em new york, é difícil saber quem são os seus verdadeiros aliados. se resolver depositar a sua confiança em CESARE DE MEDICI, talvez vá lhe encontrar TOCANDO VIOLINO ou passando por LITTLE ITALY. pode notar pelo sotaque que nasceu em SICÍLIA, ITÁLIA, precisa de um descanso por ser CONDE dos LASOMBRA e venceria um concurso de sósia de BEN BARNES. ainda não temos muitas opiniões ao seu respeito, mas CESARE passou os últimos 497 ANOS (APARENTANDO 38) sendo chamado de EGOÍSTA e EXTRAVAGANTE, o que não mudou depois que começou a atuar como PROFESSOR DE MEDICINA NA COLUMBIA.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀𝖛𝖎𝖘𝖆𝖌𝖊⠀⠀⠀✖⠀⠀⠀ 𝖒𝖚𝖘𝖎𝖈
PANORAMA
Não há ninguém vivo que se lembre do nascimento de Cesare Giordano ou como ele se tornou um vampiro. Ninguém pode dizer ter testemunhado o fato dele ter nascido em um vilarejo pobre na Sicília e roubado para se sustentar quando não tinha completado nem mesmo dez anos. A desigualdade social durante o reinado de Giovanna di Castiglia deixou o reino em um estado complicado e, assim, Cesare precisou se virar para sobreviver depois de seus pais terem sido levados por uma forte virose que assolou sua vila.
O garoto conseguiu uma reputação forte para si mesmo, tendo se tornado um criminoso conhecido e até mesmo temido conforme crescia e ia se mostrando mais capaz de cometer crueldades para manter um nome. Pouco a pouco, o Mani Nere, como ficou conhecido, se tornou um nome forte nas ruas. Forte o suficiente para ser reconhecido por organizações criminosas mais sofisticadas, compostas de homens ricos e não ladrões de rua. Ele subiu na hierarquia rapidamente, tendo começado apenas como um guarda-costas, mas quando achou que poderia enfim ser considerado alguém importante na organização, foi atacado.
Sua captora era uma bela mulher de cabelos louros que, ante de transformá-lo, sequestrou-o e o manteve em cativeiro por várias semanas, servindo de alimento para ela, mas aos poucos adoecendo. Quando achou que fosse morrer, ela teve piedade e o transformou, mas subestimou o monstro que tinha criado.
Cesare a matou e tomou sua casa para si junto de toda a sua fortuna, jurando reerguer seu nome e sua fama. Anos se passaram até ele reaparecer como Cesare de Medici, deixando para trás a mera lembrança do órfão esfarrapado que conheciam e se colocando como um homem de linhagem nobre e muito dinheiro. Inseriu-se novamente no mundo dos crimes siciliano como alguém de status e garantiu seu lugar na fundação da Cosa Nostra, tornando-se um nome importante lá dentro.
Porém, conforme ia percebendo a extensão de sua imortalidade, tornou-se entediado com aquela vida. Decidiu então viajar por aí e adquirir novas experiências e conhecimentos. Teve amantes em todos os continentes, conheceu pessoas importantes e colocou seu nome em vários documentos históricos. Estudou incansavelmente e se tornou versado em muitas artes e profissões. Foi um político na Argentina nos anos 20; um violinista na Rússia nos anos 30; atuou no West End em Londres nos anos 50; foi um arquiteto renomado na África do Sul nos anos 60; uma estrela do rock local na Romênia nos anos 70 e produtor musical no Brasil nos anos 80.
Há trinta anos, porém, se estabeleceu em Nova York após descobrir os lasombra e se identificar com sua maneira de viver, lembrando-o dos seus tempos na máfia italiana. Foi conseguindo a confiança da organização aos poucos, primeiro sendo um executor e então ascendendo ao cargo de Conde após a morte do Conde anterior. Gosta de sua posição e o poder sempre lhe foi bem-vindo, ser temido é algo que havia se esquecido do quanto era bom, mas agora que se via novamente em uma posição de poder, seu único objetivo era subir cada vez mais.
Enquanto galgava os degraus dos lasombra, ele se estabeleceu na Columbia University como aluno de medicina, se formou, atuou como cirurgião por alguns anos e atualmente é professor na faculdade de medicina, mas sabe que seu tempo está se esgotando antes que alguém perceba que não envelhece, por isso planeja se tornar a liderança máxima dos lasombra antes que isso aconteça.
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@agnusdaemonium said: ❝everything is going to get worse from here.❞
Mesmo que não esperasse que seus distribuidores estivessem trabalhando naquela festa, mantinha um olho neles, pois sabia que um evento assim era um ótimo momento para conseguir novos clientes. Quando viu aquele diabo de garota vindo na sua direção novamente, puxou assunto com a primeira pessoa que encontrou, suspirando aliviado ao ver que se tratava de Heathcliff. — Vamos, finja que estava conversando comigo esse tempo todo. Com sorte, sua cara de homem taciturno e perigoso vai ser o suficiente para afastar uma viciada em abyss particularmente irritante que decidiu tirar a noite para me incomodar. — olhou ao redor e percebeu que havia funcionado, pois a doida estava se afastando, então sorriu e voltou-se para o Vulpe, dando-lhe um tapinha no ombro ao ouvir sua fala. — Meu caro e pessimista colega, nisso você está certo. Esses viciados vão ficar cada vez mais incontroláveis e ter menos vergonha de mostrar isso. Mas para os negócios, é ótimo, não acha? Isso, é claro, se aquele pessoal moralista e sem graça da Dante não tentar acabar com a nossa linha de trabalho. Essa sim seria uma grande tragédia.
@treasurehuntrs said: ❝i'm here for business — not pleasure.❞
Uma festa como aquela não era apenas um evento para diversão, e Cesare sabia bem disso. Mantinha seus olhos nos membros da Dante, tentando entender seus movimentos e maquinações. Mas não iria se negar o prazer de conversar com os convidados normais de Alana. Achava-os interessantíssimos ali, no meio de tanta esquisitice do submundo, humanos circulando sem saber da origem das criaturas que os cercavam. Por isso, quando tentou iniciar uma conversa em tom de flerte com a garota, surpreendeu-se com a sua resposta seca. Levantou as duas mãos em sinal de rendição, sorrindo. — Me desculpe, devo tê-la confundido com um dos convidados daqui. Qual trabalho a senhorita está realizando? Não me parece vestida como uma garçonete nem nada do tipo.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀houve um momento de descontrole — um único instante em que o cheiro de sangue pareceu mais forte que o normal. vivienne sabia que precisava de uma única gota, e desejava que fosse o bastante para o resto daquela noite que parecia longa demais; entretanto, não seria o suficiente para satisfazer sua fome, não com os efeitos da lua de sangue. a vampira lançou um olhar ao conde, provocando nele apenas um revirar de olhos, antes de voltar seu olhar para os humanos alheios a qualquer perigo ao seu redor. “você tem péssimos pensamentos sobre mim, cesare. acredita mesmo que a política deste evento é meu único interesse?” por mais que suas intenções, muitas vezes, fossem voltadas ao que acreditava ser melhor para os lasombra e tomava decisões baseando-se no que estava em seu alcance, vivienne estava faminta — e um bom sangue valia muito mais que acordos políticos. “estou à procura de alguém interessante.” seu olhar recaiu sobre um humano há poucos metros de onde estavam. “o que acha dele? parece ter um sangue delicioso.”
Seu sorriso se alargou com as palavras da amiga. É claro que nunca duvidava dela, mas não podia perder a oportunidade de provocar um pouco. — Não sei, com toda essa questão com a Dante e seus integrantes estando todos aqui, achei que fosse estar ocupada demais fazendo o trabalho de Titus por ele. Tenho certeza que é mais versada na arte da diplomacia que ele. — ainda estava zombando, mas tinha um veneno em sua voz, como sempre era o caso quando o assunto era o Duque das sombras. E mesmo com a proximidade que Vivienne tinha com o outro vampiro, ela era uma das poucas que Cesare não fingia uma simpatia pelo líder que não existia. Olhou na direção que ela apontava e viu um humano que lhe pareceu estar muito longe de sóbrio. — Não sei, eu diria que você corre o risco de ficar extremamente embriagada pelo consumo do sangue dele. É claro, se estiver no clima para uma comemoração, isso é mais uma vantagem que uma desvantagem.
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Retirou seus olhos da multidão para focar-se nas palavras de Cesare, rindo reprimidamente do que lhe fora dito. Sim, podia fazer melhor. Aliás, podia fazer pior que. E não importaria-se em nada em fazê-lo contra o conde das sombras. Mas, por agora, deixaria-o portar-se como o bom ególatra que era — achando que pode substituir o duque. Uma piada! Mas quando o italiano falara da tríade, T contraiu a mandíbula, bravo. Odiava não saber como justificar-se pela burrice que era a Dante. Deu um suspiro longo, olhando para os lados, retraído. ❝ Sim, tive algumas conversas. Nada que você deva saber. Não és consigliere. ” bufou, terminando a conversa ali, com mais um suspiro a finalizar a frase. Estava cansado de precisar explicar-se para Cesare. Quem ele pensava que era? Cruzara os braços, ouvindo-o com o rosto fechado, pouco escondendo a raiva que tinha pelo outro vampiro. Pouco importava-se com a merda do teatro ou a comédia fantasiosa que viviam na festa de Alana. Para agitar as coisas só era preciso uma coisa: um soco-inglês de prata no meio da cara infeliz de Cesare. Mas iria controlar-se. Tudo pela boa continuação do evento alheio. Descruzou os braços e mudou seu semblante, tudo muito rapidamente. Daria para notar seu esforço. ❝ Os humanos não sabem dar festas como eu e os Lasombra. Vê-se pela nula quantidade de gente despida. ”
Sabia que havia atingido um ponto sensível quando tocou no assunto da Dante e isso lhe satisfazia. Todos sabiam como aquela ideia não era nem um pouco benéfica e minava o poderio dos Lasombra. Mas, na última vez que tentou expressar sua opinião, foi ameaçado de morte pelo Duque. E, apesar de se achar sim melhor que ele, seria um tolo se não tivesse ao menos um pouco de medo do vampiro. Então calou a boca, mesmo com um meio sorriso convencido se deixando aparecer no canto dos lábios. — É claro, alteza, besteira minha perguntar. — terminou o assunto enquanto mantinha o tom quase totalmente livre de deboche, mas ele estava ali para ouvidos atentos. Irritar Titus era um jogo perigoso, mas extremamente satisfatório. Se isso fosse acabar causando sua morte eventualmente, bom, ao menos morreria se divertindo. — Você exige demais dessas pobre criaturas. Com suas vidas curtas e frágeis, não há tempo para se livrarem totalmente dos pudores para realizar festas do tipo, mesmo que alguns se julguem tão evoluídos nesse assunto. Da próxima vez que der uma de suas lendárias festas, não esqueça de incluir a senhorita Chesterfield na lista de convidados para ela aprender o que é uma festa de verdade. Isso, é claro, se sobreviver à experiência.
— Vamos começar? — ele disse, enquanto se sentava de maneira relaxada na frente do entrevistado. Não era do tipo que se envolvia com jornalistas, achava toda a ideia de que as pessoas deviam saber sobre o sobrenatural muito estúpida. Mas, quando um escritor lhe procurou dizendo que sabia sobre os vampiros e que queria escrever um livro de “ficção” baseado na vida de um, deixou seu ego falar mais alto.
O homem pigarreou e começou com suas perguntas.
O quão difícil é te tirar do sério? Qual é a forma mais eficaz disso acontecer?
Cesare deu uma risada. — Não, não é muito difícil. Mesmo depois de quase cinco séculos caminhando por este mundo, ainda sou um homem vaidoso, sabe. Se me insultam, me sentirei ofendido, especialmente quando não ouvem meus conselhos. Eu sou muito sábio, entende? Todos deveriam me ouvir. Mas a maneira mais fácil de me tirar do sério talvez seja insultar como me visto. Eu tenho um gosto impecável para moda.
Você prefere guardar rancor, executar uma vingança ou conceder o seu perdão? O quão fácil é reconquistar a sua confiança depois de um ato de traição?
— Depende de quem foi, do que fez. Posso ser muito misericordioso, entende? Não me deixo levar por pequenos erros cometidos se eles forem uma consequência de uma alma fraca, são naturalmente covardes e se entregam facilmente a chantagens e ameaças. Eles não têm culpa de serem inferiores. Agora, quando foi algo cometido por alguém com plena capacidade de tomar as próprias decisões, gosto de cultivar meu rancor como um jardim de inverno. Com calma, cuidado e delicadeza, deixando-o marinar no meu ódio até o momento certo de executar uma vingança à altura da minha elegância.
Até onde você iria para alcançar seus objetivos? Existem linhas que você não cruzaria, ou o fim sempre justifica os meios?
— Existem muitas linhas que eu não cruzaria, sou um vampiro de muita honra. Só passo por cima de quem for inferior e merecer ser deixado para trás. Não tenho culpa que sou a criatura mais gloriosa viva atualmente e todos estão tão abaixo do meu próprio patamar que o som de seus ossos se quebrando sob meus sapatos não passa de música para meus ouvidos.
Já foi desleal com alguém para conseguir o que queria? Consegue conviver com isso ou ainda tenta justificar suas escolhas, mesmo que só pra si mesmo? Se nunca chegou a cruzar essa linha, o que te segurou — medo, culpa ou alguma outra razão?
— Acho que desleal é uma palavra muito forte. Vocês humanos têm uma noção muito rasa de lealdade e deslealdade, é tudo muito preto no branco. No nosso mundo, as coisas têm tons diferentes de cinza. Não, não sinto culpa por nada, nem tento justificar ações passadas. Eu fiz o que precisei fazer para chegar onde estou. Se não fizesse, teria sido desleal a mim mesmo, e isso não é ainda pior?
Como você lida com o fracasso? Quando as coisas não saem como o planejado, você aprende com isso, se culpa ou tenta responsabilizar outros?
— Novamente, outro conceito humano extremamente raso. Fracasso. O que é fracasso, para você? — o escritor pareceu confuso por ter sido questionado, olhando para os lados de forma nervosa, mesmo não tendo ninguém ali. Cesare se irritou, então continuou, antes que ele dissesse alguma coisa: — Fracasso é algo que só humanos vivem a experiência com tanta intensidade. Para mim, não existe fracasso. Tenho anos de experiência o suficiente atrás de mim e muitos outros a frente para me planejar e considerar todos os pormenores antes de colocar em prática objetivos arriscado. Se algo não sai como planejado, não é minha culpa, pois se tenho uma certeza é que planejei tudo de maneira minuciosa, não é minha culpa que algumas pessoas não sabem seguir roteiros. E é claro, isso também me ensina em quem posso confiar e quem vai me desapontar com o passar do tempo, assim como aprendo quais situações devo tirar proveito e quais não vale a pena me arriscar.
Espero que essas respostas tenham sito satisfatórias para você.
A presença de Cesare, que normalmente lhe trazia certo conforto pelo longo tempo que se conheciam, teve o efeito contrário tão logo o conde abriu a boca. — Não ouse me comparar aos lobos. — Sua resposta, ironicamente, saiu desagradavelmente similar a um rosnado, e ela precisou levar a taça em sua mão aos lábios para evitar dizer que, de certa forma, tanto eles quanto os fenris tinham certa natureza bestial. Com um suspiro, porém, suavizou a expressão; sabia dizer quando Cesare a alfinetava como simples provocação e, especialmente pela diferença no tom de voz alheio ao seguir falando, soube que este era um destes momentos. — Dificilmente temos o mesmo conceito do que é interessante, mio caro. — Replicou o apelido, os olhos semicerrando brevemente antes de continuar. Estava, fatalmente, interessada no que ele tinha a dizer. — Mas, admito que me deixou curiosa.
Não pôde deixar de sorrir ao perceber que ela realmente se ofendeu com o comentário, dando-lhe uma piscadela que sozinha já transmitia a mensagem "te peguei". Mas é claro, se preocupava com a mais nova. Mesmo que ela não precisasse, de forma alguma, de sua preocupação, se sentia em partes responsável pelo seu bem estar na cidade devido ao seu antigo histórico de amizade. Levou a mão ao peito de maneira exageradamente dramática, fingindo estar ele ofendido dessa vez. — Está dizendo que sou desinteressante, milady? Não esperava isso vindo de você. — disse, a voz afetada com um misto de exagero dramático e deboche. — Ia lhe apresentar a uma bruxa que jura poder falar com pessoas mortas, mas apenas aquelas que foram figuras estadunidenses notáveis. Fascinantemente específico, não acha? É claro que isso nada tem a ver com o fato de o povo desse país não conhecer nada além do próprio umbigo, mas sim uma limitação natural de sua habilidade.
Sentia-se como se não se alimentasse há dias. Por isso que observava os pescoços alheios como um caçador faz a um veado, deleitando-se apenas com os batuques dos corações presentes e a cor avermelhada que ultrapassava a superfície das peles mais claras. Entretanto, porém, fora interrompido pelos pensamentos altos do conde das sombras. Como de costume: a falar demais. Titus esboçou um sorriso amarelo, olhando-o de lado. ❝ Gostastes mesmo da ameaça, uh? ” perguntou, relembrando-se do dia em questão. Fora exatamente dias após aceitarem o acordo de Bernardo D'angelo. Tudo culpa sua. Mas T admitia isto apenas para si mesmo, no final de cada dia. Não iria dar este gosto a Cesare ou a esposa. ❝ E não, esta festa só me rendeu dores de cabeça. Preferia estar em casa com uma prostituta a pedir-me para drená-la toda. ” um suspiro profundo tomou conta de seus lábios no final da sentença acusando que não estava a mentir — a festa estava perfeita apenas para os humanos que fingiam viver um conto de fadas sobrenatural por uma noite. Idiotas. ❝ E você? Está a gostar do teatrinho? ”
De certa forma, era tranquilizante perceber que não era o único que não se sentia exatamente no controle naquela noite. Percebia o duque olhando para cada humano naquele local como uma preza, não da maneira como sempre fazia, mas havia algo mais. E Cesare sabia se tratar da lua de sangue, agora quase totalmente alta no céu. Soltou um riso com a provocação do homem, podia não respeitá-lo como uma figura de autoridade e se achar muito mais merecedor do alto posto, mas lhe dava crédito por ser um vampiro ao menos competente. — Foi uma ameaça mediana, acredito que possa fazer muito melhor. — disse debochadamente enquanto olhava ao redor as pessoas se embebedando e dançando ao som da música que fazia uma tentativa de soar clássica, mas que para ele soava apenas como um insulto aos verdadeiros clássicos. — Quem te vê falando assim diria que está se arrependendo da aliança que você mesmo concordou em firmar. Eventos assim não são ideais para fortalecer laços com seus amigos da Dante? Esperava que estivesse se divertindo com seus amiguinhos. — o deboche estava ainda mais carregado em sua voz. Sabia que, quaisquer que fossem os motivos para Titus ter concordado com aquela baboseira, não era por ter um coração bom e caridoso. — Sempre fui um grande fã de teatro, então eventos assim costumam me entreter muito, apesar de achar que este poderia usar um pouco mais de emoção. Está tudo muito parado, não acha?
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Bjorn tendia a evitar situações que envolvessem refeições com humanos pelo simples fato de não suportar a textura dos alimentos. Entretanto, em certas situações, acabava sendo inevitável aceitar se sentar à mesa com eles. E aquela era uma daquelas situações, onde teve a própria anfitriã vindo perguntá-lo se não iria comer nada. A garganta já seca, sedenta por sangue, quase o fizera soltar um comentário ácido demais para ingenuidade vívida de Alana. Entretanto, não podia evitar os pensamentos a respeito das oportunidades que podia ter ali se fosse apenas cauteloso. Infelizmente para si, não queria arruinar a oportunidade que a noite estava trazendo, então decidiu desviar o foco dos pensamentos para seu trabalho.
À mesa, o vampiro brincava com a comida. Jogava para lá e para cá, colocava pedaços pequenos na boca e depois os dispensava no guardanapo. Tudo de maneira muito discreta, em movimentos absolutamente sutis, disfarçados pela maneira como mantinha a conversa fluindo. Sua melhor estratégia para desviar a atenção de seu prato praticamente intocado. ━━ Já foi fazer uma leitura de tarot esta noite? ━━ Perguntou para a pessoa ao seu lado. ━━ Fui um pouco mais cedo e a pobre moça pareceu preocupada. ━━ Comentou em um tom completamente divertido e, também, levemente debochado. ━━ Ao que parece, a carta da Torre diz que vou morrer logo. ━━ O que era ridículo, considerando que já estava teoricamente morto há quase dois séculos.
Em quase 500 anos caminhando pelo mundo, Cesare não sentia sua sede passar do limite do controle desde que era um recém transformado entre 1566 e 1568. Desde então, orgulhava-se da maneira como sabia se misturar aos humanos. Porém, aquela lua de sangue parecia lhe afetar de uma maneira muito específica. Podia ouvir cada batimento cardíaco dos humanos na sala, via a carótida pulsando em seus pescoços e estava muito ciente de quantos deles não faziam ideia do perigo que corriam. Presas fáceis. Odiava as convenções sociais que o obrigavam a manter a civilidade, odiava Titus ainda mais pela parceria forçada e estúpida com os lobos e as bruxas. Então foi com certa irritação que se viu sentado naquela mesa. Não sabia onde estavam seus distribuidores e esperava que ao menos estivessem distribuindo algo, então se viu com um dos executores de Minerva. — Leitura de tarot? Nah. Uma vez uma charlatã dessas previu que eu morreria de gonorreia e tudo o que fiz foi rir dela. Imagine, alguém como nós, morrer assim? Desde então não acredito no que nada dessas pessoas diz a não ser que tenham como me comprovar que estão possuídas por uma entidade. Do contrário, charlatões, todos eles. — disse enquanto sinalizava para o salão de forma geral. De fato não acreditava que todo mundo que se dizia bruxa era de fato uma bruxa. Como elas sabiam a diferença entre ouvir entidades e terem esquizofrenia? — E como foi que essa charlatã disse que você morreria? Vamos ver se ao menos disse algo que soe possível.
A risada alta e ligeiramente esganiçada da moça humana com quem Cesare conversava só não ecoou pelo salão graças à sobreposição de outras vozes com a música que tocava. Ele tomou sua mão direita e a beijou - sentindo o doce e tentador aroma de seu sangue que o fazia querer quebrar todas as regras e mordê-la ali mesmo. Porém, apenas lhe ofereceu uma piscadela prometendo encontrá-la mais tarde. Quando olhou ao redor, percebeu Vivienne o observando, e abriu um pequeno sorriso de escárnio. — O quê, não vai me dizer que está focando apenas na politicagem desse evento e ignorando a oportunidade de encontrar um bom banquete noturno?
Nada escapava ao olhar afiado de Cesare naquele baile, sempre buscando fazer bons contatos. Não era o maior fã de se aproximar dos lobos, considerava-os como feras descontroladas e pouco confiáveis - ignorando a hipocrisia ao fazê-lo -, mas gostava de saber o que estava acontecendo por trás dos panos dos Nefandi e qual plano maligno a madre suprema estava tramando dessa vez. Pensava em se aproximar de uma bruxa particularmente bonita quando notou outra presença, a de Minerva. — Você parece muito mais tensa que o normal, mia cara. Se tencionar mais o maxilar vão achar que faz parte dessa matilha que engole remédios e acha que isso vai suprimir totalmente sua natureza bestial. — seu tom era brincalhão e provocativo, mas logo o suavizou. — Buscando por contatos? Posso lhe colocar para conversar com algumas bruxas com coisas interessantes a oferecer.
A parte divertida de se comparecer em um evento daqueles sempre era ver todos misturados daquela forma. Como se fossem bons amigos. Uma cortesia da atuação da Dante, Cesare imaginava, enquanto torcia o nariz para um lobo que claramente estava em vias de sofrer um colapso nervoso. — Essas bestas deviam ser mantidas em jaulas para a segurança de todos. — comentou casualmente, olhando para o lado e se deparando com o próprio Duque ali. — Mas olha com quem estou falando, o próprio senhor "vou pendurar sua cabeça na entrada da Inferno" himself. Está se divertindo, Sua Altezza? — disse as duas últimas palavras em seu idioma natal e com um tom de escárnio que fazia o tratamento cordial parecer um xingamento.
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