peter dolohov // i still love him (national anthem monologue)

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peter dolohov // i still love him (national anthem monologue)

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Não, não vou sair. Para entrar numa dessas festas e ficar louca até não lembrar mais meu nome? Não, obrigada.
Não vai mesmo. Não te dei autorização para tanto. Aliás, vim trazer de volta a sua jaqueta. Parece que deixou na minha barraca por engano.
Sempre passara por aquele tipo de situação com alguém ao seu lado. Geralmente era Peter o seu salvador, mas Wolfie e Arya já figuraram naquela lista, também. A solidão, entretanto, misturada com a escuridão, trazia uma sensação esmagadora sobre o corpo da bruxa, fazendo com que, mesmo que não quisesse — mesmo que soubesse que não passava de um medo irracional tal como o que nutria por Hector —, jamais conseguiria se dissociar. Por esse motivo, o autor daquela aposta fora realmente maldoso consigo; por esse motivo, ela estava ali, sem ao menos saber onde estava, o que a rodeava e, principalmente, o que a aguardava assim que abrisse os olhos. Balançava o corpo para frente e para trás, entoando as músicas de ninar que Stelian a ensinara para lidar com os medos, mas não parecia funcionar. Nada funcionava. Ela queria morrer, queria gritar, pedir por socorro, mas não conseguia abrir a garganta o suficiente para emitir nada mais do que ruídos inaudíveis, soluços pouco controlados e expressar toda a dor que parecia estar sentindo, quase como se estivessem-na torturando. Assim que escutou uma voz conhecida, entretanto, ela pensou que poderia ser um pesadelo; que o escuro estava pregando peças nela e, por esse motivo, cerrou mais fortemente os olhos, negando histericamente enquanto a garganta, já um pouco melhor, se abria o suficiente para que pudesse murmurar. “Você é só um pesadelo. Só um pesadelo. Eu não quero reviver tudo aquilo.” Deixou escapar, apoiando a testa nos joelhos enquanto a respiração fraca se interpunha, cada vez mais pesada. “Nu.” Murmurou, deixando com que as lágrimas escorressem antes de, por fim, tomar coragem para abrir os olhos. Ela tinha que ter certeza de que aquilo era um pesadelo, nu? Quando a silhueta de Peter apareceu à sua frente, entretanto, Irina desejou que fosse, na verdade, um pesadelo, uma miragem de sua mente, porque não conseguiu se mover, os olhos arregalados inchados de tanto chorar incapazes de desviar o olhar do melhor amigo — ou ex-melhor amigo. “Petya?”
Não sabia como havia chegado até ali, exatamente até o lugar em que ela estava. Era como se estivessem interligados, uma vez que ele sempre era capaz de encontrá-la em situações de perigo, provando do seu medo. A Dalca só poderia estar sofrendo em meio à escuridão; ela sempre tivera medo das trevas. Peter queria saber como a ex-amiga havia ido parar ali. Acaso havia se perdido? Irina não sairia de perto da área de camping, em especial sabendo que a Floresta Proibida poderia se tornar perigosa, então o motivo de estar ali só podia ser outro. Sempre fora ingênua demais para se deixar levar pela maldade dos colegas ––––– o russo cerrou os punhos ao pensar que alguém havia feito aquilo com a Luft de propósito. A amizade dos dois estava abalada, sim; ele ainda estava com raiva dela, também; mas isso não significava que havia deixado de se preocupar com a garota. Desconfiava que jamais deixaria de fazê-lo. Ela havia sido uma parte significativa de sua vida durante muitos anos para que ele simplesmente ignorasse sua presença, de uma hora pra outra. –––– Eu... Sou real. ––––– falou baixo, a incerteza em sua voz. Retraiu-se ao ouvir as palavras dela. “Eu não quero reviver tudo aquilo” –––– estava com medo. Ele havia a assustado! Peter Dolohov sempre pensou que fosse um monstro; agora, tinha certeza. Agachou-se, encostando no joelho da loira, enquanto iluminava o entorno dos dois com a varinha. Não estava certo sobre o que dizer –––– não tinha certeza nem se deveria tocá-la ––––– mas ele tinha ao menos de levá-la de volta para a barraca. ––––– Olhe para mim... ––––– sussurrou, exasperado por sua falta de resposta e negação. –––– Olhe para mim, ptichka! ––––– soltou, esquecendo-se que não deveria utilizar o apelido, nem mesmo em situações de desespero. Irina pareceu reagir a isso, no entanto, como se despertasse de um sonho ruim. O Dolohov suspirou, momentaneamente aliviado, para então sentir que as coisas ficariam pesadas novamente, o ar lhe faltando assim que ela utilizou seu apelido de infância. –––– Sim. É o Petya. ––––– disse, sério, secando as lágrimas que escorriam pela bochecha esquerda da outra. ––––– Me conte o que aconteceu.
——— Não. Em minha cabeça, Apollo deve ser muito mais quente…. E Eros… Uh. Deuses gregos, hmm…——–provocou, forçando-se a esboçar uma resposta um tanto quanto esquisita para fugir da oportunidade de inflar ainda mais o ego do rapaz. Era fato que tinha uma fascinação por Mitologia Grega, e que imaginava os deuses possuintes de uma beleza etérea, mas não passara de pura provocação. Gostava de fazer aquilo para anestesiar aquele egocentrismo exagerado de Peter, mesmo que soubesse que o alimentava com mínimos gestos. Deu-lhe um beijo rápido no rosto, casto como nunca. Imaginava se ele repudiava ou não quando fazia aquilo, quando forçava a relação deles em algo puro. Era notável que pura não era uma palavra que descreveriam o que tinham, mas qualquer um que assistisse aquelas carícias mínimas, os beijos demorados e lentos, os sorrisos que trocavam, poderia interpretar daquela forma. E sabia que ele não gostava de ser visto como alguém benevolente. Parecia até ter um repudio por ser colocado como uma pessoa boa, preferindo quando exaltavam características como a que fizera. Perversidade. ——— Até que não é. Mas para todos os efeitos, nunca ouviu isso sair de minha boca. É uma pessoa horrível, okay? ——— os olhos foram semicerrados em seguida, ela riu baixo com o ciúmes do rapaz se mostrando presente novamente. ——— Você é meio tapado, sabia? Como pode ter ciúmes de alguém se nesse exato momento eu estou sentada em seu colo? Nunca fiz isso antes, e no entanto, você insiste em se preocupar com qualquer um fora desse quarto.
——— Dorme aqui hoje? ——— pediu, mordendo o próprio lábio inferior, receosa de que talvez ele fosse negar. Claro, não fazia muito o estilo de Peter negar a Indigo uma oportunidade de passar mais tempo com ela, mas ainda sim, temia um não por motivos adversos. Nunca se sabia. Ele era uma pessoa um pouco confusa. Riu com a reclamação dele quando o assunto voltara a ser Caprice. ——— Você só escutou essa parte? Heck, você é tapado mesmo, Pete. ——— fora impossível não gargalhar. Mesmo que tivesse lhe dito algo com pura conotação sexual, ele insistira em dramatizar na menção da garota. Quando diria a ele que Caprice sequer a vira sem a calcinha? Do contrário fora uma verdade, mas Indigo mantivera-se intacta. Talvez não devesse mencionar. Ele poderia ficar com ciúmes porque dedicara-se a proporcionar prazer apenas a garota. ——— Talvez seja verdade, mas não conte para o Dolohov. Ele é demasiadamente chato com essas coisas. E, ele não sabe que também está. ——— afirmou, de uma forma fortemente convencida, embora não passasse de uma brincadeira.
——— Gosto. Queria entender mais sobre eles, em específico de um lado sociológico e filosófico. Eles tem teorias incríveis. Em Beauxbatons temos uma aula de estudo dos trouxas, mas normalmente fala de coisas como eletricidade e tudo mais, que não são tão interessantes. ——— torceu o nariz com o deboche dele, revirando os olhos pouco em seguida, embora o riso não desfalecesse em sua feição. ——— A história se passa na década de 70, no Afeganistão, e não fala de pipas em específico, mas sim da amizade de dois garotos, com foco na questão das classes sociais, bestão.———condecorada com uma risada, ela mordeu o interior da bochecha ao lembra-se que Durmstrang era pouco tolerante com a questão dos trouxas. Deveria ser desmotivador, ela realmente amava a literatura trouxa. Seu pai, por mais que não fosse muito adepto à o outro mundo, mais preso aos livros de DCAT, nunca fora de ser contra o hábito particular dela de ler sobre qualquer coisa. Se fosse um livro, lá estava ela. Passava muito tempo desocupada nos verões, tendo restritas opções. Nem perto da cidade morava, ficava situada numa choupana próxima a praia. Suas opções de lazer incluíam em maioria das vezes ler ou ir nadar. Quem sabe fazer palavras-cruzadas ou dar banho em seu gato, mas nada muito elaborado.
Corou com o murmúrio dele, sem conter mais algumas risadinhas baixas. ——– Não é uma característica particularmente minha, creio eu. Muitas garotas te excitam. ———–deu de ombros, ainda que não diminuísse muito o que ele falara. Em parte, gostava de saber que provocava uma outra parte dele. Que instigava desejo. Era algo novo para ela, e a garota duvidava que fosse se acostumar.——– Eu também tenho. Não diz nada… Está insinuando que vou ter filhos teus? Uh, onde foi parar minha hipotética beleza? Pelo menos eles irão nascer um quarto sereianos. Será que herdariam a cauda ou a capacidade de respirar debaixo da água? ——– a hipótese não a assustou, Indigo ciente de que nunca passaria de uma brincadeira. O que tinham, seja lá o que fosse, não duraria muito mais que quatro meses, que era quando a escola dele ia embora. Duvidava da possibilidade de encontrá-lo mais tarde, depois de toda aquela fase de estudantes, e muito mais que fossem chegar a um tipo de relacionamento onde existisse a possibilidade dela engravidar do rapaz. ——— Com dezesseis anos? Nem em brincadeira. Você fugiria assustado. ——— acusou, em meio a risadas, aproveitando o momento de distração para morder a ponta do nariz dele, dado o clima desagradável que manifestara ao mencionar a própria mãe. ——— Conversamos. Eu vou nos jogos de quadribol deles e eles vem em minha apresentação de balé. Nada de mais, eu acho. E se quer saber, balé não é de menininha. Meu parceiro é bem hétero, e muito bonito.
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f l a s h b a c k
–––– Afrodite também. Uma pena que ela não exista. –––– observou, frisando a última parte. ––––– Eu, por outro lado, sou bem real, e quase tão bom quanto qualquer um deles. Na verdade, sou até melhor, mas já que você insiste em dizer que não posso fazer frente a seres etéreos... –––– deixou que a frase morresse, como se não se importasse com a insinuação. Estava suficientemente seguro de si e da relação para aceitar as provocações de Indigo. Não era como no início, quando tinha certeza que ela o detestava. Era o oposto agora, quase como se não precisasse se preocupar o tempo todo em agradar-lhe –––– acontecia naturalmente. Já não se importava com as demonstrações simples de afeto, também. Inicialmente haviam o incomodado por achar que a loira não desejava nada dele além de amizade, tão logo ultrapassaram a fase do desprezo mútuo, mas a cada gesto de Indigo ele percebia que não se tratava disso. Ela tinha um jeito mais manso, na maioria das vezes, quando se tratava de beijar, e o Dolohov estava aprendendo a acompanhá-la.
Riu sonoramente de seu comentário, em especial pela forma como ela não via nada de ruim em si. Sempre que se referia a ele como uma pessoa horrível era de maneira debochada e irônica, como se não acreditasse no que dizia. Peter preferia que assim fosse com ela; era melhor que não o visse como ele se via, era o que a mantinha próxima. ––––– Obrigado. Significa muito para mim. –––– disse, o tom beirando a ironia, e portando-se, de fato, como alguém que estava longe de ser tão mau. Era ela que o transformava, fazia com que abandonasse seu lado mais frio.
––––– Tapado? ––––– se fosse qualquer pessoa dizendo aquilo, ele certamente revidaria. Não lidava bem com ofensas, críticas, nem coisas do gênero, dando respostas agressivas a qualquer dessas manifestações. Entretanto, não era como se a loira estivesse o ofendendo de verdade. Ela queria chamar sua atenção para a situação, mas o russo não aceitava completamente o raciocínio; não lhe significava muita coisa. ––––– Não deveria me ofender dessa forma, Bashemath, especialmente quando tenho acesso facilitado ao seu corpo. Eu poderia ficar irritado e puni-la. ––––– retrucou, sério, um pouco incomodado com a forma como ela tentava fazer com que ele a deixasse mais livre para outros relacionamentos. A garota não entendia que, a partir do momento em que se beijaram pela primeira vez, ela pertencia a ele. –––––– Isso parece ser relevante para você, mas muitas garotas já sentaram em meu colo, e isso não significava que elas eram completamente fiéis a mim. –––––– estava apenas tentando mostrar seu ponto, mas parecia estranho, agora, falar de outras. Ele nunca havia se preocupado com isso anteriormente, mas conhecendo Indigo, tinha certeza que a garota se sentiria incomodada com a menção. –––––– Esqueça. Você é diferente. ––––– emendou, antes que ela pensasse que ele estava a compará-la com suas antigas parceiras.
––––– Esse sempre foi o plano. ––––– disse, com um sorriso de canto, embora estivesse um tanto surpreso com a oferta. Nas vezes em que dormiram juntos, havia sido sempre por acaso, nunca houvera um pedido, muito menos partindo dela. Peter se deu conta do quanto haviam avançado na relação, visto que a sereiana já parecia confiar nele, e sentir-se suficientemente segura perto de si. ––––– Pete. Gosto do apelido. Você o faz parecer meigo. ––––– pensou por um momento, sentindo-se piegas e desconcertado por falar aquelas coisas. ––––– Devo encontrar um para você, também? –––– isso fez com que o russo se lembrasse que havia dado uma alcunha somente à Irina, e a nenhuma outra desde então. No caso, não se tratava de uma abreviação do nome, mas de algo significativo para ambos. Não sabia se estava pronto para compartilhar esse tipo de intimidade com a sereiana, ainda que estivesse muito tentato. ––––– Chato com essas coisas? Talvez seja apenas medo. ––––– não mencionou nada quanto à segunda parte, afinal, não tinha certeza sobre. Estava apaixonado? Não sabia o que era estar, e sentia-se perdido por não conhecer a sensação. Se tivesse uma noção mínima sobre o assunto, ele poderia ter um norte. De igual forma, não poderia dizer que não estava. Soaria como uma mentira descarada de alguém que não tinha coragem de admitir seus reais sentimentos.
––––– É perceptível... Mas não os considero tão interessantes assim. São bem ordinários, ao meu ver. Não deveria exaltá-los tanto. É infinitamente mais poderosa que qualquer um deles –––– exclamou, sem entender a visão da outra, enquanto negava com a cabeça. Era quase como se ela fosse o completo oposto dele, em todos os aspectos. Tinha certeza que aquilo se devia à escola que frequentava, e não podia culpá-la por ser daquela forma, mas essas pequenas coisas poderiam se tornar um problema. Por que ficava tão fascinada pelos trouxas? Eram notadamente inferiores. Se considerasse a sério a possibilidade de transformar a moça em uma companheira permanente, deveria corrigir muitas de suas condutas. Johann a consideraria totalmente inadequada se ela começasse a falar dessa forma com o velho, ressaltando qualidades inexistentes nos não-bruxos. Ademais, havia o fator sereiano, que Peter não tinha a mínima ideia de como faria para que o mestre aceitasse. ––––– Ah. Seria mais interessante se falasse de pipas. ––––– brincou, percebendo que a garota gostava de esbanjar seus conhecimentos, que deviam ser vastos. O Dolohov, por sua vez, era mais esperto do que inteligente. Sabia como se sair bem em diversas situações, inclusive as escolares, mas não era uma enciclopédia ambulante. Era versado, contudo, nos assuntos que o interessavam, os quais envolviam, por incrível que pareça, política e história. Para além disso, dedicava muito tempo pesquisando sobre dragões, armas mágicas e, obviamente, artes das trevas.
Nunca foi a melhor exploradora da natureza, mas tinha que admitir que até mesmo para ela, já tinha passado dos limites. A perspectiva de poder sair da enfermaria de Hogwarts a animara tanto que sequer levara consigo a própria varinha, e, por esse motivo, não tinha sequer uma forma de encontrar o caminho certo, já floresta adentro — por que Irina se metia em situações como aquela, de toda forma? Não conseguia sequer pensar direito, uma vez que o escuro parecia abraça-la de uma forma nada agradável, fazendo com que perdesse o ar antes mesmo de dar o primeiro passo na direção que achava ser aquela que a levaria de volta para o acampamento. Por que não ficara quieta durante aquele jogo? Por que tinha que ter perdido mais uma das apostas? Escorada em uma das árvores, a loira arfou de frustração, sentindo as lágrimas passarem a empapar as bochechas. E então a loira simplesmente quebrou, deixando-se cair no chão em posição fetal enquanto cerrava os olhos o mais forte que conseguia. Se não podia ver o escuro, então ele não estava lá. Se não podia ver o escuro, então ele não estava lá… O mantra se repetiu em sua cabeça, mas os soluços não pararam; olhar para cima também não surtiu o efeito desejado. Ela não sabia como aguentaria aquela noite e, francamente, não queria saber. Só queria escapar, voltar para a claridade, para a barraca quentinha que se apresentava; para a fogueira.
O Dolohov gradativamente se cansava do acampamento. Dormia mal, tinha de preparar a própria comida e, não bastasse, dividir o espaço com outras duas pessoas, algo que ele abominava. A presença constante de outros estudantes, o barulho de vozes, a cacofonia de sons, tudo o irritava. Não havia sido feito para aquele tipo de atividade. Era um ser solitário por natureza, que se sentia confortável em ambientes silenciosos e tranquilos, na maioria das vezes. A busca por ar foi um dos motivos que fez com que se embrenhasse na Floresta Proibida, longe o bastante da área das barracas, de modo que ninguém seguisse seu rastro. Trazia junto de si apenas a varinha, devidamente iluminada; ainda assim, a escuridão o envolvia, por todos os lados, e o brilho na ponta do objeto era fraco demais para fazer frente a ela, tanto que o russo se via aos tropeços, incapaz de enxergar raízes menores e galhos. A certa altura, porém, o moreno ouviu uma respiração pesada vinda de algum lugar no seu entorno, iluminando para que pudesse ver com clareza do que se tratava. Sabia que havia criaturas de todos os tipos naquela floresta, algumas capazes até mesmo de matá-lo, mas não sentiu medo ao encarar a forma à distância, uma vez que parecia um animal ferido, acuado. Chegando mais perto, ele teve de franzir o cenho em sinal de confusão. ––––– O que faz aqui, Irina?

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Good things, bad. Just talk to me. What if it’s mostly bad things? (insp.)
Uh, alguém está de mau humor hoje. Aconteceu alguma coisa, cara amarrada?
Não sei. Talvez não seja do seu interesse. Quer me ajudar a melhorá-la?
Uma garota já desistiu do acampamento, acredita?
Eu diria que você tem a ver com isso. Agarrou ela também?
Estar aqui apenas comprova o que eu já sabia há muito tempo: odeio acampar.
Você odeia muitas coisas, aparentemente. Eu sou uma delas. Havia necessidade de acabar com meu namoro?
-Estava me perguntando se isso é um costume de Hogwarts, ou se só estão fazendo tudo por causa das olimpíadas - comentou com a pessoa ao seu lado, pensando em voz alta. -Mas acho mais provável ser a última opção. Qual outro motivo para fazerem um acampamento no meio de uma floresta perigosa no inverno? -deu de ombros, esticando as mãos para a fogueira, em busca do calor.
–––– Hogwarts não é lá um exemplo de escola bem organizada, então aposto que fazem coisas sem sentido como essa o ano todo. –––– disse, desinteressado, nunca se cansando de difamar a instituição inglesa. Estavam sentados próximos da fogueira, e o Dolohov sentia-se como um garotinho do segundo ano por ter de participar do evento. –––– Está com medo? –––– riu baixo, sabendo que a maioria estava. –––– Acho que eles não nos lançariam no meio de feras ou algo assim, mas é só uma suposição.

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Você entrou na barraca errada. Já pode dar meia volta!
Infelizmente, não. Parece que é essa aqui mesmo.
Ei, coloque um sorriso nessa cara! Está sendo divertido, você não acha? Por enquanto, ninguém foi assassino, só por enquanto. Mas se anime! Talvez não seja você.
Divertido não é exatamente a palavra que eu usaria para definir isso aqui. Talvez se tornasse se alguém fosse, de fato, assassinado... Pelas minhas mãos.
A sereiana ainda demorou-se mais na risada com os comentários dele, e, inclusive, a risada que ele também não contivera. ––––– Deus? Estão alimentando muito seu ego, acho que já sei porque está tão insuportável esses dias…. –––––brincou, outra vez, a outra mão acariciando o rosto do rapaz, em específico sua barba. Achava um charme dele a forma como a deixava. Não deveria, uma vez que a sensação que passava era que descuidava dela, mas era impossível não gostar de cada característica física dele. Ele era lindo, de verdade. Inicialmente se obrigara a não aceitar aquilo. No baile, tentara se compelir a achá-lo ridículo, feio e machista, destruindo aos poucos o traço psicológico para que o físico se tornasse ordinário. Uma vez que o permitira se aproximar, aos poucos desfazia sua imagem. Tocou uma das covinhas de Peter com a ponta do dedo, rindo daquela característica particular. Sempre designara covinhas à pessoas que eram mais gentis, e achava engraçado que ele as possuísse. Custara-lhe a perceber que ele ria bastante. Fosse de sua forma arrogante ou de sua forma real, lá estavam as covinhas. Ela nunca gostara daquela característica em outras pessoas, uma vez que eram senso comum que elas se tornavam atrativas, mas era impossível não rir de volta ou sorrir quando elas se mostravam presentes. ––––– Obrigada. –––––respondeu-lhe, satisfeita com a compreensão que ele apresentara.
––––– Então acho que não tem muito com o que se preocupar, ou muito ciúmes para nutrir. Não é uma fila muito extensa de pessoas que eu considero para isso. Na verdade, acho que sequer é uma fila. ––––– não sabia se tinha se feito clara, mas não especificaria mais. Estava um tanto quanto óbvio agora que poderia não ser agora nem nos próximos dias, porém, que aconteceria. Tinha a mínima certeza quanto aquilo. Esperava que ele fizesse de suas palavras verdade, que se tornasse de fato, memorável. Não no sentido ruim, como a primeira pessoa com quem se deitara que a dispensara no segundo seguinte. Não sabia se estava exigindo de mais, ou implicando que queria um relacionamento, mas o fato não seria mal. O arrepio percorreu sua espinha, somado a um frio repentino na barriga quando os lábios dele aproximaram-se daquela forma. Ela teria permitido-se gritar baixinho em protesto se não estivesse tarde da noite. Tinha deixado sua vaga na monitoria depois das complicações com seu pai, mas de alguma forma, ainda sentia-se obrigada a ser responsável e cobrar isso dos demais. Como sempre, o rubor subira ao seu rosto, e ela o cutucou, risonha.
––––– Você é perverso, Peter, tsc. ––––– brincou, e propositalmente se remexeu no colo dele, numa tentativa de o provocar de volta. Já estava ruborizada e envergonhada, não existia como ficar pior. Era apenas uma questão de retribuir à altura, naquele momento. ––––– No meu caso, tenho certeza absoluta de que se arrependeria. Felizmente, muito aprendi com você-sabe-quem. Mas estou orgulhosa que tenha ponto o lado sentimental em contraponto. Só tem que tomar cuidado, se não me apaixono. ––––– mais uma vez riu ao final da frase, deixando claro que apenas humorizava o que ele tinha falado. O que falava não era tão distante da realidade, no entanto, por mais que ainda não soubesse. ––––– Ninguém nunca pode saber do que aconteceu nesse quarto, certo? Ou te afogo. ––––– a ameaça fora a mesma da qual ele já estava acostumado, feita inclusive no dia em que eles se conheceram.
––––– Pelo menos não é O Pequeno Príncipe. Mas não sei se estou em ponto de falar, uma vez que já li… ––––– pausou-se, decidindo que não deveria mencionar a trilogia, principalmente quando existia a mínima possibilidade dele conhecer e a abordar quanto ao assunto. ––––– O Caçador de Pipas. –––––emendou quase que em seguida, na esperança de que ele não notasse ou perguntasse. Ela sabia com perfeição que Maquiavel apenas baseara-se no nobre italiano para escrever aquilo, que sequer tinha mencionado a frase, também. Era uma admiradora particular tanto da história bruxa como da história trouxa, e por isso em maior parte do tempo era uma biblioteca ambulante. Poderia lhe caracterizar com perfeição a Idade Média dos dois mundos, sempre muito apaixonada pelo assunto. Mordeu o lábio, um sorriso um tanto quanto malicioso se manifestando mesmo assim. ––––– É errado achar extremamente sexy quando você fala assim? Интеллект меня заводит. ––––– confessou, pela primeira vez arriscando-se a falar a língua natal do rapaz com ele. Não costumava falar em russo por medo de pronunciar algo extremamente errado, mas achava que tinha ido bem.
––––– Você sabe que é bonito. Preciso te elogiar? –––––ambas sobrancelhas se ergueram em seguida, deixando de morder o lábio para sorrir genuinamente. ––––– Outch. Nunca vou te mostrar minha cara de peixe. –––––fez uma careta quando ele lhe tocou a ponta do nariz, ajeitando para cima como se a mínima ação dele pudesse fazer com que ele deixasse de ser arrebitado. ––––– Meu nariz é estranho…. Espero que meus filhos puxem o pai. Na verdade, nem sei se quero ter filhos. Crianças são um porre. Mas numa hipotética situação, com cinquenta por cento de chance deles nascerem com meu nariz, acho melhor já economizar para uma possível cirurgia que eles podem querer. –––––o comentário fora completamente aleatório, ela balançou a cabeça em meio uma risada silenciosa. ––––– Nunca mais vou te elogiar, então, se vai fazer pouco de meus elogios. Ainda me dignei a fazer isso quando seu ego já é enorme. ––––– fingiu a mesma indignação, parando apenas quando viu seu rosto tornar a ficar sério. A pergunta fora engraçada, só então lembrara que nunca lhe contara de sua família. Um pouco de seu pai quando estava bêbada, mas, nunca aprofundara-se. ––––– Não. ––––– riu baixo, pensando omo colocar as palavras. ––––– Minha mãe nunca apareceu, apenas me deixou para meu pai, que nunca soube muito como ser carinhoso. Ele tentava, mas bem…. Pode ver como eu sou para entender. Jake e Baelfire. Não fique com ciúmes. Principalmente de Jake, ele é quase um irmão para mim, por mais que tenhamos brigado e ficado sem falar por algum tempo. Baelfire também é um amigo, okay? –––––sorriu pouco depois da explicação, gostando tão intensamente de ouvir que ele não a rejeitava que uma forma que quase lhe doía ao peito.
––––– Não ria de mim. ––––– pediu, o rubor forte em seu rosto, por mais que o rapaz mantivesse uma expressão séria. ––––– E… Não estrague a surpresa.
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––––– Nada mais que a verdade, não concorda? Pensei que você também me achasse um deus. ––––– brincou, isso porque a garota tendia a implicar com seu ego inflado. Peter não via nada de mais em elogios, nem em ser autoconfiante. Aliás, considerava muito importante o amor próprio, e era por isso que este não lhe faltava; um traço que desenvolveu após os anos de falta do amor alheio. Descobriu, com o tempo, que não precisava que o amassem, uma vez que ele poderia fazer isso por si mesmo. Aos poucos, no entanto, permitia que a Bashemath transpusesse suas barreiras, sem esperanças de que ela viesse a fazê-lo. Na verdade, não precisava de seu amor, contanto que ela permanecesse ao seu lado; o simples gostar lhe parecia suficiente. Deixou que as mãos femininas explorassem seu rosto, sorrindo ainda mais quando ela mencionou as cavidades ali presentes; Não era algo com que ele se importasse, normalmente, mas estava satisfeito pelo traço agradá-la na mesma medida em que as pequenas sardas dela o agradavam, parecia-lhe. –––––– Por nada. Não sou tão ruim assim quanto parece, hu? –––––– estava dando espaço, tentando ser paciente. Isso não significava necessariamente que não fosse testar os limites. Se ela lhe desse abertura, ele seguiria em frente, até ele que ela dissesse ‘pare’. –––––– É melhor você não mencionar o nome das pessoas que compõem essa fila. Não seria bom para a integridade física delas. –––––– o ciúme lhe despertava o lado mais irracional e violento. Temia que pudessem roubá-la dele da noite para o dia. Para alguém acostumado a perder todos que lhe eram queridos, o comportamento era mais do que compreensível.
–––––– Você nem sabe o quanto. –––––– era uma provocação, mas evidentemente tinha um fundo de verdade. O Dolohov era dotado de uma perversidade que não se observava nos alunos de sua idade, e esta não estava atrelada apenas a pequenas coisas, como deixar de dar a Indigo algo que ela queria muito ou dizer algo desagradável. Ele era manifestamente um ser maldoso, que não tinha escrúpulos quando se tratava das ordens de Johann, que treinava incessantemente o domínio das trevas e que possivelmente descendia de seres aliados a elas. Se a garota viesse a descobrir sua faceta mais obscura, talvez não soubesse como lidar com ela. Ele podia oferecer-lhe um Peter leve, irônico, paquerador e, em última instância, romântico, mas o que faria ela com o Peter verdadeiramente perverso? Se qualquer ação menos politicamente correta despertava nela a repulsa, o que dizer de seus atos hediondos? O russo estava se concentrando no presente, sem sequer cogitar a possibilidade de apresentar a ela esse seu eu menos humano. Não tinha intenção alguma de torná-la como ele; ela jamais se adequaria, e perderia sua essência, o que ele mais admirava.
Até mesmo os movimentos mais inocentes traziam o rubor à face de Indigo; o moreno percebia sua tentativa de mostrar-se provocante, e decidiu que deveria ajudá-la, satisfeito pela abertura que ela lhe dava. ––––– Voltamos a falar de você-sabe-quem? Não acredito! –––––– disse, fazendo uma careta dramática. ––––––– Já está apaixonada, babe. Posso ver nos seus olhos. ––––– ele próprio estava cada vez mais encantado com a garota, incapaz de impedir-se. A paixão tendia a cegar, dizia Johann, mas ele talvez não tivesse provado dela, em sua amargura infindável. Peter, por outro lado, compreendia aos poucos o significado da palavra ‘cego’. ––––– Já me afogou, sereiana. Estou imerso em seus encantos. O que deve ser contra as regras, mas você não as respeitou. –––– por sorte, a garota parecia não se importar com as referências à sua origem, embora o russo estivesse apenas brincando. Lembrava-se claramente do dia em que ela ameaçou afogá-lo no meio do corredor por conta de uma provocação mal recebida. Hoje, nem parecia a mesma garota. Bem, nem ele era o mesmo, podia afirmar.
––––– Gosta tanto assim dos trouxas? Não somos muito incentivados a ler esse tipo de material em Durmstrang... Nem em casa. –––––– frisou, lembrando-se que o Dolohov mais velho abominava qualquer coisa relacionada ao mundo não-bruxo. ––––– De qualquer forma, deve ser interessantíssima a história dessa pessoa que caça pipas. ––––– disse, debochado, por mais que a história não lhe fosse estranha. Ele podia parecer, mas não era um completo alienado no tocante aos assuntos trouxas. Não podia ser chamado de perito, tampouco. Conhecia o básico, o que saltava aos olhos, e o que poderia ser considerado minimamente divertido e não tão dramático. Não tinha tempo para dramas ––––– em verdade, detestava-os. Era por isso que tinha apreço por filmes e livros mais fantasiosos e descomprometidos com a realidade. ––––––– Talvez eu devesse ler mais livros, então. ––––– gargalhou com a confissão, já desconfiando que a aparência não era a única coisa que a atraía. Como uma perfeita aluna de Beauxbatons, Indigo só poderia se importar com o intelecto. ––––– Вы возбуждают меня. ––––– sussurrou mais baixo e rapidamente, como quando utilizava o russo em casa. Seus lábios estavam decorados pelo sorriso maroto de sempre, enquanto ele trazia a loira para mais junto de seu corpo.
––––– Eu tenho espelho, Bashemath –––– brincou, o que apenas faria com que ela tivesse mais certeza acerca de seu ego enorme; o elogio vindo dela só o deixava mais inflado. ––––– Vamos torcer para que herdem a minha beleza e o meu charme, então... –––– insinuou, sem estar pensando realmente sobre o assunto. Parecia uma realidade tão distante que ele sequer cogitava, embora a sereiana tornasse a imagem mais visível. Havia dito aquilo tão somente para provocá-la, mas seus pensamentos quanto ao assunto se restringiam a: ele seria um péssimo pai. Sequer teve um para servir de exemplo, como poderia saber lidar com uma, duas, três crianças? –––– Acho que já podíamos começar a concebê-los agora, o que lhe parece? –––– ergueu as sobrancelhas, segurando sua cintura com cuidado, o sorriso não abandonando os lábios. Era impossível não fazer aquele tipo de insinuação com ela ali; ele não era santo, estava longe de ser. ––––– Ah, ela foi embora. –––– comprimiu os lábios, esquecendo-se dos impulsos carnais por um momento, ao pensar no quão desolada Indigo parecia após a morte do pai. Ela também havia sido abandonada por um dos pais, e o outro havia a deixado, ainda que involuntariamente. Ao menos não havia sido rejeitado por ambos, como ele. ––––– Você não é tão ruim para uma maria-rapaz. Até consegue ser bem feminina! –––– descontraiu, de modo a aliviar o clima pesado que se instalara. –––– Digo, tem coisa mais de menininha do que balé? Não, não tem. –––– mas seu tom mostrou-se mais tenso assim que ela mencionou os rapazes de sua escola. –––– Jake e Baelfire? O que mais vocês fizeram além de dormir? ––––– inquiriu, sabendo que não podiam ter feito muita coisa, já que a garota ainda mostrava-se receosa de ir adiante. Exceto com Caprice, é claro.
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Indigo estava ainda incrédula, tentando não se prender ao fato de que o seu namoro tinha sido uma completa farsa, até então. Não durara mais que uma semana até que o rapaz fizesse pouco caso do acordo, e lá estava ela, da forma que se imaginara quando soubesse que o garoto tinha feito aquilo. Não precisara de cálculos matemáticos nem muita inteligência para aquilo, sabia que ia acontecer e mesmo assim persistira numa crença insondável de que o rapaz mudaria, de que se adaptaria para ficar com ela. Se tornara até doloroso olhá-lo nos olhos. Não queria brigas, não queria intervi-lo. Queria assistir lentamente uma regressão no relacionamento deles, até que ele decidisse se confessar. Era vingativa o suficiente para saber que a real tortura não seria beijar outro rapaz em sua frente, ou quem sabe pior; sabia que ele apenas se magoaria caso visse as coisas retornarem ao que eram quando se conhecê-lo. Era uma questão básica, só queria ferir o rapaz da mesma forma que ele tinha o feito. Estava debruçada em um dos livros grossos de transfiguração, segurando uma taça que costumava ser um rato quando avistou o rapaz, não muito distante. Suspirou, arrumando os matérias e dirigindo um proposital olhar de indiferença a ele antes de se retirar daquela área, rumando a um corredor vazio.
Fazia alguns dias que não via Indigo –––– desde a noite em sua cabine, pra ser mais exato ––––, não por escolha própria, mas porque a garota parecia estar sempre ocupada com algum trabalho. Peter ainda revirava os olhos para esse lado mais responsável da garota, mas sentia que ela poderia estar precisando de um tempo sozinha, assim como ele precisava, por vezes. Ao que tudo indicava, estava fazendo um bom trabalho como namorado, já que a loira parecia suficientemente feliz da última vez que a vira. O Dolohov havia até mesmo esquecido o beijo que dera em Caprice, que, do seu ponto de vista, não consistia em traição. Aliás, essa era uma palavra forte demais para definir o momento que tivera com a morena, uma vez que iniciativa partira dela, tão somente. De qualquer forma, era irrelevante: em nada afetava o relacionamento com Indigo, ou assim ele pensava. Contudo, Indigo tendia a ser imprevisível, transmutando facilmente o humor. Alguns dias longe dele só fariam com que esquecesse do quão íntimos haviam se tornado. Foi isso que pensou inicialmente quando a avistou de longe, recebendo de volta um olhar gelado, sem emoção. Havia feito algo errado? Ou era apenas o retraimento natural da loira que havia voltado com força total? Correu para alcançá-la, puxando-a pela cintura, assim que conseguiu, antes que ela continuasse caminhando. –––– Algo errado, meu amor?
Assim que fora informada a respeito do trabalho de Astronomia, Juliette não conseguia pensar em outra coisa. Suas idas à biblioteca se tornaram ainda mais frequentes durante aqueles dias, assim como a pilha de livros em seu quarto parecia maior do que o normal. Isso sem mencionar a bagunça de anotações e folhas amaçadas que se alastrava por toda sua mesa e piso, chegando a impossibilitar uma locomoção sem pisar nos materiais. Ao anoitecer, a Grimaldi ia até a Torre de Astronomia, onde podia observar a constelação escolhida. Naquele dia não foi diferente. Encostada contra uma parede, ela observava o céu com um sorriso no rosto. Ou ao menos isso é a última coisa que se lembra antes de cair no sono.
O cintilar das estrelas ainda estava presente em sua mente, a imagem misturando-se a cenas de sua infância - em momentos nos quais sua avó lhe apresentava as constelações. A paz e tranquilidade inundavam seu ser, o sorriso sendo esboçado em meio ao sono. O sentimento, porém, durou pouco. O toque suave em seu rosto a assustou, o corpo pressentindo o perigo e bombardeando adrenalina por suas veias. No final, talvez seu cérebro não estivesse tão errado assim em despertá-la em estado de alerta, já que se tratava de Peter.
A loira levou alguns segundos para dispersar o sono de sua mente enevoada, bem como para compreender a provocação em suas palavras. Ela passou uma mecha de seu cabelo para trás da orelha e esboçou um sorriso tímido, sentimento o qual provinha do fato do Dolohov tê-la visto em um momento de tamanha vulnerabilidade. — Acredito que lá não seja tão confortável quanto as instalações da carruagem de Beauxbatons. Mas agradeço pela oferta. - tentou soar educada, dando um sorriso de lado e ignorando a malícia por trás de sua insinuação.
––––– Se engana. Nosso navio é extremamente confortável. Meus braços, mais ainda. ––––– piscou, na tentativa de deixá-la sem graça mais uma vez, embora a Grimaldi estivesse aprendendo a se desviar com facilidade de suas provocações da forma mais educada possível. Isso deixava o Dolohov minimamente irritado, uma vez que não gostava de perder o controle da situação, mas era isso que acabava acontecendo quando a garota ignorava a abordagem intimidadora. ––––– Mas você é boa demais, educada demais, real demais, para o meu bico, não é mesmo? ––––– instigou, querendo saber a resposta dela. Ainda estava meio inclinado sobre a outra, propositalmente, impedindo-a de fugir de seus questionamentos. Os braços apoiados um de cada lado do corpo da loira o mantinham suspenso. Aproximação era uma de suas táticas mais básicas quando se tratava de garotas.

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Porque não tem graça ser legal? Eu não tenho o humor de uma velha, apenas não gosto de gente desagradável igual a você. Para fazer o quê? Beijar a primeira pessoa que ver na frente, dançar como se estivesse procriando e beber até entrar em um coma alcoólico? Prefiro o meu chá e os meus livros.
Pra você não deve ter, realmente. Faz questão de não ser. Ah, não fale assim, senão eu choro! Sempre sou tão agradável com você... Não entendo o motivo de tanto desprezo. Você tem uma visão bem curiosa do meu modo de vida. Me ofenderia se fosse outra pessoa. De qualquer forma, minha vodka russa faria você esquecer o chá em dois tempos, e quanto aos livros... Não sei, de que tipo gosta? Romance meloso? Contos de fadas? Aventuras sem propósito? Minha presença é bem mais animadora.
Não deixarei de me preocupar até que seja o nome Durmstrang a aparecer em primeiro lugar. Você sabe, melhor um pássaro na mão e todo o resto. Além disso, chega a ser irritante ouvir certas conversas até mesmo entre alguns professores. Você não imagina o quão terrível foi quando estávamos em último e, além de se vangloriarem ou prometerem melhorar na próxima, ambas as escolas se uniam para fazer piadas. Os últimos resultados me deixaram menos preocupada, sim. Mas não satisfeita. E prefiro pensar que sou mais justa do que competitiva. Afinal, não é nada além de justo que a melhor escola, a nossa, ganhe essa taça. Talvez isso também seja uma das características dos Feuers.
Gosto da forma como pensa. É quase como se lesse meus pensamentos. Na verdade eu imagino, sim, já que os alunos, tenho certeza, conseguem ser piores que os professores nesse aspecto. Como se a situação fosse permanecer assim por muito tempo. Pfff... Deixe que se vangloriem enquanto podem, Moira. Logo assumiremos nossa posição de direito. É por isso que é minha professora predileta! ––––– depositou um beijo estalado no rosto da mulher, sentindo que tinha algum tipo de intimidade com ela depois de todos aqueles anos de aulas de voo. ––––– Feuer proud. Sempre. Um dragão nunca deixa de ser um dragão.