Claire Keane
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@descondensar

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Palavras ansiosas
Estou mergulhando involuntariamente. A água é muito densa e escura, não há correnteza ou repuxo. Mas algo muito mais forte me impede de voltar à superfície, algo que me toma o peito e a mente. Já não sei o que, ou quem, sou. Estou inconscientemente alerta. Ouço apenas o silêncio atordoante, aquele que machuca os ouvidos e pesa os olhos. Olhos paralisados, mirando o nada. O oxigênio não é suficiente em meus pulmões. Pensamentos confusos tornam a minha visão mais turva, e a ânsia mais intensa. Ânsia pelo ar, pela luz, pela tranquilidade. Ânsia infindável, que me toma e me larga, me toma e me larga, vai e vem sem avisar.
Estou atravessando a ponte velha e quase partida, entre o vazio e o incerto. O vazio sempre foi cômodo e seguro, entretanto, denso, plenamente denso. A constante presença do nada, torna-se sufocante como o ar excessivamente úmido em uma tarde nublada antes da chuva. Andar por essa velha ponte, é como andar pela calçada escorregadia quando a chuva começa. Mas há apenas a certeza da incerteza, até que se chegue ao outro lado, que de certa forma, ainda é desconhecido. Talvez a ponte balance, talvez a ponte se parta, talvez eu caia antes de chegar ao outro lado. E talvez eu chegue. Estou andando em terra firme. Estou andando em terra firme? Talvez eu esteja andando em terra firme. Talvez eu tropece e a terra vire pedra. Talvez eu deite e fique por aqui, fincando raízes no solo, sem estar só.

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A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.
Arthur Schopenhauer (via estopins)
Diga-me o teu nome / A tua morfologia eu quero estudar / Deixe-me ler os teus olhos / Amaciar teu peito, suspirar teu pranto / É que eu morri de encanto / Deixe-me navegar nas ondas da tua voz / Sei que o tempo é veloz quando somos só nós / Mas é que eu morri de encanto / Deixe-me acariciar o teu rosto macio / Observar e guardar cada um dos teus traços / É que eu morro de encanto / Afrouxes o teu riso, e olhes para mim / Não te movas / Pois quero desenhar-te / Fazer-te arte / Ser tua parte, por toda parte / Porque eu morri de encanto

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By Cassie Charity on flickr

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A solidão não é um tédio, é um remédio. É na solidão que travamos as melhores conversas de nossas vidas, porque só em silêncio absoluto é possível ouvir a voz do nosso próprio coração. É quando a boca se cala, não há ninguém para trocar palavras e nem sorrisos, que devemos buscar a nós mesmos. Notem que as pessoas que detestam ficar sozinhas, são as mais desesperadas pela fuga, assim como crianças que fogem das lições dadas pelos pais. A solidão é um luxo, não um lixo. Nos aproxima de nós mesmos, como nada mais faz. As melhores ideias certamente surgiram nestes momentos introspectivos e trancados numa sala vazia. Livros surgem, é claro, pela observação do mundo mas, depois disso, são necessários inúmeros momentos de reflexão e solidão. Porque somos aquilo que somos, sem medo ou vergonha. Quem tem medo de ficar sozinho, tem medo da própria repressão. Tem medo do próprio julgamento. Mas quem é que pode crescer sem uma briga interna? Devemos travar nossas próprias batalhas para desenvolver nossas estratégias de guerra. Chorar, ler um livro, inventar teorias sobre o universo, criar um poema, estudar toda a matéria de história e tentar ligar os fatos, cantar uma música nostálgica, abrir uma página qualquer de um livro qualquer e, a partir daquele trecho, tentar se lembrar da continuação. A solidão é uma dádiva, não uma dívida! Falar sozinho, rir para o espelho, olhar para o teto, fazer uma obra de arte, ver fotografias. Alguém duvida de que são esses os momentos em que nos encontramos? Alguém duvida de que no choro, refletimos sobre felicidade; no livro, sobre metalinguagem; na música, sobre o que éramos algum tempo antes e no espelho, sobre quem somos hoje? É um encontro do eu com o eu. E quer alguém melhor para nos entender do que nós mesmos? A solidão tem mais vantagens do que se pensa.
Rio-doce. (via clamam)