brincadeira, sentindo certo desconforto com o fato de Dunga diminuir a distância entre eles. It was all fun and games até ele se aproximar de forma perigosa. Seu corpo se arrepiou a mera proximidade dele e Charlotte odiou o quão natural a sua resposta a ele. Mas então, ele a trouxe de volta a realidade com seu típico comportamento insolente. – I’m not your fucking maid, Fletcher. – Respondeu quase que agressivamente, mas tomou o copo das mãos dele e caminhou novamente em direção a porta.
Não tinha a intenção de demorar, mas acabou encontrando com alguns conhecidos, perdendo bons minutos. Para alguém como Mundungus Fletcher qualquer tempo ganho era precioso e Charlie estava ciente disso. Pegou duas taças quaisquer e caminhou de volta a sala, apenas para dar de cara com a porta. – Fucking asshole. – Murmurou para si mesma, tirando a varinha do bolso do vestido e sussurrando um feitiço para abrir a porta. A intenção era ir direto no pescoço de Fletcher, mas Charlie conseguia ouvir vozes ao fundo, indicando que outras pessoas se aproximavam. Agarrou o braço de Dunga, puxando-o para um canto entre as grandes estantes de livros, ficando vagamente distantes de olhos curiosos. – You are unbelievable! – Exclamou entre os dentes, consumida pela raiva e algo mais, Charlie inconscientemente pressionava o corpo contra o dele. – I could kill you right now, your fucking cunt. – Xingou exasperada. A respiração acelerada era evidenciada pelo decote, que subia e descia no mesmo ritmo. E em meio a tanta raiva, tanto desespero, ainda conseguiu parar por breves momentos e fitá-lo, abrindo os lábios brevemente, deixando a ponta da língua brincando entre os lábios rosados.
“No ice, please. Thank you, love”, disse com seu característico tom debochado, ignorando a revolta da morena enquanto ela se afastava a passos largos. Mundungus se apressou e fechou a porta atrás dela. Encostou o ouvido na porta, escutando os saltos de Charlotte contra o assoalho cada vez mais distantes e tirou a varinha dos bolsos das vestes de gala. “Colloportus”, murmurou, selando a porta. Sabia que aquilo não a seguraria, mas pelo menos ganharia algum tempo.
Avançou pela sala e avistou algo suspeito. Bem ali, entre as estantes, os livros pareciam seguir um estranho padrão. Cores e títulos se repetiam na mesma ordem como se fossem réplicas exatas. Se aproximou para inspecionar melhor e tirou um deles da prateleira. Ao folheá-lo não ficou surpreso em encontrar apenas páginas em branco. “Amadores”, balbuciou, com um sorrisinho no rosto, antes de apontar sua varinha para o objeto. “Revelio”, o livro se transformou em uma pequena caixa de madeira com runas talhadas em sua superfície brilhante.
Mas antes que tivesse a chance de ver o que havia dentro, Charlotte ressurgiu e arrastou-o para um canto. Estava prestes a protestar quando ouviu vozes se aproximando e entendeu o que estava acontecendo. Ela tinha acabado de salvar a sua pele. É claro que não havia um pingo de altruísmo no ato, já que Charlotte devia estar preocupada com o como aquilo repercutiria mal para ela, mas Mundungus não pôde deixar de se sentir um pouco grato. “So...”, começou quando julgou que já era seguro. “What else do you got but empty threats?”, sussurrou, com um meio sorriso. Só que era cedo para cantar vitória.
A expressão de Mundungus mudou completamente quando voltou a ouvir passos se aproximando e não demorou para que adentrassem o cômodo. Em um gesto rápido, ele empurrou Charlotte contra a estante, aproveitando para colocar a caixa numa prateleira e antes que ela pudesse reagir, puxou o rosto dela em direção ao seu em um beijo. Se era pra ser pego que fosse por algo inofensivo como uma escapadinha. Mas o que era para ser apenas seu álibi acendeu algo dentro dele. Era difícil ter Charlotte em seus braços e não sentir nada. Ele pressionou o corpo contra o dela instintivamente e mesmo que não quisesse admitir, ela saberia que não era mera atuação. You can’t fake a bonner.