(post trazido direto do antigo blog)
Acabei de terminar, pelo segundo ano, o ~desafio #31moviesin31days [que eu chamei de 31 days of horror]. Não sei se tão obvio assim, o desafio consiste em assistir um filme de terror por dia durante outubro.
Pros migues que curtem filme de terror e estão em busca de coisas novas, vou deixar aqui minha humilde opinião sobre os filmes que assisti. Sempre que posso, assisto filme sem saber nada sobre. Pra não estragar história/reviravolta/final, vou tentar ser genérica e dar informações básicas sobre cada um.
Pra quem eu não conheço e caiu de paraquedas aqui, vale dizer também que, a principio, não vou trabalhar com avisos de gatilhos. Vou dar uma ideia do que esperar e comentar se achei pesado ou não. De qualquer forma, se você é sensível a alguns temas, recomendo fortemente não ver filme de terror…
Quando comecei a escrever esse texto, já na reta final do desafio (são 22h06 do dia 26 de outubro de 2023), já tava na vibe “Mais um ano me entupindo de terror e sobrevivendo pra contar a história”. Lembrei de um ~desafio que vi no tiktok de um cara que ia passar um mês ~atentando bruxas e ver o que acontecia com ele. Agora já tô escrevendo no penúltimo dia (30 de outubro, 23h07) e não tive experiência com pesadelos, luzes piscando, sons ou cheiros ~esquisitos [só a fumaça mesmo .-.], nada de assustador. A energia pairando tá esquisita, mas é mais pela época do que por qualquer filme que tenha visto. (apesar de que hoje vi o ~pior de todos….)
Algumas infos interessantes antes de começar:
Ano passado consegui montar a lista final com mais facilidade que esse ano. Coloquei muito filme que depois não consegui achar, mais da metade do tempo a lista teve uns 40 filmes, até finalmente achar todos e fechá-la em 31 (já na última semana). Pra quem quiser fazer a sua, recomendo começar a ir atrás dos filmes (ou das datas de lançamento) pelo menos um mês antes pra ter a lista final antes de outubro.
Este ano também usei tags pra marcar os filmes e agora tenho os seguintes dados: dos 31, 13 foram dos EUA, 4 da França [e alguns + Bélgica], 3 da Austrália, 3 do Reino Unido, 2 filmes brasileiros, 1 argentino, 1 japonês, 1 holandês, 1 da Coréia do Sul, 1 da Espanha e 1 da Noruega. A meta vai seguir sendo aumentar os filmes de fora do EUA.
Tem muito subgênero no terror, vou me aproveitar disso pra organizar eles por aqui. Vou tentar usar os mais óbvios, ou seja, se já dá pra saber que é de zumbi, vai pro grupo das criaturas/monstros.
Ano passado percebi uma temática mais recorrente a envelhecimento/idosos nos filmes. Esse ano achei que os temas mais fortes foram em volta de “crianças”. Alguns eu realmente nem recomendo pra quem tem filhes.
Mais uma vez pra lembrar que não vou avisar gatilhos que podem ser spoiler também, mas vou tentar dizer o que/quem acho que deve evitar.
Bora lá então pra listinha:
Situações que vão se agravando/Viagens: Vou começar com filmes que admito ter dificuldade de colocar em uma categoria que servisse bem. Moon Garden (2022, Stremio) é uma viagem, real. O filme se passa basicamente na “mente” de uma criança; o fator assustador é na visão infantil, eu diria. Fiquei de cara com a atuação da personagem principal, uma criança de cinco anos e AMEI também a ~vibe do filme (estética? cinematografia? direção de arte?) . Swallowed (2022, Stremio) eu pensei em colocar como criatura, mas a verdade é que a criatura é o de menos no filme (ou de nada mesmo). Aqui é só uma situação que vai se agravando. Tem morte, mas nada muito explícito. Meio bobo, vi pela Jenna Malone.
Vou colocar nessa categoria o As Boas Maneiras (2017, Netflix). Acredito que o tema central dele pertence a outra categoria, mas como não acho SUPER óbvio [claro, se você ler algumas sinopses, tá lá…], vale ir ver sem saber. No final das contas, não deixa de ser uma situação ~do dia a dia que realmente só vai ~piorando. Achei a proposta diferente, os elementos foram interessantes e realmente fiquei surpresa com o conjunto, mesmo com algumas questões fracas [alguns efeitos, algumas atuações]. Só não precisava ser tão longo assim. Não é assustador e vale MUITO pela Marjorie Estiano (acho que nunca vi ela tão linda, inclusive).
Conclusão: Super leves, nem parece que é terror, dá pra assistir de boassa.
Assassinos/Slashers: Aquela formula clássica do terror que, se usada da forma correta, gera nada mais que um bom entretenimento. De todos o que vi nesse estilo, só não curti muito Totally Killer (2023, Netflix). Elenco e atuações ok, mas a história peca MUITO, inclusive quando se tem o maravilhoso The Final Girls (2015) que eu acho que trabalha a história (e um certo drama) bem melhor.
Ainda na vibe Girl Power (as que sobrevivem ou as que matam), ainda tem Revenge (2017, Stremio) [nome bem explicativo], que é meio ~surreal [o jeito que ela se ~machuca, hmm, foi bom foi bom] mas vale. Sick (2022, Stremio), com o único diferencial sendo a pandemia. Candy Land (2022, Stremio), The Columnist(2019, Stremio) e Tragedy Girls(2017, Stremio) [com o plus de ~filme adolescente] poderiam entrar na categoria perturbação mental também, mas como tem ~mais vítimas, entrou aqui. Valem a pena pelo elemento da história que deixa ela um pouco mais original [Candy Land se passa numa daquelas paradas de caminhão, The Columnist e até Tragedy Girls parecem um epi perdido da época boa de Black Mirror]. E Midnight (2021, Stremio), que foi uma surpresa: AMEI o estilo [cinematografia? Estética? VIBE?] do filme. É bem mais psicológico e o elemento original dele eu diria que é a perseguição noturna mais “clara” que já vi [tenho problemas com filmes muito escuros].
Daí fecha a vibe GP e sobram Kill List (2011, Prime Video) e The Passenger (2023, Stremio). O primeiro eu admito que talvez nem caiba aqui, mas na teoria é o ~assunto do filme. Pra mim foi um dos filmes que deve ter feito sucesso na época, mas hoje em dia perdeu parte do impacto. O segundo é bem história americana mesmo, o cara “normal” que surta e sai matando por aí. Mas aqui achei que teve mais ~pano de fundo do que o normal. Curti.
Conclusão: Nenhum deles é muito assustador, rola umas mortes interessantes mas nada demais. Diria que são ~leves.
Monstro/Criaturas: Aqui temos criaturas distintas: bicho papão em The Boogeyman (2023, Stremio). Não achei que fosse me assustar, mas a verdade é que tenho uma ~incomodação com escuro e algumas cenas desse filme mexeram comigo nesse sentido [hehe]. Temos também alienígenas em No One Will Save You (2023, parece que tem no Mubi ou Star+ mas vi no Stremio mesmo). Não sou muito fã deles, mas achei interessante a pegada do filme: tem um elemento que achei que funcionou legal mas pode não servir pra todes. Não vou dizer o que é porque acho legal de perceber enquanto assiste o filme (mas se alguém assistir e quiser saber, só me perguntar). E The Night Eats The Worlds (2018, vi em francês no Stremio, mas tem em inglês no Prime Video) com os zumbis. Sou suspeita pra falar porque tenho um crush enorme no Anders desde The Worst Person In The World, mas esse também tem um elemento MASSA em relação aos zumbis que ainda não tinha visto ser feito. A pegada do filme também deixa ele mais próximo do que seria uma invasão ~real, ele já é mais lento por natureza. Mas vale a pena, o final me pegou.
Conclusão: Aqui a gente já vê mais do terror, diria que é mais assustador pra quem tem medo dessas criaturas. Se não, dá pra ver de boas também.
Perturbação mental: Devo dizer que essa categoria era a que eu menos curtia por geralmente ter histórias irregulares (sim, eu gosto mais das coisas lineares), mas acabei começando a tomar gosto pelo sentimento de “WTF tá rolando aqui?!?!”
O bom é que é um ~subgênero oposto ao repetitivo. As perturbações dificilmente vão ser as ~mesmas, sempre cruzam algumas fronteiras [hehe].
Começando com a ~mais leve: Mother May I? (2023, Stremio) . Aqui achei mais um lance psicológico do que assustador. Gostei da premissa da história, mas achei a execução prejudicada. Fiquei pelo Kyle Gallner (que esse ano foi o ator repetido da vez, aparecendo em The Passenger também). Daí vem O Animal Cordial (2017, HBO/MAX) [Friendly Beast!!!!]. O choque eu tive de ver ninguém menos que Murilo Benício perturbadíssimo. Achei de alto nível, história e atuação a altura, empolgante a experiência de ver um terror brasileiro bom.
Aqui é ladeira abaixo. Censor (2021, Stremio) é uma parada familiar e o elemento original dela é falar de uma profissão que muita gente nem se toca que existe e em si já é um terror. Eu tava torcendo pra ir numa direção, mas a mana principal vai ficando mais perturbada ainda… enfim, com certeza top 4 dos meus favoritos desse ano (meu gosto é peculiar). E Titane (2021, Stremio), o que falar dessa onda? Eu não sou fã de body horror (tentei gostar do David, mas até agora só tive sucesso com o Brandon) mas esse filme me ganhou numa das primeiras cenas tocando uma música que eu amo e acertando 100% na vibe da cena. Daí eu até me perdi um pouco no que rolou, mas consegui voltar. Surreal o rolê… Beaten to Death (2022, Stremio) é literalmente o que nome diz. Não curti muito não porque a história não é linear e, modéstia a parte, não achei que foi uma boa decisão não. Tanto é que perdi o foco e o twist do filme. Mas pra quem curte gore, é uma boa pedida. Good Boy (2022, Stremio) chegou como indicação do Thiago. Tem uma premissa interessante, mas cai muito nos clichês e se torna muito previsível. O que não impede de ser agoniante. Agora o que falar de Kotoko (2011, Stremio)?! Não dava nada por ele, achei sem querer buscando completar minha lista de filme e rolou um leve trauma. Tem MUITA cena boa, surreal, assustador. Não tem muito bem como saber né, mas se a gente fosse imaginar como é um distúrbio psicológico, eu sinto que esse filme chega bem perto. Inclusive essa review ficou na minha cabeça:
“o som específico que a lâmina de barbear de Kotoko faz ao passar pela parte interna do braço - um ruído seco e áspero como papel - isso parece real. o mesmo acontece com a incapacidade de Kotoko de funcionar como trabalhadora, sua luta com a ação manual de sublinhar uma palavra em uma página (isso parece ser a totalidade de seu trabalho).”
Não recomendo para pais, a crisação é terrível. Também tá no meu top 4 favoritos.
Conclusão: Esses aqui eu digo prossiga com atenção. Alguns são mais distantes da realidade, outros muito próximos e podem mexer real com a cabeça.
Possessões/Maldições: Outro subgênero clássico, deixei por último porque teve bons títulos e alguns conhecidos que nem foram tão bons assim (sim, estou olhando pra você, Exorcista).
Começando com Venus (2022, HBO/MAX) que foi o primeiro que assisti porque tava viajando começo de outubro e precisava de filmes que tivesse em alguma plataforma de streaming. Vem de novo pro rolê Girl Power e tem um pouco de tudo: gore, fantasma e possessão. A história parece ser boa, mas acaba se enrolando com muito elemento. Ainda assim vale a pena pela atuação da Ester Exposito.
Já His House (2020, Stremio) eu só descobri e vi por indicação da minha mais nova amiga do terror, a Vivi. Amei que o elemento original da história pega muito na cultura e no contexto dos personagens. Ainda não tinha visto sendo feito desse jeito. Tem umas cenas assustadoras e uns jumpscares bem dignos.
Relic (2022, Stremio) parece ser bem misterioso no começo, mas conforme a história avança, os problemas vão ficando mais claros. Em alguns momentos me pareceu muito um filme de terror conhecidíssimo e também um que vi ano passado, mas se comentar os nomes, acho que entrega detalhes legais da trama. Mas fica aí registro que achei na mesma ~pegada. Cara, The Advent Calendar (2021, Stremio) foi uma surpresa. Lembro que vi esses tipos de presente (que a pessoa ganha um presente por dia até chegar em uma certa data, geralmente o aniversário) pela primeira vez ano passado no tiktok. Achei legal a ideia no filme, além da personagem principal estar em uma cadeira de rodas. Pegou em alguns assuntos delicados, mas achei que a história funcionou, apesar de não ser a coisa mais assustadora da vida.
Aí tenho que falar dele: The Exorcist: believer (2023, tava nos cinemas). Eu não sabia o que esperar, nem trailer tinha visto. O começo foi SUPER promissor, depois a história foi decaindo até se tornar repetitiva e sem graça. O mais triste é que dava pra ter aproveitado tão bem, sabe?! Uma pena. Filme de possessão assim não tem muito como fugir dos clichês né, eles crescem mesmo nos detalhes, nos elementos originais da história. E aí o Godless (2023, Stremio) arrasou. Não achei que pudesse ver um filme de possessão e gostar tanto. Não lembro se esse fui sem saber de nada, mas tem um detalhe que se você ler a sinopse já entrega, que faz a diferença. A pegada dele é diferente também, tem um pouco da visão da possuída que achei bem interessante. Curti pra caramba, tá no meu top 4 de favoritos. E o último, também no top 4 está When Evil Lurks (2023, Stremio). Vi que estavam falando dele por aí, mas evitei ler o máximo que pude pra ir bem tranquila ver, sem esperar muito. Totalmente NÃO RECOMENDADO pra quem tem estômago fraco [se achou Speak No Evil pesado, fique longe]. Não esperava que fosse ser bem feito na maior parte do tempo, nem que iriam sem pena no gore, nem só isso, mas também é explícito na maior parte. Eu particularmente curti a história, achei massa que todo mundo acredita no sobrenatural desde o começo, sabe? Não tem aquela perda de tempo de desconfiar se é ou não real. É sério e assustador desde o começo. Faltou um pouco mais de história, mas sinceramente no caso desse filme isso não me incomodou. Única coisa que eu não curti é que tem aquele personagem que ferra com tudo o tempo todo, fiquei estressada [haha].
Conclusão: Os filmes daqui também são pesados. Indico só pra quem já tá acostumado com terror e curte gore/cenas fortes.
E assim ficam os filmes de terror em 2023. Ano que vem tem mais e maior hein (será se vem aí o 100horrormoviesin92days?!)
E se por algum motivo rolar curiosidade de saber quando/em que ordem assisti esses e os do ano passado:
31 days of horror 2023 | 31 days of horror 2022
Fiquem com a Deusa e até a próxima!