Me pediram para ver o lado bom das coisas na vida que eu levo, e juro que eu tentei demais fazer o balanço de uma forma mais positiva… Mas eu falhei.
Me falaram pra enxergar que eu sou uma pessoa que tudo que quer, faz. E que é difícil ser uma pessoa que realiza suas vontades. Eu concordo que sim. E eu concordo que sou assim.
Eu quis ter uma banda e eu tive. Eu quis cantar e ganhar um grande prêmio e eu ganhei (embora até hoje não tenha visto a cor dessa viagem). Eu quis dançar e participar de um crew e participei. Eu quis fazer mashup e eu fiz. Eu quis ser DJ e eu fui. Eu quis estampar camiseta e eu estampei. Eu quis escrever e escrevi.
Mas a minha cabeça dá círculos, e pensando em tudo o que fiz vejo que foram trocentas coisa em que não cheguei em um lugar significativo com elas.
Eu estudei música por três longos anos e não fiz nada com isso. Eu não sei argumentar tecnicamente sobre nada e não sai do lugar que eu estava. Não aprendi efetivamente nada novo no violão e nem a realmente tocar piano. Eu fiz um curso de DJ e de produção musical, mas no final continuo tocando igual e produzindo a mesma bosta de coisas que fazia antes. Tirando que de nada disso adianta, já que vc tem q ser bonitinha e lamber o cu dos outros, e não necessariamente fazer seu trampo direito pra ser lembrada. Minha loja continua no mesmo lugar, ou até com menos visibilidade.
A banda acabou. O animekê acabou. A dança acabou. A escrita uma hora vai acabar.
Eu me sinto nadando em um lago raso onde eu nem afundo e nem consigo emergir. Será que dá pra entender?
Eu ouvi a vida inteira que tudo o que eu fazia não era mais do que minha obrigação. E mesmo assim eu passei anos da minha vida tentando meu máximo, mas sempre tendo alguém que, naquela ocasião, fez aquilo melhor do que eu. Acabei sempre sendo mediana, sabe?
Eu digo que acho que cantei pra caraleo na minha última apresentação, mas no fundo eu sinto que só “ganhei” alguma coisa por dó mesmo. Pra pagar os serviços prestados e os anos de devoção.
Mesmo assim, no final, foi só um troféu de plástico.
Eu tô andando na chuva da minha cabeça e eu não aguento mais isso. Eu não aguento mais estar ensopada, mas ao mesmo tempo ter que sorrir porque tenho que ser feliz com as grandes pequenas coisas que fiz na minha vida.
Elas não me bastam. Eu já não me basto.
Eu não sei exatamente aonde eu queria estar agora, mas a vida que levo não é a que eu queria estar levando. Ou talvez eu até goste daqui, mas sempre ser só mais uma me levou a esse colapso: que eu não consigo ser grata pelo que tenho.
É egoísmo achar que a gente merecia um pouco mais do que tem?
Hoje, minha vontade de estar na minha própria pele é zero. Principalmente por sentir que tenho que estar me provando sempre em dobro. Talvez o triplo. É difícil não saber onde se queria estar e, ao mesmo tempo, não querer estar no lugar exato em que se está.
Assim não tem para onde de fugir.
E tudo que eu não preciso agora é alguém me dizendo que minha vida é legal e que eu preciso me conformar.
Porque eu não quero me conformar. Eu cansei de me calar. Eu só quero gritar.









