Foi você o sonho bonito que eu sonhei, certo? Você costumava ser conhecido como VICTOR VAN DORT, do conto CORPSE BRIDE antes da maldição atingir o SUBMUNDO, na FLORESTA ENCANTADA. Agora, em Storybrooke, você é conhecido como YUGO “HUGO” SHOBU, um LIMPADOR DE CENAS DE CRIME E TRAUMA E AGENTE FUNERÁRIO de 27 anos de idade.
O PERSONAGEM ESTÁ ACORDADO?
Não. Mas desconfia e sente que há algo errado - não que tenha sido abordado por muitos, mas alguns espíritos não parecem contar histórias que condizem com as ditas pelos vivos.
Ele fala com almas? Por ter sido alguém vivo que parou no Submundo, e de repente fora puxado de volta ao plano dos vivos, Victor Van Dont, ou melhor, Yugo, desenvolveu uma ligação com os dois planos: dos vivos e dos mortos. Por isso, sua mediunidade.
HEADCANONS:
Yugo, nome escolhido a dedo para que não perdesse suas raízes, mas que continuasse a soar como Hugo e não atrapalhar sua socialização no país americano, é quarta geração em Storybrooke. Mas não se engane: os irmãos Shobu são donos de empresas espalhadas pelos Estados Unidos e Japão. Seu tataravô, no entanto, foi o único que escolheu esse caminho - e escolheu Storybrooke para abrir sua primeira funerária, que assim como seu sobrenome, também recebe o nome de uma flor tipicamente japonesa.
Sempre esteve certo que trabalharia naquele ramo, e o fato de carregar mediunidade, de acordo com seus pais, sempre foi o sinal de que estaria fazendo o certo. Sendo budista, no entanto, Yugo sempre viveu o dilema que o tornou uma pessoa reclusa: não deveria incentivar sua mediunidade, então por que se meter no cenário tão propenso? De toda forma, era o negócio da família - e não tinha pulso firme suficiente para arriscar romper com os planos de seus pais. Esses, aliás, que continuam a arranjar noivas para si - todas que, até agora, ele conseguiu assustar e fazê-las desistir.
Foi só aos vinte e cinco anos que conseguiu ter algo seu, mesmo que não fugisse daquele que sempre o fez um garoto um tanto amedrontado: a empresa de limpeza de cenários de crime e traumas, porém, veio por sua ligação com os mortos e a capacidade de apaziguar a passagem entre planos dos mesmos. Anos trabalhando com o pai, na funerária, fez Yugo, em seus muitos momentos de mediunidade, acreditar que é essa sua missão nesta encarnação.
Seu personagem é dono/funcionário de algum estabelecimento que não está na lista de lugares?
Herdeiro da Funerária Ume, na cidade há quatro gerações, e dono da TAL (short para The Art of Listening, uma filosofia japonesa, mas que as pessoas não sabem e chutam ser iniciais dos nomes de alguém da família), empresa de limpeza de cenas de crimes e traumas.
Sobre o templo budista próximo à floresta: sua família também foi uma das responsáveis pelo incentivo e construção do templo. Obviamente, o lugar é cuidado por monges, mas mantendo a tradição, a família continua ajudando financeiramente na manutenção.
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☠️ 👻 ╱ ― o leão que mata o cervo para se alimentar, não é apontado como monstro. por que eu seria um ?! ! ❜
Nome: Kento Mondenschein-Shobu
Idade: 18 anos
Origem: Ilha de Auradon.
Alinhamento: Tem tudo para ser vilão, toda aquela pinta de bad boy e problema; algumas visões e atitudes. Mas na hora H? Talvez seu cerne não seja todo mau. Talvez seja só como um anti-herói.
Faceclaim: Mika Hashizume.
Headcanons.
A coisa mudou drasticamente no seu aniversário de dezesseis. Se antes Kento já se mostrava um probleminha, foi uma avalanche de lá até então: é que equilibrar a empatia provinda da mediunidade e ter a natureza vampírica muito maior que humana, não era tarefa fácil. O resultado foi seu primeiro (até então, único) assassinato e alguns feridos - descontrolado, sim.
As reações, no entanto, o encheram de fúria e transformaram a lembrança do gosto férrico em sua boca, em algo para se contestar sobre (e querer mais).
Por um tempo, ficou afastado da escola. Recebeu acompanhamento de Alucard, que muito o ajudou a controlar a fome anormal e comportamento agressivo para um meio vampiro. Nesse tempo, foi descoberto a verdade: seu problema vinha, ironicamente, da parte humana em si. Era aquela habilidade passiva, ou seja, sempre ativada, a parte que herdou de seu pai, que mexia com suas emoções ao ponto de perder o controle. Ou melhor, não eram bem suas emoções, mas daqueles ao seu redor. Vinha perdendo a noção de que parte de si era realmente sua desde os quinze, quando permitiu que um vampiro de mesma idade, colega, se alimentasse direto de si e o resultado foi o aumento da sensibilidade mediúnica - ele só não sabia.
A sua volta para a escola (atrasado), e para Auradon - afinal sua família lá morava - foi com alguns olhares feios de um número suficiente. Afinal, o que tinha feito era digno de um monstro; de um vilão - assim diziam esses olhares, ao menos. Kento hoje parece menos revoltadinho que antes, mas não menos preocupante: é daquele jeito que faz o silêncio levantar suspeitas e receios; é aquela história de que há de temer a mentes daqueles mais quietos e calados. Sua falta de voz, e seu controle corporal, no entanto, é uma constante luta para consigo. Uma luta entre sua mente, suas emoções e as emoções dos outros.
Kento anda por aí tentando, a cada segundo, manter-se inerte emocionalmente, para que as emoções alheias venham e saiam - e não passem por cima das suas caso precise expressar ou fazer algo. Trabalho bem difícil, sendo honesto. Não é à toa que ainda não consegue dominar, especialmente considerando que já é dono de pensamentos e opiniões particulares. Às vezes, parece um garoto de olhar gelado e comportamento robótico ou indiferente; em outras, porque ainda é um ser pensante, surgem suas camadas e cores - e elas não costumam ser pintadas como a primavera, mas é preciso que as externe em ordem de, bem, viver ele, e não os outros.
Aliás, como parte do programa de... bom, ele ainda não sabe como exatamente chamam esse negócio de quererem que ele aprenda a conviver com todo mundo, Kento faz parte da equipe de torneios¹ - o que veio com todo papo de trabalho em equipe e poder exercitar externar com moderação tudo o que normalmente mantém para si. .
Habilidades.
Da mãe vampira, naturalmente, as típicas capacidades de (meio) vampiros, claro que não tão forte e afins como um completo vampiro, mas também imune ao sol e capaz de se alimentar e satisfazer também com comida humana - o que não isenta a necessidade de sangue, aliás, Kento gosta e é favor de se alimentar direto da fonte.
Coisa da parte do pai, Kento tem também o tipo de mediunidade empata, ou seja, ele involuntariamente absorve emoções e energias de pessoas e ambientes, o que gera nele uma grande confusão emocional. Ele achou forma de lidar melhor com isso calando calar as próprias emoções - como se as colocando em uma geladeira separada - para que não sejam influenciadas pelas demais, tarefa ainda difícil. Na maior parte do tempo, parece alguém apático, pois nada externa (ou minimamente faz), definitivamente não é alguém espontâneo, principalmente quando envolto de muitas pessoas, já que suas ações (e emoções) podem sair influenciadas pelas energias alheias. Compreensível, então, que pareça alguém muito meticuloso - daqueles que se questiona o que está passando na mente. Em algum momento, no entanto, é preciso descarregar - e disto, muita coisa pode vim.
Relações.
COM OS PAIS ; YUGO X VERENA @mondenscheinverena:
Verena? O tipo de mulher que deixa Kento confuso: por que porra seu pai está com ela? Não parecem combinar em literalmente nada. Como conseguem se gostar? Se é que existe algo do tipo vindo de uma mulher como Verena; algo como amor. E ainda sim, há aquela sensação chata em seu peito… Aquela que espera algum tipo de aprovação dela. A aura de Verena, no entanto, não é do tipo benéfica para Kento. É preciso se manter sempre muito vazio quando se está perto dela.
Yugo? Faça-me um favor! Como alguém pode viver em um mundo como o deles, ter uma família como a dele, e querer viver na base da diplomacia? De sessão da tarde e diálogos? Não é possível que seu pai seja tão compreensivo assim. O cara fala com gente morta todos os dias, como ele consegue? A energia de Yugo provoca frustração em Kento, que até queria pedir mais ajuda ao pai sobre sua habilidade, mas a dificuldade de se comunicar e se abrir com o mesmo é inexplicável.
OS IRMÃOS ; STERN @mondenscheinverena x DRACO @dxrivngray
A meia-irmã é quase como um porto seguro. Um qual ele não quer se acostumar; não quer ter que depender. É difícil equilibrar a vontade de estar perto, visto que a energia de Stern, ao menos quando perto dela e para si, é de calmaria, e a consciência de que deve aprender a amansar as energias sozinho. Ele nunca falou sobre isso para ela, pois receia uma posição protetora da parte da mais velha, que é dona de um coração bom demais para conseguir vê-la fazer tal. Kento tomou o papel de irmã mais novo, às vezes, irritante ou ridículo.
O meio-irmão é uma coisa que provoca irritação. Não, não é nem o garoto em si - é o que ele externa sem perceber. Estar perto de Draco por muito tempo, antes, era receita para um Kento com atitudes tomadas sob cóleras e afins. Hoje, consegue bloquear um pouco mais. Ainda assim, não é como se Draco gostasse de si e, bem, a recíproca segue o mesmo caminho, então simplesmente não lida com o rapaz.
O “AMIGO” ; SUHO @vaughwlfc
Será que o natural seria se matasse Suho? Suas naturezas parecem não serem complementares - e é de sangue o que se fala aqui: um (meio)vampiro e o lobisomem. Ainda assim, é fácil estar com Suho, porque a lealdade sabe que tem do rapaz. Além disso, é outro com aparência que os mete como a turminha dos punkzinhos ou (ironicamente) bad wolves, coisa assim. Devido a empatia de sua mediunidade, no entanto, Kento sente mais do que deveria em relação à Suho: o cara não é um vilão. Por que continua a andar com ele? Bom, não lhe faz diferença o coração quando tem as ações.
O TUTOR ; ALUCARD @aluc4rdfahrenheit
Ninguém melhor que Alucard para melhor instruí-lo sobre ser um híbrido. Por um tempo, após o ocorrido, foi com Alucard que Kento ficou. Hoje, o tem como alguém bastante próximo.
A MENINA DOS SEUS OLHOS ; ANGELIC @cvllidora
Não dá para desviar o olhar de Angelic quando ela passa. O interesse na menina dura há um tempo já, mas o fato dela ser uma vampira completa levanta alguns complexos e inseguranças em Kento, que, aliás, quando se trata de vampiras mulheres, acaba sendo inevitável não pensar na família materna - aquelas que, é, por elas já o teriam matado por ser um garoto.
O MENINO DOS SEUS OLHOS OU ALGO ASSIM ; MALIK @outofthewindow
A primeira vez que o viu em uma das competições, o riso de deboche saiu um tanto natural. Como podia alguém gritar “príncipe” por todo o rosto como era com Malik? O garoto se mostrou bom, no entanto. Kento não externa, mas queria que o Malik aparecesse mais nos clubes esportivos - uma visão bonita de se ver, mas um jeito interessante de acompanhar. Sem contar na aura confortável de estar por perto do garoto - deve ter sido por isso que Kento tomou a frente e terminaram numa única noite daquelas. Foi a primeira vez de Kento com um rapaz, no entanto. Ele prossegue só vendo o Principezinho do seu canto, às vezes, nos torneios, checando se sua presença para se exibir.
SEU PESADELO ; EMILY @boogeymcn
E como ele, um médium empata, não sentiria o horror que emana de Emily? A garota faz o trabalho de filtrar as energias alheias dentro de si, uma coisa difícil. Sabe de longe quando é ela que está vindo - e evita ficar por perto, porque é a pessoa que mais o drena; é a pessoa que mais traz o lado escuro em si ao fazê-lo sentir o que ela sente.
O NAMORADO Da AMIGO DA IRMÃ ; LUMENS @svndmxn
Sinceramente? Ele até gosta do garoto. Pode até ter sua tendência à vilania (ou assim acredita e parece), mas não pediria por um vilão para sua irmã. Lumens tem que ouvir, muitas vezes, um “ei, onde que ‘tá sua namorada?” quando Kento precisa de Stern com urgência. É outra pessoa cuja companhia traz um pouco mais de calmaria - culpa do pai dele, provavelmente.
A COMPREENSÃO ; MUSE @.open (alguém neutro)
Muse entende o garoto, é isso. E é desde antes do ocorrido, pois costumavam andar juntos. Quando Kento precisou se afastar, no entanto, e voltou, não retomaram o contato... ainda. Como será que estão? Um ano é suficiente para que tipos de mudanças? Kento sente falta de MUSE, mas, veja bem, externar seus sentimentos anda sendo algo que ele evita.
Alina detestava os dias tranquilos, embora fossem raros pela sua rotina no hospital, sempre causavam nela uma inexplicável sensação de desamparo, como se estivesse perdendo um dia da sua vida, mais um, e pior, a calmaria lhe fornecia tempo de sobra para pensar em coisas que queria muito esquecer. Já chegava ao final do expediente quando comunicaram que umx novx paciente adentraria o consultório, e sem muito tempo para reagir ela apenas esperou e torceu por algo que movimentasse um pouquinho da sua noite. “Em que posso te ajudar?” perguntou em um curto sorriso ao convidar-lx para se sentar na cadeira a sua frente.
A dor de cabeça estava ao ponto de fazê-lo pensar se era mesmo só uma dor de cabeça. A sensação era a de que poderia explodir a qualquer momento. De toda forma, não era aquele o motivo de estar ali. Quando adentrou o consultório, o nervosismo fez o estômago revirar e a cabeça ameaçar correr do pescoço. No seu ombro, jurou sentir o famoso encosto.
— Ahm, é… Me falaram, — ele deixou de fora o fato de terem sido almas — Que eu poderia falar com você sobre, hum, bom, eu ando tendo… Cansaço eterno. E às vezes eu durmo do nada e... Quando eu era mais novo, a gente descobria que meu problema era anemia ou coisa assim — como era péssimo com interação social, mesmo em uma consulta médica. — Não que isso importe, eu acho. Meu problema é tensão. Aquelas que acabam sendo também muscular... E, ah, espasmos. Tenho percebido espasmos no olho às vezes- Eu estou no tipo certo de médico ou?
no mesmo instante em que ouviu seu apelido, assim como o nome alheio, finalmente encontrou seu olhar. sentiu um alívio imediato ao saber que não haviam mais pessoas por ali e sem pensar muito, acelerou os passos até ele, o envolvendo num abraço. demorou um pouco para perceber que tal atitude poderia ser extremamente invasiva, incômoda, além de esquisita, soltando os ombros dele de maneira abrupta, se afastando rapidamente. “desculpa.” murmurou, passando a mão no braço, sem o encarar. “não sei o que deu, eu só… fiquei muito tensa.” e me senti que poderia confiar em você, complementou mentalmente. era estranho admitir algo assim, já que mal conhecia o rapaz. mas considerando o quão fácil se relacionava com as pessoas, não deveria ficar surpresa. não era a primeira vez que sentia que poderia confiar nele, por sinal. “ahm... tem algum lugar que posso ficar? eu não quero voltar pra casa até as luzes dos postes voltarem e-” engoliu em seco, sentindo um pequeno calafrio. “e não ter mais malucos correndo atrás de mim. prometo que não vou ser tão estranha, ok? eu posso até fazer um bolo… se tiver alguma cozinha aqui. eu sei cozinhar bem agora… mais ou menos.” começou a tagarelar, já nervosa com uma possível expulsão dali.
📌
Era aquela sensação de calmaria de quando a encontrava. Os monges haviam dito uma vez sobre energias que expeliam espíritos, ou algo assim. Talvez Allie tivesse esse tipo de energia, porque conseguia deixar o ar um pouco mais leve quando do lado dela. Será que ela sentia o mesmo ou era parte das coisas esquisitas no pacote de mediunidade?
— Não tem pelo o que se desculpar — embora ela o tivesse assustado um pouco, sim. Agora estava mais preocupado mesmo. — Está tudo bem agora — queria acreditar que sim, ao menos. Quer dizer, eles tinham tentado avisá-lo sobre algo mais cedo. — Tem sim. Vem.
Yugo sinalizou com a cabeça, pedindo para que ela o seguisse de volta para a salinha. Só apagou as luzes depois de avisar que faria - se ela fugia de algo, então melhor não deixar saberem que tinha alguém ali dentro. A salinha que estava, no entanto, só tinha uma janela estreita com vidro fosco para o lado fora, o que fazia ser difícil saber se as luzes estavam acesas ou não. Por ali, havia o sofá de dois lugares, um armário e as duas mesinhas com o computador. Yugo foi direto para o bebedouro, enchendo um copo para entregá-la.
— Fique à vontade. Temos cozinha, sim, mas não estamos com ingredientes para bolo. Temos biscoitos de leite ali e água para chá — apontou para a pequena geladeira, próxima ao sofá, que era usada como mesinha para o que havia oferecido. Ele puxou a cadeira de roda para frente da mesa e se sentou. Enfim, achou que poderia tentar entender melhor do que ela havia falado. — Quer falar sobre o que está acontecendo? Sobre os malucos? Ou… prefere falar sobre o que aconteceu que "agora” sabe cozinhar mais ou menos?
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Conhecendo a família de Yugo e a opinião que tinham sobre ela, um dos maiores motivos para que Asabi fizesse o que fazia, era justamente pensar em como os Shobu teriam um treco se vissem o filho fazendo aquilo com uma mulher negra. De qualquer forma, a Azura também gostava da atenção que recebiam, além dos elogios, é claro, já que ambos estavam impecáveis em suas fantasias, formando, de fato, uma dupla fabulosa.
Então, quando o beijo foi apartado, ela terminava de sorrir e de acenar para o casal que havia pedido pela foto, no instante em que ouviu Yugo voltando a falar com ela. Podia jurar estar vendo algum rubor nas bochechas do amigo, o que a fez manter o sorriso divertido, ainda que mais contido, enquanto deixava tapinhas amistosos no ombro dele, agora rumando para a entrada da atração, já que faltavam cerca de duas pessoas na frente deles.
“É claro que está. Quem parece que vai ter um ataque do coração aqui, é você.” Brincou, enquanto se direcionavam para dentro de uma das cabines, sendo acomodados lá pelo atendente do brinquedo. Assim, após ter se ajeitado, estava arrumando os cabelos no momento em que tornou a erguer os olhos para Yugo, curiosa, com o cenho franzido. “Foi tão ruim assim pra você?”
📌
O bigodinho tinha voltado a ser atração, ou melhor, distração. E até que ajudava, talvez devesse mesmo deixá-lo crescer. Pensar nisso o fazia correr mais rápido da timidez de momentos atrás - e que parecia não querer deixá-lo até o momento em que se encontravam na filha.
— Meu coração está bem — respondeu sem muito pensar sobre os sentidos figurados.
Se tocou só no segundo depois que daria para ser menos esquisito, bem menos. A verdade era também a seguinte: fazia tempo desde que beijou alguém. Yugo primeiro fez lugar no cantinho da cabine; depois, com um diálogo interno de dois segundos, decidiu que já podia agir normal. Asabi não parecia desconfortável. De verdade, não havia deixado ninguém desconfortável. Ele sorriu.
— Não — negou também com a cabeça. Lembrou-se, porém, de algumas experiências da adolescência. Não foram muitas, mas marcaram o suficiente - algumas de forma ruim. — Só é estranho, porque você é uma amiga. E eu não sou muito de… — ele balançou a mão como se isso fosse fazer surgir no ar o que queria expressar. Riu. — Acho que sou do tipo que precisa de valor emocional para esse tipo de coisa. Isso é esquisito?
◜ ✨ . A imagem da mãe a visitando na forma de uma borboleta foi pintada em sua mente como um belo quadro, que imediatamente a fez sorrir, um sorriso com uma pitada de melancolia. Não se passava um dia sequer em que não sentisse falta da mulher, mas nem mesmo esse sentimento tão profundo a convencia de acreditar que ela pudesse estar presente em sua vida de qualquer outra forma além de lembranças. Apesar disso, apreciava a forma de pensar do rapaz e comovia-se com o que dissera. Que sorte ter encontrado alguém que parecia tão sensível, em um momento tão delicado. Um verdadeiro acalando para o coração tumultuado pelo susto. ─── Algo me diz que ela escolheria aparecer como uma borboleta azul. ─── Era sua cor favorita, afinal. Expressou aquele pensamento apenas como uma tentativa de agradecer pela gentileza.
Prontamente tirou seu celular da pequena bolsa que carregava consigo, que nada tinha a ver com sua fantasia, mas se fazia necessária. Assentiu ao escutar a sugestão de já começarem a procurar pelos doces, caminhando enquanto acessava o navegador para fazer a pesquisa sobre a charada ainda sem respostas. Os dedos rolavam a tela da primeira página de resultados, então da segunda, da terceira…. e tudo o que encontrava era informações que não faziam o menor sentido na conjuntura na qual se encontravam. Bufou baixinho. ─── Que merda, aqui diz que eles entalham abóboras também! Será que nem uma pesquisa eu sei fazer direito? ─── Resmungou, mesmo que não parecesse realmente incomodada, então entregando o aparelho para o rapaz. ─── Olha aqui.
As palavras proferidas em outra língua a deixaram surpresa, arqueando as sobrancelhas enquanto o fitava com o olhar encantado e um sorriso nos lábios. Cada vez mais se convencia de que não tinha um pingo de cultura, mas muito desejava conhecer mais sobre o mundo que tanto tinha a lhe ensinar. Escutava atentamente a explicação dada, genuinamente entretida e interessada pela mesma, colocando a animação citada na sua lista mental. ─── Certo, isso é adorável! ─── Precisava admitir, mesmo renegando gostar de filmes com histórias como aquela. ─── Já ouvi falar diversas vezes sobre esse filme, mas nunca assisti. ─── Comemorou ao encontrarem o doce falso, logo seguindo as indicações do mesmo e virando a esquerda. ─── Prazer, Yugo. Me chamo Robin e agradeço por ter aparecido no meu caminho, caso o contrário eu ficaria perdida aqui pra sempre. ─── Apresentou-se com um breve aceno com a cabeça. ─── Os funcionários daqui vão escutar minhas reclamações por terem escondido essas informações de mim. ─── Não falava sério, mas ainda assim não estava feliz com aquilo.
📌
Foi como um arrepio. Pena que durou segundos. Borboletas azuis faziam isso - e os estalos duravam nostálgicos duravam mais quando via uma de verdade, em sua frente.
— São minhas favoritas — um comentário e uma confissão. O cenho franzido foi pela curiosidade: — Ela gostava de azul? — coincidências.
O riso saiu sem querer - e não quis mais voltar. Não ria dela, quer dizer, talvez um pouco do jeitinho dela, sim. Yugo educadamente pegou o celular e escaneou a página. Realmente, eram abóboras. Então, trocou algumas palavras e teve uma outra possibilidade para a resposta. Ele mostrou “As Tradições de Halloween ao Redor do Mundo”, já devolvendo o aparelho.
— Beterrabas? — porque nem ele acreditava muito. Imagina o trabalho para esculpir isso e colocar velas dentro. O aperto nos olhos, porém, era para acompanhar o riso soprado. — Vamos seguir os doces. E se tiver alguma beterraba… — mexeu os ombros.
Já para Yugo, era estranho ainda não terem assistido ao famoso filme dos Estúdios Ghibli - mais por indignação (dramática) que por viver numa bolha.
— Se vale de algo, eu recomendo. A animação em si é muito bem feita e há cenas simplesmente muito bonitas — e se continuasse, acabaria falando demais. Incomum, visto que a voz tendia a sumir quando na presença de outras pessoas, porque carregava a sensação de que não iriam querer ouvi-lo. Yugo preferiu acreditar que ela havia prestado atenção no que falou, porque adorável era mesmo um bom adjetivo. — Robin. — repetiu como se pudesse gravar melhor. Claro, deixou para si os Robin Hood, o falecido Robin Williams, Robin do Batman… Estava na hora de Robin ser uma menina. Ele ofereceu um sorriso. — Prazer, Robin. — Yugo refletiu o aceno com a cabeça. — Devo ter ganho por ter a cara de alguém que não teria chances — tentou seu melhor para potencializar tão cara. — Também foi legal para mim encontrar você. Deixou menos… macabro e mais divertido. Labirintos de Halloween deveriam ser assim, não é? Não sou muito fã de Halloween, então não sei.
Ele apontou para outro doce gigante que brilhava com o papel que refletia a luz de uma vela elétrica. Aquela indicava a esquerda.
— Você é daqui mesmo, não é? Estuda… trabalha? — quis saber mais.
Era difícil pensar direito ouvindo a pulsação cardíaca do outro, a sensação de vida tão frágil perto dele era o suficiente para deixa-lo animado. O aroma de sangue intoxicando seu corpo inteiro. Era tão doce, era a única coisa que lembra-se da sensação de morder um humano. Alucard já saliva, sua boca entre aberta com suas presas afiadas expostas. — Você é um idiota. — a raiva que carregava nas palavras foi meramente porquê ele não acatou o aviso do vampiro; serrando os punhos e socando a parede, fazendo um buraco no concreto. Por quê não correu?
Seus olhos estavam com a pupila toda dilatada, estava com sede, uma voz na sua cabeça martelando para deixar-se guiar pelos seus instintos. Mate ele. Não. Não posso. Seu corpo resolveu agir por ele na madeira que prendeu o outro homem contra a parede e seu corpo, não tinha mais escapatória. Seu rosto estava na altura da curvatura do pescoço humano, deliciando-se com sua essência, fechando os olhos.
Seus dedos sujos de sangue percorreram o rosto do outro homem antes de força-lo a virar o rosto, expondo seu pescoço ainda mais. — Me desculpe… E-eu não consigo controlar… — por incrível que pareça, ainda tinha uma verdade nas palavras do vampiro, que parecia estar mais triste do que qualquer coisa. Suas presas então abocanharam a pele alheia, cravando seus caninos no pescoço dele, o sangue quente e doce invadindo seu paladar. Suas mãos fecharam no corpo do humano, deliciando-se com a sensação de prazer que o contaminava.
Poucos sabiam mas vampiros conseguiam liberar substâncias para deixar suas presas atordoadas, para não sentir tanta dor quanto a mordida, mesmo que fosse inevitável não fazê-lo. O líquido vermelho era sugado como algum desespero, queria parar… Ele não merecia aquilo. Será que tinha força suficiente para afastar-se antes de esvair sua vida por completo?
&.
⚠️ TRIGGER WARNING: menção leve de sangue
Ser chamado de idiota por desconhecidos, do nada, sim, era coisa inédita. Esquisito ouvia muito na escola, mas nem mesmo idiota via da boca da molecada. Se Yugo tivesse tido algum tempo para rebater alguma coisa, ele teria questionado para tentar entender o que bulhufas havia feito para ganhar o adjetivo - Yugo não teve tempo nem de correr, que diria fazer perguntas abismadas.
Primeiro foi o susto com o rapaz metendo o punho cerrado na parede. Aquilo teria fraturado alguns ossos, certamente. Yugo sentiu a dor em si. Ao mesmo tempo, se questiona: se os ossos tivessem sido quebrados, a parede certamente não teria - mas lá estava ela com um buraco. No outro segundo, tinha um cara em cima de si, daquele jeitinho entre creepy e anime, com a grande diferença daquilo ser a vida real.
— Acho que está perto demais- — só que não era como se o rapaz se importasse, na verdade, diria até que era o que ele queria. Ou aquela coisa que havia tomado conta dele - Yugo sabia, somente, que ali não era um humano. — Você consegue- — “não me matar” pois ele acreditava que era esse o dilema. E Yugo não queria morrer assim.
Foi uma surpresa quando, com os olhos apertados, sentiu dentes. Nenhuma morte, ao menos não ainda, mas uma mordida. Gemer de dor era tão impulsivo quanto tentar afastar o rapaz pelo peito. O nervosismo, o medo, o instinto de sobrevivência, tudo tardou o entendimento de Yugo sobre a situação. Não foi de primeira que percebeu que era seu sangue sendo sugado - explicava o motivo de, devagarinho, se sentir um pouco tonto. Foi por isso que conseguiu relaxar os olhos e que as mãos e braços perderam a força de tentar empurrá-lo. Pelo contrário, precisou tentar se segurar nele.
— Você pode parar? — atordoado, ingenuamente e estupidamente, pediu com a esperança genuína de que seria ouvido. A mão tateou pelo pescoço alheio até encontrar o rosto, onde cobriu os olhos do monstro como se isso pudesse trazer a mesma tranquilidade de quando se é desligado dos horrores do mundo. Quando ele, quando criança, não mais queria ouvir ou ver os mortos. Yugo falou baixinho mais uma vez ao lembrar do monólogo que ouviu do garoto minutos atrás. — O que fizeram com você?
◜ ✨ . O gesto discreto e delicado do rapaz, como uma tentativa de reconforta-la, foi notado e bem aceito por Robin, pois era exatamente o que precisava para amenizar a vergonha que sentia, assim como o choque que sofrera ao avistar a imagem de sua falecida mãe de maneira tão inesperada. Nunca poderia ter previsto que um dia ficaria tão aliviada ao escutar um desconhecido assumindo seu encantamento pela androginia, mas lá estava ela achando aquele assunto interessantíssimo. Aceitaria qualquer coisa para tirar sua cabeça do ocorrido. ─── Se te ajuda, saiba que minha mãe era uma mulher estonteante, do tipo que atraía olhares por onde passava. ─── Fora necessário todo seu autocontrole para não revirar os olhos após sua fala, não fazendo a menor ideia do porquê dissera aquilo. Encontrava-se abalada e isso era aparente. Somente a tragédia que marcara seu passado era capaz de fazê-la se sentir daquela maneira.
Respirou fundo algumas vezes, forçando-se a se acalmar, sabendo que já começava a tornar o clima entre eles um tanto desconfortável. Estavam presos juntos em um labirinto, por isso era melhor que não tornasse a situação ainda mais difícil do que já era. Seu comentário seguinte conseguiu arrancar dela um sorriso leve, também focando na suavidade com a qual se comunicava. O rapaz transparecia uma plenitude que sempre sonhou conquistar, mas que há muito tempo havia aceitado não fazer parte de sua existência tão caótica, o que sempre seria considerado uma grande perda por ela.
Sinceramente, espero que ela nunca mais me aborde de forma alguma, pois isso seria assustador. ─── Como havia acabado de ser. Aos poucos retomava o controle sobre si mesma, e isso significava fazer comentários como aquele, que poderiam parecer insensíveis, mas era apenas a maneira que encontrara de lidar com o próprio sentimento de luto. Sua atenção logo foi fisgada pelas charadas apresentadas pelo outro, tirando alguns segundos para pensar em alguma resposta para ambas. ─── Espera, eles não esculpem abóboras na Inglaterra? ─── Pouco sabia da cultura do país, por isso não saberia como solucionar aquele dilema. ─── E acho que João e Maria nunca mais vão comer doces, certo? ─── A resposta óbvia demais a deixava desconfiada, convencendo-se de que estava errada. ─── Pensei que tinha entrado aqui para ser humilhada por minha falta de senso de direção, não acredito que vou ser taxada de burra sem cultura também. ─── Riu com certo desânimo, batendo as mãos espalmadas contra as próprias pernas.
Se dissesse que não cogitou voltar a segurar sua mão, depois de sua jocosa oferta, estaria mentido. Entretanto, continuava a mesma, com suas limitações quando o assunto era interações com desconhecidos. Por isso, apenas pousou uma das mãos sobre o braço do rapaz, o puxando para que a acompanhasse, também acenando com a cabeça enquanto voltava a caminhar pelos corredores estreitos. ─── Por acaso esse é um fio vermelho do destino ou ele tem um significado diferente no contexto da sua fantasia?
&.
Quer dizer a ela que de atrair olhares ele entende, embora não sejam eles por admiração e atração: mais têm a ver com seus olhos puxados e sua reputação variadas, mas sempre envolvendo mortes. No lugar, Yugo sorriu para os cadarços bem amarrados. Esqueceu de agradecer, só em caso daquilo ter algum tipo de elogio ou mesmo somente um reconforto.
— Mesmo que fosse na forma de, hum, uma borboleta? — tentou trazer o assunto de forma mais leve. Quiçá conseguisse fazê-la olhar com outros olhos aquela ideia e não mais temer tanto.
Yugo também tentava pensar com os botões sobre as charadas. Tinha que concordar sobre os doces, por isso o estalo dos dedos e o sorrisão ladino. Agora, sobre a Inglaterra? Mal sabia da tradição japonesa, que diria inglesa. O comentário dela, porém, o tira de sua frustração - o riso é curto, mas genuíno; de apertar e fazer sumir os olhos. Ela era uma garota cheia de opiniões e traços fortes, era sua conclusão baseado em como ela falava à vontade e falava o que pensava. Yugo roeu os lábios e lembrou.
— Está com o celular? Para pesquisar — foi a única coisa que conseguiu pensar. — Mas já podemos ir tentando encontrar doces, pois concordo contigo sobre essa — falou.
Mais sem graça que não saber a resposta para ajudar ambos, foi tê-la o segurando. Mas não que o sem jeito fosse sinônimo de desconfortável ou, e tampouco, ruim. Era novo por ela ser um elemento novo. Sequer sabia o nome - coisa que, por sinal, se tocou logo em seguida.
— 赤い糸 ¹. Uhum — concordou. Sem comentários sobre ela ter reconhecido. — 君の名は。², traduziram para Your Name. É uma animação japonesa e ela tem esse fio vermelho como base. Em uma determinada cena, a garota, que está no corpo do garoto, escreve no rosto dele — sinaliza para o próprio rosto — “バカ³”, que significa idiota, e tem o cordão no pulso, para que quando eles acordassem, soubessem que outra pessoa esteve ali. A menina, com o menino no corpo dela, usa o cordão no cabelo para amarrar e ele também escreve no rosto dela — Riu. Yugo apontou para um bombom gigante e de mentirinha no canto de uma das paredes, indicando que precisavam dobrar a esquerda. — Desculpe, eu não sei teu nome. Mas eu sou Yugo!
O bigodinho de Yugo era sua nova coisa favorita. Sempre que olhava para o amigo, não conseguia se conter e acabava sorrindo ou rindo baixo. Ele estava adorável e sentia-se grata por tê-lo ali junto dela, considerando como seu tipo de fantasia só fazia mais sentido se estivesse acompanhada. E por mais que não dissesse esse tipo de coisa em voz alta, a forma como se dedicara a deixá-lo confortável ao longo da noite, fosse dividindo com ele comidas típicas da feira ou deixando que ele escolhesse as atrações, talvez deixasse claro como ela estava feliz por ter o rapaz junto de si. “Você sabe que eu diria se isso me incomodasse, Shobu. Então, sim, vamos lá.” Respondeu simplesmente, finalizando com uma última mordida a maçã do amor que tinha em uma das mãos, descartando na lixeira mais próxima o palito que sobrou. No instante em que se virou de volta, foi interceptada por um casal de garotas vestidas de Tardis e Doctor Who, que, animadamente, pediram por um beijo dela e de Yugo, a fim de uma foto, elogiando, como várias outras pessoas naquela noite, o fato de serem um casal tão bonito e distinto, elogio que, por sua vez, poderia ser considerado preconceituoso, levando em conta como ele só viera pelo fato de Yugo ser asiático e Asabi nitidamente negra, mas nada que a tirasse do sério no momento, já que seu foco estava mais em se voltar ao amigo, sorrindo, antes de gentilmente pegá-lo pela mão, após um perguntar rápido sobre ele topar ou não.
Se conhecendo, Azura não via problema algum nisso, mas, mais do que isso, conhecia o rapaz; por isso, quando finalmente recebeu o aval, concentrou-se em segurar a postura pelos segundos necessários até que o clique tivesse sido feito.
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Papo esquisito era aquele daquelas pessoinhas? Yugo não era, definitivamente, do tipo a beijar por beijar. Era esquisito, especialmente com alguém que considerava amiga de anos. Yugo era péssimo em saber separar romance com amizade - claro, seu parceiro seria também amigo, mas, em sua cabeça, um amigo não seria um parceiro. Beijar Asabi, então, mesmo que para foto? Além de achar um pedido sem noção, o fazia nervoso para um caralho. Mas foi, topou sabe lá por qual motivo (Halloween, talvez?), tentando não explodir por ali mesmo e deixar sua gravata para trás.
De toda forma, antes fosse Asabi que outra Mortiça. Que seus pais não o visse beijando a morena daquele jeito, pois por mais teatral e para fins de fandom que fosse, voltaria para casa com mil e uma perguntas sobre que jeito foi esse que você a beijou? Porque Yugo, tendo achado um pouco mais de confiança ao focar em encarnar o personagem, até a segurou do jeitinho que o Gomes fazia com a esposa. O clique veio, mas Yugo quase não ouviu. Foram os comentários alheios que o fizeram terminar a encenação.
— Tudo bem? — perguntou baixinho, afim de reconfortar ou qualquer coisa assim por tê-la colocado em tal situação. Era assim que se sentia, ao menos. Ele roeu os lábios e acenou para a gurizada que se despediu com os agradecimentos. — A gente devia ter cobrado — tentou o humor e, então, a olhou. — ...Ainda está tudo bem irmos na Roda Gigante? — porque, na cabeça dele, ela poderia estar preferindo correr de uma possível esquisitice.
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quando as luzes se acenderam, acabou levantando a destra para proteger os olhos, estreitando os mesmos enquanto tentava adaptar a visão. engoliu em seco, ainda sentindo a adrenalina presente em sua corrente sanguínea, sua primeira reação sendo fechar a porta do local. demorou para entender onde estava, e quando finalmente tomou conta, arregalou seus olhos. o pedido para trancarem as portas ficou preso na garganta, não sabendo se queria ficar ali. “você sabe o que está acontecendo?” virou-se na direção da voz, começando a andar, ainda em alerta. “tinha um maluco atrás de mim! ele era horrível… eu não sei se isso é uma brincadeira mesmo, as armas pareciam bem reais.”
Yugo reconheceu a voz antes do rosto. O cenho franziu como nunca, quase largando uma ruga irreparável, apesar da idade, e os passos apertaram. Reconheceu, também, ao menos um tipo de sentimento na voz alheia.
— Eu não- Eu não sei — e aí, ainda de longe, ele a encontrou. Yugo parou e tentou se concentrar, olhando o espaço ao redor. Cadê a mediunidade quando precisava? De certo, faziam dias que era algo pesando na atmosfera; agitando o mundo espiritual de forma perturbadora para Yugo, ao ponto de decidir, de vez, que precisava estudar também sobre exorcismo e essas coisas que sempre tentou evitar. — Allie? É o Yugo. Está tudo bem, só tem eu aqui. Se isso é alguma coisa...
Tinha acordado enjoado. O doce e insaciável aroma de sangue estava sendo uma perturbação para ele aqueles dias. Desde de quando tinha ficado tão fraco? Mas os pensamentos… Os pensamentos eram os piores. Tudo envolvia sentir o calor e a satisfação de possuir uma vida bem em seus braços. E esse assunto era até que delicado para alguém como Alucard. Por sua mãe ser humana, sempre sentia-se culpado por carregar ainda esse desejo de sangue que vem acompanhado com o cheiro de morte, nada agradável diria. Mesmo que não fosse admitir em voz alta, sentia falta de beber diretamente de um pescoço. Nada era comparado a essa sensação. Era o seu prazer culpado.
Achou que sair aquela hora da noite seria uma boa ideia para tentar distrair sua cabeça daquele assunto, mas acabou que sem perceber, seu passos apressados o levaram para funerária da cidade. Não imaginava que estivesse alguém ali mas porventura encontrou outro homem saindo do local. O que diabos ele estava fazendo ali? Foi inevitável que suas presas saíram quando o cheiro do outro fez presença no seu nariz. Tão quente, tão próximo… E se eu te matasse? O pensamento duvidoso preencheu todo seu cerne para alguém que não sentia prazer em fazê-lo. Suas unhas se arrastavam pela parede áspera, machucando seus dedos até que saísse sangue. Não tinha mais controle. — Corra… Por favor… — suplicou, mesmo que não fosse adiantar muita coisa.
A preocupação de Yugo era com a falta de cor na cara do rapaz: não estava muito preparado para lidar com alguém desmaiando, não. Preocupa também a forma que o outro o olha – nunca havia se sentido tão exposto na vida. Até olhou para as próprias para conferir se estava tudo nos conformes.
— O quê? — questionou. Pouco havia entendido o que ele disse, embora suspeitasse o que havia sido. A falta de sentido que havia complicado.
Naturalmente, dono de natureza preocupada demais, Yugo fez o contrário: se aproximou. Cauteloso, sim, tentou manter uma distância respeitosa, também, mas se colocou no ângulo onde conseguiu ver o que acontecia com os dedos do moreno. Os olhos alarmaram; a preocupação só fez o sangue correr mais.
— Você precisa de ajuda? Qual seu nome? Seus dedos estão sangrando... — e, ingênuo, apontou para o vermelho na parede. Nenhum perigo gritou naquele momento.
se kim possible realmente existisse, estaria decepcionada com o desempenho de alison. após correr como se sua vida dependesse disso — e provavelmente dependia —, estava ofegante, cansada, e quase chorando. tudo isso porque um personagem de terror, que não conhecia, decidiu correr atrás dela. um maluco! se isso era para ser uma brincadeira, deveria ter uma maneira de sair. sozinha e sem saber exatamente onde estava, continuou caminhando, cuidadosa e atenta, até que reconhecesse a funerária. engoliu em seco, não sabendo se era uma boa ideia ou não entrar ali… ou continuar. pensou em bater na porta, mas ao tentar abrir, notou que estava destrancada… e entrou. “olá?” chamou mais alto, temerosa. “tem alguém aqui? por favor… se for alguém dessa brincadeira sem sentido… por favor, avisa e me dá um minuto pra sair correndo… eu não aguento mais isso.” choramingou, ainda sem ver @corpseyugo .
Astrid estava birutinha, que nem todo mundo naquela cidade, com o Halloween. O que tinha de mais nessa época do ano? Para Yugo, sempre foi o pior – a energia de todo mundo se tornava o suficiente para atrair espíritos demais para o seu gosto. Felizmente, eles não eram todos (ou sempre) ruins, mas quem ficaria okay vendo uma alma do nada enquanto espera na fila do compra pão, literalmente? E se alguém estivesse a fim de discordar dele, era só prestar atenção no que é que dizia quem fosse aquela invadindo a funerária.
Yugo ajeitou os óculos antes de acender todas as luzes. Odiava fazer, visto que podia economizar ligando só a da salinha que ficava, mas achou que aquilo poderia confortar o medo na voz alheia antes de se fazer visto.
— Tem sim e eu não estou na brincadeira — falou alto.
𝐒𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑 with @corpseyugo
29/10: Freakshow - Labirinto
◜ ✨ . Vestindo sua fantasia de Helga Pataki, Robin se aventurava sozinha no labirinto do evento, atraída por desafios como aquele. Entretanto, o clima parecia muito mais tenebroso do que o esperado, mesmo considerando tratar-se do Halloween. Tentava ao máximo ignorar aquela sensação, pois se sentia uma completa estúpida por deixar-se abalar pela possível ameaça de criaturas que sequer existiam. Com aquele lembrete em mente, arriscava por caminhos que acreditava que levariam à solução do enigma no qual se metera. Mas o súbito vislumbre do rosto de sua mãe na parede pela qual passava diante naquele momento, fez com que um grito aterrorizado e abafado escapasse por entre seus lábios. ─── Mamãe! ─── Virou-se para a direção oposta, dando de cara com a figura de um rapaz, cuja mão agarrou com desespero, como alguém que suplicava por amparo. Levou alguns instantes para compreender o que havia acontecido, podendo notar a expressão da figura diante de si. ─── M-me desculpe, eu me assustei aqui e acabei… ─── Explicou-se com certa afobação, sem ao menos conseguir formar uma sentença completa. O rosto foi invadido por um tom leve de vermelho, envergonhada por ter agido daquela forma, também assustando o outro. ─── Você não se parece nada com a minha mãe, principalmente vestido assim. ─── Brincou, mesmo que sem humor, apenas para tentar aliviar as possíveis consequências de seus atos. Só então se deu conta de que ainda segurava sua mão, imediatamente recolhendo a própria, levando-a em direção aos olhos para cobri-los enquanto ria nervosamente. ─── Me desculpe, de novo. Eu nem vi de onde você apareceu.
Alguém iria terminar chorando, e muito provavelmente seria ele. Poderia ter admirado o labirinto gigante do lado de fora ou até por fotos, mas como gato curioso, entrou. Se morresse do coração, não teria outras sete vidas – e era aí que o bicho pegava: tinha medo de viver, mas também não queria morrer. Lá dentro do labirinto, porém, achou que ia bater as botas umas duas vezes só para descobrir que havia sido pseudo atacado por crianças usando roupas de serial killers fictícios. Maldita mídia.
A terceira vez que achou que ia ter um ataque cardíaco, no entanto, pareceu mais real: em um piscar de olhos, um grito foi seguido de sua mão sendo puxada – ao menos essa foi a sensação. Seu coração saltou tão rápido e repentino, que fez a cabeça doer. O reflexo, claro, foi o de tentar libertar a mão, mas graças a Buda que a menina gaguejou. Mortos não gaguejam. Yugo deu aquela suspirada vergonhosa e conseguiu se recompor o suficiente para apertar os dedos dela brevemente na tentativa de confortá-la: ele era alguém de verdade.
— Tu-tudo bem. Obrigado, eu acho… — bom saber que não parecia com a mãe de alguém. — Particularmente, me encanta a androginia, mas eu sinto que parecer uma mãe vem junto com outras coisas que- — e aí, assim como ela, notou que também não tinha largado da mão dela. Correu todo apressado para levar a canhota para o cabelo e afundar os dedos por ali. — Não vem ao caso — terminou.
Desconcertado, Yugo coçou a garganta. Logo conseguiu trazer uma seriedade e compostura, mas custou usar do momento em que ela cobria os próprios olhos. Uma preocupação sincera veio em seguida, quando o arrepio subiu a espinha e ele sentiu o que outros comumente não podiam sentir. Precisava amansar as próprias energias.
— Acho que ela não te abordaria assim — falou de repente, suave de toda forma. Ele ofereceu um pequeno sorriso, ambos sem jeito e compreensível. — Me deram duas perguntas quando eu pedi por direções: “o que é esculpido, no lugar da abóbora, na Inglaterra?” e “João e Maria não vão comer novamente”. Acho que são coisas espalhadas por aqui que a gente deve seguir — supôs, logo mostrando a ponta do cordão vermelho em seu pulso. Riu, tentando fazer graça do acontecido minuto atrás. — Se quiser segurar em alguma coisa.
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“O que você está fazendo?” As mãos foram para o homem, o desespero em seu olhar, empurrando-o para baixo. Tinha visto alguém, é claro que tinha, afinal não era doida. Estava tremendo, mas não sabia o porquê. Não era medrosa, nunca fora, mas havia algo sobre aquele dia em específico que estava fazendo com que ficasse cada vez mais perdida e aterrorizada. Adorava Halloween, mas não como aquele. “Alguém vai nos ver assim. Temos que ficar escondidos.”
— Traba- — e queria ter tido tempo de falar, porque, muito provavelmente, significaria não ser empurrado. — -lhando.
Curioso, mas mais confuso, Yugo nem pestanejou. Obedeceu e ficou quietinho tentando caber o corpo grande no esconderijo improvisado. Era óbvio que algo não estava certo, visto que era Astrid fazendo e falando tais coisas. Comumente, sabia ficar calado, mas precisou dizer:
— Qual é mesmo o problema em nos verem? É coisa de Halloween? Eu não me inscrevi em nada, eu tenho muita coisa para fazer.