tĂŽ com saudade
mas ainda nĂŁo sei do quĂȘ
talvez seja de mim
do que jĂĄ fui
ou que gostaria de ser
jy.
Monterey Bay Aquarium
Three Goblin Art
TVSTRANGERTHINGS
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH

JVL

PR's Tumblrdome
todays bird

Kaledo Art

Kiana Khansmith

JBB: An Artblog!
we're not kids anymore.

ellievsbear
Cosimo Galluzzi
Sade Olutola

shark vs the universe
hello vonnie
NASA
I'd rather be in outer space đž
will byers stan first human second

seen from Germany
seen from South Korea

seen from Malaysia
seen from TĂŒrkiye

seen from TĂŒrkiye
seen from China

seen from Brazil

seen from Portugal
seen from United Kingdom
seen from Brazil
seen from France

seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States

seen from Canada
seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from United States
@criador
tĂŽ com saudade
mas ainda nĂŁo sei do quĂȘ
talvez seja de mim
do que jĂĄ fui
ou que gostaria de ser
jy.

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch âą No registration required âą HD streaming
Epifania Abissal
EntĂŁo, inesperadamente, submerso em pensamentos, eu começo a afundar, afundar, afundar⊠As bolhas de ar começam a subir, subir, subir⊠E a luz da superfĂcie começa a sumir, sumir, sumir⊠E, de repente, minhas costas tocam a terra que descansa no fundo do oceano. O cĂ©u que vejo Ă© azul escuro aguado, com relapsos vagos de claridade e um silĂȘncio distorcido. Quanta profundidade cabe dentro de uma alma tĂŁo frĂĄgil? Quantos pensamentos uma mente de cristal Ă© capaz de processar sem trincar? A vida, o mundo e as pessoas⊠Tudo Ă© tĂŁo confuso. Eu sou da vida, eu sou do mundo, eu sou pessoa: existe confusĂŁo em mim. A maneira visceral de me reconhecer nesse exato segundo, e no prĂłximo centĂ©simo nĂŁo fazer a menor ideia de quem eu sou, me assusta, me apavora. Quantas metamorfoses sĂŁo necessĂĄrias para chegar Ă versĂŁo final? Quantas dores sĂŁo precisas para imortalizar a lição? Quantos beijos perdidos para encontrar o amor? Temo perder meu tempo em um contratempo por nĂŁo perceber a tempo que ali nunca foi o caminho certo.
NĂŁo hĂĄ aviso, estrondo ou despedida formal, apenas o corte seco de uma lĂąmina invisĂvel que separa o antes do depois. Um sentimento inteiro silencia, uma expectativa morre asfixiada pela pressa do relĂłgio e o mundo segue como se nada tivesse acontecido. Desse modo, a vida se esfaz nĂŁo pelas grandes tragĂ©dias planejadas, mas pelos pequenos lutos diĂĄrios que acontecem no espaço exĂguo de um piscar de olhos.
âMeu coração tem segredos que movem a solidĂŁo.â
â Detonautas.
O vazio nĂŁo Ă© ausĂȘncia; Ă© territĂłrio fĂ©rtil para outras coisas.
Caderno do Vazio

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch âą No registration required âą HD streaming
âO vento soprou e eu me envergava junto com ele. Queimando no sol e me afogando na chuva. Querendo me mover porĂ©m com minhas raĂzes fixadas no chĂŁo. Pessoas passando ao redor sem notarem a minha existĂȘncia e as que notaram queriam me levar, me tirar da minha zona de conforto e me colocar em um vaso para exibição. Mas minhas raĂzes sempre fora fortes e elas nĂŁo conseguiam. Alguns animais vieram e com a mesma intensidade se foram. E eu continuei queimando no sol e me afogando na chuva. Assistia a vida passando, a cidade em sua imensa correria. VĂnculos sendo criados e se desfazendo. O tempo foi passando e o sol queimava mais, a chuva me deixava totalmente sem ar. Um tempo depois os animais nĂŁo me visitavam mais, a vida ao redor deixou de ser interessante.â
â
Minhas pétalas foram caindo, pedaços de mim levados pelo vento.
A vida nĂŁo ficou perfeita. Mas ficou mais minha. E isso, por enquanto, Ă© suficiente.
Escriturias
Minha pior versĂŁo nĂŁo sou eu irritado, sou eu em silĂȘncio, sem vontade de consertar nada.
âPaixĂŁo termina, amor nĂŁo. Amor Ă© aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando nĂŁo funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.â
â Martha Medeiros.
âVocĂȘ conheceu alguĂ©m, conversou, gostou do jeito, do fĂsico e personalidade, ao seu ver, esse alguĂ©m era tudo que vocĂȘ sempre quis e sonhou. NĂŁo que a pessoa seja perfeita, mas, aparentemente, ela se encaixava direitinho no que vocĂȘ procurava. No decorrer das conversas, ao falar de futuro, filosofia de vida, sonhos e conquistas, vocĂȘ percebeu que esse alguĂ©m nĂŁo almejava o mesmo que vocĂȘ. Ele quer coisa de pele, vocĂȘ, coisa de alma. VocĂȘ quer profundidade, ele, um passatempo. VocĂȘ quer amar e ser amada, construir famĂlia, ele, quer somente diversĂŁo e conversas rasas. VocĂȘ falou, demonstrou, deixou claro suas intençÔes e mesmo assim ele nĂŁo quis o mesmo que vocĂȘ. Tudo bem, vocĂȘ nĂŁo fez nada de errado, nĂŁo se culpe e nĂŁo alimente pensamentos que sĂł vĂŁo te deixar mal. VocĂȘ gostou dele, mas ele, nĂŁo estĂĄ em sintonia com vocĂȘ. NĂŁo abra mĂŁo dos seus sonhos e desejos por alguĂ©m que nĂŁo faria o mesmo que vocĂȘ. NĂŁo temos o poder de mudar ninguĂ©m, embarcar em um relacionamento onde nĂŁo existe reciprocidade Ă© mergulhar em tristeza e frustração constante. Nem todas as pessoas que cruzam nosso caminho vĂŁo estar em sintonia com aquilo que a gente sente e procura, por mais que a gente queira, as vezes nĂŁo serĂĄ recĂproco. NĂŁo abra mĂŁo dos seus sonhos, nĂŁo supervalorize uma pessoa achando que nĂŁo encontrarĂĄ mais nenhuma outra. Exitem diversas pessoas por aĂ. VocĂȘ merece alguĂ©m que queira estar em sintonia com vocĂȘ, nos sentimentos, nos sonhos e na vida.â
â Vanessa Maia

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch âą No registration required âą HD streaming
VocĂȘ me causa o impacto de um bom poema, abre meu peito de um lado a outro e me faz imensa.
â Desconhecido
Sinto saudade mas nĂŁo das pessoas e sim dos momentos em que passei com elas.
Vanessa Maia
Eu bebi saudade
A semana inteira
Pra domingo vocĂȘ me dizerÂ
Que nĂŁo sabe o que quer
E nĂŁo quer mais saber.
Esteban
MEDO
Eu sabia que tinha algo de errado com aquela casa velha. Eu nĂŁo gostava de passar em frente, nĂŁo gostava de olhar pra ela nem de andar pelo mesmo lado da rua onde ela se encontrava. Tudo que eu sabia era que lĂĄ morava um velho. Um velho sozinho que nĂŁo gostava de ninguĂ©m e que todos falavam que era uma pĂ©ssima pessoa. Ao contrĂĄrio dele, minha mĂŁe sempre fora muito gentil, e se preocupava com o pobre senhor que ali morava. Vez ou outra ia atĂ© lĂĄ ver se estava tudo bem. No fundo, ela sĂł queria confirmar se o velho ainda estava vivo. Naquela noite, jĂĄ passava das 22h, a rua estava silenciosa, como costuma ser cidade do interior a essa altura da noite. NĂłs ouvimos barulhos estranhos. Ao mesmo tempo que os morcegos estavam inquietos e sobrevoavam nossa casa aos montes, fazendo bastante barulho, uivos eram ouvidos ao longe. Os cachorros da rua, por sua vez, nĂŁo se manifestaram. Estavam quietos, o que por si sĂł era de se estranhar, pois com qualquer barulho, eles eram os primeiros a latir desesperadamente, rompendo o silĂȘncio nas noites mais escuras. O uivo nĂŁo parecia ser de cachorro. O que seria entĂŁo? Lobo? Ali? Certo que em uma cidade de menos de dois mil habitantes, Ă© normal termos avistamentos de animais selvagens, mas lobo? No Brasil, eu sĂł conheço o guarĂĄ. O que poderia ser entĂŁo? Um guaxinim? Eu nem sei que som guaxinins emitem. Como se nĂŁo bastasse toda a esquisitisse, minha mĂŁe "meteu dos pĂ©s", como dizemos aqui no sĂtio. Se inquietou, nĂŁo conseguia dormir. Começou a dizer que tinha algo errado com Seu BenĂ©zio e teve a brilhante ideia de me mandar ir lĂĄ ver como o velho estava. Eu, tentando contrariar todo o pavor que a simples existĂȘncia daquela casa me causava, comecei a reforçar o pensamento de que era bobagem, que nada de errado poderia haver com um lugar que morava um velho ranzinza. Enchendo meu peito de coragem, nĂŁo discuti, acatei o pedido da minha mĂŁe, me levantei, mesmo com sono, e fui de encontro Ă quela residĂȘncia acinzentada, rodeada de mato seco da caatinga, vegetação que nĂŁo devia ser aparada hĂĄ anos. Como nunca tinha visto o velho, fiquei um pouco receoso de me aproximar de repente, tarde da noite, e abordar a casa de um desconhecido, entĂŁo bati palmas. Uma voz grossa, seca, vinda de dentro do pulmĂŁo, ecoou por todo o ambiente. Aquilo me deu arrepios. Nunca tinha ouvido nada igual. Era um tom grave, mas como se a garganta daquela pessoa estivesse completamente comprometida. Disse que era o vizinho e perguntei como ele estava. O velho se mostrou incomodado de estar sendo perturbado e respondeu rĂspido que estava bem. Fui subindo os degraus da porta, pois estava aberta e eu queria olhar para o velho e mostrĂĄ-lo que aquilo nĂŁo passava de uma visita amigĂĄvel de um vizinho que se importava. Tamanho foi o meu espanto quando me deparei com o que vi. Um corpo muito magro sentado sobre uma rede, poucas mechas de um cabelo cinza sobre a cabeça. Mas o rosto, o rosto me causou arrepios e fez o meu estĂŽmago se revirar. A cara do velho estava completamente pra dentro, afundada, com um aspecto seco, como se fosse de cimento. Um rosto de pedra, Ă© como melhor consigo descrever. E os olhos brancos, como se ele fosse cego. Mas por algum motivo, sua cabeça acompanhava os meus movimentos, como se olhasse diretamente pra mim. Eu travei, tenho certeza que nĂŁo consegui esconder o meu espanto. Engoli a seco e me desculpei pelo incĂŽmodo. Dei as costas para aquela face demonĂaca e voltei correndo para casa. Senti a minha espinha congelar e as pernas tremerem. Ao retornar, esbaforido, contei o que vi pra minha mĂŁe que imediatamente brigou comigo. Disse que o velho sofria de uma doença rara que os mĂ©dicos sequer conseguiam identificar, e que por isso se preocupava tanto, ela achava que a qualquer momento ele poderia passar dessa para uma melhor. Eu nunca mais voltei Ă quela casa, nem nunca fiquei sabendo se o velho morreu. Mesmo anos depois, eu ainda tenho pesadelos com aquela cara me encarando, acompanhada daquela voz sombria que sĂł de me lembrar, tenho arrepios.

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch âą No registration required âą HD streaming
Abissal 2
VocĂȘ me trouxe um milhĂŁo de coisas boas, e eu nunca vou esquecer nenhuma delas, mas eu preciso acreditar que eu sou uma pessoa, um ser inteiro, que nĂŁo depende de vocĂȘ para existir. E eu lembro quem eu era. Eu era tĂŁo cheio de mim, cheio de certezas, cheio de crenças. Mesmo nas inseguranças, eu era otimista. Eu queria o mundo na palma da minha mĂŁo. Eu podia tudo, eu me sentia inteiro, um sĂł, completo. Ă disso que eu sinto falta, sinto falta de ser completo sendo eu mesmo, e sĂł. NĂŁo sei se vocĂȘ gostaria dessa pessoa, pois pra vocĂȘ entrar, eu tive que expulsar ela de dentro de casa. Eu tive que ceder espaços, abrir cĂŽmodos pra vocĂȘ passar, pra vocĂȘ se acomodar aqui dentro de mim. E todos esses anos foram muito cĂŽmodos pra nĂłs dois. Sempre foi fĂĄcil querer as coisas quando agĂamos em conjunto. Foi mais fĂĄcil correr atrĂĄs dos sonhos, enfrentar desafios. Quando unimos nossas forças, nĂłs nos tornamos imbatĂveis, mas em meio a isso, um pouco da nossa individualidade tambĂ©m se perdeu. Eu nĂŁo sabia mais se os lugares que alcançåvamos, eu ocupava por que queria ou por que era confortĂĄvel estar lĂĄ com vocĂȘ. Eu nĂŁo sabia mais se o que eu queria eu queria mesmo ou se eu sĂł aceitava por que tudo se tornava melhor com vocĂȘ. Em certo ponto, deixamos de ser pessoas distintas e nos misturamos. Eu nĂŁo estou reclamando de todas as coisas maravilhosas que essa nossa fusĂŁo nos trouxe. Eu faria tudo de novo. Mas entenda, neste momento, eu sinto falta de saber quem eu sou. Eu nĂŁo sei mais quem eu sou. Eu me perdi dentro de mim. A prova disso sĂŁo as coisas insensatas que tenho feito, as decisĂ”es erradas que tomei, os sentimentos que ignorei, as confusĂ”es que causei. Eu jĂĄ nem me reconheço mais. Parece que todas as certezas que um dia tive a meu respeito, se esvaĂram, e agora nada mais me resta. Eu me sinto completamente devastado, sem rumo, como se nada que do que eu faço tivesse sentido, como se nem mesmo o meu sorriso fosse de fato verdadeiro. NĂŁo me sinto bem profissionalmente, estou cada dia mais longe de ser uma pessoa admirĂĄvel. NĂŁo tenho cultivado boas relaçÔes, nĂŁo sinto como se as pessoas me quisessem por perto. Me sinto um estranho no ninho. Eu nem sei mais qual Ă© o meu espaço. NĂłs sabemos bem o quanto eu ralei nos Ășltimos anos pra tentar criar um lugar pra mim. Foram dias e noites Ă fio na busca incessante de me encontrar, de ter um lar. O pouco que construĂ, o pouco que tenho, foi fruto de suor e muitas lĂĄgrimas. E mesmo assim, no fim das contas, aqui estou, questionando se todo o meu esforço fez sentido. Eu sei que toda essa confusĂŁo esbarra em vocĂȘ. Mas a culpa nĂŁo Ă© sua, isso jamais foi sobre vocĂȘ. Ă sobre mim, Ă© sobre o lugar que eu ocupo no mundo. Parece que metade de mim morre de medo de ficar sozinho, mas a outra metade acha que essa solidĂŁo Ă© exatamente o que eu preciso pra voltar a ser quem um dia fui: completo, inteiro, sendo um sĂł.
Abissal
A verdade Ă© que eu tenho um medo abissal de ficar sozinho. Eu estive sozinho a maior parte da minha vida. Por muito tempo, fui filho Ășnico, por muito tempo, tive poucos amigos, por muito tempo, nĂŁo tive relacionamentos. Toda e qualquer relação que criei foi difĂcil de ser construĂda, atĂ© com meus pais, que estĂŁo lĂĄ desde que eu nasci. E mesmo sĂł, eu tinha medo de ficar pra sempre assim. Era uma sensação de inadequação, como se eu nĂŁo me encaixasse em nenhum lugar, em ninguĂ©m. Eu tinha certeza que por mais que eu me apaixonasse, eu jamais namoraria. Isso se reflete atĂ© hoje nos amores platĂŽnicos que coleciono. Eu nĂŁo imaginava criar um relacionamento com alguĂ©m, me tornar Ăntimo, confidente. Parece que em vocĂȘ eu encontrei o lugar ideal pra mim. E nĂŁo foi nada fĂĄcil, por muito tempo, eu tentei fugir, por muito tempo, eu neguei, e, por muito tempo, me escondi. Mas se tornou inevitĂĄvel. VocĂȘ estava ali, eu tambĂ©m, nossos corpos davam choque, nossas respiraçÔes oscilavam e nossos coraçÔes erravam as batidas. Tivemos que entregar os pontos. Uma relação assim nĂŁo se cria do dia para a noite, se cultiva, aos pouquinhos, de grĂŁo em grĂŁo. E foram anos de cultivo. Por vezes, arrancamos a plantação e juramos nunca mais plantar nada, mas voltĂĄvamos atrĂĄs, e lĂĄ estĂĄvamos nĂłs de novo, um plantando na horta do outro. Foi muita coisa construĂda, muita coisa vivida. VocĂȘ esteve do meu lado em um milhĂŁo de lugares. Porra, vocĂȘ me salvou da morte. Tem como eu te dever mais do que minha vida? Faz muito tempo que eu nĂŁo sei o que Ă© me sentir sozinho. Mesmo quando nos afastamos, vocĂȘ sempre esteve por perto, de olho em mim. Eu sempre tive a certeza de que se eu caĂsse, se eu tropeçasse, vocĂȘ estaria lĂĄ pra me levantar. E foi assim por anos, muitos anos. NĂŁo Ă© como se eu nĂŁo te amasse, nĂŁo Ă© como se eu nĂŁo valorizasse cada instante que vocĂȘ esteve ao meu lado. Ă que estar contigo sĂł pelo que vocĂȘ me proporciona, nĂŁo Ă© certo, nĂŁo Ă© o que vocĂȘ merece. "O amor Ă© uma escolha, nĂŁo uma necessidade! Eu gosto de vocĂȘ, mas eu nĂŁo preciso de vocĂȘ," foi o que vocĂȘ me disse, citando MarĂlia Mendonça, e vocĂȘ estĂĄ certo. O amor nĂŁo pode ser uma necessidade. Eu nĂŁo posso te reduzir a isso. VocĂȘ merece mais, muito mais. Mas o que eu faço com os espaços vazios? Com as noites sozinho, com os shows sem sua presença, com os jantares sem vocĂȘ do lado? O que eu faço ao acordar e nĂŁo te ver na cama? Parece que eu serei condenado Ă solidĂŁo eterna! E como eu disse no inĂcio, eu tenho pavor de ficar sozinho. Eu sei, eu tenho famĂlia, amigos, um trabalho, atividades de lazer. Eu nĂŁo estou necessariamente sozinho. Mas Ă© que o espaço que vocĂȘ ocupa na minha vida Ă© tĂŁo grande que a sua falta deixa um buraco imenso. Como se eu entrasse em uma casa sem mĂłveis, e tentasse viver naturalmente sem nada ao meu redor. Eu nĂŁo tĂŽ aqui divagando em vĂŁo, nĂŁo tĂŽ aqui sĂł pra demonstrar o quanto eu sou confuso, paranoico e contraditĂłrio. NĂłs chegamos onde chegamos por um motivo, e dĂłi no cerne da minha alma admitir que nĂłs sĂł estamos aqui por causa do meu desejo fĂștil de querer saber quem eu sou sem vocĂȘ. E isso nĂŁo Ă© justo, nĂŁo Ă© justo comigo, nĂŁo Ă© justo com vocĂȘ, com nada do que construĂmos. Mas Ă© como me sinto. Parte de mim acredita que eu quero descobrir quem eu sou sem vocĂȘ. Certo, nĂłs jĂĄ nos afastamos antes, mas nĂŁo foi pra valer, vocĂȘ sempre esteve Ă espreita, pronto pra me socorrer com o que eu precisasse. Eu me sinto a pessoa mais patĂ©tica do mundo admitindo isso, mas a essa altura, eu tenho que assumir mesmo o quĂŁo ridĂculo sou. Eu desdenhei do que venho sentindo por muito tempo, e as consequĂȘncias disso foram desastrosas. Eu fui covarde, mesquinho, um mentiroso, coisa que sempre odiei. Menti pra mim mesmo, menti pra vocĂȘ. Tudo isso para nĂŁo admitir que parte de mim quer viver por aĂ sendo outra pessoa. E isso Ă© loucura! LOUCURA! Trocar tudo que eu sou, quem me tornei, pela incerteza de algo novo. Mas eu sempre tive um "quĂȘ" de louco, vamos confessar. Por maior que seja o medo que eu tenha da solidĂŁo, eu lembro um pouco de quem eu era antes de vocĂȘ...