Observando-os de longe eram todos iguais; pois bem, observando-os de perto também eram todos iguais. A mesma multidão que vagava formando um imenso vazio. Nada neles me encantava, pelo contrário, me contaminava. A cada fração de segundos, viver na civilização com uma sociedade imensamente vazia me corroía, me dilacerava. Era a mesma volta do relógio lenta e pesada; cem dias em vinte e quatro horas. Uma sociedade sem amor, só rancor, somando apenas dor. Cansei-me e então fugi. Dei por fuga. Me isolei em um lugar que jamais me encontrariam; me escondi dentro de mim. Agora, olhando daqui, olhando de dentro para fora, percebo que foi melhor assim. Não há muito para se fazer em espaços cheios de vazios. Eles sufocam. Sem ar pessoas morrem. A sociedade morta, mata.
Sociedade Morta (via cupulapoetica). (via cupulapoetica)



















