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Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 75
Rayanne vestiu o roupĂŁo que estava jogado num canto do quarto e se espreguiçou. Ela começou a fazer suas malas enquanto Douglas dormia. Ray terminou de arrumar tudo depois de quase duas horas. Ele abriu os olhos e riu ao ver a esposa terminando de fechar a mala. - Minha bebezinha aprendeu agora a nĂŁo sair de casa? - Ele provocou se espreguiçando. - NĂŁo me faz te xingar a essa hora. - Rayanne pediu. - Que horas sĂŁo? - Ele questionou. - Oito? - Seis e quinze. - Ela respondeu olhando no visor do celular. - Seis e quinze e vocĂȘ fazendo mala? - Douglas riu. - Que fase, hein Rayanne? - Para de me provocar. - Ela pediu. - CadĂȘ o cafĂ© da manhĂŁ? - Ele perguntou e ela o olhou sem entender. - O cafĂ© da manhĂŁ na cama pro seu marido, cadĂȘ? - VocĂȘ tem pernas. - Ela indicou. - Levanta e vai fazer o seu cafĂ© da manhĂŁ, se quiser. - NĂŁo Ă© assim que uma mulher deve agir numa reconciliação dessas. - Ele debochou. - O que vocĂȘ quer comer? - Ela questionou e ajeitou o roupĂŁo. - Fala logo, Douglas e sem putaria de responder "vocĂȘ". - Eu ia dizer vocĂȘ, mas eu tambĂ©m aceito uma xĂcara de cafĂ©. - Douglas forçou um sorriso para Rayanne e ela assentiu indo atĂ© a cozinha. Douglas se levantou da cama, colocou a cueca e a bermuda e saiu do quarto. Ele viu Douglas Jr parado na porta do quarto do casal. - O que vocĂȘ tĂĄ fazendo? - Ele questionou o filho. - Nada. - O menino saiu correndo de volta ao quarto dos gĂȘmeos. - Sonso. - Douglas rolou os olhos. - O que vocĂȘ tĂĄ fazendo aqui, papai? - Luna cruzou os braços na frente do pai. - VocĂȘ nĂŁo devia estar em casa? Ou viajando? - Eu vim buscar vocĂȘs. - Ele avisou e Luna o encarou. - NĂŁo sei, nĂŁo. - Luna encarou o pai. - NĂŁo sei se quero voltar pra casa. Luna gosta de lugar apertadinho. - Mas eu nĂŁo gosto. - Douglas empurrou o braço da filha e apontou para o quarto das crianças. - Vai pra lĂĄ e nĂŁo sai de lĂĄ, entendeu? - A menina fez bico, mas apenas concordou fazendo o que o pai tinha mandado. Douglas seguiu atĂ© a cozinha e Rayanne o encarou. Ele se sentou na mesa da cozinha e ela seguiu encarando o marido. - VocĂȘ nĂŁo falou pra eu levar a merda do cafĂ© na cama? - Ela questionou irritada. - Por que vocĂȘ levantou de lĂĄ? - Foi mal. - Douglas se desculpou. - Toma aqui seu cafĂ©. - Ela entregou a xĂcara nas mĂŁos do marido. - NĂŁo vai querer nada pra comer? - Pra comer, eu vou levar pra viagem, pra comer em casa. - VocĂȘ Ă© tĂŁo romĂąntico. - Ela disse rolando os olhos e ele a puxou. Rayanne se sentou na perna de Douglas enquanto ele tomava cafĂ©. - TĂĄ tĂŁo linda com esse roupĂŁo. - Ele elogiou. - TĂĄ bem sexy. - Diferente do pijama de velha. - Ela forçou um sorriso e ele concordou. - Quero voltar logo pra nossa casinha. - Vamos, entĂŁo. - Ele sorriu. - Eu tenho tanto pra conversar com vocĂȘ quando a gente chegar na nossa casa. - Rayanne o abraçou. - Cuidado. - Douglas disse e colocou a xĂcara de cafĂ© em cima da mesa. - Minha coisa linda. - Ele deu um beijo na bochecha da esposa e ela sorriu. - TambĂ©m tenho muito o que te contar. - Ă exatamente isso que eu quero saber. - Ray passou a mĂŁo pelo rosto dele. - Quero saber como vocĂȘ tĂĄ. - Eu tĂŽ bem, Ray. - Ele respondeu. - Eu nĂŁo vou mentir e dizer que estou 100%, mas eu tĂŽ bem. - Eu fico extremamente feliz em saber disso. - Ela se esticou e deu um selinho no marido. - Eu fiquei com medo do que pudesse acontecer com vocĂȘ. - NĂŁo precisa ter medo. - Ele sussurrou e encostou sua testa a dela. Os dois ficaram em silĂȘncio apenas sentindo o momento. - MamĂŁe! - Douglas Jr entrou correndo na cozinha e o casal se afastou. Eles olharam para o filho. - A Maya tĂĄ chorando. - Eu jĂĄ volto. - Rayanne se levantou e seguiu com Douglas Jr atĂ© onde Maya estava. Ela pegou a filha nos braços e o menino saiu do quarto. Ray se sentou numa poltrona e amamentou a filha para que ela parasse de chorar. Douglas terminou de tomar seu cafĂ© e lavou a xĂcara, colocando para escorrer. Ele se espreguiçou e quando ia sair da cozinha, foi impedido pelos dois filhos. - Que foi? - Ele questionou encarando as duas crianças. - NĂłs nĂŁo queremos voltar pra casa. - Luna disse sĂ©ria e com os braços cruzados. - Em algum momento eu perguntei se vocĂȘs querem? - Douglas encarou os filhos. - O que tĂĄ acontecendo? - Rayanne apareceu na cozinha com Maya nos braços. - Por que vocĂȘs estĂŁo todos aqui? - A gente nĂŁo vai voltar. - Luna avisou. - NĂŁo queremos ir pra casa e sabemos que mamĂŁe tambĂ©m nĂŁo quer. - MamĂŁe disse que nĂŁo queria mais voltar pra casa. - Douglas Jr contou. - Ela nĂŁo quer mais ficar com papai. - Ela disse que cansou de tentar ficar feliz com vocĂȘ. - Luna revelou. - Rayanne, a gente pode falar em particular? - Douglas pediu e piscou um dos olhos para a esposa. - Saiam pestinhas, saiam. - VocĂȘ nĂŁo vai ficar puto, nĂ©? - Rayanne perguntou na frente dos filhos. - Saiam! NĂŁo estĂŁo vendo que a gente tem que conversar em particular? - Ela gritou e os gĂȘmeos saĂram correndo da cozinha. - Eu posso saber o motivo dessas crianças nĂŁo quererem que a gente fique junto? - Ele perguntou. - Eu pensei que eles nĂŁo queriam voltar pra casa, mas eles nĂŁo querem, na verdade, que a gente volte. O que eu fiz? Sempre fui um bom pai, nunca bati neles, nunca ofendi... Sempre fui um pai presente e dei meu melhor. - NĂŁo Ă© nada com vocĂȘ. - Ela segurou a filha com um dos braços e com o outro passou a mĂŁo pelo ombro do marido o consolando. - Eu acho que Ă© pela casa mesmo, nĂŁo sei. - NĂŁo, vida, o problema deles Ă© comigo. - Douglas a olhou e em seguida desviou o olhar. - NĂŁo Ă©, amor. - Ela insistiu. - Eu devo ter falhado em alguma situação. - Ele parou pra pensar. - Talvez quando eu viajei e nem falei com eles. - Fica calmo. - Ray pediu. - NĂŁo fica triste por isso. Nem eles, nem ninguĂ©m, vĂŁo impedir a gente de ficar junto. Eles vĂŁo superar isso. Vamos pra casa. Rayanne saiu com Maya e encarou os filhos que estavam na sala. Ela colocou Maya no carrinho e os gĂȘmeos a encararam. - Um pio e eu quebro os dentes dos dois. - Rayanne avisou. - Mas a gente... - Luna tentou novamente. - Mas vocĂȘs o caralho! - Ray encarou a filha. - Cala a boca e vamos embora desse apartamento! Eu sou casada com o seu pai, vocĂȘ querendo ou nĂŁo. Nos respeite se vocĂȘ nĂŁo quer ficar sem os seus dentes que mal nasceram. - Desculpa, mĂŁezinha. - Douglas Jr se desculpou. - Vamos logo. - Rayanne chamou os filhos e cada um pegou um brinquedo para levar. Douglas pegou as malas de Rayanne e ela pegou o carrinho da filha. Os gĂȘmeos passaram com os brinquedos e a famĂlia entrou no elevador. Eles seguiram atĂ© o estacionamento e Douglas passou na frente para abrir o carro de Rayanne. Os dois arrumaram os filhos nas cadeirinhas e depois colocaram as malas no porta-malas. Ele a ajudou a entrar no carro e entrou em seguida. O casal colocou o cinto de seguranças. Douglas ligou o carro e saiu dirigindo de volta pra casa. Douglas estacionou na garagem de casa e Rayanne desceu do carro liberando os gĂȘmeos. Ela abriu a porta e os dois entraram correndo. Ray pegou Maya e levou a filha atĂ© o quarto da pequena a colocando no berço. Ela voltou atĂ© a garagem e viu o marido tirando suas malas de dentro do porta-malas. Ray pegou as malas e as levou atĂ© o quarto do casal. Douglas respirou fundo e seguiu atĂ© o quarto. Ele abriu a porta e assim que passou por ela, a fechou. - VocĂȘ precisa de ajuda? - Douglas se ofereceu para ajudar a esposa. - Vai levar um tempo pra colocar tudo de volta no lugar. - Ă. - Rayanne concordou e percebeu o desĂąnimo no marido. - BebĂȘ, cĂȘ tĂĄ bem? - TĂŽ. - Douglas assentiu mentindo. - TĂŽ Ăłtimo. - VocĂȘ esquece que eu sou sua mulher. - Ela se sentou ao lado dele e se agarrou ao braço do marido. - E que eu sei de tudo. - Eu sou seu marido. - Douglas olhou firmemente para ela. - E eu tambĂ©m mereço saber das coisas, nĂŁo acha? - Como assim? - Rayanne ficou sem entender. - O que vocĂȘ quer saber? - Tem uma coisa que eu tentei muito passar por cima. - Ele encarou o chĂŁo. - Mas depois do que vocĂȘ me disse, fiquei com isso na cabeça. - O que? - Ray voltou a perguntar. - Qual a sua dĂșvida? - Neodia. - Ele respondeu e ela respirou fundo. - Na viagem. - Hm. - Rayanne resmungou e ele tirou o celular do bolso. - Este medicamento Ă© destinado Ă prevenção de gravidez, apĂłs uma relação sexual sem proteção por mĂ©todo contraceptivo, ou quando hĂĄ suspeita de falha do mĂ©todo anticoncepcional rotineiramente utilizado. - Ele leu a bula no celular. - O que vocĂȘ tem a me dizer sobre isso, Rayanne? - Eu... - Ela respirou fundo. - SĂł me diz como vocĂȘ sabe que eu comprei isso. - Tava vendo a fatura do cartĂŁo quando vocĂȘ tava viajando e vi, uĂ©. - Ele deu de ombros. - Uma compra de trinta reais, liguei pra lĂĄ e vi. - ImpossĂvel. - Ela o encarou. - Te mandaram alguma foto, nĂŁo foi? Claro que mandaram! - VocĂȘ nĂŁo vai me responder? - Douglas voltou a encarar a esposa. - Olha, vocĂȘ chega testando a reação que eu teria se vocĂȘ estivesse grĂĄvida de outro cara e antes tinha comprado pĂlula do dia seguinte e quer que eu nĂŁo crie uma ligação nisso? - Claro que eu vou te responder, Douglas. - Ray disse sĂ©ria. - VocĂȘ sabe que eu tava brincando com a parada da gravidez e que eu nunca te trairia na vida. Foi pra Alice porque ela meio que trai o namorado dela e esqueceu de usar camisinha com o amante. - Ela disse segura. - Mais alguma pergunta ou acabou? - NĂŁo fica puta. - Douglas pediu e a puxou fazendo com que ela deitasse a cabeça em seu ombro. - Foi sĂł uma dĂșvida, mas eu nunca desconfiaria de vocĂȘ, Rayanne. - NĂŁo tĂŽ puta. - Ela respondeu. - Mas eu nĂŁo gostei da forma que vocĂȘ falou. SĂł isso. Parecia que vocĂȘ tava me acusando, Douglas. - Desculpa. - Ele se desculpou e passou a mĂŁo pelo cabelo dela. - TĂĄ bom. - Ela forçou um sorriso. - Eu acho que vou ter que arrumar minhas coisas sĂł mais tarde. - Por que? - Ele questionou e ela se deitou na cama. - O que foi? - Tenho que pensar numas coisas pra casa. - Ela respondeu ao marido. - Posso te perguntar outra coisa? - Douglas pediu. - Claro. - Ray assentiu. - O que? - O lance do filho. - Ele voltou ao assunto e ela fez cara feia. - NĂŁo fica puta antes, deixa eu falar. Sobre o lance do filho, a gente podia ter outro, nĂ©? - NĂŁo. - Ray respondeu e olhou de forma estranha para o marido. - Eu nĂŁo posso... - Um menino. - Ele sorriu para ela. - Imagina outro menino, sĂł que dessa vez mais parecido comigo que com vocĂȘ. - Douglas... - Ela tentou interromper o marido. - Talvez Matheus? - Ele sugeriu. - Cala a boca! - Rayanne gritou perturbada ao ouvir aquilo. - O que foi? - Ele se assustou. - NĂŁo sei. - Ela engoliu a seco. - Mas Matheus nĂŁo. - Eu sĂł tĂŽ brincando. - Douglas olhou um pouco assustado para ela. - Matheus... - O pesadelo. - Ela disse sem conseguir explicar muita coisa. - Que pesadelo? - Ele continuava sem entender. - Aquele que vocĂȘ tinha um filho, lembra? O nome dele era Matheus. - Ela se lembrou. - NĂŁo fala mais isso. - Ray pediu. - Eu sĂł... - Ele ficou sem jeito. - SĂł tava brincando. - Ă. - Rayanne assentiu e abraçou um travesseiro. - Mas nĂŁo faz mais. - Eu vou ter que sair. - Douglas avisou e abriu o guarda-roupa pegando uma muda de roupas. - Eu tenho que arrumar as coisas e ver outras em casa. - Ela avisou. - VocĂȘ vai demorar? - NĂŁo. - Ele negou e se vestiu. - Lindo. - Ray sorriu e mandou um beijo para o marido. - TĂĄ tentando me seduzir? - Ele terminou de se arrumar e foi atĂ© onde ela estava. - NĂŁo. - Rayanne riu. - TĂŽ conseguindo te seduzir sem tentar te seduzir? - TĂĄ sim. - Ele confirmou e deu um beijo nela. - Te amo. - Eu amo mais. - Rayanne abriu outro sorriso e ele a abraçou. - Ă difĂcil ficar longe de vocĂȘ, viu? NĂŁo gosto disso. - Ele avisou. - Agora eu tenho que ir. - Fica bem, meu amor. - Ela piscou um dos olhos e ele assentiu e saiu do quarto. Rayanne se levantou da cama e foi atĂ© a sala de estar. Ela procurou pelos gĂȘmeos e nĂŁo os encontrou ali. Ray avançou um pouco e entrou no quarto dos filhos. Luna estava deitada na cama, assim como Douglas Jr. A mĂŁe das crianças entrou no quarto e ouviu o carro do marido saindo de casa. - Ei. - Rayanne se aproximou dos filhos. - O que houve? EstĂŁo tĂŁo quietinhos agora. - Fome. - Douglas Jr reclamou. - Vamos tomar cafĂ©. - Ray chamou os filhos. - Lavem as mĂŁos e vamos tomar cafĂ©. - TĂĄ bom. - Douglas Jr se levantou empolgado e Luna apenas o seguiu em silĂȘncio. Rayanne entrou na cozinha e abriu a geladeira procurando alguma coisa para dar aos filhos. Ela encontrou potinhos de danone. Ray pegou duas colheres, abriu os potinhos e deu aos gĂȘmeos assim que eles chegaram na cozinha. Os dois seguiram para a sala e se sentaram no chĂŁo comendo. Luna foi a primeira a terminar de comer e caminhou atĂ© a cozinha estendendo a colher e o potinho para a mĂŁe. Rayanne jogou o potinho no lixo e a colher na pia e Luna olhou em volta do lugar. - CadĂȘ o Douglas? - Luna questionou. - Ele nĂŁo tĂĄ? - NĂŁo. - Rayanne negou. - Ele foi na rua. - Que bom! - A menina sorriu. - SĂł espero que ele nĂŁo volte. - Que? - Ray encarou a filha e Luna saiu da cozinha voltando ao seu quarto. A mĂŁe das crianças caminhou atĂ© seu quarto e abriu a mala. Ela pegou o primeiro vestido que viu, tirou o roupĂŁo e ajeitou a roupa no corpo. Rayanne jogou o roupĂŁo em cima da cama e abriu sua outra mala. Ela abriu o guarda-roupas e começou a arrumar tudo de volta no lugar. Ao terminar, Rayanne saiu do quarto e preparou o almoço. Ela deu leite para Maya e colocou a filha de volta no berço. Ray ouviu seu celular tocando e foi atĂ© o aparelho. Era um nĂșmero desconhecido, mas mesmo assim ela resolveu atender. - AlĂŽ. - Rayanne disse ao atender a ligação. - Quem Ă©? - Ă a Rayanne? - A mulher do outro lado da linha perguntou. - Quem Ă©? - Ray repetiu a pergunta. - Sou de um portal de notĂcias, o Astral e queria fazer uma entrevista com a Rayanne. - A mulher se identificou. - Ă a Rayanne? - Ă, sim. - Ela confirmou um pouco mais calma e se sentou no sofĂĄ. - Sobre o que a entrevista? VocĂȘ trabalha pro LĂ©o Horas? - NĂŁo, eu sou de outro portal, o LĂ©o Horas Ă© do O Ano, eu sou do Astral. - A jornalista se explicou. - VocĂȘ pode me conceder essa entrevista? - Tudo bem. - Ray concordou. - Seu nome Ă© Raylaner, nĂ©? - A mulher começou. - Rayanne mesmo. - Ray respondeu. - Rayanne Sampaio. - Vamos começar. - A mulher avisou. - Rayanne, o que vocĂȘ tem a dizer sobre o vĂdeo que vazou na internet de um homem se declarando pra vocĂȘ? - Homem? Se declarando pra mim? - Ray ficou sem entender. - Eu nĂŁo tĂŽ sabendo de nada. - VocĂȘ tava no vĂdeo. Ele cantou uma mĂșsica pra vocĂȘ. - A mulher disse e Ray se lembrou do que Yan tinha feito. - Ah, sim. - Ela forçou uma risada. - Ă um amigo de trabalho. Fizemos uma viagem juntos. Foi tudo brincadeira. - VocĂȘ ainda Ă© casada? - A mulher fez a pergunta seguinte. - Porque vocĂȘ estava com a aliança e em alguns momentos da sua viagem, vocĂȘ ficou sem ela, agora aparece esse vĂdeo de um amigo de viagem... VocĂȘ nĂŁo quer falar mais sobre a separação e esse affair? - Eu sou casada. - Ela respondeu tentando nĂŁo ficar constrangida. - Eu tava sem a aliança por conta do trabalho. Tirava e nĂŁo tinha como colocar de novo porque Ă s vezes ficava na mala e tal. Mas eu tĂŽ bem com o meu marido. Esse homem Ă© realmente sĂł um grande amigo. EntĂŁo, eu nĂŁo tenho affair e estou muito bem casada com o Douglas. - VocĂȘs jĂĄ se separaram algumas vezes. - A mulher constatou. - Essa nĂŁo teria sido mais uma das vezes que vocĂȘs separaram? Porque vocĂȘs sumiram das redes sociais depois da viagem. Os fĂŁs atĂ© comentaram que estava tudo bem estranho, Douglas estava sozinho num hotel, atĂ© vocĂȘ chegar nesse hotel tambĂ©m. Mas nĂŁo tiveram fotos de vocĂȘs, nem nada que mostrassem que vocĂȘs estavam realmente juntos. Parecia que estavam ali cada um por si. VocĂȘ nĂŁo quer falar disso? Explicar isso? - Todo casal tem crise. - Rayanne respondeu. - NĂłs estĂĄvamos passando por uma crise, por motivos de saĂșde, atĂ©. A gente nunca fez um circo dos nossos tĂ©rminos. Todas as vezes, ficamos um tempo afastados, mas nunca separados realmente. Estamos hĂĄ seis anos juntos e Ă© normal que existam crises. Mas nĂŁo. NĂłs nĂŁo nos separamos. E estamos afastados das redes sociais porque estamos com um problema de saĂșde aqui em casa. NĂŁo Ă© por capricho, nem tentando tampar o sol com a peneira. Ă realmente doença. - Tudo bem. - A mulher respirou fundo. - Vamos falar de outros assuntos, entĂŁo. Rayanne terminou de dar a entrevista e Douglas chegou em casa. Ela sorriu para o marido e ele foi atĂ© onde ela estava e a beijou. - O que foi? - Douglas questionou ao ver a esposa sentada no sofĂĄ. - Demorei pra caralho, eu sei. Mas era o trĂąnsito que tava ruim. - NĂŁo tem trĂąnsito hoje. - Ela franziu a testa e riu. - Mas tudo bem, eu te desculpo. - Aonde eu fui, tinha. - Ele tirou a blusa e a jogou em cima do outro sofĂĄ. - Tava engarrafado. - E aonde vocĂȘ foi? - Ray perguntou e Douglas a encarou. - NĂŁo te interessa. - Douglas revirou os olhos, pegou a camisa e foi para o quarto. - TĂĄ amĂĄvel. - Ela debochou, rolou os olhos e se levantou, se preparando para servir o almoço. Rayanne serviu o almoço na mesa principal e o dos gĂȘmeos na mesa de plĂĄstico. Ela chamou os filhos e eles lavaram as mĂŁos e se sentaram nas cadeiras de plĂĄstico. Douglas demorou um pouco para sair do quarto e quando foi a sala, Ray percebeu que ele estava de banho tomado, roupa social e cabelo arrumado. Ela estranhou e ele se sentou Ă sua frente. A mĂŁe das crianças parou de almoçar e serviu a comida no prato do marido. Ele forçou um sorriso em forma de agradecimento e começou a comer. As crianças terminaram de almoçar e voltaram ao quarto sem dizer nada. Ray enrolou um pouco e esperou que o marido tambĂ©m terminasse de comer. Douglas empurrou o prato na direção de Rayanne assim que terminou de almoçar e se levantou sem dizer nada. - Tchau. - Douglas pegou seu celular que estava carregando e o colocou no bolso. - Ei. - Rayanne chamou o marido assim que ele colocou a mĂŁo na porta. Douglas olhou para ela sem entender. - Pra onde vocĂȘ vai? - Olha, Rayanne... - Ele ficou irritado e ela riu. - VocĂȘ pode ficar puto do jeito que for. - Ela o encarou. - Eu quero saber pra onde vocĂȘ tĂĄ indo todo arrumado. - Ray cruzou os braços. - Pro diabo que me carregue. - Ele respondeu ainda mais irritado. - Me deixa. - Douglas? - Rayanne ficou sem entender. - VocĂȘ tĂĄ tendo alguma crise? VocĂȘ quer ajuda? Ă isso? - Eu nĂŁo estou em crise nenhuma. - Ele abriu a porta. - Por que vocĂȘ tĂĄ agressivo comigo? - Ela perguntou inocentemente. - VocĂȘ saiu daqui bem e chegou assim. - AtĂ© alguma hora. - Douglas passou pela porta e correu atĂ© seu carro na garagem. - Ă, ele surtou. - Rayanne se conformou e se convenceu a nĂŁo ficar brava com ele.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 74
Rayanne ainda estava na cama dormindo e demorou um pouco para ouvir a campainha tocar. Ela se levantou da cama, abriu a porta do quarto e caminhou com calma atĂ© a porta. Ray se esticou e olhou no olho mĂĄgico vendo alguĂ©m que ela nĂŁo esperava ver ali. Ela acabou por abrir a porta mesmo contrariada. - O que vocĂȘ quer aqui? - Ela questionou. - E a essa hora? Quem te deixou subir nesse caralho? SerĂĄ que nĂŁo tem mais porteiro? - Ray se irritou. - NĂŁo podia aguentar mais um segundo. - Douglas a respondeu e a puxou para um beijo. Rayanne correspondeu ao beijo ainda confusa. Ele parou de beija-lĂĄ e fechou a porta do apartamento. Douglas levou a ex atĂ© o sofĂĄ e voltou a beija-lĂĄ. - Olha... - Ela parou o beijo e se levantou do sofĂĄ. - Sai de perto de mim. VocĂȘ acha que Ă© assim? Olha a hora! - NĂŁo sĂł acho como tenho a total certeza. - Douglas respondeu e rolou os olhos. - Se nĂŁo Ă© assim, como Ă©, entĂŁo? Me explica. TĂŽ esperando vocĂȘ me explicar. - SĂŁo, sei lĂĄ, duas da manhĂŁ e vocĂȘ quer que eu explique alguma coisa? - Duas e cinco. - Ele olhou para o relĂłgio. - TĂŽ esperando. Ou vocĂȘ acha que Ă© super legal vocĂȘ largar as crianças pra ir se encontrar com macho? - Eu fui atras de vocĂȘ! - Ela o encarou. - Por que vocĂȘ sempre tem que ser tĂŁo idiota? - NĂŁo deixa de ser macho do mesmo jeito. - Douglas riu. - Por que vocĂȘ dirigiu aqui a essa hora? - Ela questionou e se sentou no sofĂĄ. - Temos alguma coisa pra conversar, por acaso? E quem te deixou subir? Eu pago condomĂnio pra ter o mĂnimo de segurança. - Ă claro nĂ©, sou o homem bomba agora. - Douglas foi irĂŽnico. - Vou explodir seu apartamento. - Chato. - Ela cruzou os braços. - VocĂȘ quer que eu sei. - Ele disse e olhou na direção dela. - Deixa de fogo no cu ou vocĂȘ vai querer ficar brincando com seu vibrador? - VocĂȘ realmente bateu duas e cinco da madrugada na minha porta pra falar de sexo? - Ray o encarou. - NĂŁo, sĂ©rio... Ă isso mesmo? Jura? Ă sĂł isso? - NĂŁo. - Ele sorriu. - Eu sĂł vim aqui pra divulgar a palavra de Deus. - Ele desfez o sorriso. - Ă Ăłbvio que eu vim falar de sexo e de outras coisas tambĂ©m. - Eu vou tentar te explicar uma coisa. - Rayanne disse sĂ©ria. - Se vocĂȘ quer sexo, nĂŁo procure a mim. Procure a qualquer garotinha de programa. Agora, se quiser falar de outras coisas, aĂ sim me procure. - Ela sorriu. - TĂĄ bom, tĂĄ bom. - Ele se rendeu e se ajeitou no sofĂĄ. - Vamos falar de amor, entĂŁo. - Fala. - Ela cruzou os braços. - TĂŽ esperando. A Ășnica pessoa que tem que falar alguma coisa Ă© vocĂȘ. Me tirou da cama a essa hora e nĂŁo vai falar nada? - TĂŽ tentando te levar de volta pra ela e vocĂȘ nĂŁo quer. - Ele riu e ela jogou uma almofada em cima dele. - Pra vocĂȘ isso Ă© tudo uma grande brincadeira. - Ela disse chateada. - JĂĄ entendi. - NĂŁo. - Ele negou. - Ă que a gente sabe que vai se acertar, sabemos que nos amamos e que estamos sendo orgulhosos pra caralho e que vamos voltar, sĂł estou tentando pular a parte chata e voltar Ă s boas logo, sĂł isso. - Douglas disse e deu de ombros. - E quem disse que eu vou voltar dessa vez? - Rayanne o encarou de braços cruzados. - VocĂȘ sempre volta. - Ele rolou os olhos. - A gente sempre volta. JĂĄ Ă© rotina. Pra que ficar falando, falando, falando, se a gente pode pular isso e voltar a arrumar a nossa casa e voltar as boas? Isso Ă© tudo uma grande putaria que a gente sempre faz e sempre volta porque a gente se ama e um nĂŁo sabe viver sem o outro. - AĂ eu nĂŁo sei nĂŁo! - Ela fez bico. - Eu queria conversar com vocĂȘ e queria que vocĂȘ mudasse algumas coisas. NĂŁo sei se quero voltar pra vocĂȘ desse jeito como as coisas estĂŁo. E nem agora. - EntĂŁo foi atras de mim pra que hoje Ă noite? - Ele a encarou. - Pra fazer uma novena? Pra rezar um terço? Ir pro culto? - Pra conversar. - Ela disse baixinho. - Ah claro. - Ele riu. - VocĂȘ foi conversar comigo com aquele salto ali? - Douglas apontou para o salto perto da caixa de brinquedos. - Claro. Conversar. - VocĂȘ veio aqui e nem perguntou sobre mim. - Ela revelou a mĂĄgoa. - Eu perguntei pro Diego e ele disse que vocĂȘ nem perguntou de mim. - Eu falei pra ele nĂŁo falar. - Ele confessou. - Eu fiquei puto quando soube que vocĂȘ tinha saĂdo e quase quebrei a porta do elevador e da portaria tambĂ©m. Ia chutar atĂ© os vasos de planta lĂĄ do jardim. - Por ciĂșme? - Ela questionou e Douglas a encarou. - Pula a etapa de se fazer de sonsa, por favor. - Ele pediu. - Eu nĂŁo sou sonsa. - Rayanne tentou se defender. - VocĂȘ Ă© a rainha das sonsas. - Ele acusou. - Mas eu te amo mesmo assim. Agora me chama de bebĂȘ e acaba logo com isso, pelo amor de Deus. - Eu ainda quero conversar, nĂŁo quero que as coisas fiquem superficiais. - Ela respirou fundo. - Porra! - Ele se irritou. - Eu disse merda, vocĂȘ disse merda, tudo na hora que a gente tava puto um com o outro. VocĂȘ quer realmente ficar a noite inteira discutindo sobre as merdas que a gente disse um pro outro? Ă isso mesmo? Ă isso que vocĂȘ quer? - Eu sĂł queria esclarecer as coisas entre a gente. - Ela se defendeu. - Mas vocĂȘ jĂĄ chegou aqui me beijando. - VocĂȘ queria que eu chegasse como? Atirando pedras em vocĂȘ? Porque Ă© isso que vocĂȘ merece! Mas eu tĂŽ tentando ser o maduro da relação pelo menos uma vez e tĂŽ passando por cima de tudo que aconteceu. - Ele respirou fundo. - Mas se vocĂȘ quiser que eu vĂĄ embora, eu vou. SĂł nĂŁo fica parada e calada que eu nĂŁo gosto de conversar com estĂĄtuas humanas. - Pra vocĂȘ tudo parece tĂŁo fĂĄcil. Queria que fosse assim pra mim tambĂ©m. - Rayanne foi sincera. - NĂŁo Ă© fĂĄcil esquecer algumas coisas. - Se duas pessoas se amam, elas devem ficar juntas. - Ele disse como se fosse Ăłbvio. - Mas nem sempre o amor basta pra duas pessoas ficarem juntas. - Ela fez bico. - Tem que ter respeito tambĂ©m. - E eu nĂŁo te respeito? - Douglas a encarou. - VocĂȘ tĂĄ inventando histĂłrias. - Ele respirou fundo tentando manter a calma. - EntĂŁo tĂĄ bom. VocĂȘ quer que eu te busque aqui as oito da noite pra um mega jantar romĂąntico? - Por que isso? - Ela ficou sem entender. - Jantar? - EntĂŁo, me fala o que vocĂȘ quer. - Fazer cu doce pra ver atĂ© quando vocĂȘ aguenta. - Ela confessou e ele a encarou, rindo. - Filha da puta. - Ele a encarou e ela começou a rir. - Eu tava acreditando, viu? VocĂȘ Ă© uma Ăłtima atriz. A Globo tĂĄ te perdendo, Rayanne Morais. - Obrigada. - Ela disse rindo e o abraçou. - SĂł vou te dizer uma coisa, se a Maya acordar por causa da porra desse teatrinho, vocĂȘ vai sofrer as consequĂȘncias. - TĂŽ morrendo de medo de vocĂȘ. - Ela debochou. - Morrendo. - Devia ter mesmo. - Ele provocou. - Devia morrer de medo de nĂŁo ficar caladinha e acabar com seu brinquedo. - Eu tenho certeza que vou acabar com um brinquedo hoje e que nĂŁo Ă© a pilha. - Ela se afastou dele e foi atĂ© a cozinha. Rayanne abriu a geladeira e pegou um copo de ĂĄgua para beber. Douglas entrou na cozinha e cruzou os braços. - Que isso? - Ele a encarou. - TĂĄ preparando a boca? - Ela respondeu com um dedo do meio. - SĂł perguntei. - Tem uma coisa que vocĂȘ precisa saber antes que a gente se acerte. - Rayanne colocou o copo de ĂĄgua em cima da pia. - TĂĄ grĂĄvida. - Ele brincou. - Talvez. - Ela disse sĂ©ria e ele riu. - VocĂȘ tĂĄ brincando. - Ele continuou rindo sem acreditar. - NĂŁo, eu nĂŁo tĂŽ. - Ray se sentou na cadeira da cozinha. - Quatro nĂŁo. - Douglas se jogou no armĂĄrio da cozinha. - Porra, quatro Ă© demais pra mim. - E pra mim tambĂ©m, mas o que vocĂȘ quer que eu faça? Ă a vida. - Ela disse sem jeito. - TĂĄ. - Douglas respirou fundo. - Quatro Ă© realmente um nĂșmero bastante expressivo. Mas a gente consegue. A gente vai dar um jeito, a gente sempre deu. Vai ser mais um que a gente vai amar e cuidar com todo o nosso amor. Ă isso. - Em nenhum momento vocĂȘ pensou em aborto. - Ela constatou. - Mesmo sendo bastante difĂcil pra gente. - Por que eu pensaria nisso, Rayanne? - Douglas questionou e riu. - Ă um filho com a mulher que eu amo. Por que eu faria uma coisa dessas? - Ă isso que eu queria ouvir. - Ela abriu um sorriso. - Ă exatamente isso que o meu marido diria. VocĂȘ tĂĄ bem. - Por que eu nĂŁo estaria? - Ele questionou um pouco ofendido. - Eu nĂŁo bebi, nĂŁo me droguei, nĂŁo fiz nada... TĂŽ tomando meus remĂ©dios, comecei a fazer terapia. Por que eu nĂŁo estaria bem? - Porque vocĂȘ tĂĄ doente. - Ela disse como se fosse Ăłbvio. - TĂĄ. - Ele rolou os olhos. - E por causa disso, vocĂȘ acha que eu teria coragem de tirar a vida de um bebĂȘ indefeso que sĂł tĂĄ aĂ por nossa exclusiva causa? - E se nĂŁo fosse seu? - Ela arriscou. - Que porra Ă© essa? - Douglas a encarou. - Como assim? - SĂł foi uma pergunta. - Ela deu de ombros e foi beber outro copo d'Ăgua. - De quantos meses vocĂȘ tĂĄ? - NĂŁo sĂŁo meses, sĂŁo semanas sĂł. - Ela voltou a beber a ĂĄgua. - Eu vou quebrar esse copo na sua cabeça. - Douglas avisou. - Por que? - Porque semanas... - Ele respirou fundo. - VocĂȘ tĂĄ falando da sua viagem? - Eu nĂŁo tĂŽ falando de nada. - Ela o ignorou e continuou a beber a ĂĄgua. - Me explica! - Douglas arrancou o copo da boca dela e jogou em cima da pia. - Me explica. - Eu sĂł tava brincando. - Ela forçou um sorriso. - NĂŁo. - Ele negou. - VocĂȘ nĂŁo tava sĂł brincando comigo de falar que pode estar grĂĄvida de outro sendo que sĂŁo quase duas e meia da madrugada. - VocĂȘ tĂĄ desconfiando de mim, Douglas? - Ela perguntou e virou a cabeça para o lado. - VocĂȘ bebeu? - Ele a encarou. - SĂł ĂĄgua. - Rayanne riu. - VocĂȘ tĂĄ transando com outros caras por aĂ e sĂł agora vem me dizer isso? - Douglas a segurou pelo braço. - Ă do Yan? Fala logo pra mim! - NĂŁo, eu nem grĂĄvida tĂŽ. - Ela rolou os olhos. - VocĂȘ nĂŁo sabe brincar. - VocĂȘ acha engraçado dizer que pode estar grĂĄvida de outro cara? - Ele a encarou. - Faço de tudo pra te ver puto. - Ela sorriu. - Eu tĂŽ impressionado como vocĂȘ tĂĄ doida pra eu ir embora e te deixar aqui. - Ele a encarou e Rayanne riu. - Minha filha, eu nĂŁo achei graça. - VocĂȘ quer que eu corra atrĂĄs de vocĂȘ? - Ela perguntou e se aproximou dele. - E se eu nĂŁo te deixar ir embora, Ă© melhor do que ficar correndo atrĂĄs, nĂŁo acha? - A Ășnica coisa que eu acho Ă© que vocĂȘ tĂĄ doida pra ficar com o seu brinquedinho. - Ele a encarou. - TĂŽ indo embora. - NĂŁo. - Rayanne tentou impedir, mas Douglas correu e abriu a porta da frente. - Douglas! - Para de gritar. - Ele disse sem olhar pra trĂĄs. - Tenha respeito pelos seus vizinhos! - Douglas! - Ela voltou a chamĂĄ-lo e ele entrou no elevador. Rayanne pegou a chave do apartamento e trancou o lugar. Ela chamou o elevador e viu que iria demorar. Ray saiu correndo dez lances de escada atĂ© chegar ao estacionamento. ApĂłs quase tropeçar e cair, Rayanne chegou ao Ășltimo degrau e procurou pelo carro de Douglas. Ela nĂŁo encontrou nada naquela ĂĄrea e correu pelo estacionamento a procura dele. Ray caminhou pelo estacionamento e continuou sem encontrar o carro dele. Ela fechou os olhos e voltou ao apartamento de elevador. Assim que o elevador se abriu, ela se dirigiu atĂ© seu apartamento e o abriu. - Que merda! - Rayanne disse, apagando a luz da sala e saiu caminhando atĂ© seu quarto. Ao chegar no quarto, ela nem ligou a luz e se jogou na cama. Ray sentiu alguĂ©m segurando seu braço e ligou o abajur. - Aprendeu, nĂ©? - Douglas piscou um dos olhos e a encarou. - Eu devia ter entrado logo assim, nĂ©? Ia poupar o nosso tempo. Ou serĂĄ que vocĂȘ esqueceu que esse apartamento tambĂ©m Ă© meu? TambĂ©m tenho a chave. SĂł toquei a campainha pra fazer cena. Devia ter entrado logo. Deixa eu adivinhar que vocĂȘ correu dez lances de escada pra procurar meu carro e nĂŁo achou meu carro porque eu nem trouxe o meu carro. - Ele arriscou e ela assentiu. - Se eu trouxesse o meu carro, vocĂȘ teria que voltar pra casa em carro separado do meu. Eu penso em tudo, Rayanne. E depois que a gente terminar o que tem que fazer aqui, nĂŁo dorme, nĂŁo. Vai arrumar as suas malas pra gente voltar o mais rĂĄpido que puder pra casa. Esse apartamento nĂŁo satisfaz as minhas vontades. - Ela o olhava sem saber o que dizer. - NĂŁo quis sair de casa e fazer gracinha? NĂŁo vou ajudar a arrumar a mala dessa vez, se vira. Outra coisa, nĂŁo tem uma coisinha melhor pra colocar, nĂŁo? Esse pijama tĂĄ horrĂvel. - VocĂȘ vai tirar ele, qual a diferença? - Ela questionou. - Porque tĂĄ escroto, tĂĄ te deixando parecida com aquelas tias de quarenta anos solteironas. VocĂȘ Ă© sexy, mas desse jeito, nĂŁo tĂĄ sexy. - Ele rolou os olhos e ela o encarou. - VocĂȘ quer que eu vista uma fantasia, Ă© isso? - Ela perguntou. - VocĂȘ vai tirar do mesmo jeito, nĂŁo vejo diferença. - NĂŁo Ă© questĂŁo de fantasia. - Ele negou. - Ă questĂŁo de nĂŁo ser uma roupa de velha mesmo. - TĂĄ. - Rayanne concordou e se levantou da cama, ela tirou a blusa e calça do pijama que estava vestindo e voltou a se deitar na cama. - Melhor? - AĂ vocĂȘ tirou todo o clima pra eu tirar sua roupa. - Douglas reclamou. - Mas tĂĄ, melhor que aquela porra de velha. - VocĂȘ tĂĄ me deixando pressionada. - Ray desabafou. - NĂŁo tĂĄ dando pra ter clima desse jeito, Douglas. VocĂȘ tĂĄ cortando todo o clima. Na verdade, jĂĄ acabou com todo o tesĂŁo que eu tava. - TĂĄ bom. - Ele assentiu. - Quer dormir, entĂŁo e de manhĂŁ a gente tenta de novo? Por que hoje tĂĄ complicado, nĂ©? - Hoje nĂŁo tĂĄ sendo um dia bom pra gente. - Ela respirou fundo. - TĂĄ, entĂŁo, levanta e vai fazer suas malas. Depois vem dormir. - Ele ordenou. - NĂŁo. - Ray se negou. - Eu acho que a gente pode tentar de novo, entĂŁo. - Eu vou fazer esse esforço por vocĂȘ. - Douglas forçou um sorriso. - Vou tentar tambĂ©m. Douglas puxou Rayanne pelo braço e a beijou. Ela tentou prender seus braços atras do pescoço dele e ele nĂŁo deixou. Ele parou de beija-la e avançou em seu pescoço o mordendo. Ela gemeu baixinho e se conteve ao lembrar das crianças. Douglas largou o pescoço de Rayanne e passou a mĂŁo do sutiĂŁ atĂ© a barriga dela. Ele abriu o fecho do sutiĂŁ dela e o jogou num canto do quarto. Ela olhou nos olhos dele e ele massageou seus seios ao mesmo tempo. Ray tampou sua prĂłpria boca quando ele se aproximou e mordiscou o bico do peito dela. Eles se entreolharam e ele lembrou da filha mais nova e parou. Ele passou a mĂŁo pelas pernas da esposa e puxou a calcinha dela jogando no chĂŁo perto dele. Os dois voltaram se beijar e ele a ajudou a tirar a blusa dele e depois a bermuda. Ela o viu se arrastando para baixo da cama e esperou ansiosa pelo momento. Ele voltou a passar a mĂŁo pelas pernas dela e as abriu. Ela fechou os olhos ao sentir que ele estava passando a lĂngua por seu clitoris e se concentrando em chupa-lo. Ray colocou o dedo na boca e mordeu para evitar gritar e acordar algum dos filhos. Ele parou o que estava fazendo e voltou a subir na cama e a beijar a esposa. Ela aproveitou o momento e tirou a cueca dele. O casal parou de de beijar e se entreolharam. Ele afastou as pernas dela e a penetrou. Ela jogou a cabeça para o lado e mordeu os lĂĄbios tentando se conter. Douglas começou a aumentar os movimentos de vai e vem enquanto ela arfava e se agarrava ao lençol da cama. Eles ficaram nesse jogo por mais de meia hora, atĂ© perceberem que estavam chegando ao ĂĄpice. Ele diminuiu a velocidade dos movimentos e gozou dentro dela. Ela fechou os olhos e sentiu o mesmo chegar para ela. Eles se calaram e ele a puxou para ficar ao seu lado. Rayanne rejeitou a ideia de ficar ao lado dele e se arrastou atĂ© a borda da cama. Ela segurou o membro do marido e o masturbou, colocando tudo na cabeça em seguida e o chupando. Ele gozou dentro da boca dela e ela engoliu, voltando a se deitar ao lado dele. - Eu te amo, sabia? - Rayanne disse abrindo um sorriso. - Ah, finalmente. - Douglas rolou os olhos. - Pensei que nunca mais ia dizer que me amava depois de uma transa. - Eu nĂŁo disse porque a gente tava brigado da Ășltima vez, uĂ©. - Ela disse como se fosse Ăłbvio. - E vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo disse. - Eu nĂŁo disse? - Ele a encarou. - Eu disse sim no fim do sexo em cima da pia da cozinha. Eu disse sim. VocĂȘ que nĂŁo disse. - Eu nĂŁo escutei. - Ela se defendeu. - Tava tĂŁo satisfeita que nĂŁo ouviu nada. - Douglas sorriu. - Vou te arrumar a mala agora, bebĂȘ? - Ela questionou. - Por que? VocĂȘ quer outro round? - Ele provocou. - Eu nem quero dormir. - Ela tambĂ©m provocou. - Eu posso arrumar as malas de manhĂŁ. - Nesse caso, pode mesmo. - Douglas concordou. - Mas descansa um pouco, por favor. - TĂĄ cansado? - Ela riu. - Fica quietinha. - Ele pediu. - Diz que me ama. - Rayanne pediu olhando nos olhos dele. - Eu te amo. - Douglas disse da forma mais simples que conseguiu. - Mas te amo muito, mas muito mesmo. - Agora eu posso ficar feliz de novo. - Ela forçou um sorriso. - Eu sempre te amei e sempre vou te amar. Eu nĂŁo vou deixar nunca de te amar. - Ele se declarou e ela o abraçou. - Minha coisa mais linda. - Ray sorriu e deitou a cabeça no peito dele. - Eu te amo tanto, tanto, tambĂ©m, que eu nem consigo dizer o tanto que Ă©. - Mas nĂŁo Ă© tanto quanto o meu tanto. - Ele sorriu. - O meu tanto Ă© um tantĂŁo. - O meu tambĂ©m. - Ela o encarou. - O que tĂĄ acontecendo com a gente? - Ă o amor. - Douglas sorriu. - O amor deixa a gente igual dois babacas. - Mas isso a gente jĂĄ Ă© de ofĂcio. - VocĂȘ quer casar comigo? - Ele questionou e foi atĂ© a ponta da cama pegando sua bermuda. Douglas tirou as duas alianças de dentro do bolso e mostrou para Rayanne. - VocĂȘ quer ser minha esposa de novo? - Eu quero. - Ela aceitou e ele colocou o anel no dedo dela e em seguida deu um beijo no dedo dela. - Eu vou colocar em vocĂȘ. - Ray avisou e colocou a aliança de volta no dedo do marido. - Pronto. - Bem vinda de volta, Rayanne Morais Sampaio. - Ele a saudou. - Eu nunca nem fui embora, Douglas. - Rayanne abriu um sorriso e deu um beijo no marido. Ela parou e se deitou no peito dele. - E nunca vou. - Ătimo. - Douglas disse e fechou os olhos colocando seu braço prendendo Rayanne. Ela fechou os olhos e agradeceu a Deus por estar de volta com o homem que amava. Ele fez o mesmo. Os dois abriram os olhos e sorriram um para o outro. Douglas respirou fundo e Rayanne colocou uma das mĂŁos no ombro dele. - Eu tĂŽ pronta. - Ela avisou. - Cinco minutos. - Ele pediu. - TĂĄ bom. - Rayanne voltou a acomodar a cabeça no peito do marido e fechou os olhos.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 73
Douglas voltou para casa e almoçou as sobras do dia anterior. Ele ligou a televisĂŁo e começou a assistir a um desenho animado. Ele riu de algumas partes enquanto comia. Seu celular tocou e Douglas rolou os olhos estando longe demais para atender. Ele continuou assistindo ao desenho, mas o celular insistiu. - TĂĄ atrapalhando meu desenho, porra! - Douglas reclamou e se levantou para atender a ligação. Ele viu que era a ex e pensou em nĂŁo atender. Ela insistiu mais vezes e ele acabou atendendo. - Eu espero que vocĂȘ tenha uma coisa bem Ăștil pra falar porque o Coiote tĂĄ correndo atrĂĄs do Papa-lĂ©guas. - Que? - Rayanne ficou sem entender. - Que Coiote? - Fala logo antes que comece os Looney Tunes Baby. - Ele disse apressando Rayanne. - Falando nisso, vocĂȘ jĂĄ viu o Taz baby? Coisa mais linda, gente. - Douglas riu enquanto falava. - VocĂȘ vai deixar eu falar ou nĂŁo? - Rayanne perguntou. - Fala, ĂŽ antipĂĄtica. - Ele alfinetou. - Eu queria que vocĂȘ me explicasse qual foi a do vibrador. - Ela pediu. - VocĂȘ quer que eu explique na hora que vai começar o desenho que eu mais gosto? VocĂȘ tem certeza? - Ele resmungou. - NĂŁo, nĂ©? - Me explica. - Ela pediu. - Eu preciso mesmo explicar? SĂ©rio? - Douglas questionou. - SĂł vocĂȘ pensar nas coisas que fez e que disse. VocĂȘ Ă© contraditĂłria demais, Rayanne. - Como assim? - Ela ficou sem entender. - Se vocĂȘ nĂŁo for claro, eu nĂŁo vou poder te explicar o meu ponto de vista. - Faz o seguinte? Liga numa outra hora. - Ele pediu. - Numa hora que vocĂȘ tenha percebido o que eu quis dizer com isso. Talvez quando vocĂȘ deixar de ser sonsa. - Ele desligou. Douglas fez uma busca em seu celular e encontrou o telefone de alguns psicĂłlogos que atendiam pelo seu plano. Ele tentou marcar uma consulta para aquele dia e conseguiu. O ex de Rayanne trocou de roupa, assistiu seu desenho e foi atĂ© o consultĂłrio, o mesmo que Ray tinha marcado pela manhĂŁ. Ele explicou toda a situação a psicĂłloga. Como ela tambĂ©m era psiquiatra, receitou um remĂ©dio para ele e algumas sessĂ”es de terapia tambĂ©m. Ele saiu do consultĂłrio mais aliviado que antes por ter falado tudo e jĂĄ foi atĂ© a farmĂĄcia para comprar o remĂ©dio. Douglas passou por uma loja do bairro e comprou algumas coisas novas para sua casa. Ao chegar em casa, ele desligou seu celular e o deixou carregando no quarto. Ele arrumou a casa, tirou o fio de todos os telefones e colocou as novas coisas que tinha comprado. Eram quadros e outros enfeites. Ele esvaziou o quarto que era de Micaela e empacotou todas as coisas jogando a caixa no quarto da bagunça. Douglas deu comida aos cachorros e passeou com os dois pela rua. Ele voltou para casa e tomou banho. A noite, jantou, assistiu a alguns desenhos e tomou seu remĂ©dio. Antes de dormir, Douglas pegou um caderno, anotou a data e escreveu: "Hoje foi um dia difĂcil. Surto forte. Peguei uma faca e tentei machucar pessoas na rua. TambĂ©m apontei uma faca para a Rayanne. Me exaltei com a Rayanne por ter me sentido usado (de novo). Resolvi comprar um vibrador e um lubrificante para que ela entenda que tem que usar coisas e nĂŁo pessoas. Ela mesma disse que preferia um brinquedo a mim. Depois fui a psicĂłloga e foi muito bom. Eu precisava desabafar com alguĂ©m. Me sinto sozinho, mas sei que nĂŁo estou. Deus estĂĄ comigo. AmanhĂŁ Ă© domingo. Boa noite". Ele sorriu, colocou o caderno ao seu lado na cama e fez suas oraçÔes. E naquele dia, ele dormiu em paz. Douglas acordou no outro dia de manhĂŁ e abriu um sorriso ao se levantar. Ele abriu a janela deixando que o sol entrasse e decidiu que naquele dia iria para a praia. ApĂłs tomar cafĂ© da manhĂŁ, tomar banho e se arrumar para a praia, ele ligou seu celular, ignorou todas as notificaçÔes e entrou em seu Twitter postando: "Bom dia! Que todos tenham um domingo abençoado. Deus no comando sempre". E tambĂ©m tuitou: "Dia de Praia... Vamos aproveitar o sol e esse belo Rio de Janeiro". Ele entrou no WhatsApp, ignorando as mensagens de Rayanne e digitou para o irmĂŁo: "Quando vocĂȘ estiver com os gĂȘmeos, me liga. Quero falar com meus filhos!!". Douglas chegou a praia com seu carro. Ele estacionou, deixou o celular dentro do carro, colocou seus Ăłculos escuros e correu atĂ© a areia. Ele passou o dia sentado na areia e olhando para as ondas que se formavam. Quando jĂĄ era tarde, quase inĂcio da noite, se levantou e caminhou de volta ao carro. Ao chegar em casa, Douglas tomou banho e jantou os restos do dia anterior. Ele se sentou no sofĂĄ e tentou assistir Ă televisĂŁo, mas nĂŁo conseguiu se concentrar. Douglas desligou a televisĂŁo e foi atĂ© seu quarto, trocando de roupa. Ele sabia pra onde precisava ir. O pai das crianças entrou em seu carro apĂłs estar pronto e dirigiu atĂ© o prĂ©dio onde Rayanne estava morando. Como jĂĄ conhecia o porteiro, ele subiu direto ao apartamento. Ele tocou a campainha e esperou que ela atendesse. Diego saiu de dentro do apartamento e Douglas estranhou ver o irmĂŁo ali. - Douglas? - Diego parecia assustado de ver o irmĂŁo ali. - Diego. - Douglas encarou o irmĂŁo. - Posso entrar? - Ele perguntou um pouco desconfiado. - Claro. - Diego abriu mais a porta para que o irmĂŁo passasse. Ele fechou a porta assim que Douglas entrou no apartamento. Os gĂȘmeos estavam brincando com peças de Lego no tapete e Maya estava dormindo no carrinho. As crianças pararam de brincar ao ver o pai e correram atĂ© ele. - Papai! - Luna correu atĂ© Douglas e o abraçou. - O que vocĂȘ tĂĄ fazendo aqui? - Vim ver vocĂȘs. - Douglas respondeu e abriu um sorriso. - Eu tava morrendo de saudade de vocĂȘ. - Douglas Jr disse olhando para o pai e abrindo um sorriso. - Pensei que vocĂȘ nĂŁo ia mais ver gĂȘmeos. - Claro que vou. - Ele afirmou aos filhos. - Eu sempre vou estar com vocĂȘs. NĂŁo importa o que aconteça. Somos uma famĂlia, lembram? - Sim. - Os gĂȘmeos assentiram e Douglas se abaixou para abraçar os filhos. Ele soltou os filhos e caminhou atĂ© a mais nova. Douglas pegou Maya no colo e a menina abriu os olhos sem chorar. O pai da menina passou a mĂŁo pelo rosto dela e ela pareceu abrir um sorriso gostando daquilo. Ele deu um beijo no rosto da filha e a segurou mais alinhada em seus braços. Diego sorriu ao ver a cena e os gĂȘmeos voltaram a brincar. Douglas caminhou com Maya pelo apartamento a procura de Rayanne e nĂŁo a encontrou. Ele olhou na direção do irmĂŁo e Diego apenas moveu a cabeça de um lado para o outro em gesto de negativa. - Como assim? - Douglas estranhou e colocou Maya de volta no carrinho. Ele puxou o irmĂŁo atĂ© a cozinha para que os gĂȘmeos nĂŁo ouvissem. - Ela nĂŁo tĂĄ. - Diego negou. - Ela saiu. - Saiu? - Douglas franziu a testa. - Saiu pra onde? Saiu com quem? - Saiu sozinha. - O irmĂŁo de Douglas respondeu. - Eu nĂŁo sei pra onde ela foi, mas disse que nĂŁo volta hoje. AtĂ© pensei que ela pudesse estar contigo. - NĂŁo. - Ele negou e engoliu a seco. - Ela nĂŁo estĂĄ comigo. - EntĂŁo, nĂŁo sei. - O outro deu de ombros sem saber como ajudar o irmĂŁo. - Mas talvez vocĂȘ encontre ela aqui amanhĂŁ. - NĂŁo. - Douglas voltou a recusar. - SĂł vim ver as crianças e perguntei por ela. - VocĂȘ tĂĄ bem? - Diego ficou com um pouco de receio da reação do irmĂŁo ao saber que Ray tinha saĂdo. - TĂŽ. - Douglas respirou fundo e se acalmou. - Vou me despedir das crianças e sair fora. - VocĂȘ veio atras dela? - Diego se interessou. - NĂŁo interessa. - Douglas respondeu e se despediu dos filhos. - NĂŁo diz pra ela que eu procurei por ela. Ainda estamos brigados. SĂł vim ver os meus filhos. - TĂĄ bom. - Diego concordou e Douglas saiu pela porta. Douglas se irritou ao descer pelo elevador e lembrar que Rayanne tinha saĂdo e Diego sequer sabia para onde ela tinha ido. Ele chegou ao tĂ©rreo, se despediu do porteiro e pegou seu carro no estacionamento ao ar-livre. O pai das crianças entrou no carro e dirigiu de volta a sua casa. Ele estacionou o carro na garagem e desceu do carro. Douglas entrou em casa e percebeu que algumas coisas na sala de estar pareciam estar mexidas. Ele ficou apreensivo e andou pelos cĂŽmodos a procura de alguĂ©m. NĂŁo tinha ninguĂ©m. Douglas respirou fundo e pegou seu celular cheio de mensagens. Ele resolveu ler as mensagens de Rayanne: "Oi", "SerĂĄ que a gente pode conversar?", "Douglas? Sei que vocĂȘ tĂĄ na praia, mas tambĂ©m sei que tem sinal", "NĂŁo me ignora", "Douglas?", "Eu quero falar contigo", "CadĂȘ vocĂȘ?". Ele terminou de ler e jogou o celular em cima do sofĂĄ. O ex-marido de Rayanne nĂŁo conseguia entender pra onde ela tinha ido e o porquĂȘ de Diego nĂŁo saber. Ele ligou a televisĂŁo tentando espantar o ciĂșme e colocou num canal qualquer se forçando a nĂŁo ligar para aquela situação. âšâšâšâšâšâšâšâšâšâšâš Rayanne abriu a porta de seu apartamento e Diego olhou na direção da porta. Ela entrou um pouco irritada e os gĂȘmeos sorriram para a mĂŁe. O irmĂŁo de Douglas forçou um sorriso para a ex-cunhada e Ray pegou Maya nos braços, caminhando atĂ© o quarto da pequena. Diego a seguiu. - Oi. - Ele disse tentando parecer sutil. - O que houve? VocĂȘ parece irritada. - Porra! - Rayanne esbravejou. - O que foi? - O outro questionou. - Quer falar sobre isso, Ray? - Na verdade nĂŁo. - Ela foi direta e se sentou na poltrona com a filha. - Eu quero esquecer que a noite de hoje aconteceu. - Foi tĂŁo ruim assim? - Diego insistiu. - Por que nĂŁo me fala? - Porque nĂŁo importa mais! - Ela continuava chateada. - Porque eu cansei de ser idiota. - Quer me explicar melhor? - Ele percebeu que Rayanne estava quase chorando. - Vai ser melhor pra vocĂȘ, Rayanne. - NĂŁo sei. - Ela deixou que as lĂĄgrimas rolassem de seus olhos. - Eu realmente nĂŁo sei, Diego. Fiz papel de otĂĄria. - Com quem? Ă isso que eu nĂŁo tĂŽ entendendo. - O outro insistiu mais uma vez. - Me explica tudo com calma. - NĂŁo. - Ela voltou a se recusar a contar. - Eu acho que Ă© a minha maior decepção. - Quer contar? - Ele insistiu mais uma vez. - Ă sĂ©rio, posso estar sendo chato, mas Ă© o melhor. - NĂŁo, Diego. Me deixa. - Ray pediu e ajeitou Maya nos braços. - Eu sĂł quero esquecer. - TĂĄ bom. - O outro enfim se convenceu. - Mas preciso te contar uma coisa pra que vocĂȘ nĂŁo fique chateada comigo. - Fala. - Ela se esticou e pegou uma chupeta, colocando em Maya. - O que tĂĄ rolando? - Meu irmĂŁo veio aqui. - Diego foi direto. - Ele veio ver as crianças. - O seu irmĂŁo tava aqui? - Ray questionou parecendo ficar mais calma. - Ele falou com as crianças? TĂĄ tudo bem com ele, Diego? - TĂĄ tudo Ăłtimo. - Ele afirmou ao se lembrar do irmĂŁo. - Ele tava feliz. Ele ficou pouco tempo. - Ah. - Ray apenas assentiu com um movimento de cabeça. - Fico feliz que ele esteja feliz. - Eu tambĂ©m. - O irmĂŁo de Douglas concordou. - Mas ele nĂŁo perguntou sobre mim? - Ray arriscou perguntar ao irmĂŁo de Douglas. Diego apenas negou, se lembrando do que o irmĂŁo havia pedido. - Nadinha, Diego? Nem como eu tĂŽ? - Ele voltou a negar. - Poxa, eu mandei varias mensagens e ele nem me respondeu. Sei que ele tava na praia, mas lĂĄ tem sinal e ele podia ter respondido pra mim. Eu me preocupo de verdade com ele, Diego. Poxa, isso me chateia. - Eu imagino. - Diego assentiu e Ray fechou os olhos ainda sentada na poltrona e com Maya nos braços. - Seis anos. - Ela disse e começou a chorar. - Eu nĂŁo acredito que ele jĂĄ tenha me esquecido assim. Sei que ele jĂĄ disse que nĂŁo me ama, mas... - VocĂȘ ainda tinha uma esperança. - Diego arriscou e ela afirmou. - Eu ainda acreditava que ele pudesse voltar a me amar. - Infelizmente nĂŁo posso dar uma de cupido porque estou no meio de vocĂȘs dois. - Ele riu. - Mas talvez haja uma esperança, Rayanne. - SĂł em ele nĂŁo ter perguntado, jĂĄ diz muita coisa. - Ela reabriu os olhos. - Mas tudo bem. - Eu tenho que ir agora, Ray. - Ele deu um beijo no rosto de Rayanne. - JĂĄ tĂĄ ficando tarde e eu combinei de sair com a Larissa. Fica bem, viu? Se mantenha firme. Se Deus quiser, vocĂȘs voltam. - AmĂ©m. - Ray forçou um sorriso. - Boa noite, Diego. Boa saĂda hoje. - Obrigado. - Ele agradeceu e acenou para Maya saindo do quarto. Rayanne tirou a chupeta da filha e abaixou a alça da blusa amamentando a pequena. Ela sorriu para a filha e passou a mĂŁo pelo rosto dela. Maya parou de mamar e Ray ajeitou a blusa. Ela percebeu a menina sonolenta e a colocou no berço. Ray tirou o salto alto e caminhou atĂ© a sala de estar. Ela ajudou os filhos a guardarem as peças de lego. - O papai veio aqui. - Luna contou animada. - Ele ficou pouquinho, mas foi muito legal. - Sim. - Douglas Jr concordou com a irmĂŁ. - Tava com muita saudade do meu papai. - E eu tambĂ©m. - Luna terminou de guardar as peças de lego e Rayanne a ajudou a fechar a caixa. - Muito bem, muito bem. - Ray olhou para os filhos e forçou um sorriso. - Hora de dormir. - TĂŽ morrendo de sono mesmo. - Luna sorriu e os gĂȘmeos deram um beijo estalado na bochecha da mĂŁe e foram correndo atĂ© seu quarto e deitaram em suas caminhas. Rayanne foi atĂ© seu quarto e trancou a porta. Ela parou em frente ao espelho e se viu toda arrumada. Ray respirou fundo e começou a tirar as joias, o vestido e depois a maquiagem. Ela colocou um pijama e foi atĂ© o banheiro escovar os dentes. A mĂŁe das crianças se deitou na cama e desligou as luzes. Ray pegou seu celular e viu que Douglas havia visualizado suas mensagens, mas nĂŁo as tinha respondido. Ela colocou seu celular no carregador e se virou na cama. Rayanne recomeçou a chorar e fechou os olhos. Ray fez suas oraçÔes e se cobriu com o edredom, tentando dormir. Ela nĂŁo conseguiu e ficou virando de um lado para o outro na cama. Rayanne ainda nĂŁo conseguia acreditar que tinha ido atras de Douglas e que ele tinha estado no apartamento. Ela se convenceu que tinha sido melhor daquele jeito, jĂĄ que ele parecia nĂŁo se importar mais com ela. Ray fechou os olhos e tentou dormir mais uma vez. âšâšâšâšâšâšâšâšâšâšâš Douglas desligou a televisĂŁo e pegou seu celular indo para o quarto. Ele foi atĂ© o banheiro, escovou os dentes e voltou para sua cama. O pai das crianças entrou em seu Instagram e curtiu algumas coisas que os fĂŁs tinham postado sobre ele. Ele saiu do Instagram e abriu seu WhatsApp. Douglas colocou o celular no carregador e olhou novamente para as mensagens de Rayanne. O ex de Ray pensou muito em nĂŁo respondĂȘ-la, mas acabou cedendo. Ele respondeu: "Oi Rayanne, passei o dia com o celular no carro. Sinto muito. SĂł consegui ver as mensagens ainda agora", "Mas o que vocĂȘ queria me falar?", "Passei hoje no seu apartamento e vi as crianças. Espero que vocĂȘ nĂŁo se importe", "A Maya cresceu desses dias pra cĂĄ?". Douglas recebeu a resposta pouco tempo depois: "Oi Douglas", "Ah sim, mas podia ter respondido antes...", "Diego me disse que vocĂȘ passou no meu apartamento hoje, sem problemas", "E sim. A Maya tĂĄ maior. Ela cresce cada dia um pouquinho mais". Ele leu um pouco as mensagens e decidiu continuar: "VocĂȘ nĂŁo disse o que queria falar comigo...". E a resposta foi: "Nada demais!", "SĂł queria saber como estava tudo, fiquei preocupada...". Douglas retrucou: "TĂĄ tudo de boa, obrigado por perguntar". "Ok, vou voltar a dormir, entĂŁo... Boa noite!" foi a mensagem que ele recebeu de Rayanne. Douglas bocejou tambĂ©m sentindo sono, mas se arriscou: "Diego me disse que vocĂȘ saiu. Pra onde foi?". E ela respondeu: "Pra nenhum lugar relevante. So fui pra passar vergonha mesmo". "Como assim, Rayanne?". E ela respondeu outra vez: "Fui atras de vocĂȘ. Como disse, nada relevante. Boa noite". Ele se sentou na cama e digitou o mais rĂĄpido que podia: "Atras de mim? Que?". E Ray respondeu: "Boa noite, Douglas". Mesmo transtornado ele deixou que ela fosse dormir e terminou a conversa com um: "Fica bem, entĂŁo. Boa noite e bons sonhos". Rayanne nĂŁo respondeu mais nada e ele colocou o celular embaixo do travesseiro enquanto carregava. Douglas mordeu o lĂĄbio e começou a orar antes de dormir. Ele ajeitou o travesseiro e se alinhou na cama. O ex de Rayanne ficou pensando na mensagem dela e acabou fechando os olhos sem parar de pensar.

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Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 72
Rayanne acordou na madrugada e voltou a entrar no quarto. Douglas continuava dormindo. Ela colocou a mĂŁo na testa dele e sentiu que jĂĄ nĂŁo estava quente como antes. Ray se lembrou que no dia seguinte seria sĂĄbado e que os gĂȘmeos nĂŁo teriam escola. Ela passou a mĂŁo pelo cabelo do ex fazendo carinho e abrindo um sorriso. - VocĂȘ vai ficar bem. - Ela sussurrou continuando a fazer carinho nele. - Isso tĂĄ doendo tanto em vocĂȘ quanto em mim. Ela se interrompeu e tirou a sapatilha dos pĂ©s. Ray se deitou ao lado dele com cuidado e fechou os olhos. Douglas continuou dormindo e nem sentiu a ex na cama com ele. Rayanne fez suas oraçÔes e dormiu. Rayanne foi a primeira a acordar e saiu da cama com cuidado. Ela foi atĂ© a cozinha e fez o cafĂ© da manhĂŁ. Ray comeu sozinha na mesa da cozinha e levou o de Douglas numa bandeja atĂ© o quarto. Ela o acordou e o ajudou a se sentar na cama. - TĂĄ quentinho, acabei de fazer. - Ela sorriu e estendeu a bandeja para ele. - Obrigado. - Ele forçou um sorriso e ela o ajudou a comer o cereal na tigela. - VocĂȘ dormiu? - Eu? Dormi. - Ela forçou um sorriso e continuou dando o cereal na boca dele. - Deitei um pouquinho e descansei. - Desculpa por te dar trabalho. - Douglas disse e Ray forçou um sorriso. - VocĂȘ nĂŁo me dĂĄ trabalho. - Ela disse e continuou o ajudando a comer. - Eu faço tudo isso de coração aberto. VocĂȘ sabe. - Eu posso comer o resto sozinho, pode deixar. - Ele segurou a tigela e comeu o resto do cereal sozinho. Rayanne saiu do quarto e fez uma busca no celular para encontrar telefones de psicĂłlogos. Ela pegou alguns que atendiam pelo plano e ligou. Apenas um dia vaga e seria dali a duas horas. Ela marcou a consulta e voltou ao quarto. Douglas estava em pĂ© na janela com o olhar perdido. - Douglas? - Rayanne o chamou um pouco distante. Ele se virou na direção da ex com calma. - Vamos sair? - Ela nĂŁo sabia como contar que tinha marcado uma consulta no psicĂłlogo. - Pra onde? - Ele questionou e se sentou na cama. Ela ficou em pĂ© a frente dele. - Eu marquei consulta pra vocĂȘ. VocĂȘ nĂŁo tĂĄ bem. - Ela disse com cuidado. - SĂł pra ver como vocĂȘ tĂĄ. Pode ser? - Pode. - Ele assentiu um pouco triste. - Eu nĂŁo tĂŽ bem. - Vai ficar tudo bem. - Ela tentou consola-lo e o abraçou com cuidado. - Eu tĂŽ aqui com vocĂȘ e nĂŁo vou deixar nada de ruim acontecer. - Ela segurou a mĂŁo dele. - TĂĄ tudo bem agora. - Eu vou me arrumar. - Douglas soltou a mĂŁo de Rayanne e foi atĂ© o banheiro para tomar banho. Rayanne esperou na sala enquanto ele se arrumava. Ela ficou parada no sofĂĄ e Douglas abriu a porta. Ele estava vestindo uma calça jeans, uma blusa ao contrĂĄrio e tĂȘnis. - Vamos? - Douglas questionou e Rayanne o encarou. - Senta aqui. - Ela apontou para o sofĂĄ e ele se sentou em silĂȘncio. Rayanne suspendeu a blusa de Douglas e a desvirou, colocando do jeito certo. Ele continuava parado como se nem fosse com ele. - TĂĄ bom, agora eu tĂŽ bastante preocupada. - Ray sussurrou. - Por que? - Douglas questionou inocentemente. - Por nada. - Ela negou e o ajudou a se levantar do sofĂĄ. Os dois passaram pela porta da casa e Rayanne o colocou no banco do carona. Ela colocou ĂĄgua e comida no quintal para os cachorros e voltou ao carro. Ray se sentou no banco do motorista e Douglas ficou calado. Ela ligou o carro e abriu o portĂŁo saindo de casa. Ray ligou a rĂĄdio num volume baixo e Douglas olhou para a janela. - VocĂȘ tĂĄ se sentindo bem? - Ray questionou enquanto dirigia e Douglas apenas assentiu com um balanço de cabeça. - VocĂȘ tĂĄ tĂŁo triste, Douglas. - Ela constatou ao parar do sinal. - VocĂȘ tĂĄ me deixando triste tambĂ©m. - NĂŁo. - Douglas rejeitou a ideia e olhou para Rayanne. Ela viu um olhar perdido, sem direção, sem espelhar nenhum sentimento e ele relaxou no banco que estava sentado desviando o olhar dela. - Eu quero te ajudar. - Rayanne continuou falando mesmo que tivesse voltado a dirigir. - Mas vocĂȘ tem que me ajudar a te ajudar. NinguĂ©m quer te ver desse jeito, muito menos eu. - Rayanne, eu quero ser sincero com vocĂȘ. - Douglas parou de olhar para a janela. - Eu sei que vocĂȘ tĂĄ com uma boa vontade do caralho de me ajudar, mas nĂŁo vai adiantar. - O meu problema Ă© estar sem vocĂȘ. Podem passar calmantes, ficar falando horas com psicĂłlogo, que nĂŁo vai adiantar. Eu preciso ter vocĂȘ do meu lado. Eu preciso acordar e saber que vocĂȘ tĂĄ comigo ou saber que vocĂȘ tĂĄ fazendo o nosso cafĂ© da manhĂŁ ou sei lĂĄ. A Ășnica coisa que vai poder me tirar dessa tristeza Ă© o seu amor, mas eu nĂŁo quero que vocĂȘ tenha pena de mim e fique comigo porque eu tĂŽ doente. Eu sei que pisei na bola quarenta mil vezes e que vocĂȘ me perdoou as quarenta mil vezes. Eu nĂŁo mereço mais ter chances com vocĂȘ e espero que vocĂȘ seja feliz. SĂł falei porque estamos perdendo nosso tempo indo pra consulta. - Douglas confessou e ela se calou. - Eu tambĂ©m nĂŁo ficaria com uma pessoa que nĂŁo foi capaz nem de pegar um tĂĄxi e me visitar no hospital. VocĂȘ nĂŁo merece um fardo desses na sua vida, na verdade, ninguĂ©m merece. - VocĂȘ nĂŁo Ă© um fardo na minha vida. - Rayanne disse e olhou na direção dele. - Nem pra mim, nem pra ninguĂ©m. VocĂȘ precisa de ajuda profissional. - A Ășnica coisa que eu preciso Ă© vocĂȘ na minha vida. - Ele esclareceu. - VocĂȘ nĂŁo pode colocar a sua felicidade em cima de outras pessoas. - Ela parou no sinal e o encarou. - Mesmo que essa pessoa seja eu. VocĂȘ nĂŁo pode fazer isso, Douglas. - Eu sei, mas sempre faço tudo errado mesmo. - Ele choramingou. - Eu sempre faço as merdas mesmo. - VocĂȘ tĂĄ parecendo uma criança. - Rayanne disse e encostou o carro. - NĂŁo posso falar nada que pode te magoar. - Desculpa. - Douglas encostou a cabeça na janela e começou a chorar. - Eu vou embora. - Ele abriu a porta do carro e saiu correndo. - Douglas! - Rayanne saiu do carro e gritou. - Douglas! Rayanne tentou encontrar Douglas, mas ele nĂŁo estava Ă vista. Ela voltou ao carro e dirigiu na contramĂŁo tentando encontrĂĄ-lo. Ray quase bateu num carro e começou a ficar desesperada sem encontrar o ex. Ela voltou a pista normal e estacionou o carro. Rayanne saiu correndo tentando encontrar o ex, mas nĂŁo havia nem sinal dele. Ela pegou seu celular no bolso rapidamente e discou o nĂșmero de Diego com as mĂŁos trĂȘmulas. - Oi Rayanne. - Diego disse assim que atendeu a ligação. - O seu irmĂŁo surtou e fugiu do carro. - Rayanne disse desesperada. - Eu jĂĄ procurei em todos os lugares e nada dele. - Se acalma e procura de novo. Onde vocĂȘ acha que ele pode ter ido? - Diego tentava acalmar Rayanne. - Procura de novo, ele nĂŁo deve ter ido tĂŁo longe. - Ele disse que era um fardo, que nĂŁo ia adiantar ir a consulta... Eu nĂŁo sei, Diego, ele atravessou correndo com os carros em movimento. Ele tĂĄ surtado. - Ela disse assustada. - VocĂȘ tĂĄ perto de que? - Diego perguntou tentando se localizar. - Eu nĂŁo tĂŽ perto de nada. TĂŽ na avenida. - Ela respondeu. - NĂŁo tem nada aqui e eu nĂŁo tĂŽ conseguindo achar ele. JĂĄ nĂŁo sei o que fazer. Tentei com o carro, tentei a pĂ© e nada... Vou tentar de novo, tchau. - Ela desligou e voltou a procurar por Douglas. Douglas parou de correr ao chegar ao shopping quase vinte minutos depois. Ele entrou no lugar e se sentou num banco no primeiro piso. Depois de recuperar o fĂŽlego, ele se levantou e começou a passear pelo shopping. Ele entrou numa loja e observou as coisas de perto. Douglas começou a sentir uma agonia enorme ao ver casais passando perto dele. Ele foi atĂ© o setor de cozinha e viu um faqueiro. Douglas violou a embalagem e pegou uma das facas, escondendo no bolso e saiu da loja. Ele saiu do shopping e foi andando pela rua. - Oi, vocĂȘ tĂĄ perdido? - Uma mulher se aproximou de Douglas e ele tirou a faca apontando na direção dela. - Sai daqui, caralho. - Ele gritou e voltou a esconder a faca. Douglas andou pela rua encarando todo mundo. Ele se sentia observado e nĂŁo estava gostando daquilo. Ele se sentou no banco do ponto de ĂŽnibus e uma mulher se sentou ao lado dele. Douglas tirou a faca da cintura e apontou na direção da moça. Ela saiu correndo e as outras pessoas que estavam no ponto tambĂ©m. Um homem chamou o segurança de uma loja prĂłxima ao ponto e Douglas saiu correndo pelas ruas tentando nĂŁo ser pego. Rayanne estava passando bem na hora e viu o ex-marido correndo pela rua. Ela aproveitou que nĂŁo tinham carros atras dela e deu rĂ©. Douglas abriu a porta e se jogou no chĂŁo do carro na parte de trĂĄs. Ray ficou assustada e dirigiu rapidamente de volta Ă casa. Ela estacionou o carro na garagem de casa e ele se levantou da parte de trĂĄs do carro e a segurou pelo pescoço. Ele tirou a faca e apontou para ela. - Calma. - Rayanne pediu levantando as mĂŁos. - VocĂȘ nĂŁo precisa disso, Douglas. - Eu tĂŽ cansado. - Ele continuou apontando a faca para ela. - Eu tĂŽ de saco cheio de tudo. - Se acalma. - Ela pediu assustada. - Por favor. - Eu nĂŁo vou te machucar. - Ele soltou a ex e ela tropeçou e caiu no chĂŁo. - Eu nĂŁo vou fazer nada com vocĂȘ. - Douglas começou a choramingar e tentou abrir a porta de casa. - A sua situação Ă© muito triste. VocĂȘ furtou uma faca e ameaçou pessoas na rua, Douglas. - Ela constatou. - Ă tudo bem triste. Nem te reconheço mais. - Ă por isso. - Ele tentou novamente abrir a porta de casa. - Que eu vou sumir pra nĂŁo te dar mais problemas. - Para! - Ela gritou começando a chorar. - NĂŁo faz isso! - Me dĂĄ a chave. - Ele se aproximou dela e apontou a faca novamente. - Me da a chave de casa, Rayanne! - Eu nĂŁo vou deixar vocĂȘ ir embora e se matar. - Ela respondeu chorando. - Vamos conversar, Douglas. VocĂȘ nĂŁo precisa fazer isso. - Desculpa. - Ele jogou a faca num canto do quintal e a abraçou a jogando no chĂŁo. - Tudo bem. - Ela disse ofegante e o abraçando assustada. - Acho melhor vocĂȘ ir embora. - Douglas sugeriu e se soltou do abraço. - NĂŁo. - Rayanne se negou. - Fica calmo. Por favor. Eu nĂŁo vou a lugar nenhum. - Ela o ajudou a se levantar e o levou para dentro de casa. Douglas se sentou no sofĂĄ e Rayanne percebeu que ele estava suando muito. Ela se aproximou e tirou a blusa dele. Ray nĂŁo se conteve e passou a mĂŁo na barriga dele. Douglas segurou a mĂŁo da ex e a encarou. - Tira a mĂŁo de mim. - Ele a encarou e saiu andando atĂ© o quarto. Rayanne o seguiu atĂ© o quarto e Douglas se sentou na cama. Ela parou perto dele tentando entender o que estava acontecendo. - O que houve? - Douglas nĂŁo gostou de ver Rayanne ali. - VocĂȘ nĂŁo mora mais aqui. Sai do meu quarto! - Eu tĂŽ aqui pra ajudar. - Ela se ajoelhou na frente dele e olhou em seus olhos. - Fica tranquilo. - NĂŁo sei se posso confiar em vocĂȘ. - Ele disse sĂ©rio. - Claro que pode. - Rayanne afirmou e aproximou seus lĂĄbios aos dele. - Confia em mim. - Ela pediu e ele a encarou. - NĂŁo quero seu beijo de pena. - Ele se deitou na cama e virou de bruços. - Sai do quarto! Porque eu jĂĄ sei que vocĂȘ nĂŁo vai voltar pra mim, que vocĂȘ tĂĄ aqui por pena e que vocĂȘ quer apenas acalmar o doido que viveu seis anos com vocĂȘ. Eu jĂĄ sei de tudo isso, Rayanne. NĂŁo precisa forçar o papel de ex-mulher cuidadosa. Se me der a porra do divorcio, eu assino. - NĂŁo Ă© assim. - Ela negou. - A gente pode conversar e entrar num consenso. - Ray sugeriu. - Consenso, Rayanne? - Ele riu e a encarou. - Sabe o que eu acho engraçado nisso tudo? - O que? - Rayanne questionou e Douglas se calou. - Eu nĂŁo vou falar porque vocĂȘ vai usar isso pra jogar as coisas pro seu lado. - Ele respirou fundo e sorriu. - Pode ir embora. NĂŁo vou me matar, nem matar ninguĂ©m. - NĂŁo posso te deixar aqui sozinho. - Ela negou. - Eu nĂŁo preciso disso. - Douglas abaixou a cabeça. - VocĂȘ jĂĄ percebeu o que tĂĄ fazendo comigo? TĂĄ me magoando. - O que eu tĂŽ fazendo pra te magoar? Eu estar aqui te magoa? - Ela ficou sem entender. - VocĂȘ faz as coisas e esquece. - Ele acusou e se cobriu com o edredom. Ela tentou ajudĂĄ-lo e Douglas rejeitou ajuda. - Ă tudo quando vocĂȘ quer. VocĂȘ fala uma coisa, faz outra e no fundo nem sabe o que quer. Eu nĂŁo preciso disso. NĂŁo sou a criança mimada que vocĂȘ pensa que eu sou. Eu jĂĄ tĂŽ melhor do meu surto, nĂŁo tĂĄ vendo? JĂĄ pode ir embora. NĂŁo vou deixar vocĂȘ fazer de novo. Ă difĂcil, mas eu nĂŁo vou deixar vocĂȘ me tratar dessa forma. JĂĄ tĂŽ bem, Rayanne. Vai embora. - Eu nĂŁo tĂŽ entendendo. - Ray sorriu um pouco nervosa. - Eu tenho sentimentos. - Ele afirmou e se levantou, abrindo a porta do quarto. - Sai daqui! - Douglas? - Ela questionou sem entender. - O que foi? - A Ășnica coisa que tĂĄ me fazendo mal aqui Ă© a sua presença. - Ele disse e começou a chorar. - Por favor, sai daqui se vocĂȘ ainda tem um pingo de respeito por mim. - O que tĂĄ acontecendo? - Ela questionou se negando a sair. - VocĂȘ tĂĄ desgraçando a minha cabeça! - Ele gritou. - Ă isso que tĂĄ acontecendo! - Douglas, o que eu fiz? - Ray perguntou assustada. - O que vocĂȘ ia fazer. - Ele fechou os olhos. - Mas eu nĂŁo vou deixar vocĂȘ me usar desse jeito. NĂŁo vou! Mesmo que eu te ame. - Douglas, eu nĂŁo ia fazer nada contra vocĂȘ. - Ela se defendeu. - Pega seu carro e vai embora dessa casa. - Douglas pediu. - Douglas... - Ela tentou falar alguma coisa, mas ele a puxou pelo braço e sĂł largou quando a colocou no quintal. - Vai embora. - Ele pediu e abriu o portĂŁo. - Tchau! Adeus! Au Revoir, Rayanne. - Rayanne entrou no carro e saiu. Douglas voltou para casa e pegou seu celular. Ele discou o nĂșmero do irmĂŁo e nĂŁo demorou muito para Diego atende-lo. - Diego, eu nĂŁo quero que a Rayanne venha aqui. - Douglas disse choramingando. - NĂŁo deixa mais ela vir aqui! - O que ela fez? - Diego perguntou. - Ela te machucou? - Ela machucou o meu coração. - Ele respondeu ao irmĂŁo. - O que aconteceu? - O irmĂŁo de Douglas ainda queria entender. - Eu tĂŽ bem, tĂĄ bom? NĂŁo tĂŽ depressivo. Eu sĂł tive uma crise e passou. JĂĄ estou bem. Estou bem lĂșcido. - Ele tentou convencer o irmĂŁo. - Eu nĂŁo preciso que ela tenha pena de mim e tambĂ©m nĂŁo preciso que ela tente me usar. A Ășnica coisa que tĂĄ me deixando surtado Ă© a Rayanne e a Ășnica coisa que me tirar do surto Ă© ela. Mas ela nĂŁo colabora. Ela sĂł quer me deixar mais surtado. NĂŁo aguento mais. - Tudo bem. - Diego concordou. - Obrigado. - Douglas desligou. Douglas entrou em seu carro, abriu o portĂŁo e dirigiu atĂ© a cidade. Ele estacionou prĂłximo a uma loja e entrou. O ex de Rayanne conversou um pouco com a vendedora e achou o produto perfeito. Ele mandou embalar para presente e voltou ao carro. Douglas estacionou perto de uma papelaria e comprou uma caneta permanente. Ele escreveu no papel de presente: "Usar objetos e nĂŁo pessoas". O ex de Rayanne voltou ao carro e dirigiu atĂ© o prĂ©dio dela. Ele deixou o pacote na portaria e pediu que entregassem a ela. Douglas voltou ao carro como uma sensação de alĂvio e começou a chorar enquanto ligava o carro para ir embora dali. Rayanne recebeu uma chamada pelo interfone e desceu atĂ© a portaria. Ela pegou o pacote e estranhou por nĂŁo estar esperando encomenda nenhuma. Ray abriu o presente na sala e ficou sem acreditar naquilo. Ela mordeu o lĂĄbio ao ler a frase que estava na embalagem: "Usar objetos e nĂŁo pessoas". - Douglas. - Ela constatou ao ler a frase, mas mesmo assim nĂŁo entendia o que ele queria dizer com tudo aquilo. Ray escondeu a caixa no quarto e revirou sua mente tentando entender o que ele queria dizer.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 71
Rayanne acordou, viu a mĂŁo de Douglas prendendo sua barriga e sentiu o peso dele em cima dela. Eles estavam em cima do sofĂĄ. Ray se levantou e acabou acordando o ex. Ela coçou a cabeça e se lembrou do tour que tinha feito na madrugada: cama, banco de trĂĄs do carro, pia da cozinha, chĂŁo da sala e por ultimo, o sofĂĄ. - Bom dia. - Douglas disse e deu um beijo no rosto de Rayanne. - Bom dia. - Ela respondeu. - CĂȘ dormiu bem, Douglas? - Levando em conta que sĂŁo dez horas e a gente dormiu hĂĄ duas horas atras, nĂŁo sei. - Ele respondeu e se levantou. - TĂĄ com fome? - Um pouco. - Ela concordou e saiu andando atĂ© o quarto de Maya. - Eu ia dizer pra vocĂȘ ir comer pra depois te ajudar a arrumar a mala. - Ele sussurrou sozinho e foi atĂ© a cozinha. Douglas lavou as mĂŁos e preparou um sanduĂche de pĂŁo de forma para ele e Rayanne. Ele tambĂ©m colocou o suco na mesa e ela lavou as mĂŁos e se sentou ao lado dele. Os dois comeram em silĂȘncio e levaram a louça para a pia. Ray começou a rir ao olhar a pia. Ele lavou a louça e deixou secando no suporte. Rayanne saiu na frente e foi atĂ© o quarto. Ela abriu a gaveta e pegou uma muda de roupas. Douglas a observou em silĂȘncio, tentando decorar os passos dela e apreciando a visĂŁo. Ele tambĂ©m estava torcendo que ela tivesse esquecido a ideia de ir embora. Ray tomou banho e vestiu uma roupa de sair. Ela prendeu o cabelo num rabo de cavalo e calçou sapatilhas. - VocĂȘ vai pra onde? - Ele se arriscou em perguntar. - Preciso sair um pouco. - Ela se explicou e pegou sua bolsa. - Cuida da Maya direitinho. - Pode deixar. - Douglas assentiu e a levou atĂ© a porta de casa. Ela deu um beijo na bochecha dele e foi embora. Douglas aproveitou que Rayanne pegou o carro e saiu e arrastou as malas dela para o quarto. Ele abriu as malas e arrumou todas as roupas dela de volta no guarda-roupas. Ele tambĂ©m arrumou os calçados e o restante das coisas que tinha na mala. Rayanne voltou para casa pouco tempo depois. Ele soltou a mala dela no quarto e voltou para a sala. Ela abriu a porta carregando sacolas de mercado. Ray forçou um sorriso para o ex e caminhou atĂ© a cozinha. Ela colocou as bolsas em cima da pia e voltou para a sala. - VocĂȘ tĂĄ bem? - Douglas perguntou ao ver Rayanne parada em pĂ© na sala. - TĂŽ. - Ela confirmou. - SĂł tĂŽ pensando num negĂłcio. - Quer ajuda a pensar? - Ele questionou. - NĂŁo. - Ela rejeitou. - SĂł to pensando no almoço mesmo. - TĂĄ. - Ele assentiu e passou a mĂŁo no rosto. - Pode falar, vocĂȘ quer me falar alguma coisa e tĂĄ com vergonha. - Eu nĂŁo queria ser tĂŁo... NĂŁo sei a palavra e se aproveitar, mas depois que eu fizer o almoço e a gente almoçar, vocĂȘ pode me ajudar a colocar as malas no carro? - Rayanne perguntou. - Eu... - Ele parou pra pensar e resolveu concordar. - Ajudo. - Obrigada. - Ray deu um sorriso e foi atĂ© a cozinha. Douglas foi atĂ© o quarto, abriu as malas de Rayanne e começou a arrumar tudo de volta dentro da mala. Rayanne terminou de fazer o almoço e serviu dois pratos em cima da mesa junto com uma caixa de suco e dois copos. Douglas viu ao terminar de arrumar as malas da ex e foi lavar as mĂŁos. Eles se sentaram Ă mesa e almoçaram. - O apartamento tĂĄ limpinho? Precisa de ajuda pra limpar? - Ele questionou enquanto comia. - TĂĄ tudo bem. - Ela respondeu e tomou um pouco de suco. - Eu acabei. - Ray avisou e se levantou da mesa. - Vou pegar a Maya, as coisas da Maya pra... Ir. - TĂĄ bom. Eu vou terminar de comer e jĂĄ te ajudo. - Douglas respondeu e voltou a comer. Douglas terminou de almoçar e viu Rayanne passando com Maya e as coisas da filha. Ele foi atĂ© o quarto, pegou as malas de Rayanne e colocou no porta-malas enquanto ela colocava Maya na cadeirinha. Ele abriu a porta do carro para que ela entrasse e Ray agradeceu. Ela se sentou Ă frente do volante e fechou os olhos. Douglas fechou a porta do carro e se abaixou, debruçando na janela do carro. - Boa sorte. - Ele piscou um dos olhos e ela forçou um sorriso. - Obrigada. - Rayanne agradeceu e deu um beijo na bochecha do ex. - Sinto muito nĂŁo ter conseguido fazer vocĂȘ mudar de ideia. - Ele forçou um sorriso e ela fechou os olhos. - Mas vocĂȘ nem tentou. - Ray rebateu e Douglas riu. - NĂŁo estou podendo forçar vocĂȘ a nada ultimamente, nem te fazer mudar de ideia. - Ele se levantou da janela. - Boa viagem. - Depois eu te entrego o carro. - Rayanne disse ao ligar o carro. - TĂĄ. - Ele assentiu e ela abriu o portĂŁo e saiu com o carro. Douglas riu assim que ela foi embora e fechou o portĂŁo, voltando para dentro de casa. Ele caminhou atĂ© a cozinha e pegou uma garrafa de cerveja. O ex de Rayanne serviu um pouco no copo e se sentou no sofĂĄ. - Ela vai voltar. Ela sempre volta. - Douglas voltou a rir e deu outro gole na cerveja. Douglas parou de beber quando chegou na quinta garrafa. Ele se deitou no sofĂĄ nĂŁo aguentando mais estar acordado e dormiu. Duas horas depois, ele acordou e sentiu a cabeça e corpo doerem. - Rayanne! - Ele gritou chamando pela ex. - Me traz um remĂ©dio que eu tĂŽ com dor! Rayanne! - Douglas se levantou do sofĂĄ e foi atĂ© o quarto. Ele nĂŁo encontrou a ex e procurou pelo resto da casa. - Deve ter saĂdo. - Ele concluiu e abriu o guarda-roupa para pegar uma muda de roupas para tomar banho. Mas sĂł tinham suas roupas ali. Ele estranhou, mas foi tomar banho do mesmo jeito. Ao terminar, ele deitou na cama e esperou por ela. Douglas se cansou de esperar e pegou seu celular ligando para Rayanne. Demorou um pouco, mas ela atendeu. - Douglas? - Ray disse ao atender a ligação. - O que foi? - Onde vocĂȘ tĂĄ? - Ele questionou um pouco irritado. - Em casa. - Ela respondeu. - NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo tĂĄ. - Douglas disse irritado. - JĂĄ te procurei pela casa inteira. SĂł tem Pocker e Leke aqui. - VocĂȘ tĂĄ zoando comigo? - Ela perguntou sem saber o que dizer. - Usou droga de novo? - VocĂȘ saiu sem se despedir de mim. - Douglas disse um pouco confuso. - VocĂȘ nĂŁo voltou atĂ© agora. Eu nĂŁo te senti levantando do sofĂĄ. - Claro que me despedi. - Ela respondeu nervosa. - VocĂȘ nĂŁo lembra que pegou minha mala e colocou no carro? - Mala? Onde vocĂȘ tĂĄ? Viajou pra onde? - Ele questionou assustado. - Outra viagem? - NĂŁo. - Ela negou e engoliu a seco. - Eu vim pro apartamento. - Mas a gente tava bem. - Ele disse ainda mais confuso. - A gente tava bem, Rayanne. - Ela ficou em silĂȘncio. - TĂĄ, mas que horas vocĂȘ volta? - NĂŁo volto. - Rayanne respondeu como se fosse Ăłbvio. - Eu vou ligar pra Samu te levar pro hospital, vocĂȘ tĂĄ drogado, sĂł pode. - NĂŁo tĂŽ drogado. - Ele negou e sentiu a cabeça doer mais. - Eu sĂł... Eu nĂŁo tĂŽ bem. - Douglas disse e começou a chorar. - O que vocĂȘ tem? - Rayanne se preocupou. - Quer ajuda? - No final das contas, acabei sozinho do mesmo jeito. - Ele continuou chorando e olhou ao redor da casa. - VocĂȘ nĂŁo tĂĄ sozinho. - Ela negou. - Eu tĂŽ aqui com vocĂȘ. O seu irmĂŁo, os seus filhos, os seus pais... VocĂȘ nĂŁo tĂĄ sozinho. - Olho pra essa casa e sĂł enxergo solidĂŁo. - Ele soluçou de chorar. - JĂĄ pensei agora trĂȘs vezes em ir a cozinha e me matar com uma faca. O que eu faço? - Douglas perguntou sĂ©rio. - Eu nĂŁo consigo mais. - Eu sei que Ă© ridĂculo, mas fica calmo. - Ray pediu. - NĂŁo faz nada que te prejudique, por favor. VocĂȘ precisa respirar fundo e pensar que Ă© maior que essa tristeza e essa solidĂŁo que tĂĄ sentindo. - Eu nĂŁo quero ser grosso. - Ele parou de chorar. - Mas se eu morrer, a culpa Ă© sua por ter me abandonado. - Douglas voltou a chorar e Rayanne tentou manter a calma. - Calma. NĂŁo precisa ficar assim. - Ela pediu e suspirou. - Eu vou dar um jeito de mandar alguĂ©m pra cuidar de vocĂȘ. - NĂŁo... - Ele recomeçou a chorar e desligou a ligação. Douglas se jogou no chĂŁo da sala e agarrou seus joelhos. Ele ficou quieto, apenas chorando em silĂȘncio e encarando o sofĂĄ. Ele ficou assim atĂ© ouvir a porta da casa se abrir. Douglas se sentou e olhou para a pessoa parada e recomeçou a chorar. Rayanne se abaixou e o abraçou. Douglas fechou os olhos e continuou a chorar. - NĂŁo fica assim. - Ela pediu lutando para nĂŁo chorar com ele. - TĂĄ tudo bem. Eu tĂŽ aqui. - Eu estraguei tudo. - Ele disse em falas cortadas. - Eu estraguei tudo que eu tinha. - TĂĄ tudo bem agora. - Ela sussurrou. - Eu tĂŽ aqui com vocĂȘ. TĂĄ tudo bem. - NĂŁo tĂĄ nada bem. - Ele se soltou e se jogou no chĂŁo. - NĂŁo tĂĄ nada bem. Eu quero morrer por ter estragado tudo. - NĂŁo. - Rayanne voltou a abraçå-lo. - Eu tĂŽ aqui. NĂŁo precisa de nada disso. Quer ir ao mĂ©dico? - Ela questionou e fez com que ele relaxasse o pescoço no ombro dela. - O meu corpo tĂĄ doendo e minha cabeça tambĂ©m. - Ele confessou e voltou a chorar. - Vamos fazer assim, vai pra cama que eu vou pegar um remĂ©dio e um pouquinho de ĂĄgua. - Ela sugeriu. - Colabora comigo, eu quero te ajudar. - Eu vou. - Ele afirmou e ela o ajudou a se levantar. Douglas seguiu atĂ© o quarto e se jogou em cima da cama de casal. Rayanne levou a ĂĄgua e o remĂ©dio atĂ© Douglas e ele tomou sem reclamar. Ela o arrumou na cama e o cobriu com um edredom. Douglas ficou calado e Ray desligou o ar-condicionado. - O remĂ©dio vai ajudar a passar a dor. - Ela disse e ele assentiu. - Obrigado. - Douglas agradeceu e ela lhe deu um beijo na testa. - Obrigado. - Ele fechou os olhos lentamente e Rayanne pensou que ele tivesse dormido. Rayanne ouviu seu celular tocando e viu que era Diego. Ela atendeu. - Oi. - Ela disse assim que atendeu a ligação. - Rayanne, ele tĂĄ bem? - Diego questionou preocupado. - TĂĄ sim. - Ela respondeu. - Acho que teve uma crise de depressĂŁo. Tenho que procurar um psicĂłlogo pra ele. - VocĂȘ vai voltar pra casa pra cuidar dele? - O irmĂŁo de Douglas perguntou e Ray olhou para o ex que continuava de olhos fechados. - NĂŁo. - Ela negou. - Eu sĂł tĂŽ aqui pra cuidar dele mesmo. Mas voltar... Voltar nĂŁo quero. - Entendi. - Diego assentiu. - Mas ele vai precisar de ajuda. - Toda ajuda que o seu irmĂŁo precisar, eu vou dar, Diego. - Ela afirmou. - Mas dai pra voltar com ele, Ă© outra histĂłria. TĂŽ aqui em respeito aos seis anos que passamos juntos e aos trĂȘs filhos que temos. Eu nem vou pedir o divĂłrcio agora. Vou deixar ele melhorar um pouco, tenho medo do que ele possa fazer. - VocĂȘ vai voltar pra casa hoje ou vou passar mais um dia com as crianças? - Diego perguntou. - Acho melhor passar a noite aqui e amanhĂŁ a gente vĂȘ o que faz, Diego. - Ela respondeu. - Agora vou desligar antes que ele acorde. - TĂĄ bom, Ray, fica firme aĂ. - O irmĂŁo de Douglas disse e Ray desligou a ligação. Ela olhou para Douglas e se aproximou. Rayanne passou a mĂŁo no rosto dele e foi atĂ© a sala de estar procurando pela caixinha de primeiros socorros. Ele abriu os olhos e respirou fundo. Ray voltou ao quarto com um termĂŽmetro e viu que ele estava acordado. - Mas jĂĄ acordou? - Rayanne perguntou e colocou o termĂŽmetro embaixo do braço dele. - Eu devia ter feito isso antes, mas sĂł lembrei agora. Espero que o remĂ©dio nĂŁo influencie em nada. - Ă pra febre? - Ele questionou com a voz um pouco fraca. - NĂŁo. - Ela negou. - Mas sei lĂĄ, pode influenciar na temperatura. NĂŁo entendo de remĂ©dio. - Ray concluiu. - Se nĂŁo Ă© pra febre, nĂŁo abaixa a temperatura. - Ele respondeu e se calou. Ela ouviu o som feito pelo termĂŽmetro e viu qual era a temperatura dele. - TĂĄ um pouquinho febril. - Ela disse e passou a mĂŁo em seu prĂłprio rosto. - Acho melhor nĂŁo te dar remĂ©dio e esperar como vai ficar. - TĂĄ bom. - Douglas concordou e ela novamente arrumou o edredom nele. - VocĂȘ quer outro edredom? - Ela questionou e ele negou com um movimento de cabeça. - TĂĄ mais calminho? - Ray voltou a fazer uma pergunta e ele confirmou. - Eu vou apagar a luz. - Rayanne se levantou e apagou a luz do quarto. Ela passou e fechou a porta, devolvendo o termĂŽmetro a caixinha. Rayanne se sentou no sofĂĄ e respirou fundo, tentando pensar no que fazer. Ela se levantou e resolveu esconder qualquer tipo de faca ou outro objeto cortante que pudesse resultar numa tragĂ©dia. Ray colocou tudo numa caixa e escondeu na sala de bagunças. Ray abriu a porta do quarto e viu que Douglas estava dormindo. Ela fechou a porta com cuidado e voltou a se sentar no sofĂĄ.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 70
JĂĄ era noite quando Rayanne desembarcou com Maya no Rio e caminhou atĂ© a ĂĄrea de tĂĄxis. Ela entrou num tĂĄxi e foi direto para casa. Ray abriu a porta e estranhou ao encontrar a casa escura. NĂŁo tinha nem sinal de Diego. - Demorou. - Ela ouviu uma voz vinda da escuridĂŁo e acendeu a luz. - O que vocĂȘ tĂĄ fazendo aqui? - Ela encarou a pessoa que estava a sua frente. - O que vocĂȘ acha que eu tĂŽ fazendo aqui? - A pessoa perguntou e Ray se sentou no sofĂĄ. - VocĂȘ tĂĄ surpresa? - Eu vou colocar a Maya no quarto e jĂĄ volto pra tentar entender o que tĂĄ acontecendo aqui. - Rayanne caminhou atĂ© o quarto de Maya e colocou a filha no berço. Rayanne voltou atĂ© a mala e jogou suas malas num canto. Douglas apontou para seu lado no sofĂĄ e ela se sentou. Ele passou um braço por trĂĄs do ombro dela e Ray deitou a cabeça no ombro dele. Os dois ficaram quietos e ela fechou os olhos. - Eu vou ter que falar tudo de novo? - Douglas perguntou rindo. - Tipo do zero, do meio ou nĂŁo preciso falar nada? - Nunca Ă© demais ouvir explicaçÔes. - Ela abriu os olhos e tirou a cabeça do ombro dele. - TĂŽ aqui pra te ouvir dessa vez. - Depois de ter me entregado os cartĂ”es de volta e ter me esculachado de todas as formas possĂveis? - Ele questionou e ela assentiu. - Ok. Depois que vocĂȘ viajou e começaram a aparecer aquelas suas coisas com o Yan, eu fiquei assustado. Eu contratei uma babĂĄ porque eu realmente queria ajuda porque eu tava destruĂdo de verdade. Ela veio com uns papos de sadomasoquismo e eu nĂŁo conhecia muito bem e tinha essa curiosidade. AĂ atĂ© algemei ela na cama por curiosidade mesmo. Ela me deu a porra do chĂĄ e eu bebi e gostei. Nem desconfiava que era droga, mas eu gostava e sempre queria mais. SĂł tomava pela manhĂŁ. E eu menti pra vocĂȘ. Eu sei muito bem de tudo. NĂŁo rolou nada. Eu atĂ© achava que podia ter rolado, mas nĂŁo rolou. Eu realmente ia ao quarto dela porque ela tava com febre. Eu nĂŁo beijei ela como a Luna disse. NĂŁo rolou nada entre a gente. Mas lĂĄ no fundo eu queria que vocĂȘ sentisse o que eu senti. AĂ eu deixei essa dĂșvida no ar. Eu realmente nĂŁo conseguia olhar na sua cara muito bem assim quando vocĂȘ chegou porque eu ainda tava com esse lance do hospital e minha cabeça tava uma confusĂŁo. Eu nĂŁo podia te falar o lance da droga. Acabou que a minha cabeça ficou uma bagunça e eu sĂł queria um tempo pra mim. Resolvi terminar com vocĂȘ, sair um pouco de casa, respirar um ar novo... Foi por isso. Eu nĂŁo sabia se ia lidar muito bem sem a droga e tava na confusĂŁo de saber se eu sabia alguma coisa ou se nĂŁo sabia. Eu te queria longe de mim porque eu tinha vergonha do que eu fiz. Um marido drogado nĂŁo Ă© o que vocĂȘ merece e eu sempre tive consciĂȘncia disso. Foi isso. Eu tentei te afastar de mim, mas nĂŁo sabia que ia doer tanto. Quando vocĂȘ falou todas aquelas coisas hoje, eu sabia que realmente tava te perdendo porque eu nĂŁo via mais o brilho no seu olhar. AĂ nĂŁo teve jeito, barrei seu embarque no aeroporto, viajei primeiro, jĂĄ arrumei minhas coisas de volta e tĂŽ aqui. Pronto pra apanhar porque eu mereço isso. - Foi isso? - Ela questionou olhando o ex. - VocĂȘ realmente fez tudo isso por uma coisinha de nada? Douglas, bastava vocĂȘ ter conversado de coração aberto comigo. Eu sei que mesmo que nĂŁo adiantasse de nada, eu preferia que vocĂȘ tivesse dito desde o começo que tava com um problema. E que nĂŁo me deixasse ver o que eu vi, aquela situação toda... Foi horrĂvel pra mim. - Por perceber que era tĂŁo horrĂvel pra vocĂȘ, que eu decidi ir embora. - Douglas se justificou. - Cara, vocĂȘ tava preocupada pelo seu marido estar drogado num hospital. Rayanne, vocĂȘ nĂŁo merece isso. Nem as crianças. Eu nĂŁo sabia o que fazer, precisava me isolar, precisava ficar distante de tudo. Sinto muito. - Tudo bem. - Rayanne respirou fundo. - Eu te perdoo. Como eu disse, nĂŁo estou magoada, nem nada do tipo. - Ă isso? - Douglas perguntou. - Eu te perdoo. O que vocĂȘ quer a mais que isso? - Ray riu. - O seu amor. - Ele foi sincero. - AĂ fica difĂcil. - Rayanne olhou para Douglas e se afastou um pouco. - Nada que eu te falei era mentira. - Eu entendo. - Douglas concordou. - Eu te magoei. - Muito. - Ela confirmou. - Mas muito mesmo. Desculpa. Eu falei vĂĄrias vezes em passar por cima disso tudo e voltar a ficar junto e vocĂȘ disse que nĂŁo. As coisas nĂŁo acontecem quando vocĂȘ quer que elas aconteçam, Douglas. - TĂĄ bom. - Douglas se levantou do sofĂĄ. - Vamos dormir, entĂŁo. JĂĄ que nĂŁo vai ter nada. - VocĂȘ jĂĄ sabe que eu nĂŁo vou ficar nessa casa. - Ray forçou um sorriso. - Acabou mesmo. - Para de brincar. - Ele rolou os olhos. - Eu nĂŁo caio nessa. - Eu nĂŁo tĂŽ brincando. - Ray encarou o ex. - Eu tĂŽ falando sĂ©rio mesmo. - Olha sĂł, Rayanne, eu nĂŁo fiz tudo o que eu fiz hoje pra ser rejeitado. - Ele disse irritado. - Eu nĂŁo vou discutir isso com vocĂȘ. - Ray avisou e foi atĂ© a cozinha. Douglas a seguiu. - Acabou a brincadeira. - Ele disse a pegando nos braços e colocando em cima da pia. - VocĂȘ tĂĄ louco? - Ela questionou o observando. - Isso aqui nĂŁo vai dar certo. - Douglas disse sozinho e tirou Rayanne de cima da pia a carregando de novo. - Eu quero jantar. - Ela reclamou. - Tenho que dar leite pra Maya. SerĂĄ que vocĂȘ poderia parar de agir como um estuprador? - VocĂȘ prefere a cama ou o sofĂĄ? - Eu prefiro que vocĂȘ me solte no chĂŁo mesmo. - Ray o encarou. - VocĂȘ que sabe. - Ele a soltou com cuidado no chĂŁo e Rayanne saiu correndo atĂ© a cozinha. Rayanne percebeu que ele tinha feito uma travessa de macarrĂŁo integral. Ela lavou as mĂŁos e colocou um pouco no prato indo atĂ© a sala de estar. - CadĂȘ as crianças? - Ray estranhou a tranquilidade na casa. - TĂŁo no quarto? - NĂŁo. - Douglas negou e se deitou no sofĂĄ. - Eu mandei as crianças embora porque eu achei que ia ter uma noite foda. Literalmente. - VocĂȘ acha que tĂĄ merecendo? - Rayanne perguntou depois de colocar um pouco do macarrĂŁo na boca. - Sim. - Ele afirmou. - Eu fiz um macarrĂŁo gostoso. Mereço algo em troca. - VocĂȘ agora faz comida em troca de sexo? - Ela nĂŁo conseguiu nĂŁo rir. - TĂĄ desesperado mesmo. - Eu podia ser fofo, que nĂŁo ia adiantar de porra nenhuma. EntĂŁo, sou eu mesmo e que se foda. - Ele se ajeitou no sofĂĄ. - Sabia que as minhas costas e as minhas pernas estĂŁo doendo? Mas eu ia fazer um esforço enorme se vocĂȘ quisesse. - NĂŁo quero. AtĂ© melhor pra sua saĂșde. - Ela sorriu ironicamente. - VocĂȘ caiu em algum lugar? - Cai quando fui te mandar a foto do meu pau. - Ele rolou os olhos. - Coisa ridĂcula. - VocĂȘ tava muito louco. - Rayanne relembrou. - Me mandou pra FlorianĂłpolis. - Eu nĂŁo sei de onde tirei Floripa. - Ele bocejou. - Sei nem o que tem lĂĄ. Rayanne terminou de comer e foi colocar o prato na cozinha. Ela passou pela sala de estar e Douglas a observou. - Vai pra onde? - Vou tomar banho. - Ela respondeu. - Depois eu volto aqui pra gente ver um filme. Ou sei lĂĄ... - TĂĄ bom. - Douglas forçou um sorriso e esperou que ela se afastasse. - Sei bem que filme vamos ver, brasileirinhas, sĂł se for. Douglas se levantou do sofĂĄ e entrou no quarto. Ele parou em frente Ă porta do banheiro. - Rayanne! - Ele gritou pela ex. - O que foi? - Ela questionou. - TĂĄ me ouvindo bem? - Douglas perguntou. - TĂŽ. - Ela assentiu. - A gente devia fazer um filme. - Douglas sugeriu. - Um filme? - Ela perguntou enquanto a ĂĄgua continuava caindo do chuveiro. - Que tipo de filme, Douglas? - Tipo brasileirinhas. - Ele sugeriu. - O que acha? SĂł eu e vocĂȘ... PodĂamos começar a gravar hoje. - Vai a merda, Douglas. - Ela respondeu e começou a rir. - Eu posso entrar pra analisar a atriz do filme? - Ele perguntou tentando abrir a porta do banheiro. - NĂŁo. - Ela negou. - Me deixa tomar banho em paz, cara. - Depois vai se arrepender em nĂŁo ter deixado. - Ele se jogou na cama e se cobriu com o edredom. Rayanne saiu do banheiro alguns minutos depois e viu o ex deitado na cama. Ela colocou a roupa suja no cesto e se jogou ao lado dele. - Cansou? - Ela perguntou colocando a mĂŁo no braço dele. - De que? - Douglas abriu os olhos e ela riu. - De me perturbar. - Rayanne respondeu rindo. - Vamos dormir antes que alguma merda aconteça com vocĂȘ. - Douglas fechou os olhos. - Uhum, vai dormir. - Ela debochou. - Vou sim. - Ele respondeu de olhos fechados. - Se eu abrir esses olhos, vocĂȘ vai desejar nunca ter ousado me acordar. - EntĂŁo, abre logo. - Ela provocou. - Rayanne... - Ele continuou de olhos fechados. - TĂŽ te dando uma chance de ficar quieta. - NĂŁo disse nada. - Ela segurou a mĂŁo dele e fez com que ele a passasse em suas pernas. - Vai dormir, caralho. - Ele sugeriu e ela se aproximou e começou a massagear os ombros dele. - CĂȘ tĂĄ brincando com fogo... - Louca pra me queimar. - Ela voltou a provocar. - Por que eu tenho certeza que vocĂȘ tĂĄ sem nada alĂ©m dessa mini-camisola? - Ele perguntou ainda de olhos fechados. - SerĂĄ? - Ela o provocou. - SĂł vai saber se abrir os olhos. Douglas se virou na direção de Rayanne e a beijou sem dizer nada. Ela retribuiu o beijo e ele a puxou para mais perto. Ele suspendeu a camisola dela e passou a mĂŁo pelos seios dela massageando um a um. Ela gemeu e ele soltou os seios dela e a segurou pelo pescoço, mordendo e deixando uma marca nele. Ray passou a mĂŁo pelas costas dele jĂĄ que estava sem camisa e o arranhou. Ela tirou a bermuda do ex o deixando sĂł de cueca. Ele passou a mĂŁo pelas coxas dela atĂ© alcançar a vagina. Ele a masturbou e enfiou dois dedos dentro dela. Ela colocou a mĂŁo dentro da cueca dele e o masturbou com uma das mĂŁos. Ele a interrompeu ao sentir que estava chegando no limite. Ela passou a mĂŁo pelo rosto dele e ele a puxou para mais perto. Ele posicionou seu penis na entrada da vagina dela e a penetrou. Ray gemeu alto e ele começou a fazer os movimentos de vai e vem dentro dela. Ela arqueou as pernas e deixou com que ele penetrasse mais fundo. Ela gemeu mais alto e voltou a arranhar as costas dele. Eles ficaram por quase meia hora nisso atĂ© que sentiram estar chegando ao ĂĄpice. Ele intensificou ainda mais a velocidade dos movimentos e gozou dentro dela. Ela tambĂ©m chegou ao orgasmo e se deitou perto dele buscando sua mĂŁo. Ele segurou a mĂŁo da ex e ela a apertou. - Que foi? - Douglas perguntou sem entender o que era aquilo. - Eu queria te sentir perto de mim. - Rayanne se justificou e deitou a cabeça no peito dele. - VocĂȘ sabe que hoje nĂŁo dorme, nĂ©? - Ele questionou. - A Ășnica pessoa que dorme hoje nessa casa Ă© a Maya. - Hm. - Ela riu e ele a beijou. - Hoje eu quero fazer uma coisa diferente. - Douglas avisou e se levantou, vestindo o roupĂŁo. Ele jogou o roupĂŁo de Rayanne e ela o vestiu. - Vem comigo. - Ele a pegou no colo e atravessou toda a casa. Douglas levou Rayanne atĂ© a porta e ela abriu a porta que dava acesso ao quintal mesmo sem entender. Ele a colocou no chĂŁo do quintal e voltou a entrar em casa. Ray ficou parada sem entender o que estava acontecendo e Douglas voltou com um molho de chaves. Ele abriu a porta de trĂĄs de seu carro e ofereceu a mĂŁo para que Rayanne entrasse. Ela aceitou e entrou no banco de trĂĄs mesmo sem entender. Douglas se sentou ao lado dela e fechou a porta. Ele a deitou no carro e a beijou. - Eu pensei que vocĂȘ ia me levar pra algum lugar. - Rayanne disse ao parar o beijo. - Mas eu vou te levar. - Ele disse e riu. - Pra onde? - Ela ficou sem entender. - Pras nuvens. - Ele voltou a beija-lĂĄ e ela tentou se acomodar no banco de trĂĄs do carro do ex-marido.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 69
Rayanne acordou no hospital e olhou em volta do lugar. Ela se perguntou onde estava jĂĄ que nĂŁo lembrava o que tinha acontecido. A enfermeira abriu um sorriso para ela e Ray percebeu que estava deitada numa cama com soro. - Bom dia. - A mulher cumprimentou Rayanne. - Quando eu cheguei aqui? - Ray questionou. - Ontem? Hoje? - Foi hoje de madrugada. - A enfermeira respondeu. - O Douglas tĂĄ aĂ? Eu quero ver ele. - Ray pediu. - Ele tĂĄ, nĂ©? - NĂŁo. - A enfermeira negou. - NĂŁo tem ninguĂ©m aqui com vocĂȘ. Eu vou trazer o seu remĂ©dio. - A mulher informou e Rayanne apenas assentiu. - Ele nĂŁo veio me ver. - Rayanne começou a chorar assim que a enfermeira saiu. - Ele nĂŁo se importa mais comigo. O meu casamento acabou. Mesmo. âšâšâšâšâšâšâšâšâšâšâš Rayanne voltou para o resort e viu Douglas na piscina com Maya e Gabriela. Ela respirou fundo e caminhou atĂ© o ex-marido. - Eu posso falar com vocĂȘ? - Ray questionou sĂ©ria e ele assentiu. - NĂŁo sabia que vocĂȘ tinha tido alta. - Douglas coçou a cabeça. - NĂŁo me ligou. - Talvez porque o meu celular ficou no quarto. - Ela rebateu. - Mas vocĂȘ nem foi lĂĄ me ver. - Nem sabia onde era. - Douglas tentou se explicar. - Existe tĂĄxi. - Ela disse magoada. - Mas tudo bem, vamos pro quarto que eu preciso falar com vocĂȘ. Douglas caminhou com Maya nos braços e seguiu Rayanne atĂ© a suĂte presidencial. Eles entraram e Ray tirou Maya dos braços do pai. Ela colocou a filha no berço portĂĄtil e puxou Douglas para se sentar ao seu lado na cama. - Eu sinto muito em nĂŁo ter ido te buscar. - Douglas se desculpou sem conseguir olhar nos olhos dela. - Eu teria ido. - VocĂȘ tava se importando tanto comigo que tava pagando de famĂlia feliz na piscina. - Ray o encarou sem expressĂŁo. O olhar dela estava vazio, nĂŁo existia mais nada ali. - Rayanne... - NĂŁo, Douglas. - Ela impediu o ex de falar. - Hoje Ă© a minha vez de falar as coisas, vocĂȘ sĂł escuta, tĂĄ bom? - Ele assentiu. - Eu nĂŁo vou ocupar muito o seu tempo, pode se despreocupar quanto a isso. - VocĂȘ pode ficar falando o tempo que vocĂȘ quiser. Sem problemas. - Ele disse e ela rolou os olhos. - Eu quero falar. - Rayanne disse sĂ©ria. - Enfim, eu nĂŁo vou ocupar muito o seu tempo e muito menos o meu. Eu percebi tudo que aconteceu nesses dias e eu jĂĄ sei que o nosso casamento realmente acabou e tudo bem. Eu sĂł quero prestar algumas coisas com vocĂȘ antes de ir. - Ela pegou sua carteira que estava dentro do sutiĂŁ e tirou os trĂȘs cartĂ”es de crĂ©dito que tinha. Rayanne colocou os trĂȘs cartĂ”es em cima da cama e empurrou na direção do ex. - Eu nĂŁo quero mais o seu dinheiro. Eu nĂŁo preciso disso. Eu faço os meus trabalhos e ganho muito bem. Ganhei dez mil sĂł naquela viagem. EntĂŁo, eu nĂŁo preciso do seu dinheiro, nĂŁo preciso que vocĂȘ me sustente. SĂł quero que vocĂȘ pague a pensĂŁo das crianças, que Ă© um direito deles. Mas eu nĂŁo quero um centavo seu mais. VocĂȘ pode fechar a conta corrente e me dar o que Ă© realmente meu e ficar com o que Ă© seu. NĂŁo quero metade. Pode ficar com o carro, se quiser. - O carro Ă© seu. Eu te dei. - Ele se ofendeu. - Ă seu. - EntĂŁo, vende. Eu nĂŁo quero mais nada que vocĂȘ tenha me dado de tĂŁo caro. - Rayanne encarou a carteira e entregou a metade do dinheiro que estava nela. - E isso Ă© seu. A casa Ă© sua. O apartamento Ă© meu. O apartamento eu mereço por ter suportado tanta coisa nesses Ășltimos anos. E eu preciso de um lugar pra morar por enquanto. Mas assim que eu conseguir, vendo o apartamento e compro uma casa pras crianças. VocĂȘ pode vender o nosso primeiro apartamento e ficar com o dinheiro todo pra vocĂȘ, eu nĂŁo quero nada que tenha a ver com aquilo. Se tem duas coisas que eu nĂŁo quero na vida, Ă© vocĂȘ de volta e o seu dinheiro me sustentando. Eu posso me virar. E eu vou dar entrada no processo de divĂłrcio e nĂŁo de separação. Eu nĂŁo quero separação, quero o divĂłrcio direto e eu espero que vocĂȘ tenha o carĂĄter, a dignidade e a hombridade de colaborar com isso. Eu nĂŁo acredito que fui tĂŁo trouxa assim. Eu nĂŁo acredito que perdi um dia precioso da minha vida vindo atras de vocĂȘ, mas ok, graças a Deus, eu aprendi. De vocĂȘ agora eu nĂŁo quero nada. VocĂȘ conseguiu mudar o meu sentimento e eu nunca falei tĂŁo sĂ©rio. Eu olho pra vocĂȘ e nĂŁo vejo nada. Nem amor, nem Ăłdio, nem rancor, nem magoa... Simplesmente nada. Como eu posso sentir alguma coisa por alguĂ©m que nĂŁo vai nem me visitar num hospital quase morrendo? Como eu posso sentir alguma coisa por alguĂ©m que prefere ir pra piscina a pegar um tĂĄxi e ir me ver? Como eu posso sentir alguma coisa por alguĂ©m que depois de juras de amor, depois de seis anos, depois de muitas idas e vindas, vira as costas pra mim do nada e começa a me tratar como uma puta de esquina? NĂŁo, acho que nem uma puta de esquina Ă© tĂŁo maltratada assim. Eu vou fazer as minhas malas e vou embora com o coração leve. Porque eu nĂŁo tĂŽ sentindo raiva, nem rancor, nem mĂĄgoa, nem nada por vocĂȘ. Eu posso atĂ© te dar um abraço de despedida quando eu passar por aquela porta, Douglas. Eu nĂŁo sinto nada por vocĂȘ. Na verdade, eu nĂŁo sei se vou conseguir sentir alguma coisa por qualquer pessoa de novo. VocĂȘ matou o meu sentimento por vocĂȘ e matou meu coração tambĂ©m. VocĂȘ acabou comigo. ParabĂ©ns. - Ela sorriu. - Espero que vocĂȘ nĂŁo se arrependa dos seus atos, porque eu nĂŁo tĂŽ arrependida dos meus. - Ela se levantou da cama. - VocĂȘ vai me ajudar a fazer as malas? - Douglas continuava perplexo sentado na cama sem saber o que falar. - Eu nĂŁo queria. - Douglas disse encarando seus pĂ©s. - Eu nĂŁo queria que fosse assim. - NĂŁo tem que querer, jĂĄ foi. - Ela respondeu e começou a arrumar suas coisas. - Olha... - Ele disse e sentiu as lĂĄgrimas rolarem por seu rosto. - Eu realmente nĂŁo queria. Eu sou um merda mesmo. - Por que ao invĂ©s de ficar repetindo que Ă© um merda, vocĂȘ nĂŁo tenta se consertar? - Rayanne sugeriu. - Talvez isso ajude vocĂȘ a melhorar os seus relacionamentos futuros com qualquer pessoa que seja. - Eu nĂŁo queria te machucar, Rayanne. - Douglas continuava chorando. - Eu... Eu agi pensando sĂł em mim mesmo. Eu me senti mal usando droga, indo parar no hospital, te envergonhando, vendo meus filhos apanharem e nĂŁo poder fazer nada, nĂŁo saber nem se eu te trai ou nĂŁo trai, sem saber como aquelas cuecas foram parar no quarto da Micaela. A minha cabeça tĂĄ confusa demais, mas eu nĂŁo queria que as coisas acabassem assim entre a gente. Na verdade, eu nĂŁo queria que elas acabassem. Eu... Eu nĂŁo sei o que fazer pra tirar esse sentimento de culpa de dentro de mim. Eu tentei viver ignorando a sua existĂȘncia, mas Ă© impossĂvel. Eu nĂŁo consegui dormir hoje. Passei a noite rezando e chorando por vocĂȘ. AĂ resolvi me distrair na piscina e distrair a Maya, as coisas nĂŁo sĂŁo como vocĂȘ estĂĄ enxergando, Ray. As coisas sĂŁo diferentes. - TĂĄ bom. - Ela assentiu. - Vou anotar aqui no meu caderninho do foda-se, Douglas. - E se eu me ajoelhar e te implorar pra nĂŁo me deixar aqui sozinho? - Douglas tentou. - Eu vou fazer a mesma coisa que vocĂȘ fez comigo, vou te derrubar. - Ela disse seria e fechou uma das malas. - NĂŁo deixa isso tudo que a gente construiu acabar por um erro meu. - Douglas se ajoelhou empurrando as malas dela para longe. - Olha pra mim e diz que nĂŁo sente mais porra nenhuma por mim! NĂŁo faz isso, Rayanne! A gente nĂŁo merece isso. - Agora existe a gente? - Ela o encarou. - Na noite passada eu me humilhei por vocĂȘ e vocĂȘ disse que nĂŁo existia a gente. Agora existe? O nosso casamento sĂł existe quando te convĂ©m? SĂł sou sua esposa quando vocĂȘ quer? Eu nĂŁo sou sua propriedade, na verdade, nĂŁo sou mais nada sua. - Fica comigo. - Ele continuou ajoelhado e começou a desarrumar a mala dela. - NĂŁo faz isso, Rayanne. NĂŁo vai embora pra sempre. Olha, eu vou pro Rio com vocĂȘ. - VocĂȘ pode atĂ© ir, Douglas. Mas na mesma casa a gente nĂŁo fica mais. - Ela o empurrou e voltou a arrumar sua mala. - E se nĂŁo vai me ajudar a arrumar a mala, tambĂ©m nĂŁo atrapalha. - Me dĂĄ uma Ășltima noite, entĂŁo. Eu nĂŁo te peço mais nada. - Ele continuou ajoelhado. - Por favor. SĂł uma noite. - Outra coisa que sempre me irritou foi vocĂȘ ou querer compensar as merdas com sexo ou colocar sexo no meio das discussĂ”es. - Ela confessou. - Parece que vocĂȘ sĂł me quer pra isso, pra ser sua boneca inflĂĄvel humana. - NĂŁo. - Ele negou. - Ă porque eu sĂł consigo fazer isso com vocĂȘ e com mais ninguĂ©m. Acredita em mim, Rayanne. - EntĂŁo, agora vocĂȘ vai ficar sem fazer. - Ela voltou a arrumar sua mala. - Porque eu nĂŁo vou nem olhar mais na sua cara. Eu tĂŽ indo embora, Douglas. Douglas voltou a ficar calado sem saber o que dizer e Rayanne terminou de arrumar suas coisas. Ela pegou Maya nos braços, arrumou as bolsas nos braços e saiu empurrando suas malas atĂ© a recepção. Ele a acompanhou em silĂȘncio e ainda em lĂĄgrimas. Ela pediu que a recepcionista chamasse um tĂĄxi e em poucos minutos o veĂculo estava parado de frente para o resort. Ray caminhou atĂ© o tĂĄxi e Douglas a acompanhou em silĂȘncio. Ele ajudou a ex a colocar as malas dentro do tĂĄxi e se despediu da filha. Os dois se olharam e ela o abraçou. - Mesmo com tudo isso, nĂŁo te desejo mal. - Rayanne sorriu. - Espero que vocĂȘ seja feliz. - Espero que vocĂȘ seja muito feliz porque vocĂȘ merece. - Ele a apertou no meio do abraço. - AtĂ© mais. - Ela piscou um dos olhos e entrou no tĂĄxi. - AtĂ© mais. - Ele disse engolindo o choro e acenando ao ver o tĂĄxi partindo. Douglas voltou a suĂte presidencial e olhou os trĂȘs cartĂ”es de crĂ©dito com o nome de Rayanne Morais Sampaio em cima da cama. Ele percebeu um colar jogado no chĂŁo da suĂte perto da porta e caminhou sem acreditar que realmente fosse o que ele estava pensando. Ao chegar perto, Douglas viu que realmente eram as duas alianças: a dele e a de Rayanne. Ele apertou aquele colar contra seu peito e respirou fundo. Douglas começou a pensar em tudo que estava sentindo e foi na direção da janela do quarto olhando a altura. Ele descartou a ideia de se jogar da janela e se jogou no chĂŁo do quarto mesmo. Douglas começou a sentir dores no corpo e se lembrou que tinha se machucado na penĂșltima noite. - Eu nem quis te ver de malas prontas levando o que eu temia, suas roupas e minha alegria. - Ele cantou jogado no chĂŁo. - E eu nem quis te ver de malas prontas, nĂłs dois nĂŁo mais existe, sĂł ficaram 126 cabides. Douglas se levantou do chĂŁo, olhou ao redor do quarto e respirou fundo. Ele voltou a ver a janela e enxergou o lago. O ex de Rayanne voltou a respirar fundo e chegou Ă conclusĂŁo do que iria fazer.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 68
Rayanne parou o beijo e encarou o homem a sua frente. Ele forçou um sorriso e se aproximou do ouvido dela. - O que acha de ir pra minha cama? - Ele sussurrou e ela o encarou. - Olha, um beijo Ă© um beijo. Sexo Ă© uma coisa que eu nĂŁo vou fazer tendo acabado de te conhecer. - Ela se afastou. - E vocĂȘ me disse que era casado. E outra, eu acabei de me separar. Eu te beijei e fiz ciĂșme no meu ex, mas eu nĂŁo vou transar com vocĂȘ assim. Eu nem sei o seu nome pra inĂcio de conversa. Acabei de beijar uma pessoa que eu nem sei o nome. - Ela rolou os olhos. - Prazer, mas nĂŁo vou te falar meu nome. - Ele estendeu a mĂŁo. - E vocĂȘ? - Rayanne. - Ela se apresentou. - A gente devia beijar de novo pra se conhecer melhor. - Ele sugeriu. - NĂŁo. - Rayanne negou. - JĂĄ foi. - EntĂŁo, vou embora. - O homem sorriu e saiu de perto de Rayanne. - Nossa. - Ray rolou os olhos e saiu andando atĂ© o bar. Ela pegou outra cerveja e olhou para Douglas sentado na mesa. - Sua vez. - Gabriela apontou para o karaokĂȘ e Douglas forçou um sorriso. Douglas se levantou da mesa e caminhou atĂ© o karaokĂȘ. Ele esperou que o karaokĂȘ lhe mostrasse qual seria sua mĂșsica. O karaokĂȘ mostrou "Ă Com Ela Que Eu Estou" e ele mordeu o lĂĄbio. - O que veio fazer aqui? Se quer me ouvir vou te dizer, a verdade de tudo que vocĂȘ queria saber. NĂŁo sou culpado pelos seus erros. - Ele fez uma pausa. - Quem diria que um dia os papĂ©is iam se inverter? E nĂŁo toque mais no nome dela nĂŁo tem nada a ver. Suas coisas jĂĄ deixei lĂĄ fora jĂĄ pode ir embora... Vou dizer o que Ă© que ela tem que nĂŁo tem em vocĂȘ. EntĂŁo senta e escuta calada e vĂȘ se nĂŁo chora. Ela quis o amor que um dia vocĂȘ jogou fora... - Rayanne olhou para Douglas enquanto ele cantava. - Foi ela quem pegou na minha mĂŁo quando vocĂȘ soltou, foi ela quem me aceitou do jeito que eu sou, do jeito que vocĂȘ deixou. Foi ela quem me ajudou a levantar quando eu caĂ, foi ela que enxugou as minhas lĂĄgrimas, me fez sorrir. Ela me aceitou do jeito que eu sou e Ă© com ela que eu estou. - O karaokĂȘ fez com que ele repetisse a metade da mĂșsica e ao final, todos aplaudiram. Douglas voltou ao seu lugar. - VocĂȘ foi muito bem. - Gabriela elogiou. - NĂŁo sei porque parou de cantar. Talento desperdiçado, seu Douglas. - Obrigado. - Douglas sorriu para Gabriela e Rayanne os encarou de longe. - Eu nĂŁo sei mais o que pensar. - Rayanne sussurrou para si mesma tomando o resto da cerveja. - Eu nĂŁo sei mais o que realmente pensar disso tudo, Douglas. - Ela encarou o ex com Gabriela e rolou os olhos. - VocĂȘ me beijaria? - Douglas perguntou olhando para Gabriela e ela negou. - Mas e se eu te beijar? O que vocĂȘ vai fazer? - Vou achar ruim. - Ela rolou os olhos. - VocĂȘ tem mulher. - Fica tranquila. - Ele riu acalmando a amiga. - Eu nĂŁo quero te beijar. SĂł queria ter certeza de uma coisa. - O que? - Gabi questionou. - Coisa minha. - Ele deu um gole na cerveja e se levantou da mesa. Douglas caminhou atĂ© onde Rayanne estava e ela virou o rosto. Ele riu e se sentou ao lado dela. - Acho que eu devia me desculpar pela minha indelicadeza. - Douglas começou a falar. - Por nĂŁo ter dito meu nome. - Me beijou e foi embora. - Ela rolou os olhos. - Nem me disse seu nome e ainda deu em cima de outra. - Pois Ă©. - Ele concordou e sorriu. - Fui bem filho da puta. - Foi mesmo. - Ray concordou e cruzou os braços. - Mas nĂŁo vai dizer seu nome? - Douglas. - Ele se apresentou. - Hm. - Ela resmungou. - SerĂĄ que eu ainda tenho alguma chance com vocĂȘ? - NĂŁo sei. - Ela fingiu olhar para o outro lado e ele riu. - VocĂȘ quer dançar comigo? - Ele questionou ao ouvir "Escreve AĂ" ao fundo. - Aceito. - Ray concordou e estendeu a mĂŁo para que ele a levantasse. Ela aceitou e os dois foram atĂ© a pista de dança. Douglas puxou Rayanne pela cintura e ela fechou os olhos e deitou a cabeça no ombro dele. Ele passou a mĂŁo no rosto dela e colocou o cabelo atras da orelha. Ray levantou a cabeça e colou seu rosto ao dele. Eles ficaram em silĂȘncio balançando de um lado para o outro. Ao final da mĂșsica, eles se olharam e sorriram. - Mas vocĂȘ nĂŁo era casado? - Rayanne sussurrou ainda olhando nos olhos dele. - Se vocĂȘ quiser, eu sou. - Ele respondeu e ela sorriu. - A gente tem muito o que conversar, nĂŁo tem? - Temos. - Rayanne confirmou e voltou a deitar a cabeça no ombro dele. - Mas a gente pode fazer isso outra hora. - Podemos. - Douglas concordou e ouviu "Depois do Prazer" ao fundo. - Hoje pode ser um dia nosso, nĂŁo pode? - Sem pensar no amanhĂŁ. - Ela concordou, levantando a cabeça do ombro dele. Rayanne voltou a olhar o ex nos olhos e ele mordeu o lĂĄbio a olhando de lado. Ele passou a mĂŁo pelo rosto dela e se aproximou, a beijando. Ray retribuiu o beijo e abriu um sorriso assim que eles pararam de se beijar. - Por que a gente nĂŁo pode voltar a ficar junto? - Eu preciso do meu tempo, Ray. Me entende. - Douglas pediu e suspirou. - Mas vocĂȘ disse que nĂŁo queria falar disso hoje. - VocĂȘ tĂĄ certo. - Ela respirou fundo. - Eu passo por cima de tudo e fico com vocĂȘ essa noite. Mas o nosso amanhĂŁ Ă© indefinido. - AmanhĂŁ vocĂȘ vai voltar pro Rio. - Ele forçou um sorriso. - Ă o certo a ser feito. NĂŁo tem lugar pra nĂłs dois mais nas nossas vidas. VocĂȘ sabe disso. - Eu queria tanto que tudo voltasse a dar certo. - Ela sussurrou. - Nunca imaginei que isso fosse acontecer. De novo. Com a gente. - Esquece. - Ele pediu e colocou um dos dedos nos lĂĄbios dela. - Desculpa. - Rayanne fechou os olhos e voltou a beijar o ex. Eles ficaram naquele clima atĂ© que a mĂșsica foi encerrada. Douglas segurou Rayanne pela mĂŁo e eles andaram atĂ© o lago. Os dois se sentaram na grama e voltaram a se beijar. Eles pararam de se beijar e ela se deitou no colo dele olhando para a lua. Ele tambĂ©m olhou para o cĂ©u e em seguida, fechou os olhos. Douglas passou a mĂŁo pelo cabelo da ex e ela sorriu. - A lua tĂĄ bonita, nĂ©? - Rayanne questionou. - Ela tĂĄ cheia? - NĂŁo sei. - Douglas balançou a cabeça. - Mas parece que tĂĄ. - A lua Ă© engraçada. Ela Ă© a mesma, nĂŁo importa onde ela esteja. - Ray continuou olhando para a lua. - NĂ©? - Ă. - Douglas concordou. - Ela Ă© a mesma nĂŁo importa onde ela esteja. Ă a mesma coisa. Mas fica aqui, eu jĂĄ volto. Douglas caminhou atĂ© um jardim que tinha ali perto e arrancou uma das flores. A flor era roxa e diferente de todas que ele jĂĄ tinha dado para a ex. Ele caminhou de volta atĂ© ela, tampou os olhos dela e a fez voltar a deitar a cabeça em seu colo. Douglas estendeu a flor para Rayanne e ela a analisou. - Por que vocĂȘ tĂĄ me dando isso? - Ela questionou abrindo um sorriso. - Pra vocĂȘ lembrar de mim nesse tempo. - Ele passou a mĂŁo pelo cabelo dela e Ray segurou a flor quase chorando. - VocĂȘ nĂŁo vai mesmo repensar isso tudo? - Ray se magoou com aquilo. - Por que vocĂȘ nĂŁo pode deixar as coisas voltarem aos lugares delas? - Porque por mais que eu te ame, eu preciso de um tempo pra mim mesmo. VocĂȘ vindo aqui sĂł atrasou as coisas, Ray. Sinto muito, mas Ă© assim que as coisas sĂŁo. - Douglas passou a mĂŁo no rosto dela olhando para o cĂ©u. - Eu ainda nĂŁo tenho uma resposta. E a gente nĂŁo precisa ficar se tratando como fizemos hoje. TĂĄ tudo errado. TĂĄ cada vez pior. Eu sĂł faço merda. - NĂŁo, Douglas. - Ela se levantou. - NĂŁo fica assim. A gente pode achar essa reposta juntos. A polĂcia pode achar... A gente pode ir pra cama e resolver tudo isso. NĂŁo faz isso com a gente. - Ray, nĂŁo existe a gente. - Douglas disse sĂ©rio. - NĂŁo mais. JĂĄ existiu. - Douglas, sĂŁo seis anos. Poxa! VocĂȘ nĂŁo pode fazer isso comigo. Pelo amor de Deus, Douglas. - Ela começou a chorar. - A gente pode passar por cima de tudo isso. NĂŁo faz isso comigo. Onde vocĂȘ quer chegar com tudo isso? A gente se ama, vocĂȘ nĂŁo pode fazer isso comigo. Por favor. - JĂĄ fiz. - Ele suspirou. - Eu sinto muito. JĂĄ fiz. Pega suas coisas, vai embora e me deixa em paz. NĂŁo existe mais nĂłs dois. VocĂȘ aqui nĂŁo vai mudar nada. - Como vocĂȘ pode falar uma coisa assim e depois falar outra? No hospital vocĂȘ me disse umas coisas tĂŁo bonitas e agora tĂĄ me tratando como se eu fosse um copinho descartĂĄvel. - Ela o encarou ainda chorando. - Por favor, nĂŁo me machuca desse jeito. - Eu sinto muito. - Ele a segurou pelos ombros e encostou a testa com a dela. - Vamos dormir. A Maya deve estar com fome. - Douglas se levantou e Rayanne se jogou na grama. - Eu nĂŁo vou pra lugar nenhum, Douglas. - Ela disse chorando e se agarrou a grama. - Me deixa aqui sozinha. Vai dormir vocĂȘ, eu vou ficar aqui. - NĂŁo faz isso. - Douglas pediu e tentou levantar a ex, mas nĂŁo conseguiu. - A gente disse que nĂŁo ia falar sobre isso hoje. - Me deixa aqui sozinha! NĂŁo faz diferença nenhuma pra vocĂȘ mesmo! - Ela gritou. - Eu fiz de tudo e vocĂȘ nĂŁo tĂĄ nem aĂ. - Eu ainda gosto de vocĂȘ. - Ele respirou fundo. - Vamos pro quarto. NĂŁo fica aqui sozinha. A Maya precisa de vocĂȘ. - Gosta? Ă isso que vocĂȘ sente por mim? Gostar? - Ela fechou os olhos e se levantou do chĂŁo. - Ă. - Ele respirou fundo e ela apertou a flor em sua mĂŁo enquanto chorava. - Eu gosto muito de vocĂȘ. NĂŁo faz isso com vocĂȘ mesma. - Gosta ou ama? - Ela fixou seus olhos aos dela. - Gosto. - Ele disse e ela assentiu. - Vamos pro quarto. - Eu vou me jogar nesse lago. - Ela choramingou. - Eu quero morrer depois de ouvir isso. Seis anos dividindo a porra da minha vida com vocĂȘ pra ouvir que vocĂȘ gosta de mim? Que sentido a minha vida tem agora? Nenhum! - Ela gritou. - Para com isso! - Ele a puxou pelo braço. Rayanne o encarou e Douglas a pegou no colo. - Vamos pro quarto antes que tenha vĂdeo disso tudo no LĂ©o Horas. - Ele caminhou com a ex atĂ© a suĂte presidencial. Os dois chegaram na suĂte e viram Arruda cuidando de Maya. A menina estava dormindo e babĂĄ estava a vigiando. Douglas apontou a saĂda para a babĂĄ e a mulher saiu ao ver o estado de Rayanne. - Vou te dar banho. - Ele avisou e ela nĂŁo disse nada. - VocĂȘ quer escolher a sua roupa? - NĂŁo quero nada! - Rayanne gritou e voltou a chorar. Ele respirou fundo e abriu a mala dela com uma das mĂŁos e continuou a carregando com a outra. - Isso aqui tĂĄ bom? - Ele mostrou um pijama junto com calcinha e sutiĂŁ e ela nĂŁo disse nada. - Vou encarar como um sim. - Douglas ajeitou Rayanne nos braços e a levou atĂ© o banheiro. Ele jogou suas roupas no chĂŁo que estavam dentro da banheira e a sentou na escadaria. Rayanne continuou parada e calada. - VocĂȘ consegue tirar a roupa, Rayanne? - Ele questionou e ela continuou calada em choque. - TĂĄ bom. - Douglas respirou fundo e a levantou, tirando o vestido dela e a calcinha e o sutiĂŁ. Ele a colocou na banheira e Ray continuou imĂłvel olhando para um ponto na parede. - Se vocĂȘ precisar de mim, estarei lĂĄ fora, tĂĄ bom? - Ele questionou e ela continuou calada. Rayanne recomeçou a chorar ainda sem se mexer. Douglas percebeu que ela nĂŁo ia conseguir tomar banho sozinha e deu banho nela. Depois a secou e a vestiu, colocando na cama como um bebĂȘ. Ele a cobriu com o edredom e ligou o ar-condicionado. - Boa noite. - Ele abaixou a luz e ela continuou sem falar nada. Douglas separou uma muda de roupas e tambĂ©m tomou banho. Ele voltou atĂ© o quarto assim que jĂĄ estava vestido e ouviu soluços vindos da cama. Rayanne estava soluçando de tanto chorar e sussurrando "gosta...gosta...". Ele tentou ignorar e foi atĂ© Maya. O pai da menina a pegou nos braços e foi atĂ© a bolsa da pequena. Douglas pegou tudo o que precisava e deu banho e trocou a fralda da filha. Ele colocou Maya de volta no carrinho e montou o berço portĂĄtil que Rayanne tinha levado. Ele colocou a menina num canto da parede e apagou todas as luzes. Douglas se deitou ao lado de Rayanne tentando manter uma distĂąncia razoĂĄvel entre os dois e ela estava olhando fixamente para ele mas sem piscar. Douglas ligou o abajur e percebeu que ela estava pĂĄlida e a testa estava cheia de suor. Ele encostou na ex e sentiu a pele gelada, viu as pupilas muito dilatadas, os lĂĄbios e as pontas dos dedos, roxas e a respiração lenta demais. Ele segurou o braço de Rayanne e sentiu o pulso rĂĄpido e fraco. - Eita, caralho. - Douglas sussurrou e arregalou os olhos. - JĂĄ pode parar de graça. - Ele disse assustado. - Rayanne! Puta que pariu! Que que eu faço? Douglas respirou fundo e se levantou da cama. Rayanne continuou do mesmo jeito e ele a pegou no colo. Ele abriu a porta e passou com a ex. Douglas trancou a porta e saiu correndo atĂ© a recepção com ela nos braços. - Ela tĂĄ morrendo. - Douglas disse assim que chegou atĂ© a recepção e percebeu que a respiração dela estava cada vez mais lenta. - Leva ela pra cĂĄ. - A mulher saiu de trĂĄs do balcĂŁo e eles correram atĂ© o ambulatĂłrio do resort. A mulher bateu no vidro chamando os mĂ©dicos e a respiração de Rayanne estava cada vez mais lenta. Os mĂ©dicos atenderam ao chamado e Douglas entregou a ex para eles. Antes de entregĂĄ-la, ele puxou a flor que estava presa na mĂŁo dela e entregou uma carteira dela com documentos. Eles levaram Rayanne para uma sala e Douglas voltou para o quarto. Ele nĂŁo podia deixar Maya sozinha. Douglas trocou de roupa e levou Maya atĂ© aonde Rayanne estava. - Desculpa, Douglas, mas ela nĂŁo estĂĄ mais aqui. - A mulher informou. - Foi levada pro hospital Ă s pressas. Ela teve parada cardĂaca do nada aqui. - Ela tĂĄ viva, nĂ©? - Douglas perguntou um pouco inseguro. - AtĂ© onde eu sei, estĂĄ. - A mulher respondeu e Maya abriu os olhos e começou a chorar. - NĂŁo tenho notĂcias. Douglas voltou ao quarto e se sentou com Maya na cama. A menina continuava chorando e ele estava tentando fazĂȘ-la dormir. Maya continuou chorando por meia hora, atĂ© que parou e voltou a dormir. Ele deixou a filha em cima da cama e foi atĂ© a janela. Douglas olhou para todos os cantos do quarto e voltou a se sentar na cama. - Boa noite, Maya. - Douglas disse e apagou as luzes se deitando na cama e fechando os olhos. Quando Douglas estava quase dormindo, Maya voltou a chorar e berrar alto. Ele acendeu as luzes e saiu da cama preocupado. Douglas pegou a filha nos braços e ela mexeu os bracinhos como se estivesse incomodada. - Puta que pariu! - Douglas disse olhando para a filha. - Eu jĂĄ entendi que vocĂȘ tĂĄ ligada com a sua mĂŁe. Mas eu nĂŁo posso fazer nada, Maya. O mĂĄximo que eu posso fazer pela sua mĂŁe Ă© uma oração pela vida dela. - Ele disse e a menina parou de mexer os braços e começou a mexer as pernas. - A sua mĂŁe devia ter continuado onde estava. Veio pra cĂĄ e sĂł se causou problemas. VocĂȘs tĂȘm que ir embora daqui. Eu nĂŁo sou o mesmo de antes. Eu sĂł machuco vocĂȘs. - Ele se lamentou. - Mas eu vou orar pela sua mĂŁe, pedir pela vida dela e pela sua tambĂ©m. Douglas se ajoelhou no chĂŁo e pediu pela vida de Rayanne. Ele sentiu um pressentimento ruim e intensificou ainda mais suas oraçÔes. Maya voltou a dormir, mas o pressentimento ruim nĂŁo foi embora. Ele começou a andar de um lado para o outro no quarto e pegou o celular de Rayanne. Douglas desbloqueou a tela do celular dela e viu uma foto dos dois ao fundo. Ele abriu um sorriso e viu que ela tinha algumas mensagens nĂŁo-lidas. Eram de Diego: "VocĂȘ chegou bem?", "JĂĄ falou com ele?", "VocĂȘs estĂŁo bem?". Ele viu que ela tinha mandado um ĂĄudio para o cunhado e resolveu ouvir: "Diego, eu tenho que contar que tĂŽ indo encontrar com o seu irmĂŁo e tĂŽ mais que ansiosa. Meu coração nĂŁo aguenta mais. Eu tĂŽ morrendo de saudade dele e espero trazer ele de volta logo. Mas se nĂŁo conseguir, nĂŁo vou conseguir voltar tĂŁo cedo. Cuida dos gĂȘmeos pra mim! Amo vocĂȘ, cunhadinho". Ele parou o ĂĄudio e voltou a se deitar na cama. Douglas se enrolou no edredom e tentou dormir.

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Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 67
Douglas estava sentado com Gabriela, JosĂ© e outros dois amigos de Gabriela na Cabana da Praia. Todos estavam conversando enquanto alguns dançavam e outros se arriscavam no karaokĂȘ. Era uma noite diferente. O garçom entregou outra garrafa de cerveja para Douglas e ele escutou assobios e vĂĄrios "fiu-fiu". - Que loira maravilhosa! - Um dos amigos de Gabriela disse olhando Rayanne passando perto da mesa. - Senta aqui. - Um homem de uma outra mesa colocou uma cadeira ao seu lado apenas para que ela sentasse. - Licença. - Rayanne pediu e se sentou ao lado do homem que tinha colocado a cadeira apenas para que ela se sentasse. - Obrigada. - Que batom roxo lindo. Ele ficaria Ăłtimo na minha boca. - O homem nĂŁo perdeu tempo e lançou essa. Rayanne riu. - Vai com calma. Quem sabe no final da noite vocĂȘ nĂŁo tenha sorte. - Ela olhou na mesa e pegou a garrafa de cerveja que estava a sua frente. Rayanne deu um gole na garrafa mesmo. - Toma aqui. - O garçom se aproximou e entregou outra garrafa de cerveja para Rayanne. - Cortesia da casa pra mais linda do lugar. - VocĂȘ tĂĄ bem? - Gabriela colocou a mĂŁo em cima da mĂŁo de Douglas ao perceber que ele estava sem acreditar que aquilo estivesse acontecendo. - Quer ir embora, amigo? - NĂŁo. - Douglas negou. - Eu posso lidar com isso. Ela nĂŁo vai me derrubar. - Ele deu um longo gole em sua cerveja e olhou na direção da ex. Rayanne apenas estava bebendo a cerveja observando o lugar. Alguns petiscos foram servidos e o homem sentado Ă mesa de Rayanne buscou um pouco para ela. Ela sorriu em agradecimento e comeu alguns acompanhados da cerveja. A mĂșsica do karaokĂȘ mudou e começaram a cantar "AlĂŽ, porteiro". Ray rolou os olhos e deu um longo gole em sua cerveja. - Morreu a mulher carinhosa e fiel que te amava... - Rayanne cantou alto para que Douglas ouvisse e ele estendeu um dedo do meio para ela em resposta. - AlĂŽ porteiro tĂŽ ligando pra te avisar que a partir de agora eu tĂŽ solteiro... - Douglas cantou em resposta e deu um gole em sua cerveja. - TĂŽ solteiro, desapegado e superado. - Ele disse alto e chamou o garçom pedindo outra cerveja. Douglas se levantou e pegou alguns petiscos no palcĂŁo. Ele se sentou de volta Ă mesa e percebeu que a mĂșsica jĂĄ tinha trocado novamente. A mĂșsica que tocava agora era "Quem chorava hoje ri". - Quem chorava hoje ri, quem sorria hoje chora, pra mim passou o tempo ruim e o seu começou agora... - Rayanne cantou junto com quem estava no karaokĂȘ. - VocĂȘ quer dançar comigo? - Um homem chegou na mesa de Rayanne perguntando a ela. - Mas ela tĂĄ comigo. - O que estava na mesa com ela disse. - Na verdade, eu nĂŁo tĂŽ com ninguĂ©m, eu tĂŽ solteira, isso sim. - Ela se levantou da mesa e o outro segurou a mĂŁo a ajudando a sair da mesa. - Porra. - Douglas disse baixinho e tomou um gole demorado na garrafa mesmo. - Antes de dançar comigo, vocĂȘ pode tirar uma foto minha? - Ray pediu e entregou seu celular na cĂąmera ao homem. - Claro. - Ele concordou e ela fez uma pose e o homem tirou a foto. Rayanne pegou seu celular de volta e postou a foto no Instagram com a legenda: "AtĂ© que vocĂȘ faz bem, mas nĂŁo sou de ninguĂ©m". Ela sorriu em agradecimento ao homem e ele a puxou para o meio da pista de dança onde outras pessoas tambĂ©m estavam dançando. A mĂșsica da vez era "Justiceiro" e Douglas jĂĄ estava começando a se irritar. Os amigos de Gabriela estavam quase babando por Rayanne e isso estava o irritando profundamente. - Ela tem marido, sabia? - Douglas disse irritado aos dois amigos de Gabriela. - NĂŁo tĂŽ vendo aliança. - Um deles disse e Douglas bufou. - TĂĄ mais que solteira. - O outro rolou os olhos. - A gente jĂĄ percebeu que vocĂȘ tambĂ©m tĂĄ interessado, mas quem chegar primeiro, leva. - Enquanto ainda for casada no papel, ainda Ă© casada. - Ele disse mais irritado. - Casamento Ă© mais que um papel. Do jeito que vocĂȘ fala parece atĂ© que o ex dela tinha posse dela. - O outro amigo de Gabriela o repreendeu. - Ela tĂĄ solteira sentimentalmente, nĂŁo importa isso de papel. Ă sĂł um papel que pode molhar e rasgar. - Se ela ficar com outro, o marido dela pode processar ela por adultĂ©rio. - Douglas deu outro gole em sua cerveja. - Isso seria bem doentio da parte dele. - O amigo de Gabi rolou os olhos. - SĂł falta querer apedrejar ela. - Espero que quando vocĂȘ tiver uma esposa, nĂŁo a trate como objeto igual esse ex dela. - O outro amigo se meteu. - Ela Ă© mulher e nĂŁo posse. Ă casamento e nĂŁo compra de escravos. Coitada dela parece atĂ© que ganhou uma carta de alforria. - VocĂȘ tĂĄ bem, amigo? - Gabriela questionou novamente. - NĂŁo deixa isso te abalar. - Ah nĂŁo! - Douglas ficou sem acreditar no que estava vendo. - Mas Ă© impossĂvel! - O que foi? - Gabi questionou olhando Douglas encarando um homem que tinha acabado de entrar no restaurante. - Parece que tiraram o dia pra cagar na minha cabeça. - Ele se levantou irritado e foi atĂ© o balcĂŁo pegar outra cerveja. - Agora fudeu. Era sĂł o que faltava. Douglas voltou Ă mesa e viu que Rayanne ainda continuava dançando com o mesmo homem. Ele se sentou e respirou fundo. Gabriela se preocupou com Douglas e os amigos dela ja nĂŁo estavam na mesa. Ele virou o rosto e tentou ignorar tudo que estava acontecendo a sua volta. Rayanne cansou de dançar com o homem e se soltou dele. Ela avistou a pessoa que menos esperava encontrar outra vez e encarou o chĂŁo, olhando disfarçadamente para Douglas. Ela percebeu que ele estava bem irritado e que jĂĄ devia ter percebido a presença de Yan ali. - Agora fudeu. - Rayanne sussurrou para si mesma ao ver Yan indo em sua direção. - Oi Rayanne. - Yan disse sorridente e deu um beijo no rosto dela. - Posso falar com vocĂȘ? Na verdade, eu queria falar pra todo mundo que tĂĄ aqui. - Ele olhou para o karaokĂȘ e caminhou atĂ© ele. Yan começou a cantar "Te Assumi Pro Brasil" e Rayanne ficou vermelha sem entender nada que estava acontecendo. - Ser feliz pra mim nĂŁo custa caro. Se vocĂȘ tĂĄ do lado, eu me sinto tĂŁo bem. VocĂȘ sempre me ganha na manha. Que mistĂ©rio cĂȘ tem? Arrumei a mala mais de uma semana, sĂł falta vocĂȘ me chamar pra eu fugir com vocĂȘ. Mudei meu status jĂĄ tĂŽ namorando, antes de vocĂȘ aceitar, jĂĄ te assumi pro Brasil. Porque te amo eu nĂŁo sei, mas quero te amar cada vez mais. O que na vida ninguĂ©m fez, vocĂȘ fez em menos de um mĂȘs... - Ele cantou olhando para Rayanne e Douglas bateu na mesa irritado com tudo aquilo. - Fica calmo. - Gabriela pediu assustada. - NĂŁo da esse gostinho pra ela. Fica calmo. - Olha, Rayanne. - Yan parou de cantar e ficou nela. - Eu me separei por vocĂȘ, porque eu nĂŁo consegui te esquecer desde que a gente se afastou. Cheguei em casa e terminei tudo por vocĂȘ. Porque eu sei que vocĂȘ tambĂ©m tĂĄ separada e porque eu te amo. Eu sei que vocĂȘ sente o mesmo que eu... VocĂȘ aceita namorar comigo? - Ele questionou e ela arregalou os olhos. - NĂŁo. - Rayanne rejeitou. - Eu sinto muito, Yan. Mas eu quero curtir a minha solteirice. - Curte sua solteirice comigo, entĂŁo. E eu curto a minha com vocĂȘ. - Yan sugeriu. - NĂŁo faz isso com a gente. Pensa em tudo que a gente passou. - Olha... - Rayanne respirou fundo e tirou Yan do meio de todo mundo o levando para um canto. - Como vocĂȘ me achou? Como vocĂȘ sabe que eu tĂŽ separada? Eu nĂŁo disse nada. - Eu vi pelas fotos do Douglas que saĂram chorando no aeroporto e pelas fotos dele, imaginei que vocĂȘ pudesse estar aqui tambĂ©m. Eu conheço esse lugar como a palma da minha mĂŁo. - Yan sorriu. - Mas Ă© sĂ©rio, eu quero ficar mesmo com vocĂȘ. Eu assumo atĂ© os seus filhos. Prometo dar o melhor futuro pra eles, Rayanne. Os trĂȘs. - Eles nĂŁo sĂŁo ĂłrfĂŁos . - Rayanne disse sĂ©ria. - Eles tem pai na certidĂŁo de nascimento. NĂŁo precisa de nada disso. - NĂŁo faz isso com a gente, Rayanne. - Ele pediu segurando a mĂŁo dela. - NĂŁo existe a gente. - Rayanne encarou Yan. - Se vocĂȘ largou a sua mulher Ă© um problema seu. Eu estar separada nĂŁo quer dizer que eu vĂĄ me entregar pro primeiro que aparecer. Eu ainda me respeito e muito. - Vem Rayanne. - O homem que estava dançando com Ray a puxou de volta. - Tchau, Yan. - Ela acenou e saiu andando com outro homem. - NĂŁo se esqueça que eu quis assumir os seus filhos! - Yan gritou sem acreditar que tinha levado o maior fora de sua vida. Rayanne voltou a dançar com o homem que estava dançando antes e deitou a cabeça no ombro dele. Eles jĂĄ tinham conversado muito e ele era casado e sĂł queria dançar mesmo e tinha concordado em deixar ela fazer ciĂșmes no ex. No final da mĂșsica, ela voltou a se sentar na mesa jĂĄ que o par dela tinha ido ligar para a esposa e o garçom levou uma latinha de cerveja para ela. Ray deu alguns goles e viu que estava sozinha na mesa, o outro homem estava dançando com uma outra loira. Ela sentiu alguĂ©m tocando seu braço e olhou na direção da pessoa. - Boa noite. - O homem Ă frente dela sorriu. - Eu poderia ter a honra de dançar com vocĂȘ? Prometo nĂŁo dar em cima de vocĂȘ como todos fazem. Eu sou casado. - Oi. - Ela forçou um sorriso. - VocĂȘ jura que nĂŁo vai dar em cima de mim? Eu tĂŽ cansada jĂĄ. - Rayanne riu. - Eu acabei de me separar e os homens parecem nĂŁo ter escrĂșpulos. - Uma loira dessas nĂŁo tem nem como ter escrĂșpulos. - O homem disse e ela riu. - Mas vocĂȘ aceita ou nĂŁo dançar comigo? Ă pegar ou largar. - VocĂȘ Ă© casado e fica dizendo que "uma loira dessas", indiretamente dando em cima de mim e quer que eu dance com vocĂȘ? - Ela o encarou. - Que tal, nĂŁo? - Mas vocĂȘ nem deixou eu me apresentar. - Ele tambĂ©m a encarou. - Se apresente, entĂŁo. - Eu sou o seu futuro marido e pai dos seus filhos. - O homem disse e Rayanne gargalhou. - JĂĄ tenho trĂȘs filhos, nĂŁo preciso de mais. - Ray balançou a cabeça negando. - E tambĂ©m nĂŁo quero casar de novo porque meu ex-marido foi um idiota e ainda me fez viajar pro lugar errado. - Mas sĂł por que o seu ex foi um idiota, todos os homens tambĂ©m vĂŁo ser? - O homem questionou. - Vem cĂĄ, vocĂȘ nĂŁo era casado? - Ela ergueu a sobrancelha. - Vai dançar comigo ou nĂŁo? - O homem Ă frente de Rayanne a pressionou. - Por que eu dançaria com vocĂȘ? - Ray o interrogou. - Porque eu sei que vocĂȘ quer fazer ciĂșmes no seu ex. - O homem sugeriu. - TĂŽ aqui sĂł pra te ajudar. Rayanne acabou concordando e foi para o meio da pista de dançar com o homem. Ele passou a mĂŁo na cintura dela e colou seus corpos. Ray tentou se separar um pouco, mas nĂŁo consegui. Ela forçou um sorriso e evitou olhar nos olhos do homem. - VocĂȘ nĂŁo falou nada atĂ© agora. - Ela disse. - Por que nĂŁo me fala de vocĂȘ? Eu quero te conhecer. - E a Ășnica coisa que eu quero conhecer agora Ă© a sua boca. - Ele disse e a beijou sem falar nada. Rayanne tentou se soltar, mas acabou cedendo ao beijo.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 66
Douglas estava dormindo quando o celular tocou. Era Rayanne. Ele respirou fundo e sabia que precisava encarar aquele problema de frente e por mensagem, seria covarde demais de sua parte. - AlĂŽ. - Douglas disse assim que atendeu a ligação. - Douglas. - Rayanne disse contente. - Onde vocĂȘ tĂĄ? JĂĄ cheguei aqui no aeroporto. - Eu preciso ser sincero. - Ele respirou fundo. - Eu tava bĂȘbado e vocĂȘ tem que desconsiderar tudo que eu disse. Eu nem tĂŽ em Floripa! - Como nĂŁo? - Ray perguntou um pouco chocada. - Eu acabei de chegar no aeroporto e vocĂȘ disse que ia me buscar e... - Desconsidera tudo que eu disse, Rayanne! - Ele disse sem saber o que fazer. - Me desculpa por ter te mandado foto dos meus ĂłrgĂŁos, desculpa por ter falado um monte de merda e dito que queria te comer... Eu nĂŁo quero nada disso. Volta pro Rio e esquece essa histĂłria. - Esquece essa histĂłria? - Ela questionou irritada. - Douglas, eu quero ir atras de vocĂȘ. Onde vocĂȘ estĂĄ? Eu quero te ver, eu tĂŽ com saudade. - NĂŁo te interessa! - Ele foi grosso. - Olha, me esquece e volta pro Rio. Eu nĂŁo devia ter falado aquelas coisas pra vocĂȘ, principalmente "te comer sem compromisso". Isso foi baixo. - NĂŁo. - Ela negou. - Eu aceito isso. Onde vocĂȘ tĂĄ? Eu tĂŽ aqui com a Maya. - Eu nĂŁo quero te comer, Rayanne! Volta pro Rio e leva essa menina junto, Rayanne! Porra! Me esquece! - Ele bateu o telefone na cara dela. Rayanne olhou para seu celular e olhou em volta do aeroporto. Ela tinha criado uma ilusĂŁo de ver o ex-marido, de sentir o cheiro dele de novo, de olhar nos olhos dele de novo e tudo estava destruĂdo. Ray encarou seus pĂ©s, ajeitou Maya nos braços, mas nĂŁo conseguiu conter as lĂĄgrimas. - Ele nĂŁo tĂĄ aqui, Maya. - Ela disse chorando e olhando para a filha. - O papai nĂŁo quer saber mais da gente, filha. - VocĂȘ precisa de ajuda? - Uma pessoa se aproximou de Rayanne ao perceber o estado que ela estava. - Talvez uma corda para suicĂdio. - Ela disse sĂ©ria e saiu andando com a filha e o carrinho do aeroporto. - Ou quem sabe uma pistola pra atirar na cabeça de vagabundo traidor! - Ela gritou quando jĂĄ estava longe. Rayanne parou no meio do caminho e digitou uma mensagem para o ex: "Eu vou te achar e vou te caçar... VocĂȘ nĂŁo perde por esperar, Douglas Sampaio!". - Eu sĂł preciso achar um computador pra saber onde esse filho da puta tĂĄ. - Ela disse nervosa e seguiu andando pelo aeroporto. Rayanne se sentou com Maya num banco do aeroporto onde tinha Wi-Fi. Ela se acomodou na cadeira e pegou seu celular entrando em trĂȘs empresas aĂ©reas que eles tinham cadastro. Ray vasculhou duas e nĂŁo encontrou nada. EntĂŁo, ela entrou na Ășltima e ao entrar em passagens compradas recentemente, encontrou a passagem que ele tinha comprado. - IlhĂ©us. - Ela leu. - Quase Floripa mesmo, Douglas. Igualzinho. - Ray rolou os olhos e caminhou atĂ© o guichĂȘ. - Em que posso ajudar? - Uma mulher questionou. - Eu quero uma passagem, a mais rĂĄpida que puder, pra IlhĂ©us. Preciso chegar lĂĄ antes de amanhĂŁ. - Ela pediu e a mulher olhou no sistema. Rayanne comprou a passagem para uma da tarde. Faltavam apenas trĂȘs horas. Ela amamentou a filha, caminhou um pouco pelo aeroporto e esperou seu voo ser chamado. Ray embarcou no aviĂŁo jĂĄ pensando em tudo que falaria ao reencontrar o ex-marido. SĂł que dessa vez nĂŁo seria um reencontro romĂąntico como ela tinha planejado. Rayanne desembarcou no aeroporto de IlhĂ©us e procurou por alguĂ©m que soubesse lhe informar onde Douglas estava. Ela mostrou a foto que ele tinha postado no resort e um guarda informou que ficava na Praia do Sul, em Cana Brava. Ela agradeceu e seguiu atĂ© o tal resort. Chegando lĂĄ, Rayanne foi atĂ© a recepção e conversou com a mulher. Ela explicou que era esposa de Douglas e que devia ser incluĂda no quarto dele. A mulher entregou a chave para Rayanne e a ex de Douglas colocou suas malas na suĂte. Ray jogou as roupas de Douglas dentro da banheira e saiu com Maya a tiracolo a procura do ex-marido. Douglas estava no restaurante onde estava tendo outro dia de churrasco. Ele estava sentado com Gabriela e JosĂ©, o homem que ficava gritando com todos. O ex de Rayanne estava cantando "TĂŽ solteiro de novo" quando sentiu alguĂ©m tocar seu ombro. Ele se virou e deu de cara com o garçom lhe entregando mais uma bebida. O cantor agradeceu e brindou com os amigos. Ele voltou a cantar a mĂșsica e percebeu uma movimentação vinda na parte de fora do restaurante. - CadĂȘ esse pinto torto, murcho pequeno e flĂĄcido? - Ele ouviu uma voz conhecida e respirou fundo sem acreditar. - Ah! Olha ele aqui! - Rayanne encarou o ex-marido. - Olha ele aqui! - Mentira que vocĂȘ me achou. - Ele disse sem acreditar. - Porra! Eu nĂŁo acredito! - Pois, acredite. Eu disse que ia te caçar. - Ray encarou as duas pessoas que estavam a mesa com o ex. - Olha a corna. - JosĂ© comentou e Rayanne se aproximou do homem o encarando. - Corna Ă© a puta que te pariu! - Ela rosnou em resposta. - A corna ficou putinha. - JosĂ© continuou e Rayanne rolou os olhos. - VocĂȘ sabe a primeira coisa que eu jĂĄ fiz? - Ray perguntou ao ex. - Joguei suas roupas na banheira pra vocĂȘ aprender a me respeitar! - Cala a boca! - Douglas gritou e ela o encarou. - NĂŁo sei o que vocĂȘ tĂĄ fazendo aqui. - Ă a sua esposa? - Gabriela perguntou a Douglas. - NĂŁo. - Rayanne negou. - Eu sĂł quero falar com esse idiota. - Eu nĂŁo tenho nada a falar com vocĂȘ, Rayanne. - Douglas a ignorou. - Vai embora! - VocĂȘ me mandou pra FlorianĂłpolis e acha que nĂŁo tem o que falar comigo? - Ela riu ironicamente. - Vamos pro quarto agora conversar! - VocĂȘ acha que manda em mim? Eu nĂŁo vou! - Ele se irritou. - Me deixa em paz! - Anda! - Rayanne ficou mais irritada ainda. - NĂŁo tĂŽ brincando. VocĂȘ nĂŁo vai querer que eu fale essas coisas aqui. - TĂĄ. - Douglas se convenceu e pegou uma latinha de cerveja seguindo a ex-esposa. Os dois andaram com a filha mais nova atĂ© a suĂte presidencial. Ele abriu a porta e eles entraram. Rayanne colocou Maya no carrinho e empurrou o carrinho para um canto do quarto. A primeira coisa que Douglas fez, foi ir atĂ© o banheiro e constatar que suas roupas estavam mesmo dentro da banheira. Ele respirou fundo ao lembrar que ainda tinha roupas no closet e na gaveta. Rayanne cruzou os braços e ele deu alguns goles na latinha de cerveja. - Sabe o que Ă© uma merda? - Ele perguntou e jogou a latinha vazia num canto do quarto. - VocĂȘ? - Ela sugeriu e ele negou. - O que Ă©, entĂŁo? - VocĂȘ vindo atras de mim quando eu terminei com vocĂȘ. - Ele revirou os olhos. - VocĂȘ nĂŁo me deixa em paz. - Douglas, eu tava no meu canto e vocĂȘ começou a me perturbar ontem. - Ray se justificou. - VocĂȘ disse que queria ficar comigo e eu fui atras de vocĂȘ. VocĂȘ disse FlorianĂłpolis e eu fui. Disse que eu tinha que esperar no aeroporto e eu esperei. AĂ vocĂȘ me fala um monte de merdas e quer que eu nĂŁo fale nada? Eu tambĂ©m tenho sentimentos. - Eu jĂĄ me desculpei. - Ele disse impaciente. - Eu nĂŁo queria que vocĂȘ estivesse aqui. NĂŁo tĂĄ certo isso. Mas que merda! Eu terminei com vocĂȘ e disse que queria um tempo pra mim. Ai vocĂȘ vem atras. - Douglas se sentou na cama. - A Ășltima coisa que eu queria era te ver. - Eu jĂĄ vou embora, Douglas. Eu sĂł queria que vocĂȘ me explicasse o motivo de tanta grosseria. - Rayanne o desafiou. - VocĂȘ me disse coisas ontem e agora disse outras completamente distintas. - Ela suspirou. - Eu sinto muito em vir atras. Foi realmente um grande erro. - TambĂ©m nĂŁo Ă© assim. - Ele fechou os olhos. - NĂŁo Ă© pra vocĂȘ ficar triste. Eu disse aquelas coisas pra vocĂȘ voltar pro Rio. Eu me importo. - A gente terminou bem, Douglas. NĂŁo tinha porque vocĂȘ fazer o que fez comigo, sabia? - Ela o repreendeu. - Eu queria me encontrar com vocĂȘ porque estava morrendo de saudade. Eu vim atras de vocĂȘ porque estava com saudade, mas agora eu tĂŽ com raiva. Se esse era o seu objetivo, vocĂȘ conseguiu alcançar. - NĂŁo tinha objetivo nenhum, alĂ©m de fazer vocĂȘ voltar pro Rio. - Ele respondeu. - Agora eu entendo o porquĂȘ da gente ter terminado. - Rayanne olhou para o ex convencida. - Por que? - Ele perguntou. - A gente terminou porque eu de um preciso de tempo pra mim e vocĂȘ tĂĄ desrespeitando isso. - Porque nĂŁo tem mais clima entre a gente. Coisa estranha. - Ela desabafou. - Mas eu jĂĄ tĂŽ indo embora, sĂł passei aqui pra olhar essa sua cara de pau por ter feito tudo o que fez. - Olha, Rayanne, eu poderia muito bem te jogar em cima dessa cama e fazer o que eu sei fazer de melhor. - Ele disse sĂ©rio. - Mas eu nĂŁo vou fazer isso porque eu nĂŁo quero. E acho que vocĂȘ jĂĄ entendeu isso. Eu nĂŁo quero. - Eu jĂĄ entendi. - Ela confirmou. - JĂĄ entendi que vocĂȘ tĂĄ me rejeitando. Eu entendi da primeira vez que vocĂȘ falou, inclusive. NĂŁo precisa repetir isso a cada dois segundos. - Mas Ă© pra que vocĂȘ entenda que eu nĂŁo quero. - Douglas encarou o quarto. - Como vocĂȘ disse, nĂŁo tem mais clima. - Eu posso te pedir sĂł uma coisa, Douglas? - Rayanne pediu. - Claro. - Ele consentiu. - Eu quero que vocĂȘ se lembre que no dia de hoje eu tentei. SĂł isso. - Ela o encarou. - No dia de hoje eu tentei passar por cima de tudo pra ficar com vocĂȘ e vocĂȘ nĂŁo quis. Hoje eu fiz isso, mas amanhĂŁ nĂŁo farei mais. NĂŁo espere por mim. VocĂȘ tĂĄ oficialmente solteiro, separado, livre e desimpedido. Eu nĂŁo vou mais te esperar. - TambĂ©m nĂŁo Ă© assim, Rayanne. - Douglas se assustou. - Fica calma. - NĂŁo Ă© assim o caralho! - Ela gritou. - VocĂȘ tem noção das coisas que me disse agora? VocĂȘ Ă© um idiota e eu nĂŁo quero mais que vocĂȘ me procure. Quero mais que vocĂȘ se foda! - Vamos conversar direito. - Ele pediu. - Olha, calma, a nossa filha tĂĄ ouvindo tudo isso. A gente tem que ter modos. - Agora vocĂȘ lembrou da Maya? VocĂȘ nem falou com ela, sĂł se preocupou em mandar a gente ir embora! - Ela gritou. - A gente nĂŁo. - Ele se defendeu. - Eu te mandei embora. A Maya pode ficar comigo. - Eu nĂŁo vou deixar vocĂȘ encostar na minha filha. - Ela o encarou. - Agora ela Ă© sĂł minha. - Eu registrei. - Ele rosnou. - VocĂȘ nĂŁo vai tirar os meus filhos de mim. Eu registrei. - O que adianta vocĂȘ registrar e nĂŁo dar um telefonema? - Ray voltou a encara-lo. - Grande merda registrar e pagar pensĂŁo. Grande merda. Isso nĂŁo faz de vocĂȘ um pai. - VocĂȘ tambĂ©m nĂŁo ligava pros seus filhos. - Douglas jogou na cara dela. - Eles ficavam perguntando de vocĂȘ e nada. - Talvez se eu nĂŁo estivesse trabalhando tanto, eu teria ligado. E quando eu liguei, o pai babaca deles estava internado por causa de drogas! - Ela gritou. - NĂŁo compara porque as situaçÔes sĂŁo diferentes e vocĂȘ foi um babaca nas duas. - Douglas ficou calado e ela continuou. - E pra vocĂȘ voltar comigo, vai ter que se esforçar muito pra eu cogitar essa hipĂłtese. NĂŁo vai adiantar beijinho, provocação, flores, nem tentar usar esse pinto murcho pra me convencer. VocĂȘ vai ter que usar o seu cĂ©rebro, a cabeça de cima e nĂŁo a do pau. Porque nessa eu nĂŁo caio mais. - Ela disse irritada. - AtĂ© parece. - Ele rolou os olhos. - Daqui a pouco tĂĄ pedindo mais. VocĂȘ sempre pede. - Existe uma coisa chamada brinquedo. E talvez, faça um trabalho melhor que o seu. - Ela riu ironicamente. - AtĂ© porque ultimamente seu desempenho estava uma merda. Antes era bem melhor, lĂĄ no começo... Hoje em dia era rotina. - Ah! O meu desempenho tava uma merda? - Ele a encarou sem saber o que dizer. - Tava mesmo uma merda? EntĂŁo, entĂŁo... Como vocĂȘ gritava? - Pra te agradar, otĂĄrio. - Ela rolou os olhos. - Porque pra mim sexo era uma prova de amor e nĂŁo essa coisa vulgar que Ă© pra vocĂȘ. Talvez eu tenha sido bem ridĂcula em achar isso, nĂ© Douglas? - VocĂȘ venceu. - Ele se rendeu levantando as mĂŁos. - Eu jĂĄ entendi que sou uma merda na cama. JĂĄ entendi. - Que bom. - Ela riu. - Espero ter sido bem clara que vocĂȘ Ă© uma merda na cama e que eu me esforçava muito por amor a vocĂȘ. E seu pau Ă© realmente torto, eu nĂŁo tava brincando quando disse isso. - Teu cu! - Ele gritou e colocou o pĂȘnis para fora. - Me mostra onde tĂĄ torto! Aponta! - Bota isso pra dentro. - Ela virou o rosto fazendo cara de nojo. - Eu jĂĄ nĂŁo aguento mais ver isso e nem tem como te mostrar onde tĂĄ torto porque Ă© pequeno demais. E aqui vemos claramente qual de nĂłs dois estĂĄ mais desesperado. - Ela o encarou e ele colocou o pĂȘnis para dentro da cueca e ajeitou a bermuda. - Vai embora! - Ele gritou. - VocĂȘ jĂĄ me humilhou demais por hoje, Rayanne. Por hoje nĂŁo, pela vida inteira. Tem mulher que nĂŁo aceita ser rejeitada que surta. Impressionante. - Eu vou. - Rayanne pegou Maya, a bolsa com as coisas da menina e caminhou atĂ© a porta. - Vai deixar suas malas? - Ele apontou para as malas e bolsas de Rayanne. - Eu vou, mas eu volto. Vou aproveitar o dia. NĂŁo sou trouxa. - Ela piscou um dos olhos e saiu com a filha mais nova. Rayanne atravessou a ĂĄrea de piscina com Maya no colo e encontrou a morena amiga de Douglas no caminho. Gabriela sorriu para Ray e estendeu a mĂŁo. - Eu sou a Gabi. - A mulher se apresentou. - Mas acho que vocĂȘ deve conhecer. Atriz de novela... - NĂŁo. - Ray negou. - Odeio novela. - Eu sou a mulher com quem vocĂȘ falou ontem. - Gabi abriu um sorriso. - VocĂȘ e Douglas jĂĄ se acertaram? - NĂŁo temos o que acertar. - Ray foi firme. - Eu vim aqui por outro motivo. A Ășnica coisa que eu quero acertar Ă© um soco no rosto dele. - Eu torço muito pela volta de vocĂȘs. - A morena sorriu. - Eu nĂŁo. - Rayanne rolou os olhos e Maya começou a chorar. - A filha de vocĂȘs Ă© linda. - Gabi elogiou. - Ela tĂĄ bem? - TĂĄ. - A mĂŁe de Maya afirmou. - Tenho que ir. Ela tĂĄ com fome. Rayanne chegou atĂ© uma ĂĄrea prĂłxima ao restaurante e se sentou na cadeira. Ela amamentou Maya e a menina parou de chorar. Ray ajeitou a blusa e sentiu alguĂ©m chegando perto dela. - Ă lasqueira! - JosĂ© gritou e se sentou ao lado de Rayanne. - Porra! - Ela disse irritada. - Me assustou! - Desculpa. - O homem se desculpou. - Vim pedir desculpas por te chamado de corna. Ă uma brincadeira que eu faço, nĂŁo sabia que vocĂȘ ia ficar tĂŁo zangada daquele jeito. - O senhor mexeu numa histĂłria sem querer e me irritou. - Ela se explicou. - Posso te chamar de chifruda, entĂŁo? - O homem brincou e ela riu negando. - Brincadeira. Mas vocĂȘ sabia que com uma dose bem forte de cachaça vocĂȘ nem lembra mais do chifre? - JosĂ© riu. - Prefiro lembrar do meu chifre. - Ela passou a mĂŁo no chifre imaginĂĄrio. - Deixa ele quieto. Agora eu entendo porque ele achava que eu era um unicĂłrnio. Era meu chifre aparecendo. - Como assim? - O homem ficou sem entender. - Ele te chamava de unicĂłrnia? - Ă. - Ela confirmou. - Eu nunca imaginei que era por causa dos chifres. UnicĂłrnios sĂŁo tĂŁo bonitinhos. - Gaia pode doer, mas o troco dĂłi ainda mais. - O homem aconselhou Rayanne e ela assentiu, forçando um sorriso. - Ă um Ăłtimo conselho. - Ela debochou. - Devia estar na BĂblia de tĂŁo bom. - Ray se levantou e foi embora do lugar. Rayanne foi atĂ© o restaurante e almoçou. Ela passou a metade do dia com Maya no lago e decidiu que precisava fazer uma coisa que nĂŁo aguentava mais. Ray seguiu de volta ao quarto e pegou o carrinho de Maya. Ela andou pelo resort e encontrou o que estava procurando: Um salĂŁo de beleza. Rayanne conversou com o cabeleireiro e explicou o que queria. Ela tambĂ©m fez as unhas das mĂŁos e dos pĂ©s e a sobrancelha. Ray saiu de lĂĄ pronta e foi atĂ© a suĂte para tomar banho. Ela viu tudo bagunçado e teve certeza que Douglas tinha passado por ali. Rayanne ligou para a recepção e solicitou o serviço de babĂĄ. A mĂŁe de Maya deu banho e amamentou a filha e a menina dormiu. Ela terminou de se arrumar e esperou pela babĂĄ. A velha, de nome Arruda, prometeu a Rayanne cuidar direito de Maya e a mĂŁe da menina saiu pela porta pronta para fazer o que queria.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 65
Douglas chegou ao aeroporto e pegou um tĂĄxi para o Resort onde a mulher tinha lhe indicado. Ele chegou lĂĄ de madrugada e foi atĂ© a recepção. - Oi, boa noite. - Douglas cumprimentou a atendente. - Eu queria alugar a SuĂte Presidencial. - Ela estĂĄ ocupada, senhor. SĂł fazemos reservas. - A mulher disse sem nem olhar para Douglas. - Ah. - Ele assentiu. - Mas vocĂȘ teria outro lugar onde eu possa ficar, moça? - NĂŁo. SĂł fazemos reservas. - A mulher continuou negando. - Desculpa, entĂŁo. - Ele respirou fundo. - Ă que eu vim do Rio pra cĂĄ atras de fĂ©rias. - Muitos vem. - A mulher levantou a cabeça e olhou para Douglas. - Espera aĂ. - O que foi? - Douglas questionou. - VocĂȘ Ă© Douglas Sampaio? - A mulher arregalou os olhos e ele confirmou. - Mas Ă© claro que a suĂte presidencial estĂĄ disponĂvel pra vocĂȘ. Apenas me acompanhe e depois fazemos sua ficha. - Tudo bem. - Ele concordou e seguiu a mulher atĂ© a suĂte. Douglas atravessou o lugar e foi conduzido atĂ© a suĂte presidencial. Ele colocou suas malas e seguiu com a mulher de volta atĂ© a recepção. Douglas fez seu check-in e pegou a chave do quarto. Ele voltou ao quarto e percebeu que o lugar era grande. Tinham janelas enormes que davam vista para todo o parque, um sofĂĄ no meio do quarto; uma espĂ©cie de cozinha ao fundo com microondas e frigobar abastecido. A cama era de casal e tinha um enorme closet ao lado e um telefone fixo. O banheiro era composto por um chuveiro, uma banheira com escadas, grandes espelhos, alĂ©m do vaso sanitĂĄrio e da pia. Era ali que ele iria viver pelo tempo que precisasse. Sem perder tempo, Douglas colocou todas suas roupas no closet e nas gavetas. Ele separou uma muda de roupas e seguiu atĂ© o banheiro, tomando banho no chuveiro. O ex-marido de Rayanne se secou, se vestiu e jogou a roupa suja num canto do chĂŁo do quarto. Ele seguiu atĂ© as largas janelas e teve uma visĂŁo de todo o resort. Douglas pensou em ligar para Rayanne, mas jĂĄ era tarde demais. Ele parou de encarar a janela e se deitou na cama, ligando o ar-condicionado e fechando seus olhos. Douglas acordou no outro dia com alguĂ©m batendo a sua porta. Ele levantou da cama rapidamente e abriu a porta. Era o cafĂ© da manhĂŁ. - Bom dia, seu Douglas. - Uma mulher disse e empurrou um carrinho com cafĂ© da manhĂŁ para ele. - Tenha um bom dia. - Obrigado. - Ele coçou os olhos e se espreguiçou. - VocĂȘ tambĂ©m, querida. - O que precisar pode chamar qualquer uma. - A mulher sorriu e fechou a porta do quarto. - Na hora do cafĂ©, cadĂȘ minha mulher que os meus desejos de cor sabia? - Ele cantarolou e começou a rir. Douglas tomou seu cafĂ© da manhĂŁ e lavou o rosto no banheiro. Ele trocou de roupa e colocou uma sunga. O ex-marido de Rayanne pegou protetor solar na mala e toalha, alĂ©m de seu celular tambĂ©m, colocou Ăłculos escuros e seguiu atĂ© a piscina principal do resort. Ele se sentou na borda da piscina e passou protetor solar em seu corpo. Douglas pegou seu celular e tirou uma foto, ele entrou em seu Instagram, ocultou a localização e postou a foto com a legenda: "FĂ©rias mais que merecidas... Obrigado Jesus (emoji de mĂŁos juntas)". Ele deixou o celular, o protetor solar e a toalha e entrou na piscina. Uma bola de plĂĄstico o atingiu na piscina e Douglas se assustou. Uma menina que aparentava ter seis anos chegou perto e sorriu para ele. - Ă tio, me desculpa. - A menina sorriu. - VocĂȘ pode me devolver a bola? - Claro. - Douglas sorriu e devolveu a bola para a menina. - Obrigada. - A garotinha segurou a bola. - Como Ă© o seu nome? - Ele questionou observando a pequena a sua frente. - Luma. - Ela respondeu. - Tchau, tio. E obrigada. - Ă universo. - Douglas riu assim que a menina se afastou e respirou fundo. Ele saiu da piscina, amarrou a toalha nas pernas e saiu andando pelo resort para conhecer os lugares. Douglas viu um lago, outra piscina, parquinhos, dois restaurantes, um lugar chamado Clubinho do Sol e outro chamado Cabana da Praia, que dava acesso para a Praia. Ele ficou um pouco indeciso e acabou por olhar o lago. Douglas riu ao ver alguns patinhos e pensou em dar comida para eles. O ex-marido de Rayanne cansou de olhar para o lago dez minutos depois e voltou para a piscina principal. O lugar jĂĄ estava mais cheio, mas ele conseguiu ficar no mesmo lugar que antes. Ele tomou uma chuveirada e entrou na piscina. Douglas ficou a manhĂŁ inteira na piscina apenas nadando de um lado para o outro. Foi informado que teria churrasco de almoço e todos saĂram da piscina. Douglas voltou para a suĂte presidencial, tomou banho e se arrumou. Ele colocou uma outra sunga, uma bermuda, chinelos e pegou seu celular e carteira saindo do quarto. Douglas caminhou atĂ© o restaurante e viu que o lugar estava lotado. Havia mĂșsica alta e poucas cadeiras disponĂveis. Ele pegou uma das cadeiras e se sentou na mesa de duas mulheres e um homem. O garçom começou a servir o churrasco e ele se concentrou em seu prato. - Eita, caralho! - Um homem entrou gritando no restaurante. - PĂ”e brasa, homi. PĂ”e brasa. Choram os cornos! Mulher que tĂĄ aqui sozinha tĂĄ querendo dar e homi aqui sozinho Ă© porque Ă© corno! - O homem gritou e gargalhou indo atĂ© o churrasqueiro. Douglas continuou comendo seu almoço e pediu uma cerveja ao garçom. O garçom lhe entregou a cerveja e o homem percebeu que Douglas estava absorto ao que estava acontecendo. Ele o encarou de longe e riu. - Esse aqui Ă© corno. - O homem apontou para Douglas. - Olha a cara dele de corno, sem aliança, com essa barba pra fazer, esse olhar triste... - Todo mundo começou a rir e Douglas tentou ignorar. - Sou corno, nĂŁo. - Douglas respondeu e voltou a beber sua cerveja. - Sou solteiro. - Ă solteiro porque foi corno e tĂĄ triste. - O homem acusou. - NĂŁo sou corno e nĂŁo estou triste. - Douglas disse sĂ©rio. - Sou praieiro, sou guerreiro, tĂŽ solteiro, quero mais o que? - Ele riu e voltou a almoçar. - Liga nĂŁo. - Uma das mulheres que estava na mesa com ele colocou a mĂŁo em cima da sua e forçou um sorriso. - Ele Ă© doido assim mesmo, cisma com qualquer um. - TĂŽ de boa. - Douglas mentiu e voltou a almoçar. - TĂŽ acostumado a ser chamado de corno. Mesmo nĂŁo sendo. - VocĂȘ Ă© muito de boa mesmo. - A mulher riu. - Outra pessoa teria quebrado a cara dele. - Sou da paz. - Douglas piscou um dos olhos. - NĂŁo fico brigando com todo mundo. - Percebe-se. - A morena concordou. - Eu te conheço de algum lugar. NĂŁo lembro de onde. - Douglas olhou para a morena. - Mas conheço. - Eu sou atriz. - Ela sussurrou. - E vocĂȘ Ă© cantor. Quem Ă© da mĂdia conhece quem tambĂ©m Ă©. - Ah. - Ele assentiu. - VocĂȘ tava fazendo aquela novela que eu nĂŁo me lembro o nome, mas que era muito famosa. Mas aliĂĄs, eu nĂŁo assisti porque minha mulher odeia novela. Mulher nĂŁo, ex. - Douglas forçou um sorriso. - Ainda nĂŁo me acostumei com isso. - Tadinho, deve ter terminado hĂĄ pouco tempo. - A mulher riu. - Mas fica tranquilo, vocĂȘ se acostuma com o tempo. Aposto que veio aqui pra ter um pouco de paz. - Exatamente. - Douglas confirmou. - Eu tambĂ©m jĂĄ sofri assim. - Ela sorriu. - Mas com o tempo a gente se acostuma com essas coisas da vida. - Ă. - Ele concordou. - Como Ă© o seu nome mesmo? - Gabriela ou Gabi. - Ela respondeu. - Gabriela Martinez, a protagonista da novela "Fogo da PaixĂŁo" e atriz-revelação tambĂ©m. Agora cĂȘ nĂŁo esquece mais. - Minha mĂŁe adorava essa novela, segundo meu irmĂŁo. - Douglas riu. - Ela queria muito que a sua personagem ficasse com quem ela nĂŁo ficou. - Eu tambĂ©m nĂŁo gostei do final da novela. AtĂ© sugeri pra gravarem um alternativo. - Ela terminou de comer. - Mas ninguĂ©m quis. AĂ ficou essa merda que acabou mesmo. - Deve ser horrĂvel gravar um final que vocĂȘ nĂŁo quer. - Ele sugeriu e ela concordou. - AtĂ© sugeriram a sua mĂșsica uma vez, sabia? - Ela contou. - NĂŁo. - Ele deu outro gole em sua cerveja. - Qual delas? - Sou eu. - Gabi contou a Douglas. - Eles queriam colocar como mĂșsica tema pro casal que a sua mĂŁe nĂŁo gosta. - Que bom que nĂŁo colocaram, entĂŁo. - Douglas riu e Gabriela concordou. - Ela ia me odiar. - Eu vou buscar um drink, vocĂȘ quer que eu pegue outra cerveja pra vocĂȘ? - Gabriela questionou. - Pode ser. - Douglas aceitou. - Traz uma garrafa, se puder. - Beleza. - Ela concordou e saiu andando atĂ© o bar. Gabriela colocou a garrafa de cerveja em cima da mesa e o casal que estava na mesa com eles foi embora. Douglas abriu a garrafa e colocou no copo, dando um longo gole. A morena se sentou ao lado dele e bebeu seu drink em silĂȘncio. - Me fale da sua esposa. - Gabi sugeriu. - Ou ex-mulher. - Minha ex. - Douglas forçou um sorriso. - Ela Ă© linda, agora tĂĄ com o cabelo preto, olhos azuis, um sorriso bonito... Ela Ă© modelo. - Ele terminou de falar. - VocĂȘs tĂȘm filhos? - Gabi perguntou e Douglas assentiu. - Quantos? - TrĂȘs. - Ele disse rindo. - GĂȘmeos e uma menina. - VocĂȘs terminaram hĂĄ muito tempo? - Gabi se interessou. - Um dia. - Ele respondeu e deu um longo gole na cerveja. - VocĂȘ nĂŁo pensa em voltar com ela? - A morena questionou. - Quem sabe o dia de amanhĂŁ? - Douglas entornou o resto da cerveja que tinha em seu copo e tomou o resto direto da garrafa. - Por que vocĂȘ tĂĄ perguntando isso? - Porque eu aposto que vocĂȘs fazem uma linda famĂlia. - Gabi sorriu. - E lindas famĂlias devem ficar juntas. - Fazemos. - Ele concordou. - E aposto que vocĂȘ e sua ex fazem um belo casal. - A mulher continuou. - E eu nĂŁo acho que vocĂȘ esteja aqui atrĂĄs de mulher nenhuma. - NĂŁo estou. - Douglas novamente concordou com Gabriela. - EntĂŁo, vocĂȘ devia considerar a opção de voltar pra ela. - A mulher sugeriu. - Fora o jeito que vocĂȘ fala dela. - Eu preciso de um tempo pra mim. - Ele se explicou e voltou a beber o que restava na garrafa de cerveja. - Preciso pensar em umas coisas, achar umas respostas... - Por que vocĂȘ nĂŁo pode achar isso junto dela? - Gabi perguntou. - Desculpa ser tĂŁo intrusiva, mas quero entender. - Eu acho que trai ela. - Douglas confessou. - AĂ eu preciso de um tempo pra superar isso. - Como acha que traiu? - A morena perguntou e ele respirou fundo. Douglas acabou contando toda a histĂłria para Gabriela e ela riu de nervosa ao ouvir o final. - Eu jĂĄ interpretei vilĂŁs, mas essa garota supera todas. - Pior que eu nĂŁo sei nem como olhar pra Rayanne. - Douglas desabafou. - Ă meio foda nĂŁo saber se eu falhei. - Faz o seguinte. - Ela colocou a mĂŁo em cima da dele. - Pega o seu celular e liga pra ela. Diz como vocĂȘ tĂĄ, pergunta dos seus filhos... Ă o melhor a ser feito, Douglas. Vai por mim. - NĂŁo quero ligar e deixar ela saber onde eu estou. - Ele se explicou. - Talvez eu mande uma mensagem. Mas eu nĂŁo vou ligar, nĂŁo tĂŽ pronto pra isso. Desculpa. - Tudo bem. - Gabi riu. - Mas eu vou ficar no seu pĂ© esses dias pra vocĂȘ ligar, hein? - Pode ficar. - Douglas deu de ombros e forçou um sorriso. - Podemos tirar uma foto pra eu postar no meu insta? - Gabi questionou e Douglas assentiu. Os dois tiraram uma foto e trocaram telefones. Douglas recebeu a foto com Gabi em seu whatsapp. Gabi postou a foto com o Douglas em seu Instagram com a legenda: "Encontro delicia com o @sampaiodouglas #friend #fĂ©rias". Ele apenas repostou a foto. NĂŁo demorou muito para surgirem vĂĄrios comentĂĄrios nas fotos. Douglas fez uma selfie segurando a garrafa de cerveja e postou em seu Instagram com a legenda: "A loira do dia" e guardou o celular. - Querido, eu vou pra piscina. - Gabriela avisou e deu um beijo no rosto de Douglas. - Vou te perturbar muito ainda, hein. Me liga pra gente tomar uma gelada. - Pode deixar. - Ele retribuiu o beijo no rosto. - AtĂ© logo, Gabi. - Foi muito gostoso estar ao seu lado. - Ela elogiou. - VocĂȘ Ă© uma pessoa de muita luz e alegra quem fica do seu lado. - Obrigado. - Ele agradeceu. - E nĂŁo esquece de mandar uma mensagem pra sua ex. - Ela alertou. - Ela merece. - TĂĄ bom. - Douglas acabou concordando e Gabriela pegou suas coisas e foi embora. - Eita caralho! - O homem viu a cadeira ao lado de Douglas vazia e se sentou ao lado dele. - Tudo bem com vocĂȘ, corno? - Oi. - Douglas disse um pouco assustado. - VocĂȘ tĂĄ bem? - Meu amigo, se vocĂȘ quer esquecer uma mulher, nada melhor que uma boa cerveja gelada. - O homem sugeriu. - Mas Ă© pra beber atĂ© cair e fazer estrago. VocĂȘ aceita? - Bota na mesa. - Douglas aceitou. - Mas bota aquela bem gelada de doer os dentes. - Eita porra! Esse Ă© bom! - O homem comemorou e chamou o garçom. - Traz uma garrafa bem zero grau pro meu amigo aqui e uma pinga pra mim. - Eu pago a pinga dele, traz a garrafa toda logo. - Douglas disse ao garçom e o homem arregalou os olhos. - Eita caralho, pĂ”e brasa! - Douglas imitou o homem ao seu lado. - Chora bando de corno! - Eita lasqueira! - O homem disse assim que o garçom colocou a garrafa de cachaça em cima da mesa. AlĂ©m da garrafa de cerveja bem gelada de Douglas. JĂĄ era final de tarde e Rayanne estava terminando de arrumar a sala de estar quando ouviu seu celular tocando. Ela caminhou com calma e segurou o aparelho. Era um nĂșmero restrito. Ray resolveu atender a ligação. - AlĂŽ. - Rayanne disse assim que atendeu a ligação. - AlĂŽ porteiro, tĂŽ ligando pra te avisar que a partir de agora eu tĂŽ solteiro. - Douglas cantarolou do outro lado da linha. - JĂĄ me cansei da brincadeira, chame o tĂĄxi que ela vai pagar... - Douglas? - Rayanne estranhou a forma com que seu ex-marido estava cantando, todo embolado. - VocĂȘ tĂĄ bem? - AlĂŽ porteiro, tĂŽ ligando pra te avisar que essa mulher estĂĄ aĂ, ele nĂŁo pode mais subir, tĂĄ proibida de entrar... - Ele continuava cantando e ignorando tudo que ela estava falando. - Eita, caralho, pĂ”e brasa nessa porra. Chora, corna! - Ela ouviu um homem gritando do outro lado e Douglas gargalhou. - Corna Ă© a puta que te pariu! - Rayanne gritou irritada. - Quem tĂĄ aĂ nessa porra? - AlĂŽ porteiro... - Douglas cantarolou de novo e continuou a rir. - AlĂŽ porteiro! - Manda ela ir pra porra. - O homem sugeriu. - Vai vocĂȘ! - Rayanne ouviu e rebateu. - Quem Ă© vocĂȘ, seu corno? Deve ser um gordo que nĂŁo come ninguĂ©m! - Nossa, Douglas! SĂ©rio que vocĂȘ tĂĄ fazendo isso? - Foi a vez de Rayanne ouvir uma voz de mulher. - NĂŁo faz isso, cara! - Deixa. - O homem gritou. - Oi. - A mulher falou diretamente com Rayanne. - O Douglas tĂĄ meio bĂȘbado. Na verdade, totalmente, ele e o amiguinho velho que ele achou aqui. NĂŁo fica puta. - E vocĂȘ? Quem Ă©? - Rayanne perguntou irritada. - A defensora dele? Advogada? - Uma amiga. - A mulher disse calmamente. - NĂŁo precisa descontar em mim. Enfim, ele tĂĄ bem, chegou bem aqui no resort e nĂŁo para de falar de vocĂȘ. - Manda ele pra puta que pariu. - Ray continuou irritada. - Ele nĂŁo liga pra dar uma explicação e liga pra ficar fazendo piadinha com a minha cara? Fala pra ele que se for pra ser assim, nem precisa ligar. A gente terminou com o maior respeito do mundo e ele fica com essas putarias comigo. E avisa pra ele que aquelas fotos no Instagram tambĂ©m estĂŁo ridĂculas! - Ela desabafou. - Ele Ă© ridĂculo! - Ouviu, nĂ©? - A mulher questionou e Douglas assentiu. - Eu tĂŽ entendendo muito bem o tempo que ele quer e pra que. SĂł que eu nĂŁo sou palhaça. Ele me deve respeito. Sou a mĂŁe dos trĂȘs filhos que ele tem. Ele ainda lembra dos filhos? Ou sĂł liga pra fazer essas merdas? - Eu ligo pro que eu quiser. - Ele rebateu. - VocĂȘ tem que me ouvir. - Ah Ă©? - Ela se irritou. - E eu posso saber por que? - Porque vocĂȘ ainda Ă© a minha mulher! - Ele gritou. - VocĂȘ ainda Ă© minha. Eu mando e vocĂȘ obedece. - Quer saber uma? - Ela questionou e escutou silĂȘncio em troca. - Morreu a mulher carinhosa e fiel que tanto te amava. - Ray cantarolou e desligou o telefone na cara dele em seguida. Rayanne se sentou no sofĂĄ e respirou fundo tentando retomar a calma que estava hĂĄ minutos atrĂĄs. Ela fechou os olhos e balançou a cabeça negativamente sentindo as lĂĄgrimas descerem por seu rosto. Douglas jogou a garrafa de cachaça no chĂŁo junto com as de cerveja e saiu chutando as cadeiras que estavam a sua frente. Ele caminhou com bastante dificuldade com seu celular na mĂŁo e voltou atĂ© sua suĂte presidencial. O ex-marido de Rayanne trancou a suĂte, jogou o celular no chĂŁo e se jogou de roupa dentro da banheira. Ele cerrou os punhos e gritou. - Odeio gente sem senso de humor nessa porra! - Ele disse bastante irritado. - Quer saber? Que se foda, que se foda, que se foda, que se foda! Essa falta de humor Ă© tudo falta de sexo. TĂĄ precisando dar, Rayanne! - Ele gritou sozinho. - AĂ meu pau Ă© torto, Ă© pequeno e nĂŁo serve. Tem que achar outro, entĂŁo, porra. Vai dar pra outro, entĂŁo. - Ele pegou o sabonete lĂquido e espalhou por sua camiseta. - Esse corpinho aqui nĂŁo vai receber mais nada seu. Eu deveria era mandar uma foto pra ela. - Ele riu de seus pensamentos. - Uma foto pra ela ver o que Ă© torto. Douglas se levantou da banheira e tropeçou nos degraus caindo de cara no chĂŁo. Ele se levantou sentindo um pouco de dor e alcançou seu celular jĂĄ rindo. - Eu vou mandar uma foto pra ela. - Ele voltou a rir. Douglas se sentou no chĂŁo, colocou seu celular na cĂąmera, abaixou a bermuda, a cueca e segurou seu pĂȘnis. Ele se masturbou atĂ© ficar ereto e tirou uma foto o segurando. O ex de Rayanne abriu o WhatsApp e mandou a mensagem de voz para ela: "Oi! Estou te encaminhando uma solução para seus problemas de humor. Segue abaixo uma foto da solução dos seus problemas" e encaminhou a foto que tinha acabado de tirar. Rayanne estava deitada na cama quando seu celular vibrou. Ela ficou um pouco desconfiada ao ver a mensagem do ex, mas acabou baixando o ĂĄudio. Ela ouviu o ĂĄudio, ficou sem entender e baixou a foto. Ray arregalou os olhos sem entender o que estava acontecendo com ele. Ela começou a rir e escreveu a resposta: "Torto, pequeno e murcho. Por isso vivia mal-humorada... Boa noite!!". Douglas viu a resposta e nĂŁo gostou muito, mas digitou: "Me manda uma foto dos seus peitos?" Rayanne ficou sem entender e respondeu: "NĂŁo". Ele insistiu: "Me manda uma foto dos seus peitos e eu mando mais fotos do meu pau". Ela riu e respondeu: "Vai tentar achar uma posição que nĂŁo deixe o seu pau tĂŁo pequeno, murcho e torto? AlĂ©m de flĂĄcido???" Ele respondeu: "Vou achar a posição que for melhor pra vocĂȘ e que vocĂȘ quiser........". Rayanne achou graça e mandou: "A que vocĂȘ escolher, entĂŁo...". Ele voltou a digitar: "Vem me ver tĂŽ aqui em FlorianĂłpolis" e em seguida mandou: "CadĂȘ a foto dos seus peitos????? TĂŽ esperando". Ela nĂŁo respondeu e ele insistiu: "manda foto das tetas". Ele se lembrou que tinha uma coisa na mala e correu com dificuldade. Douglas abriu a mala e tentou encontrar o que estava procurando. O ex de Rayanne riu ao encontrar o que estava procurando e pegou seu celular. Douglas folheou o ensaio sensual que tinha recebido da ex e colocou numa foto onde ela aparecia mostrando os seios. Ele tirou uma selfie com a foto e mandou para Rayanne: "Manda agora pra eu poder comparar!!!!!". Rayanne riu ao ver aquilo e resolveu atender aos pedidos do ex e tirou uma foto dos seios. Ele riu ao ver a foto, agradeceu e jogou o celular em cima da cama. Pronto, agora ele estava feliz. Douglas arrumou suas roupas e se jogou todo molhado em cima da cama. Ele sentiu seu celular vibrar e viu as mensagens: "Esperando mais fotos do seu pau...". Ele riu e escreveu: "Sem clima agora... Boa noite". Rayanne insistiu: "Olha pra foto que eu te mandei e me manda mais...". Ele negou: "Vem me ver que eu resolvo esse problema ao vivo" e completou: "Eu tĂŽ em Floripa. Vem me ver que eu te como sem compromisso!!". Ela respondeu: "Floripa Ă© enorme, Douglas... Me passa o nome do lugar". Ele respondeu: "FLORIPA!!!!!". Rayanne se irritou: "Aonde em Floripa, Douglas?". Ele digitou: "Vem pro aeroporto de Floripa que eu te busco. NĂŁo sei endereço.....". E ela respondeu: "Eu vou... TĂŽ com saudade de vocĂȘ. Chego aĂ pela manhĂŁ!!!". Douglas sorriu e fechou os olhos, ele estava exausto demais. Rayanne ligou para Diego e pediu que ele tomasse conta das crianças jĂĄ que precisaria fazer uma viagem de urgĂȘncia. Ela arrumou suas malas e comprou a passagem para FlorianĂłpolis pelo computador. Ray explicou aos filhos que precisaria resolver umas coisas e que eles ficariam com Diego. Ela sĂł iria levar Maya. Diego chegou pela manhĂŁ e Rayanne se despediu dos filhos. Ela pediu um tĂĄxi e entrou com Maya, o carrinho de Maya, as bolsas e as malas. A ex de Douglas seguiu para o aeroporto e esperou seu voo. Ray foi chamada cerca de duas horas depois e embarcou com a filha para Floripa. Douglas acordou no dia seguinte com alguĂ©m batendo em sua porta. Ele se levantou da cama e viu que era seu cafĂ© da manhĂŁ. O cantor agradeceu a mulher que levou seu cafĂ© e se sentou na cama. Depois de almoçar, Douglas viu a mensagem nĂŁo-lida enviada hĂĄ horas atras. Ele abriu ao ver que era de Rayanne e que dizia: "Chegando em Floripa eu te ligo...". Douglas ficou sem entender e subiu a conversa vendo que tinha mandado nudes, recebido fotos dos seios de Rayanne e que eles tinham marcado um encontro em FlorianĂłpolis, onde ele afirmava estar. Douglas respirou fundo sem saber o que fazer. Ele estava em Cana Brava e nĂŁo iria dar tempo de chegar atĂ© Floripa, atĂ© porque o aeroporto de IlhĂ©us ainda nem tinha aberto e sĂł teria voos a tarde e Ă noite. Ele voltou a jogar na cama e fechou os olhos sabendo que estava afundado numa merda maior ainda.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 64
Rayanne colocou os filhos para dormir naquela noite com um pouco de dificuldade. Depois de muito, muito tempo ela conseguiu com que as crianças dormissem. AtĂ© mesmo Maya nĂŁo queria dormir. Ela empurrou a porta de seu quarto e engoliu a seco. Ray nĂŁo entrava ali desde que tinha levado Douglas atĂ© a saĂda. A mĂŁe das crianças tomou coragem e entrou naquele quarto. Ela fechou a porta atras de si e ligou a luz. Ray seguiu atĂ© o cĂŽmoda e colocou as duas alianças em cima dela. Ela caminhou atĂ© o guarda-roupas e sentiu uma dor inexplicĂĄvel ao abri-lo e ver que nĂŁo tinha nada do marido, alĂ©m de cabides vazios e pendurados no lado dele. Rayanne passou a mĂŁo pelos cabides e fechou os olhos. Ela fechou o guarda-roupas e abriu as gavetas pegando uma muda de roupas. Ray tomou um banho rĂĄpido e se vestiu. A ex-esposa de Douglas se sentou na cama, fez suas oraçÔes e em seguida, deitou na cama. Ray passou a mĂŁo pelo travesseiro e tambĂ©m pelos lençóis que ele tinha usado na noite anterior. Ela abraçou o travesseiro e o lençol e tentou dormir. Foi em vĂŁo jĂĄ que ela chorou por mais de duas horas sem parar abraçada a tudo que a lembrava de Douglas. Quando sentiu que tinha parado de chorar, ela apertou os olhos e tentou dormir. Ela acordou no outro dia na hora que ele acordava. Rayanne se levantou da cama e foi atĂ© o quarto dos filhos. Luna e Douglas Jr ja estavam acordados e chorando. A mĂŁe das crianças observou os filhos e foi atĂ© o quarto da mais nova. Maya tambĂ©m estava acordada sem chorar. Ela pegou a filha nos braços e a menina fechou os olhos. Ray se sentou na poltrona e amamentou a filha. Depois a ajeitou nos braços e tomou coragem para enfrentar os filhos. - MamĂŁe. - Luna secou as lĂĄgrimas assim que viu a mĂŁe e a irmĂŁ. - Bom dia. - Bom dia, mamĂŁe. - Douglas Jr fez o mesmo que a irmĂŁ mais velha. - Vamos pra escolinha? - NĂŁo. - Rayanne negou. - Hoje ninguĂ©m vai pra escola. Eu tĂŽ sem cabeça pra levar vocĂȘs e vocĂȘs tambĂ©m estĂŁo sem cabeça pra ir. NĂŁo precisam esconder o que estĂŁo sentindo. Podem chorar. - A gente tĂĄ bem. - Douglas Jr mentiu e as lĂĄgrimas continuaram a cair de seus olhos. - A gente quer ir pra escolinha, mamĂŁe. - NĂŁo. - Ray respirou fundo e voltou a negar. - TĂĄ tudo bem. - EntĂŁo, quero comer. - Luna entrou na frente do irmĂŁo. - Vou comer e descansar. - Na verdade, a gente tem uma coisa importante a fazer hoje. - Ray revelou. - Vamos comer pra se arrumar, tĂĄ bom? - TĂĄ bom. Rayanne colocou Maya no carrinho e fez o cafĂ© da manhĂŁ dos gĂȘmeos. Ela serviu a comida aos dois e bebeu um copo de suco. Ray levou Maya para tomar banho e arrumou a filha, colocando a menina de novo no carrinho. Quando os gĂȘmeos terminaram de comer, ela tambĂ©m deu banho neles e os vestiu. Ela deixou os filhos esperando na sala e tambĂ©m tomou banho e se arrumou. Ray colocou comida para os cachorros, pegou sua bolsa e caminhou com os filhos atĂ© o carro. Ela colocou as crianças em cadeirinhas e se sentou na frente do volante. Rayanne fechou todas as portas e saiu pelo portĂŁo. As crianças ficaram caladas enquanto a mĂŁe dirigia atĂ© um lugar que eles nĂŁo sabiam onde era. Rayanne estacionou seu carro Ă frente da delegacia e tirou as trĂȘs crianças das cadeirinhas. Ela pegou Maya no colo e os outros dois foram andando atras dela. Ray se identificou e pediu para falar com o delegado daquela delegacia. Uma mulher pediu que ela esperasse e deixou que Ray entrasse na sala do delegado. Ela entrou com Maya no colo e fez com que os gĂȘmeos fossem para um canto para nĂŁo estarem nada. - Bom dia. - O delegado abriu um sorriso e cumprimentou Rayanne. - Em que posso ajudar? - Eu tenho uma denĂșncia a fazer. - Ray disse um pouco ansiosa. - Uma babĂĄ agrediu os meus filhos. - Ela contou. - Inclusive a minha filha de trĂȘs meses. - Ray mostrou os pĂ©s de Maya, que seguiam marcados. - Ela sufocou essa bebezinha aqui com um travesseiro e quase matou. Ela tambĂ©m queimou o braço do meu filho com um garfo quente e ameaçou a minha outra filha. AlĂ©m de drogar o meu marido. - Calma. - O delegado disse um pouco confuso. - Ela maltratou os seus filhos e ainda drogou o seu marido? Isso Ă© sĂ©rio demais. Com qual motivação isso foi feito? - Eu nĂŁo sei. - Ray foi sincera. - Eu sĂł sei que ela machucou os meus filhos e eles estĂŁo traumatizados. - Imagino. - O homem coçou a cabeça. - Eu vou pedir pros seus filhos conversarem com a psicĂłloga aqui ao lado enquanto a gente registra essa acusação formalmente. - Ok. - Rayanne concordou. Os gĂȘmeos foram levados atĂ© uma sala e conversaram com a psicĂłloga sobre o que Micaela tinha feito. Rayanne prestou depoimento completo e Mica foi indiciada pelos crimes que tinha cometido. As crianças voltaram atĂ© a sala onde a mĂŁe estava e Ray se levantou dando um abraço neles. O delegado se despediu da famĂlia e eles voltaram atĂ© o carro. Rayanne colocou os filhos na cadeirinha e tentou ligar para o marido. Douglas nĂŁo atendeu e a ligação caiu na caixa postal. Ela rolou os olhos e voltou a dirigir de volta para casa. Ao chegar em casa, Rayanne tirou os filhos das cadeirinhas e entrou em casa com a mais nova nos braços. Ela colocou a menina de volta ao berço e os gĂȘmeos correram para seu quarto. Ray preparou o almoço e se deitou um pouco no sofĂĄ. Na hora do almoço, ela serviu a comida e os gĂȘmeos comeram tudo. Rayanne tambĂ©m comeu um pouco do que tinha feito e voltou a se deitar no sofĂĄ. âšâšâšâšâšâšâšâšâšâšâš Douglas desembarcou em SĂŁo Paulo e pegou um carrinho para colocar suas malas. Ele saiu pelo caminho de desembarque e viu uma pessoa segurando uma plaquinha com seu nome. Ele abriu um sorriso achando graça daquilo e caminhou atĂ© as duas pessoas. - Porra, vocĂȘ demorou. - A mulher reclamou. - TĂŽ aqui te esperando hĂĄ uma hora. - Foi mal. - Douglas rolou os olhos. - O voo atrasou e nĂŁo tive como te avisar. - NĂŁo vai falar com seu pai, Bernardo? - Bianca perguntou e o menino abraçou o pai. - Isso, bonito, agora vamos pra casa. TĂŽ exausta jĂĄ de ficar aqui em pĂ©. - Sempre tĂŁo bem-humorada. - Douglas debochou. - Bem-humorada e muito legal por deixar vocĂȘ ficar uns dias na minha casa. - Ela resmungou. - Ă sĂł atĂ© essa noite. - Douglas respirou fundo. - Eu preciso organizar a minha vida. Douglas seguiu com Bianca e Bernardo atĂ© um carro que estava os esperando. Ele se sentou no banco de trĂĄs com o garoto e ela foi no banco da frente junto com o marido. - E aĂ? - O marido de Bianca cumprimentou Douglas. - VocĂȘ tĂĄ com problemas, cara? - Cheio de problemas. - Douglas confessou. - Eu nĂŁo sei mais o que fazer da minha vida. - Tirar um tempo pra gente Ă© sempre bom. - O homem concordou com a decisĂŁo de Douglas. - Espero que vocĂȘ encontre as suas respostas. - Vou encontrar logo. - Douglas se convenceu. - Tenho certeza que vou encontrar. Douglas chegou atĂ© o apartamento de Bianca e colocou suas malas na sala. Ele pegou uma muda de roupas, enrolou uma na outra e perguntou onde era o banheiro. Ele tomou banho e se vestiu com roupas limpas. Douglas tambĂ©m almoçou e apĂłs o almoço, pediu para tirar um cochilo. Ele dormiu atĂ© cinco horas da tarde e se vestiu para ir embora. O ex-marido de Rayanne se despediu dos trĂȘs: Bernardo, Bianca e o marido de Bianca e esperou que eles chamassem um tĂĄxi. Ele desceu atĂ© o tĂ©rreo e foi para o aeroporto de novo. Ao chegar no aeroporto, Douglas encarou um painel com uma tabela de voos que iriam sair naquela noite. Ele viu vĂĄrias cidades disponĂveis e pensou pra onde ir. Douglas respirou fundo ao ver vĂĄrios casais em volta dele e se lembrou que estava sem a aliança. Ele se encostou num canto da parede, ainda olhando para as placas de voos e começou a chorar. O pai das crianças ouviu um barulho e viu um flash vindo em sua direção e rolou os olhos. Ele saiu correndo com suas duas malas e correu para outro canto do aeroporto. Douglas seguiu atĂ© o guichĂȘ de vendas e debruçou olhando para a mulher. - Eu quero comprar uma passagem pra qualquer lugar que tenha praia e que esteja saindo agora. - Ele pediu. - Rio de Janeiro, senhor. - A mulher checou o sistema. - Qualquer lugar que tenha praia e que nĂŁo seja o Rio de Janeiro. - Ele explicou. - O senhor pode escolher um destino, senhor? - A mulher encarou Douglas e ajeitou os Ăłculos de grau no rosto. - O senhor estĂĄ atrapalhando a fila, senhor. Vou ter que pedir que o senhor se retire. - Manaus. - Ele olhou para a tela do computador. - Manaus tem praia? - NĂŁo, senhor. - A mulher negou. - Rio Branco. - Douglas leu com um pouco de dificuldade. - Isso aĂ tem praia? - NĂŁo. - FlorianĂłpolis tem praia? - Ele questionou e a mulher assentiu. - Ah, mas pra esse lugar eu nĂŁo quero ir. - Douglas coçou a cabeça. - EntĂŁo deixa, eu vou buscar no celular e jĂĄ venho aqui comprar. Douglas se dirigiu para outro guichĂȘ vazio e a mulher lhe deu boa noite. Ele sorriu e coçou a cabeça em seguida. - Me vĂȘ aĂ uma passagem pra um lugar que tenha praia e que nĂŁo seja no Rio de Janeiro. - Douglas pediu a outra vendedora. - Menos FlorianĂłpolis, esse lugar aĂ eu nĂŁo quero, nĂŁo. Mas um lugar que tenha um nome bacana. - Vitoria, senhor? - A mulher sugeriu. - E lĂĄ tem alguma coisa? - Ele ergueu uma das sobrancelhas. - Santos Ă© aqui pertinho. - A mulher indicou. - Eu sou Flamenguista. - Ele forçou um sorriso. - NĂŁo pega bem morar em Santos. - Fernando de Noronha? - A mulher sorriu. - Tem vĂĄrios peixinhos lĂĄ. - Peixe Ă© bom pra comer. - Ele rejeitou a ideia. - Imagina eu nadando e ficando com medo de algum deles entrar na minha cueca. HorrĂvel. - Fortaleza, entĂŁo. - A mulher olhou para o computador um pouco impaciente. - LĂĄ tem SafadĂŁo. - Douglas rejeitou mais um lugar. - Eu nĂŁo quero ir pro caminho da perdição. - Mas ele nĂŁo faz shows lĂĄ sempre. - A mulher ficou sem entender. - VocĂȘ nĂŁo gosta do SafadĂŁo? - Eu gosto. - Douglas assentiu. - Mas eu nĂŁo tĂŽ querendo me meter em confusĂŁo. Fora que nĂŁo curto muito o sotaque... Sou mais meu "porra" mesmo. - Em Salvador eles falam muito "porra", vocĂȘ vai se sentir em casa. - A mulher forçou um sorriso jĂĄ sem paciĂȘncia. - Muita mulher bonita me complica. - Ele fez bico. - Eu vou pensar e jĂĄ volto. Douglas pegou suas malas e se sentou num banquinho. Ele pensou um pouco e voltou a se levantar. As duas mulheres se entreolharam e respiraram fundo. - Me vĂȘ uma passagem pra Bahia mesmo. - Douglas se convenceu. - IlhĂ©us Ă© bem calmo, nĂ©? - CalmĂssimo. - A mulher respondeu e ele sorriu. - EntĂŁo, IlhĂ©us mesmo. - Ele confirmou e escolheu o assento. - Vou te recomendar um resort na praia do sul. Cana brava. VocĂȘ vai gostar. - A mulher sorriu e entregou um folheto para ele. Douglas esperou que seu voo fosse chamado e embarcou. Antes de se sentar Ă poltrona, ele viu que tinham chamadas de Rayanne. Mas ele nĂŁo podia atende-las. O aviĂŁo anunciou voo e ele respirou fundo. Estava indo para IlhĂ©us. Sua prĂłxima parada seria Cana Brava.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 63
Diego retornou a ligação de Rayanne quatro horas depois. Ela correu atĂ© o celular e atendeu o cunhado sem pensar duas vezes. - Oi. - Rayanne disse ao atender a ligação. - VocĂȘ tĂĄ bem? - O que houve? VocĂȘ me ligou trinta vezes. - Diego se preocupou. - TĂĄ tudo bem? - Douglas tĂĄ mal. - Ray saiu de perto dos filhos. - Ele tĂĄ drogado. Eu preciso ir atĂ© o hospital e ver como ele tĂĄ. Seu irmĂŁo me mordeu, Diego. - Ele tĂĄ drogado de novo? - Ele questionou. - Como assim de novo? - Ray nĂŁo gostou de ouvir aquilo. - Eu levei o Douglas no hospital porque ele tava tendo uma overdose hĂĄ uns dias atras, Rayanne. - Diego contou. - Ele tava internado uns dias. - O celular quase caiu das mĂŁos de Rayanne. - Por que vocĂȘ nĂŁo me disse nada, Diego? Eu teria voltado na mesma hora. - Ray se lamentou. - VocĂȘ nĂŁo podia ter me escondido uma coisa dessas, Diego. Ele Ă© meu marido. A gente tem trĂȘs filhos. - Ele pediu pra nĂŁo te contar. - O irmĂŁo de Douglas revelou. - Ele sentia vergonha, Rayanne. - Como assim? - Ela perguntou e começou a chorar. - O que vocĂȘ quer dizer com isso? - Ă melhor vocĂȘ perguntar a ele no hospital. - Diego concluiu. - Eu tĂŽ indo pra cuidar das crianças. Se arruma. Diego desligou a ligação e Rayanne foi atĂ© seu quarto e separou uma muda de roupas. Ela tomou banho e se arrumou. Assim que ela terminou de se arrumar, a campainha tocou e Ray correu para atender. Ao ver o cunhado, ela o abraçou, pegou sua bolsa e entrou em seu carro acenando. Rayanne abriu o portĂŁo da garagem e saiu em disparada com seu carro atĂ© o hospital. Rayanne chegou ao hospital e estacionou o carro na garagem do lugar. Ela saiu do carro bastante nervosa, entrou na sala de espera e se identificou. A mulher olhou onde Douglas estava e indicou a segunda sala a esquerda no final do corredor. Ray ajeitou a bolsa nos braços e se preparou para ver o marido fora de si. Ela empurrou a porta e viu o marido sentado numa cadeira recebendo soro. Os olhares dos dois se encontraram e Douglas abriu um meio sorriso. - Eu tĂŽ de boa. - Ele piscou um dos olhos. - NĂŁo vou te machucar, meu amor. - Eu nĂŁo tĂŽ com medo de vocĂȘ me machucar. - Ela se aproximou aos poucos. - TĂŽ com medo de vocĂȘ se machucar com isso tudo. - Eu nĂŁo vou me machucar e nem machucar vocĂȘ. - Ele prometeu. - Eu sĂł quero que vocĂȘ me perdoe por isso. - O que vocĂȘ fez com vocĂȘ mesmo? - Ela estendeu a mĂŁo para ele e Douglas a acariciou. - Eu errei. - Ele fechou os olhos. - Quer conversar sobre isso uma outra hora? - Ray passou a mĂŁo pelo rosto dele. - VocĂȘ nĂŁo precisa falar agora, nĂŁo quero te pressionar a nada. - Eu queria te pedir desculpas por fazer vocĂȘ passar uma vergonha dessas. - Ele disse sem conseguir olhar nos olhos dela. - Eu te envergonhei. - NĂŁo. - Ela negou. - VocĂȘ sĂł pisou na bola. Errar Ă© humano. - Eu te machuquei. - Douglas olhou para o braço dela que estava mordido. - Sinto muito. - NĂŁo precisa se desculpar. - Ela insistiu. - VocĂȘ tava fora de si. - Eu me envergonho por ter estado fora de mim mais de uma vez. - Douglas confessou. - VocĂȘ quer conversar sobre isso? - Ela perguntou e colocou uma das mĂŁos no ombro dele. - VocĂȘ tinha viajado e eu comecei a ver um monte de merda... VocĂȘ com outro cara. E a Mica disse que ia me dar um chĂĄ pra que eu nĂŁo ficasse tĂŁo triste. Eu topei e eu gostei do chĂĄ. Depois tomei outras vezes. E eu exagerei e fui parar no hospital. Eu nĂŁo sabia o que era. Mas eu gostava da sensação. TambĂ©m comecei a tomar no cafĂ©. Era bom. Eu nĂŁo estava tĂŁo puto. Eu via coisas e ficava feliz em ver. Eu estava te esquecendo e era o que eu mais queria. Ela ficou dois dias com os nossos filhos enquanto eu era um drogado de cafĂ© sem nem saber o que eu tava ingerindo. Mas eu nĂŁo lembro de quase nada. Ă por isso que eu digo tanto que nĂŁo te trai, eu tĂŽ tentando me convencer, antes de tudo. E nĂŁo te convencer, Rayanne. Porque eu nĂŁo sei o que eu fiz. Ela diz que rolou sexo, eu vi umas evidĂȘncias que realmente rolou, mas eu nĂŁo sinto isso. Eu nĂŁo sei o que eu fiz e isso me machuca, Rayanne. - O que vocĂȘ acha? - Ray segurou a mĂŁo do marido. - Eu acho que aconteceu. - Ele confessou. - Mas eu nĂŁo sinto que aconteceu. Talvez eu tenha realmente feito, mas sem sentimento. SĂł corpo. Eu nĂŁo sei, Ray. Eu acho que fiz sim, mas eu nĂŁo sei. Ela pode ter feito vĂĄrias coisas comigo, Ray. VocĂȘ entendeu o que eu quis dizer... VĂĄrias coisas. VocĂȘ viu o quarto. Eu nĂŁo sei. - TĂĄ. - Rayanne sentiu seu coração se partir. - Mesmo que vocĂȘ tenha feito, vocĂȘ nĂŁo quis. EntĂŁo, nĂŁo conta pra mim. NĂŁo Ă© traição. - Eu brinco muito, te zoo muito, mas eu te amo. - Ele começou a chorar. - E eu nĂŁo quero ter essa imagem de pĂ©ssimo marido pra mim. VocĂȘ nĂŁo merece isso. - TĂĄ tudo bem. - Ray tentou confortar o marido. - NĂŁo, nĂŁo tĂĄ. - Ele passou a mĂŁo pelo prĂłprio rosto. - Eu passei vergonha duas vezes. Eu tive que pagar pra imprensa nĂŁo noticiar que eu fui parar na merda de um hospital por overdose. Eu nĂŁo sabia que era droga. Eu nĂŁo sabia! Mas eu fui idiota e quis mais mesmo sem saber o que era. Eu que pedi pra ela fazer aquelas merdas de testes de gravidez, fiquei assustado, nĂŁo sei. E se ela estiver, nĂŁo vai dar pra saber agora. EntĂŁo, eu nĂŁo sei. NĂŁo queria demitir ela e talvez fuder a vida dela. NĂŁo sei o que eu fiz. NĂŁo sei de nada. Eu posso repetir mil vezes que nĂŁo te trai e nĂŁo saber a verdade. Vamos viver com essa dĂșvida pra sempre. - Ă. - Ray suspirou. - Mas se vocĂȘ jĂĄ tinha baixado hospital, por que bebeu isso de novo? - Eu nĂŁo sei. - Ele respirou fundo. - Me perdoa. Fiz merda. - Me promete que nĂŁo vai mais fazer isso? - Ela pediu. - Prometo. - Ele concordou. - Mas, Ray, atĂ© quando eu vou conseguir te olhar e dormir com vocĂȘ sem saber da verdade? Eu nunca vou saber. - A gente dĂĄ um jeito nisso. - Ela tentou convencer o marido. - Como? - Ele perguntou recomeçando a chorar. - NĂŁo sei. - Ela abaixou a cabeça. - A gente dĂĄ um jeito. - Talvez eu precise de um tempo pra mim. - Ele pediu. - Eu te amo, mas eu quero um tempo. - VocĂȘ quer pensar sozinho, nĂ©? No que vocĂȘ tĂĄ fazendo e nĂŁo sĂł no lance da Micaela. - Ela sugeriu e ele confirmou. - Eu nĂŁo posso fazer nada porque eu tambĂ©m nĂŁo consigo te olhar sem saber a verdade. - Ray mordeu o lĂĄbio. - Que merda! Eu pensei que a gente ia ficar bem dessa vez. - VocĂȘ vai me visitar? - Ele pediu. - NĂŁo me abandona. - Claro. - Ela concordou e o abraçou. - Eu te amo. - Eu sinto muito em ter falhado em ser o marido que eu prometi pra vocĂȘ que eu seria e que vocĂȘ merece. - Douglas ainda nĂŁo conseguia olhar nos olhos dela. - Eu tambĂ©m falhei. - Ela o abraçou com mais força. - NĂŁo Ă© um adeus, nĂ©? - NĂŁo. - Ele negou. - SĂł se vocĂȘ quiser que seja. - Eu nĂŁo quero. - Rayanne negou. - Eu nĂŁo quero que seja nem um atĂ© logo. - Vai passar. - Ele sussurrou e fechou os olhos. - VocĂȘ jĂĄ sabe pra onde vai? - Sei. - Ele confirmou. - Pensei nisso desde que cheguei aqui. Mas nĂŁo vou te contar, nĂŁo posso. Ă segredo meu comigo mesmo. - Como vocĂȘ quer que eu te visite, entĂŁo? - Quando tiver mais pra frente... Agora nĂŁo. - Ele se explicou e voltou a fechar os olhos. - Agora Ă© sĂł tristeza. - VocĂȘ nĂŁo vai ficar aqui, nĂ©? VocĂȘ vai viajar. - Ray arriscou. - Vou. - Douglas confirmou. - Eu posso te pedir uma coisinha? - Claro. - Rayanne concordou. - NĂŁo para a sua vida nem a das crianças. - Douglas disse olhando nos olhos dela. - TĂĄ bom? VocĂȘ pode fazer isso por mim? NĂŁo parar a sua vida? - Ela fechou os olhos e começou a chorar. - Ray, promete. Eu sĂł vou ficar bem se vocĂȘ me prometer isso, Rayanne. - Eu prometo. - Ela cedeu e agarrou a mĂŁo dele. - Volta pra mim. Por favor. - As nossas linhas nĂŁo se cruzaram atĂ© aqui pra nada, Ray. - Ele colocou a mĂŁo no rosto dela. - A gente ainda tem muito o que viver. E quando eu voltar, a gente vai fazer uma viagem linda. NĂŁo sei quando, mas vamos. Eu prometo. - NĂŁo importa se vĂŁo demorar dias, semanas, meses ou anos. Eu vou te esperar porque vocĂȘ Ă© o amor da minha vida. - Ela prometeu. - E Ă© com vocĂȘ que eu sempre vou ficar. VocĂȘ Ă© a minha casa e eu sou a sua. - Pra sempre juntos. - Ele sorriu. - Pra sempre juntos. - Ela concordou. - O que eu faço agora? - Ray perguntou e sorriu um pouco nervosa. - Eu te deixo aqui e vou embora ou vamos voltar juntos pra casa pela Ășltima vez? - Vamos voltar juntos. - Ele deu um beijo na mĂŁo dela. - Pela ultima vez. - Por que nĂŁo me leva junto com vocĂȘ? - Rayanne percebeu o que estava acontecendo e se desesperou. - Hein? A gente pode ir junto. Eu, vocĂȘ e a Maya. Diego fica com os gĂȘmeos e... - NĂŁo. - Douglas rejeitou a ideia. - Eu vou sozinho. A gente tĂĄ terminando agora. Dando um tempo pra gente. - NĂŁo tem nada que eu possa fazer pra reverter isso? - NĂŁo. - Ele negou e os dois fecharam os olhos. Rayanne e Douglas esperaram que ele fosse liberado. E assim que foi, caminharam atĂ© o carro de Ray. Ela se sentou no banco do motorista e ele no banco do carona. Douglas observou o carro que tinha comprado com tanto carinho para a esposa e ela começou a chorar. - VocĂȘ dirige. - Ela pediu e saiu do carro. - Eu nĂŁo consigo. - Eu vou tentar. - Ele trocou de lugar com ela no carro e os dois colocaram o cinto. Douglas dirigiu com cuidado atĂ© a casa que ele dividia com Rayanne. Ele estacionou o carro na garagem e respirou fundo antes de sair. Ela fez o mesmo e os dois entraram em casa. Diego estava assistindo a um filme com os sobrinhos e sorriu ao ver o irmĂŁo e a cunhada. - TĂĄ melhor? - Diego perguntou e Douglas assentiu. - Fiquei preocupado. NĂŁo faz isso. - Eu preciso falar com as crianças e nĂŁo vai ser fĂĄcil, Diego. - Douglas disse com uma expressĂŁo firme. - Por favor. DĂĄ licença. - TĂĄ bom. - Diego se levantou e passou pela porta. - Devo ir embora? - NĂŁo. - Ray negou. - SĂł dĂĄ umas voltas enquanto a gente conversa com as crianças. - TĂĄ bom. - Diego assentiu e Ray fechou a porta. Os gĂȘmeos olharam para os pais. - O que houve? - Luna perguntou. - VocĂȘ tĂĄ bem, papai? Melhorou? - Melhorei. - Ele afirmou. - Eu tĂŽ bem, mas preciso falar com vocĂȘs uma coisa bem seria. - LĂĄ vem coisa. - Douglas Jr cruzou os braços e desligou a televisĂŁo. - O que foi, papai? - O papai tĂĄ indo embora. - Ele contou instantaneamente. - Como assim? - Luna se desesperou. - Embora pra onde? Como assim? - O papai precisa descansar um pouco. - Douglas tentou explicar para a filha. - Eu nĂŁo tĂŽ bem e preciso ficar sozinho. - Descansa na cama. - Douglas Jr sugeriu. - NĂŁo precisa ir embora, papai. NĂŁo vai embora. Por favor. - NĂŁo tem como, filho. - Ele tentava achar um jeito que as crianças entendessem. - Esse Ă© o dia mais triste da minha vida, pai. - Douglas Jr começou a chorar. - VocĂȘ nĂŁo pode ir embora assim. - Ă, papai. - Luna concordou. - NĂŁo vai embora. NĂŁo deixa os gĂȘmeos e a mamĂŁe sozinhos. - Eu sinto muito, filha. - Ele se desculpou. - Mas Ă© assim que as coisas tĂȘm que ser. - VocĂȘ nĂŁo vai dizer nada, mamĂŁe? - Luna questionou e Rayanne começou a chorar. - A mamĂŁe tambĂ©m nĂŁo quer que vocĂȘ vĂĄ embora. - Douglas Jr apontou. - NĂŁo vai, papai. - NĂłs sempre vamos ser uma famĂlia aconteça o que acontecer. - Douglas prometeu. - Eu amo vocĂȘs. - NĂŁo faz isso. - Luna voltou a pedir e tambĂ©m começou a chorar. - Poxa, papai. A gente pode te ajudar. - Ray, nĂŁo dĂĄ. - Ele se afastou das crianças e foi na direção do quarto. Rayanne deixou os filhos na sala de estar e seguiu o marido atĂ© o quarto dos dois. Ela sentiu uma coisa estranha e percebeu que aquele podia ser o Ășltimo momento deles naquele quarto. Douglas sentiu o mesmo e olhou para ela sem saber o que dizer. Ele abriu o guarda-roupas e pegou duas malas. Rayanne ajudou o marido a colocar as roupas, as coisas de higiene e beleza e os calçados dentro das duas malas. Ao terminar e ver a parte do guarda-roupa vazia, ela chorou ainda mais. Douglas tentou puxar as roupas dela pelo cabide para que ocupasse todo o espaço, mas ela o impediu. Ele fechou os olhos e segurou suas duas malas. - Por que vocĂȘ nĂŁo vai embora amanhĂŁ? - Rayanne sugeriu. - Preciso ir hoje. - Ele respondeu. - NĂŁo da pra ficar nem mais um dia aqui. - Eu vou sentir saudade. - Ela o agarrou sem dizer mais nada. - Eu te amo. - Douglas se soltou e respirou fundo. Ele pegou suas malas e passou pelo quarto. Rayanne fechou a porta do quarto assim que passou e sentiu um enorme vazio. As crianças continuavam chorando e choraram mais ao ver o pai com as malas. Diego entrou na casa e ficou sem entender o que estivesse acontecendo. - Eu te amo, papai. - Luna disse e se agarrou ao pai. - Eu te amo muito. - Douglas Jr tambĂ©m disse ao pai. - E eu amo vocĂȘs trĂȘs. - Rayanne entrou no meio daquele gesto de despedida. Diego pegou o celular no bolso e tirou algumas fotos daquela despedida. Ele sorriu e guardou o celular sem que ninguĂ©m visse. - Fiquem bem. - Douglas pediu aos filhos. - Cuidem da mĂŁe de vocĂȘs. Cuidem bem. - A gente vai cuidar, papai. - Luna prometeu pelos dois. - Sim. - Douglas Jr concordou com a irmĂŁ. - Vamos cuidar. - Se cuida tambĂ©m. - Ele pediu a Rayanne e ela mordeu o lĂĄbio e balançou a cabeça positivamente. - Me leva atĂ© a saĂda? - Douglas pediu. - VocĂȘ nĂŁo tĂĄ esquecendo de nada? - Ray sugeriu e ele assentiu, caminhando atĂ© o quarto de Maya. Douglas pegou a filha no colo e deu um beijo na bochecha dela. Maya sorriu para o pai e ele pediu a Deus para guardar aquele momento eternamente em sua memĂłria. O pai da menina sofreu quando colocou a filha frĂĄgil e pequena de volta no berço. Diego ficou com as crianças e Douglas e Rayanne seguiram de mĂŁos dadas atĂ© o quintal carregando cada um uma mala dele. Ele abriu o porta-malas do carro e os dois colocaram as malas lĂĄ. Douglas fechou o compartimento e Rayanne o observou. Ele se aproximou dela com um sorriso e a beijou sem dizer nada. Eles ficaram naquele beijo o mĂĄximo que podiam e sĂł se separaram quando seus pulmĂ”es pediram. Ela respirou fundo tentando ganhar uma força interior que nĂŁo tinha e ele deu um beijo na testa da esposa. Douglas tirou a aliança e entregou na mĂŁo de Rayanne. Ela o encarou e devolveu a aliança para ele. Ele insistiu que ela ficasse com a aliança, mas Ray nĂŁo aceitou. - Ă sua. - Ela disse com um olhar que suplicava que ele levasse a aliança consigo. - Por favor. - Coloca num colar. - Ele sugeriu e entregou a aliança na mĂŁo dela novamente. - Fica. - Tudo bem. - Ray concordou e segurou a aliança do marido. Douglas abriu um sorriso e abriu o porta-luvas do carro estendendo uma caixinha para Rayanne. Ele a abriu e ela viu que era o solitĂĄrio que ele tinha mandado consertar. Ela nĂŁo disse nada e colocou o solitĂĄrio no dedo. - Boa viagem. - Boa vida. - Douglas sorriu e se aproximou dela dando um beijo demorado na testa. Diego saiu da casa ao ver que o irmĂŁo ia sair e entrou no carro junto dele. Rayanne acenou para o marido uma Ășltima vez e ele abriu o portĂŁo saindo da casa. Ela sentiu que poderia correr atrĂĄs dele, mas nĂŁo fez isso. Ray fechou o portĂŁo e entrou em casa. Os cachorros estavam deitados ao lado de Luna e Douglas Jr e pareciam consola-lo. A mĂŁe das crianças seguiu atĂ© o quarto da filha menor e a pegou nos braços. Maya estava chorando assim como os irmĂŁos e a mĂŁe. Rayanne se sentou no sofĂĄ e respirou fundo, tentando se aclamar e tentando encontrar a fĂłrmula para harmonizar aquela casa. Ela nĂŁo pensou em nada jĂĄ que a tristeza tinha invadido seu coração sem pedir licença e jĂĄ estava a destruindo por inteira.

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Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 62
O lugar estava arrumado. Logo no canto ela viu uma arara cheia de camisolas, lingeries e fantasias sexuais organizadas em cabides. Em cima da cĂŽmoda ela viu um par de algemas, vendas, coleiras e um chicote rosa de montaria. AlĂ©m de uma sequĂȘncia de mĂĄscaras organizadas por cor. No outro canto haviam chicotes e palmatĂłrias jogados no chĂŁo. Uma cadeira vermelha no canto do quarto e a cama forrada em lençóis azuis-escuro e dois travesseiros no chĂŁo. Ela ficou sem acreditar no que estava vendo e viu algumas coisas no chĂŁo. Rayanne se abaixou e viu trĂȘs cuecas do marido, trĂȘs camisas e algumas bermudas tambĂ©m. AlĂ©m do chinelo dele. A esposa de Douglas forçou um sorriso para si mesma e coçou a cabeça. Ela mordeu o lĂĄbio inferior e voltou a olhar para aquelas coisas no chĂŁo sem saber o que fazer. Ray pensou em chamar o marido, mas nĂŁo fez isso. Ela apenas fechou a porta do quarto sem encostar em nada. Luna e Douglas Jr olharam para a mĂŁe sem saber o que fazer e sem saber o que estava acontecendo. Rayanne viu os filhos e forçou um sorriso. Eles olharam para a mĂŁe ainda sem entender, mas tambĂ©m forçaram um sorriso. - Tudo bem, mamĂŁe? - Douglas Jr questionou e Ray confirmou. - Foi sĂł um cĂlio que caiu no meu olho. - Ela mentiu e coçou os olhos. - TĂŽ tentando tirar. - NĂŁo fica triste. - Luna pediu e se aproximou da mĂŁe. - VocĂȘ Ă© tĂŁo bonita, mamĂŁe. - Ăs vezes acontecem umas coisas que deixam a gente triste, filha. - Ela abaixou a cabeça e segurou as lĂĄgrimas. - As vezes as pessoas decepcionam muito a gente. Ăs vezes a gente sĂł quer a verdade e nĂŁo consegue ouvir, nem ver. Se quer um conselho, confie nas pessoas, sempre esperando o pior. Assim vocĂȘ nĂŁo vai se machucar. - Quem te deixou tĂŁo triste, mamĂŁe? - O menino tambĂ©m se aproximou da mĂŁe. - Papai! - Luna gritou ao ver o pai saindo do quarto. - Vem cĂĄ! MamĂŁe tĂĄ muito triste! - Que houve? - Douglas se aproximou da esposa e tocou o braço dela. - Hein, meu amor? - NĂŁo foi nada. - Ela negou e saiu andando para longe dele. Douglas saiu atras de Rayanne e as crianças ficaram sem entender o que estava acontecendo entre os pais. Luna olhou para o irmĂŁo e cruzou os braços. Douglas Jr se sentou num canto no chĂŁo e fez bico, tentando entender. - Ei. - Douglas puxou o braço de Rayanne assim que chegaram no fundo do quintal. - O que tĂĄ acontecendo? - Eu nĂŁo sabia que vocĂȘ curtia essas coisas. - Rayanne o encarou. - Era sĂł pedir pra mim, cara, nĂŁo precisava me trair desse jeito. - Ela começou a chorar. - Se vocĂȘ queria, eu ia fazer isso por vocĂȘ. - Curtia o que? - Foi a vez dele a encarar. - Te trair? Eu jĂĄ disse que nĂŁo te trai. O que vocĂȘ tĂĄ falando, Rayanne? Por que isso agora? - Porque eu entrei no quarto que era da Micaela. - Ela confessou e abaixou a cabeça. - Eu nĂŁo acredito que vocĂȘ fez isso. - Ah. - Ele assentiu. - VocĂȘ entrou no quarto. - Douglas bufou e rolou os olhos. - Ela tava me ensinando a usar algumas coisas... - Ela tava te ensinando de forma pratica, nĂ©? - Ray rolou os olhos. - NĂŁo adianta negar. - Eu prendi ela na cama. - Ele confessou. - Era isso que vocĂȘ queria ouvir? - NĂŁo. - Rayanne negou e parou de chorar. - VocĂȘ acha legal dizer pra sua esposa que prendeu uma mulher na cama com um par de algemas, Douglas? Ă realmente muito legal. VocĂȘ Ă© um amor. - Ela respirou fundo. - Por que as suas cuecas estavam lĂĄ no chĂŁo do quarto? Mais de uma, Douglas. Me explica. - Eu... - TrĂȘs. - Ela o encarou. - Eram trĂȘs e elas nĂŁo estavam limpas. Vai dizer que a Micaela errou o caminho da mĂĄquina de lavar? - NĂŁo sei. - Ele sorriu um pouco nervoso. - Eu nĂŁo sei como aquilo foi parar lĂĄ. Vai ver ela botou no chĂŁo pra vocĂȘ achar e ficar puta comigo. - Primeiro de tudo Ă© que ela nĂŁo tem que ter acesso Ă s suas cuecas. - Rayanne gritou. - E depois, tem outras peças das suas roupas lĂĄ e o seu chinelo tambĂ©m. - Eu nĂŁo sei. - Ele voltou a negar. - Talvez ela tenha armado alguma coisa pra gente separar e vocĂȘ tĂĄ caindo. Minha consciĂȘncia tĂĄ limpa. - Sua consciĂȘncia pode estar limpa, mas suas cuecas nĂŁo estĂŁo. - Ela o encarou. - Ah, Rayanne. - Ele rolou os olhos. - Foda-se. Quer acreditar? Acredita. Eu cansei. - Ă um foda-se pra mim? Um foda-se pro nosso casamento? - Ă um foda-se pra uma pessoa que nĂŁo acredita em nada do que eu falo. - Ele suspirou. - Sempre a mesma histĂłria. Eu tĂŽ cansada de brigar com vocĂȘ, sabia? - Rayanne disse sĂ©ria. - Eu cansei de brigar tambĂ©m. Cansei de te tentar te entender. Talvez vocĂȘ nĂŁo seja sĂł apaixonado na pessoa da Micaela... E eu nĂŁo vou ficar mendigando o amor de ninguĂ©m. Foi a mesma coisa que eu te disse na Ă©poca da Luisa, lembra? VocĂȘ tĂĄ fazendo com que eu sinta o mesmo. - Ă. - Ele balançou a cabeça concordando e rolou os olhos. - Faz o que vocĂȘ quiser da sua vida. TĂŽ pouco me fudendo. Quer separar? Separa. Quer ficar? Fica. Tanto faz. Liguei o meu foda-se pra vocĂȘ. - Eu vou pegar minhas coisas e vou embora. - Ela sugeriu. - Ă isso que vocĂȘ quer de mim? - Ele permaneceu calado. - Ă isso mesmo que vocĂȘ quer? - Fodam-se vocĂȘ e o Yan. Sejam felizes. - Ele rolou os olhos. - E leva essas crianças com vocĂȘ. Sejam a famĂlia margarina. - Douglas saiu andando. - Vai pro caralho! Douglas entrou no quarto de Micaela e bateu a porta. Ele jogou a cĂŽmoda no chĂŁo e todas as coisas que estavam em cima caĂram junto. Depois, ele seguiu atĂ© a cama e puxou os lençóis e jogou os dois travesseiros no chĂŁo tambĂ©m. Ainda nĂŁo satisfeito, Douglas derrubou as fantasias de Micaela e chutou a poltrona. Ele jogou os chinelos na janela com força e quebrou um pedaço da janela. O marido de Rayanne pegou suas cuecas, bermudas e camisas do chĂŁo e gritou com raiva. - VĂŁo tomar no cu todo mundo nessa porra! - Ele gritou ainda mais bravo. - Saiam todos da minha casa! VocĂȘs sĂł querem meu dinheiro! Idiotas! Douglas abriu a porta do quarto de hĂłspedes e saiu carregando suas roupas. Rayanne estava no meio do caminho e ele a ignorou e seguiu gritando. Ela se assustou e ficou parada. - VĂŁo tomar no cu todo mundo nesse caralho! - Ele continuava gritando enquanto passava pelos gĂȘmeos. Douglas entrou no quarto e bateu a porta do força. - VĂŁo se fuder! Idiotas! Rayanne saiu andando e foi atĂ© a cozinha. Ela viu a louça limpa e rolou os olhos. Ray respirou fundo e encarou o chĂŁo. - Mas Ă© um babaca mesmo! - Ela sussurrou. - Por isso tĂĄ assim. Ela disparou atĂ© o quarto e fechou a porta. Douglas estava em pĂ© na janela passando as mĂŁos na cabeça repetidas vezes e nĂŁo percebeu Rayanne chegando. Ela o jogou na cama e o imobilizou. - Fica calado! - Rayanne gritou ainda imobilizando o marido. - Me solta! - Ele tentou gritar. - Me solta, caralho! Sua puta! - Cala a boca! - Ela disse brava. - Me solta, vagabunda. - Douglas começou a se debater e tentou morder o braço dela. - Drogado! - Ela acusou e respirou fundo. - Idiota! - VocĂȘ Ă© um unicĂłrnio ridĂculo, Rayanne. VocĂȘ sĂł quer o meu dinheiro e o seu chifre sĂł cresce. - Ele gritou. - Se vocĂȘ nĂŁo se comportar, eu vou cortar o seu pau com uma faca! - Ela gritou e ele conseguiu se soltar. Douglas encarou Rayanne e ela tentou se afastar dele. Ele puxou a esposa e a jogou em cima da cama. - Eu sou sua mulher. NĂŁo faz nada que vocĂȘ se arrependa depois. - Eu te odeio. - Ele jogou um travesseiro na cara dela. - Eu tĂŽ te acertando com esse tijolo porque eu te odeio. Odeio unicĂłrnios com chifres! - Douglas... - Ela tentou falar com o marido. - Eu sou Douglas, o grande. - Ele levantou uma das mĂŁos e riu. - Eu sou foda e eu nĂŁo gosto de vocĂȘ. Eu quero que vocĂȘ saia da minha casa, sua vagabunda! - TĂĄ bom, Douglas. - Ela concordou. - Douglas, o grande. - Ele a corrigiu. - Me trata direito. Eu devia dar sua carne aos visitantes por ter desrespeitado o rei! UnicĂłrnio fudido de chifre! - Douglas se afastou de Rayanne e ela fechou os olhos tentando nĂŁo ficar assustada. - Eu te amo tanto, mas vocĂȘ me enganou indo pastar em outros campos. Eu te amei, te dei comida, te levei pra passear, deixava vocĂȘ ser livre e vocĂȘ mentiu pra mim e sumiu! - Douglas começou a chorar. - Eu... Eu queria me casar com vocĂȘ e assumir tudo que a gente tinha. No final de tudo o unicĂłrnio fudido de chifres sou eu. - Ele se jogou no chĂŁo e soluçou de chorar. - NĂŁo. - Ela negou e se sentou ao lado dele. - Eu ainda tĂŽ aqui, Douglas. NĂŁo faz isso comigo. - NĂŁo sei se posso confiar. - Ele olhou para Rayanne. - Eu nĂŁo sei se a gente pode voltar. - Claro que podemos. - Ela segurou a mĂŁo dele e ele a mordeu. Rayanne se afastou e respirou fundo. Ela saiu correndo do quarto e abriu o quarto que era de Micaela. Ray pegou as algemas, colocou no bolso e voltou atĂ© seu prĂłprio quarto. Douglas tentou ir para cima de Rayanne novamente e ela nĂŁo deixou. Ela atraiu o marido atĂ© a cama e o imobilizou, conseguindo colocar as algemas nele. Ele gritou e recomeçou a chorar. - Eu te amo, mas tem que ser assim. - Ray começou a chorar ao olhar o marido. - Eu nĂŁo quero! - Douglas continuava gritando. - Tenta relaxar. - Ela pediu em meio ao choro. - Eu tĂŽ aqui. - Eu quero que vocĂȘ morra! - E eu quero que vocĂȘ viva, Douglas. - Ela abaixou a cabeça e ele começou a se debater. Rayanne se levantou e saiu do quarto. Ela pegou seu celular e foi para um canto da casa. Ray ligou para uma ambulĂąncia e explicou a situação de seu marido. Ela tambĂ©m tentou falar com o cunhado, mas ele nĂŁo estava em casa. Depois de fazer a ligação e distrair os filhos, Rayanne voltou ao quarto e viu que ele estava passando a lĂngua pela boca repetidas vezes e que continuava se debatendo. Ela ouviu a campainha tocando e trancou os filhos no quarto. Ray abriu a porta e os paramĂ©dicos entraram com uma maca e colocaram Douglas sem que ele pudesse fazer nada. Ele jĂĄ nĂŁo tinha mais forças para fazer nada e apenas fechou os olhos. - NĂŁo machuca ele. - Rayanne pediu. - Por favor. Ele Ă© um amorzinho, sĂł que tĂĄ drogado. Ele bebeu um negĂłcio no cafĂ© e ficou assim. - Ela explicou. - Pode deixar. - O mĂ©dico concordou. - Eu te odeio. - Douglas sussurrou baixinho ao passar por Rayanne na maca. - E eu te amo. - Ela tambĂ©m sussurrou quando ele jĂĄ estava sendo colocado na ambulĂąncia. - NĂŁo machuquem ele, por favor. - Ray voltou a pedir e os mĂ©dicos apenas concordaram. Rayanne tirou os filhos do quarto assim que Douglas foi levado pela ambulĂąncia junto com sua carteira. Ela se sentou no sofĂĄ e abaixou a cabeça tentando entender como aquilo tudo estava acontecendo. Ray voltou a chorar e os gĂȘmeos começaram a procurar pelo pai. - Ele tĂĄ dodĂłi. - Ray explicou. - Ele tĂĄ morrendo? - Douglas Jr perguntou assustado. - Ele vai ficar bem. - Ela afirmou aos dois e abaixou a cabeça. - Vamos fazer uma oração pro papai ficar bem. - Vamos. - Os dois concordaram com a mĂŁe.
Promessas Quebradas - 3T - CapĂtulo 61
Rayanne se arrumou e foi com a filha e o marido atĂ© o carro. Ela colocou Maya na cadeirinha no banco de trĂĄs. Eles colocaram o cinto de segurança e ele ligou o carro. Douglas abriu o portĂŁo e saiu com o carro atĂ© a escola dos filhos. Douglas Jr foi o primeiro a sair correndo na direção dos pais. O menino ficou feliz em ver a mĂŁe e a abraçou. Luna ficou um pouco receosa, mas tambĂ©m foi atĂ© os pais. A menina virou o rosto e abraçou apenas o pai. - Por que vocĂȘ nĂŁo fala com a sua mĂŁe? - Ele sugeriu. - Deixa pra lĂĄ, Douglas. - Ray sussurrou e colocou a mĂŁo no ombro do marido. - Desencosta do meu pai! - A menina disse brava. - VocĂȘ nĂŁo tem que colocar a mĂŁo nele. - Luna, cala a boca! - Douglas disse irritado. - Ela Ă© a sua mĂŁe. VocĂȘ deve respeito a ela. - Ela nem lembrou da gente, pai. Ela nem lembrou de mim. - A menina disse magoada. - NĂŁo quero mais que ela seja minha mĂŁe. Troca, por favor. - Entra no carro antes que eu arranque os seus dentes que nem nasceram ainda. - Ele sussurrou com fogo nos olhos. - NĂŁo precisa ficar nervoso. - Ray pediu ao marido. - Daqui a pouco ela volta ao normal. - NĂŁo Ă© assim, Rayanne. - Ele disse e colocou Luna na cadeirinha. Ray fez o mesmo com o filho. - Ela te deve respeito. NĂŁo Ă© isso que ela tĂĄ fazendo. Ela vai fazer esses shows em outro lugar e com outra pessoa, nĂŁo com vocĂȘ. - Eu prefiro a Micaela no carro e nĂŁo a Rayanne! - Luna gritou quando Douglas ajudou a esposa a entrar no carro. - SĂł que quem escolhe isso sou eu e nĂŁo vocĂȘ. - Ele respondeu a filha. - E agora fica quieta antes que eu te quebre em duas, entendeu bem? - O pai das crianças começou a dirigir e Ray pensou em ligar o rĂĄdio. - NĂŁo machuca Luna. - Douglas Jr começou a chorar. - NĂŁo faz isso, papai. Por favor. - Ele nĂŁo vai fazer nada, filho. - Ray disse assustada. - Calma. - NĂŁo quero que papai queime garfo e bote em Luna. - O menino disse e fechou os olhos enquanto choramingava. - Mas ele nunca fez isso. - Ray olhou para o filho e depois para o marido. - NĂŁo fiz. - Douglas negou. - O que houve, filho? Onde vocĂȘ aprendeu isso? - Ouvi. - O menino mentiu e Rayanne o encarou pelo vidro. Douglas Jr começou a chorar mais alto e segurou o braço. - Douglas, para o carro. - Rayanne ordenou. Ele fez o que a esposa pediu e encostou o carro num canto da rua. Rayanne desceu do carro e foi atĂ© o banco traseiro. Ela tirou o filho da cadeirinha e olhou no lugar no braço que ele estava segurando o casaco com uma expressĂŁo de dor. Ray virou o braço do filho e achou uma pequena marca roxa. Ela fechou os olhos e respirou fundo. - Que foi, Ray? - Douglas perguntou observando a expressĂŁo da esposa. - Vem aqui. - Ela disse quase sem voz. Douglas desceu do carro um pouco assustado e foi atĂ© onde a esposa estava com o filho. O menino ficou sem reação e Ray mostrou a pequena marca roxa ao marido. - Quem fez isso, filho? - Douglas perguntou preocupado. - Fala a verdade pra mamĂŁe e pro papai. O que foi isso? - Corri e bati. - O menino mentiu. - NĂŁo foi nada. - A gente sabe que Ă© mentira, filho. - Ele insistiu. - Fala a verdade pra gente, meu filho. - Ă, meu amor, fala a verdade pra mamĂŁe e pro papai. - Ela pediu e começou a chorar. - Mica tava na cozinha e Douglinhas foi lĂĄ, aĂ caiu coisa quente e machucou. Mas caiu. Ela nĂŁo jogou. - O menino explicou aos pais. - TĂĄ tudo bem. Nem dĂłi. - TĂĄ bom. - Rayanne fingiu concordar e colocou o filho de volta na cadeirinha e fechou as portas do carro. - VocĂȘ sabe que a culpa disso Ă© sua, nĂ© Douglas? - Ela gritou. - Eu nĂŁo posso viajar que vocĂȘ coloca uma puta dentro da nossa casa. Mas nĂŁo Ă© sĂł uma puta, Ă© uma puta que maltrata os meus filhos. Seu estupido! - VocĂȘ acha que se eu soubesse disso, eu nĂŁo teria feito nada, Rayanne? - Ele se defendeu. - Onde vocĂȘ tava que nĂŁo viu isso, Douglas? Mas que porra! - Desculpa? - Ele ficou sem saber o que dizer. - Grande pessoa por quem vocĂȘ Ă© apaixonado. - Ela apontou. - VocĂȘ Ă© muito estupido! Desculpa Ă© o caralho! Ela pegou um garfo e queimou o meu filho porque vocĂȘ colocou ela dentro da nossa casa! VocĂȘ Ă© um babaca mesmo! VocĂȘ Ă© daquele tipo de cara que a mulher nĂŁo pode viajar, que chama outra sĂł pra fazer as coisas que quer. SĂł pra ficar cozinhando e usando roupa curtinha mostrando o rabo! - Eu nĂŁo tive culpa. - Ele riu de nervoso. - Eu nĂŁo vi isso, me desculpa. - VocĂȘ Ă© negligente demais! - Ela gritou. - O menino deve estar hĂĄ uma semana com essa porra no braço e vocĂȘ nĂŁo viu! Ele deve ter sofrido horrores e vocĂȘ nem viu porque tava preocupado em ficar olhando peitos no seu celular e bundas ao vivo. - Me desculpa. - Ele tentava se explicar. - Eu nĂŁo sei nem o que falar, vocĂȘ acabou comigo. - NĂŁo tem que falar. - Ela voltou a gritar. - Tem que escutar calado e dizer "sim, senhora". - Sim, senhora. - Ele disse e a olhou sem saber o que dizer. - E agora? O que vocĂȘ vai fazer, Douglas? - Ela o encarou tentando ficar mais calma. - Me diz! TĂĄ pensando por que? - Porque eu preciso pensar antes de fazer as coisas. - Ele se defendeu. - Me deixa pensar, por favor? - VocĂȘ tem que pensar se a gente vai enterrar ela no jardim ou num buraco no chĂŁo. - Ray o encarou. - Anda! - Calma. - Douglas pediu e colocou a mĂŁo no ombro da esposa. - A gente pode denunciar ela. O que vocĂȘ acha? - Eu quero matar ela. - Ray ignorou o que o marido tinha dito. - Eu vou matar ela. - Vai nĂŁo. - Douglas negou. - VocĂȘ vai sossegar e tentar nĂŁo ser presa. A gente pode simplesmente expulsar ela da nossa casa. Mas temos que ouvir ela tambĂ©m. E se realmente foi um acidente? Podemos perguntar antes! - Douglas, eu tĂŽ cansada das merdas que vocĂȘ tĂĄ falando. Cansada! - Ela gritou novamente. - Para de defender essa puta, caralho! - Eu sĂł estou tentando nĂŁo ser injusto. - Ele se explicou. - VocĂȘ sĂł nĂŁo estĂĄ querendo acreditar nisso. - Ray rebateu. - Isso me dĂłi. - Ele confessou. - NĂŁo sĂł por ser meu filho, mas por uma pessoa que eu gosto muito, quase amo, ter feito isso. - VocĂȘ tĂĄ muito estranho. - Ela acusou. - Quase ama? Como assim? Primeiro vocĂȘ tĂĄ apaixonado pela pessoa dela e agora vocĂȘ quase ama? - Eu tenho sentimentos. - Ele respirou fundo. - Mas, tudo bem, eu acredito no que vocĂȘ tĂĄ dizendo. VocĂȘ tem razĂŁo, eu sou estranho e meio negligente. Sinto muito. - Desculpa ter descontado em vocĂȘ, amor. - Ela se desculpou. - Quando se trata da nossa famĂlia, vocĂȘ vira uma leoa, nĂŁo precisa se desculpar. - Ele respirou fundo e segurou a mĂŁo dela. - Eu nĂŁo pensei que fosse falar isso na minha vida. - Ray respirou fundo. - Mas ou vocĂȘ fica com ela ou fica comigo. Com as duas nĂŁo tem como. E se vocĂȘ escolher ficar comigo, as coisas vĂŁo ser do meu jeito. VocĂȘ nĂŁo vai ter mais contato com ela. Nunca mais. Uma coisa que eu nĂŁo sou Ă© palhaça, mas por outro lado se tem uma coisa que eu sou Ă© egoĂsta. Eu nĂŁo vou dividir seu amor com ninguĂ©m. - TĂĄ. - Ele assentiu. - Eu jĂĄ entendi esse ultimato. Eu gosto dela, mas amo vocĂȘ. Ela eu vejo como amiga e vocĂȘ eu vejo como mulher. Pode rolar um beijinho agora? Fiquei tenso com essa situação. - NĂŁo. - Ray negou. - A gente tem coisas mais importantes pra resolver. - Um beijo sĂł pra selar a nossa paz. - Ele sugeriu e ela riu. - Eu vou encarar isso como um sim, senhor. - Douglas brincou e puxou a esposa para um beijo. - TĂĄ, chega. - Rayanne parou o beijo e voltou ao carro. - Vamos almoçar. - Ele anunciou assim que voltou ao carro. Douglas estacionou assim que chegou ao restaurante. Ele tirou os gĂȘmeos da cadeirinha e Rayanne pegou Maya nos braços. Os dois entraram no lugar e foram atĂ© uma mesa. O casal se sentou e Ray ficou com Maya enquanto os outros dois estavam numa cadeira alta. Eles pediram um pedaço de carne assada com arroz e completaram a refeição com um pouco de refrigerante, assim como fizeram com as crianças. Depois do almoço, pediram um pedaço de pudim de chocolate e tambĂ©m deram um pouco para os filhos. Douglas estava terminando de pagar a conta e Luna estava perto de Rayanne a encarando. - Por que vocĂȘ traiu o papai? - A menina perguntou e Rayanne a encarou sem entender. - Eu nĂŁo trai. - Ray negou. - Mas como vocĂȘ sabe o que Ă© trair? - Aprendi na escola. - Luna respondeu. - Perguntei pra professora o que era. - Onde vocĂȘ ouviu isso? - Ela quis saber mais sobre. - O papai disse pra Micaela que vocĂȘ era uma safada e que tinha traĂdo ele. - Luna respondeu a mĂŁe. - VocĂȘ tava com outro homem e ele viu. - Eu nĂŁo te devo satisfação. - Ray encarou a filha. - Mas eu nĂŁo tava com outro homem. Eu jĂĄ expliquei tudo pro seu pai. - Papai Ă© bobo. - A menina cruzou os braços. - Papai nĂŁo sabe que vocĂȘ faz mal. - Eu ainda sou sua mĂŁe. - Ray a respondeu. - VocĂȘ gostando ou nĂŁo, continuo sendo sua mĂŁe. NĂŁo tem como ter outra. - Eu sei disso. NĂŁo quero, mas Ă© vocĂȘ. - A menina saiu andando atĂ© onde o pai estava. - Sai daqui. - Douglas disse ao olhar para Luna. - VocĂȘ tava enchendo o saco da sua mĂŁe que eu sei! NĂŁo se faz de sonsa que nĂŁo funciona comigo! VocĂȘ tem que entender que ela Ă© a sua mĂŁe e que sempre vai ser. - Eu jĂĄ entendi, papai. - Luna fez bico. - Eu tĂŽ feliz que ela tĂĄ aqui com a gente. - Para de ser fingida. - Douglas encarou a filha. - VocĂȘ engana todo mundo, mas nĂŁo me engana, Luna. - Hm. - A menina resmungou e Douglas terminou de pagar a conta. - Ela fez alguma coisa com vocĂȘ, Luna? - Douglas perguntou assim que pagou a conta. - Ela te machucou? - A Rayanne? - A menina questionou e ele respirou fundo. - NĂŁo tĂŽ falando da sua mĂŁe, Luna. - Ele respondeu com calma. - EntĂŁo, nĂŁo sei, a Ășnica pessoa que podia ter me machucado era a Rayanne. - A menina abriu um sorriso para o pai. - Sai da minha frente. - Douglas disse bravo. - Sai! - NĂŁo faz nada contra a Mica. O JĂșnior que Ă© um idiota. - A menina pediu ao pai. - Como assim? - Douglas se abaixou e olhou nos olhos dela. - Ele que provocou a Mica. - A menina revelou. - Ele que ficou perturbando a Mica. Ela tava quieta no canto dela. AĂ ele foi falar da Rayanne, que ela Ă© a nossa mĂŁe e que a Mica nunca seria por mais que quisesse e que vocĂȘ ainda amava a Rayanne. Eu achei bom ela ter queimado ele, sĂł pra ver se ele aprende a calar a boca e nĂŁo fica defendendo a Rayanne. A Rayanne te traiu, pai. NĂŁo seja tĂŁo idiota assim. Ela te enganou, ficou com outro homem e vocĂȘ sabe disso. - A menina encarou o pai e Douglas segurou os braços dela com força. - VocĂȘ Ă© muito idiota, pai. - Cala a porra da sua boca antes que vocĂȘ nunca mais fale nada na vida. - Ele disse palavra por palavra com calma. Douglas puxou Luna pelo braço e arrastou a menina atĂ© a parte de fora do restaurante. Rayanne os seguiu com Maya e Douglas Jr. Ela percebeu o clima ruim entre a filha e o marido e se sentiu culpada. Ele colocou a filha na cadeirinha e ela fez o mesmo com os outros dois. Ray colocou a mĂŁo no ombro do marido e ele se virou na direção dela. Douglas encarou Rayanne. - Se vocĂȘ começar de novo, eu nĂŁo sei o que eu faço com vocĂȘ dessa vez. - Ele disse sĂ©rio. - Nem tenta. - TĂĄ. - Rayanne concordou e se sentou no banco do carona. - Eu jĂĄ entendi qual Ă© a sua, Luna. - Ele disse firme assim que entrou no carro. - Mas nĂŁo vai rolar. - Qual Ă© a dela, Douglas? - Ray questionou. - NĂŁo fala assim com a menina, amor. - A dela Ă© separar a gente. - Ele disse sĂ©rio. - Ela Ă© dissimulada. VocĂȘ ainda tem muito, mas muito o que aprender da vida, Luna. VocĂȘ acha que estĂĄ Ă frente de mim, mas eu estou a dez passos de vocĂȘ. Eu percebi muitas coisas nesses dias, sĂł nĂŁo queria acreditar. E se vocĂȘ nĂŁo calar a porra da sua boca e respeitar a sua mĂŁe, eu arranco todos os seus dentes. Os que nasceram e os que ainda nĂŁo nasceram e nĂŁo vĂŁo nascer. VocĂȘ vai ficar uma garota feia, sem dentes e ninguĂ©m vai te querer. - Amor, calma. - Rayanne pediu. - Se vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo calar a boca, vou dar na sua cara. - Ele a encarou. - Eu sĂł estou tentando te acalmar, Douglas. - Ela disse sĂ©ria. - NĂŁo Ă© assim que as coisas funcionam. A gente tĂĄ aqui preocupado porque uma idiota queimou o nosso filho e vocĂȘ tĂĄ querendo se igualar ao que ela fez. Cala a boca vocĂȘ! - VocĂȘ sabe o que ela falou? NĂŁo sabe, entĂŁo, nĂŁo se mete. - Ele continuou encarando a esposa. - Ela Ă© uma criança, Douglas. - Rayanne lembrou o marido. - Ela pode falar o que quiser, que nĂŁo vai deixar de ser uma criança. E ela Ă© nossa filha. Eu nĂŁo vou deixar vocĂȘ fazer nada com ela. - Ă minha filha tambĂ©m e eu quero educar ela desse jeito, serĂĄ que posso? - Ele socou o volante. - Fica quieta uma vez na sua vida e nĂŁo se mete. - Se vocĂȘ continuar agressivo, eu vou descer do carro e pegar um tĂĄxi. - Rayanne ameaçou. - Falou a que deixa os filhos de castigo numa lixeira de bicho. - Ele lembrou. - Ou serĂĄ que vocĂȘ nĂŁo lembra disso? SĂł lembra do que te convĂ©m? - Douglas perguntou nervoso e ouviu risadas no banco de trĂĄs. Ele olhou para trĂĄs e fuzilou a filha com o olhar. - Boneca manipulĂĄvel. - Ele cuspiu as palavras e Ray fechou os olhos. Douglas se ajeitou no banco e ligou o carro. Ele começou a dirigir o mais rĂĄpido que podia, jĂĄ que queria chegar logo em casa. NĂŁo demorou muito para chegar. Ele abriu o portĂŁo da garagem e estacionou o carro. Rayanne foi a primeira a sair e foi direto para dentro de casa. Ela viu Micaela sentada no sofĂĄ da sala e a encarou. A menina engoliu a seco e desligou a televisĂŁo. Rayanne foi mais rĂĄpida, a puxou pelo braço e jogou no chĂŁo. - AlĂ©m de puta, mentirosa e oferecida, vocĂȘ ainda queima o meu filho, sua desgraçada? - Ela gritou puxando o cabelo de Micaela. - Eu vou acabar com vocĂȘ! VocĂȘ vai aprender a nĂŁo se meter com os meus filhos! - Eu nĂŁo fiz nada. - Micaela gritou e tentou se soltar. Rayanne a segurou pelo pescoço e jogou longe, fazendo com que ela batesse a cabeça no sofĂĄ. - Eu realmente nĂŁo fiz nada. Me deixa! - Ela começou a chorar. - Agora vocĂȘ nĂŁo fez nada! Agora vocĂȘ vai começar a chorar! Agora vai dizer que eu sou a louca! - Rayanne gritou. - Mas eu realmente nĂŁo fiz nada. - Micaela tossiu pela força que Rayanne tinha apertado seu pescoço. - Eu nĂŁo fiz nada. - VocĂȘ Ă© uma mentirosa! - Ray gritou e deu um tapa no rosto de Micaela. - Eu tenho vontade de pegar o seu pescoço e te esganar pra vocĂȘ aprender a nĂŁo queimar o meu filho! - Douglas! Douglas! - Micaela se levantou e começou a gritar. - Douglas! Ela vai me matar! - Grita! Grita mais alto! - Rayanne desafiou e Micaela subiu no sofĂĄ. - Douglas! - A outra gritou enquanto chorava. - Me ajuda pelo amor de Deus! - Eu sou te dizer uma coisa, garota. - Ray a derrubou no chĂŁo novamente. - O Douglas pode ser o bonzinho, que acredita em tudo, que nĂŁo vĂȘ o mal das pessoas, que diz um monte de merda sentimental, mas eu nĂŁo sou. E Ă© comigo que ele estĂĄ casado. - Ela sussurrou. - Ele pode ser idiota, mas eu nĂŁo sou. - Me desculpa. - Micaela pediu desesperada. - Eu nĂŁo queria ter feito isso. De verdade. Eu perdi a cabeça num momento, mas eu gosto muito das crianças e preciso desse emprego. Me perdoa, Rayanne. DĂĄ uma chance pra eu me redimir. Por favor. - Quem perdoa Ă© Deus. - Ray disse sĂ©ria. - Vai embora daqui agora! NĂŁo tem nada seu aqui! - Eu vou. - Micaela se levantou do chĂŁo e saiu correndo atĂ© o portĂŁo da garagem, que estava aberto. Assim que Micaela saiu pelo portĂŁo, Douglas o fechou e saiu do carro deixando os filhos lĂĄ. Ele entrou em casa e Ray o encarou. - VocĂȘ Ă© uma grande decepção quando quer, Douglas Sampaio. - Ela começou a chorar. - VocĂȘ nĂŁo me ajudou em nada aqui agora, nĂŁo fez nada, ficou acovardado dentro do seu carro. VocĂȘ nĂŁo defende a sua famĂlia, nĂ©? Porque vocĂȘ sabe que na prĂłxima viagem que eu fizer, vocĂȘ vai colocar outra babĂĄ aqui dentro e vai acontecer a mesma coisa de sempre porque vocĂȘ dĂĄ liberdade pra todas elas! A mulher que acabou de sair por aquele portĂŁo queimou o seu filho e vocĂȘ nĂŁo fez nada! VocĂȘ nem falou nada! VocĂȘ Ă© um covarde quando quer ser! Eu nĂŁo devia mais me surpreender com essas suas atitudes, mas eu ainda espero o melhor de vocĂȘ e isso nunca acontece. - Ela respirou fundo. - NĂŁo quero que vocĂȘ fale comigo atĂ© eu conseguir digerir isso. - Ray pediu e voltou atĂ© o carro tirando os trĂȘs de lĂĄ. Os gĂȘmeos entraram correndo em casa e ela entrou com Maya nos braços. - E se vocĂȘ for se encontrar com ela pra pedir desculpas, seja, no mĂnimo, discreto porque se eu descobrir, me separo de vocĂȘ, Douglas. E eu nunca falei tĂŁo sĂ©rio na minha vida. Douglas continuou calado e Rayanne levou Maya atĂ© o quarto. Ela percebeu que os pĂ©s da filha pareciam ter sido amarrados com linha. Ray respirou fundo e tentou acreditar que era apenas o sapatinho apertado. Ela ouviu passos vindos em sua direção e nem conseguiu olhar para aquela pessoa parada. - Eu posso falar com vocĂȘ? - Pode. - Rayanne concordou. - Eu sinto muito. - A menina disse olhando para a mĂŁe. - Eu nĂŁo queria ter feito isso. - Eu sei. - Ela assentiu. - VocĂȘ quer me contar o que houve? - Sim. - Luna concordou e empurrou a porta para que o pai nĂŁo ouvisse. - Eu sinto muito mesmo. - O que aconteceu? - Ray insistiu que ela contasse. - Ela disse que eu ia apanhar se nĂŁo fizesse o que ela mandava, mamĂŁe. - A menina falou a verdade. - Ela sabia que o papai ia me ouvir se eu dissesse essas coisas. AĂ ela pediu pra eu falar pro papai pra gente sair pra um monte de lugar e fez com que o papai sentisse pena dela por estar dodĂłi e começasse a gostar dela. Mica disse que ia me bater de cinto ou me queimar igual fez com o Douglinhas. Ou amarrar as perninhas igual fez com a Maya porque ela nĂŁo queria parar de chorar. Ela tambĂ©m colocou um travesseiro na carinha da Maya pra ela ficar quieta. Eu fiquei muito triste, mamĂŁe. Ela disse que se eu falasse pro papai, ela ia me jogar num rio e eu nĂŁo sei nadar, mamĂŁe. O papai sabia de tudo. Eu sei que ele sabia, mamĂŁe. Ele sabia. O papai mentiu pra vocĂȘ e te enganou, mamĂŁe. Ele sabia de tudo. Ele te traiu. - A menina começou a chorar. - Ele sabia. - VocĂȘ tĂĄ falando a verdade, Luna? O seu pai sabia mesmo? - Ray encarou a filha. - Eu vi ele beijando a Micaela. - A menina contou. - Eu vi. - O que mais vocĂȘ viu? - Ela questionou. - Ele indo pro quarto dela Ă noite pra cuidar dela. - Luna contou. - Ela tava com febre e ele sempre ia pro quarto dela depois de colocar a gente pra dormir. - Essa Ă© a verdade, Luna? - Ray perguntou de novo e a filha concordou. - EntĂŁo, tĂĄ bom. Fica aĂ. Rayanne foi atĂ© a sala e viu Douglas sentado no sofĂĄ. Ela olhou para o marido e o chamou sem falar nada. Ele a seguiu e Luna se assustou ao ver o pai. - Fala agora. - Rayanne desafiou a filha. - Perdeu a lĂngua? - Eu nĂŁo quero. - Luna se negou. - Fala o que vocĂȘ viu. - Ela incentivou a filha. - JĂĄ que Ă© verdade, fala pro seu pai. - Eu nĂŁo vi nada. - A menina cobriu os olhos e Douglas ficou sem entender o que estava acontecendo. - Eu nĂŁo vi nada. - VocĂȘ viu o seu pai Douglas e a Micaela fazendo o que? - Ela desafiou a filha mais uma vez. - Se beijando. - Luna disse ainda com os olhos cobertos. - Na boca. Eu vi. Pronto. - Ela tĂĄ louca? - Douglas perguntou e Rayanne nĂŁo deixou que ele chegasse muito perto dela. - Eu nĂŁo fiz nada disso, Rayanne! - Fez sim! - Luna tirou as mĂŁos dos olhos e encarou o pai. - VocĂȘ beijou a Mica sim! Luna viu tudo! - A Micaela queimou o seu irmĂŁo, amarrou as pernas da sua irmĂŁ, colocou um travesseiro no rosto dela e fez o que com vocĂȘ? - Ray fez com que a filha contasse a verdade. - Bater de cinto ou queimar como fez com Douglinhas. - A menina contou. - E fez Luna fazer papai levar gĂȘmeos e ela pra passear. Ela disse que ia jogar Luna num rio e Luna nĂŁo sabe nadar. - Luna terminou e voltou a cobrir os olhos. - Luna tĂĄ com medo de tudo, mas sabe que papai tĂĄ mentindo. - TĂĄ bom. - Rayanne se cansou de ouvir aquilo. - Chega de acusar o seu pai. - Mas eu vi ele beijando a Micaela, mamĂŁe. - A menina insistiu. - Eu vi. - A gente jĂĄ entendeu. - Ray rolou os olhos. - Agora vai brincar. - Mas papai traiu a mamĂŁe e... - Luna insistiu. - Vai brincar. - A mĂŁe da menina disse nervosa. - Vai! Assim que Luna saiu, Douglas olhou para Rayanne sem saber o que dizer. Ela respirou fundo e fechou os olhos. Ele fez o mesmo. - Eu nĂŁo fiz nada disso. - Ele se defendeu. - Douglas, uma filha da puta amarrou a nossa filha de trĂȘs meses, vocĂȘ realmente acha que eu tĂŽ ligando se vocĂȘ me traiu ou nĂŁo? - Rayanne disse nervosa. - Ela sufocou a nossa filha de trĂȘs meses. Quase matou a nossa filha de trĂȘs meses. VocĂȘ tĂĄ tendo noção disso? Ela queimou o nosso filho de menos de trĂȘs anos e ainda ameaçou bater na outra. VocĂȘ realmente acha que eu tĂŽ ligando se vocĂȘ enfiou ou nĂŁo enfiou o pinto nela? Eu nĂŁo tĂŽ! - Mas eu nĂŁo enfiei. - Ele continuou se defendendo. - Eu nĂŁo ligo! - Rayanne gritou mais alto. - Eu sĂł quero que os meus filhos fiquem bem! - Pra vocĂȘ agora sĂł importa os seus filhos? - Ele a encarou e balançou a cabeça. - SĂŁo meus tambĂ©m, caralho. VocĂȘ tem que entender que eu nĂŁo enfiei nada nela, Rayanne. Me escuta, pelo amor de Deus! - Eu jĂĄ entendi. - Ela gritou e ficou sem fĂŽlego. - Eu nĂŁo preciso que vocĂȘ fique repetindo isso a cada dois segundos. Eu jĂĄ entendi! - Parece que nĂŁo entendeu. - Ele acusou. - VocĂȘ nĂŁo quer me ouvir, aĂ depois fica pensando um monte de merda. - Douglas, por favor. - Ela pediu. - Por favor, digo eu, vocĂȘ nĂŁo pode acreditar na Luna. - Ele se desesperou. - VocĂȘ nĂŁo pode achar que eu te trai. - Eu sei que vocĂȘ me ama. - Ela começou a chorar. - Mas vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo ama os nossos filhos? VocĂȘ nĂŁo fica triste quando uma coisa dessas acontece? Eu jĂĄ entendi que vocĂȘ nĂŁo me traiu, Douglas. Mas agora a gente precisa deixar a gente de lado e pensar nos nossos filhos. - Eu nĂŁo vou deixar a gente de lado por causa deles. - Ele se negou. - Mas nĂŁo vou mesmo! Se eu tivesse que escolher, escolheria vocĂȘ e nĂŁo eles. - VocĂȘ nĂŁo quer mais ser pai, Douglas? - Ela ficou sem acreditar no que estava ouvindo. - Eles jĂĄ nasceram e nĂŁo tem culpa de nada. Eles sĂŁo pequenos e precisam da gente. Eles tĂȘm sentimentos, sĂŁo pedacinhos da gente, vocĂȘ nĂŁo pode simplesmente virar as costas pra eles como se nada estivesse acontecendo. Eu te amo, mas tambĂ©m amo os trĂȘs. O que tĂĄ acontecendo com vocĂȘ? NĂŁo se importa mais pra nossa famĂlia? - Claro que eu gosto deles e me importo. - Ele respondeu. - Mas se ser pai me afasta de vocĂȘ, entĂŁo nĂŁo quero mais. - E se eu disser que vocĂȘ vai ficar sem mim e sem eles? - Ela o encarou. - VocĂȘ nĂŁo se importa pra uma maluca queimando seus filhos e sufocando uma bebĂȘ de trĂȘs meses? Quem Ă© vocĂȘ? Quem Ă© essa pessoa sem coração que tĂĄ na minha frente? - Pelo menos nĂŁo foi com vocĂȘ. - Ele abaixou a cabeça. - Ela ameaçou fazer alguma coisa comigo? - Ela perguntou. - NĂŁo. - Douglas negou olhando nos olhos de Rayanne. - Eu tĂŽ com medo de te perder. - Por que vocĂȘ iria me perder, Douglas? - Ela ficou confusa e ele abaixou a cabeça. - Pela vida. - Douglas saiu andando sem responder direito a pergunta de Rayanne. - Vou dormir. Rayanne ficou encarando o marido pelas costas e o viu atravessando o corredor. Ela se aproximou do quarto que era de Micaela e resolveu abri-lo. Rayanne deu uma olhada pelo lugar e franziu a testa.