Destino
Eu amo, sabe? Amo de verdade. Para valer. Daqueles amores à flor da pele. Daqueles que exalam sua fragrância a quilômetros de distância. Desses, mesmo, que um estranho consegue ver nos meus olhos enquanto caminho ao lado dela. Bem-aventurado quem se aproxima de nós e me fala: - É radioativo isso que trazes contigo dentro do peito. Senti quando os vi. Ou melhor, quando lhe vi contemplando-a com teus olhos tomados por paixão. Recomendo que procure um médico. Se me permite, um dos bons. Precisa tomar uma dose de realidade. Está doente! Morrendo! De amor… Eu a olho enquanto o estanho fala. É recíproco o olhar. É verdade cada palavra que sai da boca do estranho. Eu rio, constrangido. Ela ri da minha timidez. Se aproxima do meu ouvido e sussurra: - É contagiosa a tua doença. Ou melhor, a nossa doença. Nos infectamos no mesmo instante. Cá estou eu, de alma despida à tua frente. Que me dizes? - Calma, calma, calma! É contagiosa a nossa doença. Têm os mesmos sintomas. Cá estou eu, de alma despida à tua frente. É isso que lhe digo! Somos iguais, meu amor! De alma e coração! É harmônica a nossa conexão. Sinta! É música! Encontro celestial de duas almas que vagaram o Universo se procurando. Se encontraram! Escute as batidas dos nossos corações! São idênticas! Vibram no mesmo tom! Gritam ao mundo que estamos morrendo. Que me dizes? - AQUIETE-SE, MOÇO! ELA ESTÁ MORRENDO TAMBÉM! - Diz o estranho. - De amor… - Completa ela. A olho. Meus olhos marejados. Sorriso no rosto. Lágrimas e sorriso em perfeita harmonia. Como nós: se completam. Transmitem perfeitamente o que sinto. Falam fluentemente a língua do meu coração. Traduzem com maestria! Almas das nossas almas despidas, uma à frente da outra. ALMAS DAS NOSSAS ALMAS! Nos voltamos. Perguntamos, juntos, ao estranho: - Afinal, quem é você, que fala com propriedade do que sentimos? - Oh! Peço perdão por não ter me apresentado! Eu sou quem existe para que o amor de vocês possa acontecer. Meu nome é Destino, e é um prazer lhes conhecer.
- Pedro Bedaque.















