Ouvir a voz da loira foi um chamamento à sua sobriedade. O sorriso embriagado foi se desenhando nos lábios e os olhos, estreitados para enxergar naquele ambiente noturno, pareciam brilhar. Deu de ombros com o convite de guerra que era ofertado pela Muller, não tão disposto a prestar os debates que anteriormente havia proposto. "Se te ofende a entrega da culpa, aceito divida-la com você. Com todo o prazer."
Seus olhos seguiram escorregando pelo corpo da loira, como se escrevesse mentalmente cada detalhe daquele vestido. Facilmente acharia um igual, facilmente poderia achar outro melhor. Mas daria tempo para que a fúria semeada em Ashley se dissipasse. "Sinto muito! Era um belÃssimo vestido, trazia um semblante muito elegante para você." Os elogios fugiram de seus lábios amargos pela bebida e, logo que fora atingido pelos espinhos lançados pela loira, buscou erguer as mãos em uma suposta rendição. "Não sabe como me ofende quando me chama de herdeiro!" Balbuciou em tom jocoso. "Sabe, não é nada ruim ter milhões na conta, independente de ser começou ou final de mês. Viver em uma eterna férias de verão, fugir das estações cinzentas entre os hemisférios. Acho que essa vida cairia tão bem em você quanto caiu sobre mim, poderia experimentar." Apontou para a dama em uma brincadeira, como se estivesse ofertando uma bronca marota. "Todo esse rancor expressado é um desejo reprimido, talvez seu desejo seja a vida que tenho."
Exausto de pisar em cascas de ovos, suspirou como abandonasse qualquer sinal de ira. "Sabe, eu não estou no menor clima de discutir com você ou ouvir suas petulância de praxe, quero muito me divertir e receber meus convidados. Como você é um deles, aceita uma rodada de drinks? Assim poderÃamos conversar sobre algo além de dinheiro e negócios. Posso te ouvir falar sobre o que quiser enquanto aguarda meu pai passar por aquela porta, coisa a qual garanto que não irá acontecer já que ele está completamente entretido com a nova secretária dele."
Um suspiro escapou de seus lábios. Não queria nada do rapaz, mesmo sendo algo hipotético. - Não quero que você faça nada. Obrigada. - Era óbvio o tom de irritação, mas diminuindo seu nÃvel aos poucos. Ela foi relembrando que não deveria dar o gosto de que estava sendo afetada e/ou perdendo o controle, principalmente para os possÃveis "inimigos" de sua vida. Era uma lição que precisou aprender desde a infância ao seguir os passos de sua mãe e a avó. E, à s vezes, Ashley não gostava disso. Queria ter a possiblidade de poder dizer o que sentia de verdade, e não viver com uma máscara de forte o tempo todo. No entanto, não era o momento.
Seus olhos ficaram ainda mais sérios do que nunca, após os elogios dele. Foi estranho, ela admita para si mesma, pois acreditava que não fazia sentido o cara com quem estava tendo conflitos lhe elogiar. Então, acreditou de imediato no pensamento de que o outro estava brincando com sua cara, e riu baixinho. Ou, pelo menos, achou que tinha sido baixo, pois percebeu em segundos alguns olhares tortos em direção à eles. Sua postura se recompôs, assim como sua expressão: - Não. Simplesmente você não está sendo honesto, então, não peça desculpas. E nada de elogios. Não sou sua amiga nem nada. - Revirou os olhos rapidamente. Queria poder atingÃ-lo de alguma forma, mas parecia que Flynn tinha uma armadura ou algo do tipo. Ashley sentiu uma pequena inveja brotando em seu coração, mas não era sobre o dinheiro. E sim a capacidade de continuar de boas. - Não, obrigada também. Dinheiro não é tudo, poderia pensar desse jeito. FamÃlia é mais importante. Ver o sorriso dos seus clientes quando você interage com eles, trazendo também a comida preferida. Isso que é importante. Mas, talvez você não esteja acostumado com isso, já que fica o tempo todo na sua torre de castelo. -
Piscou os olhos, surpresa. Por um momento, não soube exatamente o que lhe responder, olhando para o resto do copo em suas mãos. - Sabe, Flynn… - Olhou para ele. Não com um sentimento de raiva, apenas de cansaço. - Não desejo sua vida. Você pode ter tudo a qualquer momento, e eu não. Mas está tudo bem assim. Tento apenas preservar o que a confeitaria realmente significa para mim e para minha famÃlia. É isso. - Deu de ombros, sem brigas nem nada. Apenas aquilo.
A proposta parecia interessante, visto que Ashley estava cansada de lidar com toda a ira que tomava conta de si nos últimos anos. Talvez fosse bom relaxar. Ela queria relaxar, mesmo se isso significasse estar ao lado dele? - Sinto muito pela sua mãe. - Foi o primeiro comentário que lhe veio a cabeça quando tentava ainda decidir se iria topar a ideia. - Um motivo, de verdade. Para eu ir com você. - Se fosse convencida, Ash não negaria nenhuma rodada.















