Quando terminamos (mesmo aquilo não sendo um relacionamento), eu acreditei que não era capaz de despertar paixão em ninguém. Não, isso não tem nada a ver com você, mas com o nosso fim. Era outro fim. Mais um. Isso ficava ressoando na minha cabeça: mais um-mais um-mais um. Você foi honesto ao ir embora porque não me queria tanto, porque precisava ir. Mas eu precisava ser honesta também: eu não conseguia entender. Eu tentava exaustivamente entender e não conseguia. Me restou aceitar que à s vezes os fins não podem mesmo ser explicados. Sem fé nenhuma em mim ou em qualquer deus, eu rezei: Primeiro, pra você voltar. Depois, pra que não doesse mais você estar com outra pessoa. Porque você foi, não foi? Entrou em outra vida, em outros planos com alguém a quem você possivelmente não tinha medo de amar. Estou supondo e eu sei que é cruel supor, mas esse texto é sobre mim. Eu amei você por todas as vezes que precisou conversar com alguém sobre os problemas ou qualquer outra besteira. Eu estive lá. E você esteve aqui também. Já faz uns meses e ainda dói porque eu só queria não ser esquecida por alguém. Eu queria que alguém tivesse a certeza que passaria o resto da vida ao meu lado como eu tenho toda vez que eu ouço a sua voz. Mas não é mais sobre você voltar pra minha vida. Eu te quis gigante. Você me fazia sentir em movimento, era suave, me causava sorrisos. Era simples, não tinha drama, era tão simples: nos querÃamos bem e só, sem bicho de sete cabeças, repito, era simples mas teria fim. E tudo bem. Mas eu gostava de fingir que não. Quando o fim chegou, precocemente, em um dia que nem sei qual foi, eu não entendi, não era porque não esperava, mas você não falou nada, não disse o porquê, não deu motivos e eu respeitei. Nos primeiros dias, eu desejei sua morte, desejei que todas as pragas do Egito caÃssem sobre você, articulei macumbas, rezas e se palavras têm força eu te peço perdão se algo nesse tempo deu errado pra você, pode ter sido eu. E eu quis muito que algo ruim acontecesse. Você não pode me julgar, quando não sabemos o porquê nos culpamos, achamos que não éramos suficiente, que algo falta. Mas passou. Toda culpa, raiva, desejos ruins. Acabaram. Ficou uma dor ali que em dias frios latejava mais forte como joelho doente. Os dias foram passando e a dor também. Ficou uma saudade. Quando a saudade aparece, ela não dói, nem incomoda, apenas me causa sorrisos nostálgicos, me traz lembranças de noites inteiras deitados como se não existisse futuro, quando éramos gigantes e o sorriso nem cabia na boca. Era bom e doce (me fazia te querer por toda a vida, mas eu nem pensava em futuro quando estávamos juntos, você não seria eterno, você era o presente intenso e suave ao mesmo tempo, era bom era tão bom). Quando me lembro de você, eu lembro isso: Que era bom. Não espero sua volta, nem a quero, não somos mais os mesmos e não amo a sua nova versão, eu gosto desse gosto suave que você me deixou. Eu queria te perguntar se você lembra disso ou se me enterrou tão fundo que mal consigo respirar para te lembrar que éramos bons e não há porque não sorrirmos para o outro quando nos esbarrarmos. Não há rancor daqui. Durou algumas semanas e hoje em dia é tão memorável que, caramba, não é sobre em quanto tempo você estreita um laço, mas como. Acontecemos e era bom. Espero que se lembre disso. De cá, te desejo o bem, e que seja gigante. Estou sendo.
 Adaptação de alguns textos da TCD.Â
(contra-dizer)













