O que o peito não consegue mais calar.
Tem horas em que o silêncio pesa tanto que a gente é obrigada a quebrar a própria barreira e deixar transbordar o que está nos sufocando. Tentar traduzir o tamanho do teu impacto na minha vida é uma tarefa quase impossível, mas preciso tentar esvaziar essa gaveta cheia aqui dentro.
Nossa caminhada foi um turbilhão. Passamos por tempestades, tivemos momentos de choro, passamos por fases em que a distância parecia definitiva, mas também compartilhamos aquelas risadas descontroladas, os segredos sussurrados e os planos desenhados para o amanhã. É por conta dessa nossa bagagem tão viva que, mesmo com as falhas, as feridas abertas e as ausências que doeram, eu continuo empacada na impossibilidade de te apagar de mim.
A verdade nua e crua é que eu ainda amo você.
E não se trata de um afeto passageiro ou comum. É o tipo de sentimento que me transformou por completo, que reorganizou a minha forma de ver a vida. Você me mostrou que a intensidade pode até assustar, mas é ela que tira os dias do automático. Ninguém nunca conseguiu me fazer sentir o que eu senti ao teu lado; ninguém tem esse mesmo encaixe.
E, por mais que eu vista uma armadura para disfarçar, sempre que meus pensamentos tentam rascunhar o futuro, uma parte teimosa de mim insiste em desenhar você ali, nos detalhes.
Fico me questionando se você tem a real dimensão da pegada profunda que deixou na minha existência. Se você sabe que moldou não só o meu passado, mas também a pessoa que sou agora. Porque, mesmo quando as tuas atitudes me machucaram, mesmo quando você escolheu sumir sem deixar pistas, eu ainda conseguia enxergar um brilho em você que justificava toda a minha insistência.
É fácil para quem está de fora dizer que eu devia virar a página, fingir amnésia e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Só que o coração não obedece a ordens lógicas. Quem entrega um sentimento legítimo não desliga o botão do afeto de uma hora para a outra. E o que eu te entreguei foi de verdade.
Eu continuo te amando. E carregar isso é, ao mesmo tempo, o meu escudo e a minha maior vulnerabilidade.
Não sei para onde a vida vai nos empurrar. Pode ser que a gente nunca mais volte a ter aquela cumplicidade de antes, ou que as nossas trajetórias se afastem de vez. Mas eu precisava soltar esse nó na garganta: você foi, sem dúvidas, o enredo mais forte que eu já vivi até hoje.
Você foi o meu porto mais bonito e, contraditoriamente, a ferida que mais demorou para fechar.
Não há cobranças nessas linhas, não há expectativa por uma réplica ou um pedido de volta. É apenas o meu coração cansado de carregar esse peso sozinho. Aprendi que quando um amor é desse tamanho, esconder é uma covardia. A gente precisa ter a audácia de colocar as cartas na mesa.
Então, que fique registrado no vento:
Eu ainda sinto a tua falta, e o meu afeto por você permanece intacto. Apesar das cicatrizes, do espaço entre nós e dos dias que teimam em passar.
— clearlyemptyknowledge.