Apenas um movimento, um simplĂłrio gesto, demarcou o momento em que todo seu sofrimento se esvaiu. A cena inteira se passou num recorte de segundos e o estrondo pontuou o corpo da jovem indo de encontro ao chĂŁo. Todo e qualquer resquĂcio de vida se desprendendo do invĂłlucro de carne que lhe serviu de morada todos aqueles anos num sopro. Apenas o silĂŞncio aterrador ficou para trás, sufocando o cĂ´modo pĂştrido, pairando como um abutre sedento por carne. O lĂquido viscoso pintava o piso dum atĂ´nito escarlate. Era como se o vermelho e o negro se unissem para o ato final duma sonata melancĂłlica, desconcertante, onde o par de olhos num intenso negrume conduzia a beira do precipĂcio sem fim. Aquele par de olhos Lucille conhecia bem, embora em outra ocasiĂŁo tenha sido ludibriada a crer que eram melĂfluos, dotados duma doçura que acalmava atĂ© os temores mais profundos e desesperados de vĂŁs corações. Para o seu horror, pobre Lucille, seu coração nĂŁo mais encontraria a paz de outrora, apenas a sombria queda para Luga Nenhum. Em meio ao caos que aquela visita causara, a moça infortunada havia provado numa tacada sĂł uma descarga dos mais viscerais desesperos. Aqueles segundos que ficara suspensa num limbo, onde a voz fria tocava sua audição num looping agonizante, foi onde descobrira algo pior do que ter seu fio de vida escorregando entre dedos frouxos. – Abra a porta













