O avesso que ninguém mais conhecia.
Tem conexões que não marcam pelo tempo no calendário, mas pela profundidade do impacto. Não importa se durou meses, anos ou apenas alguns suspiros; o que realmente conta é o rastro que deixam na nossa identidade. Existem pessoas que cruzam o nosso caminho com o único propósito de acender uma luz em cômodos nossos que até então estavam completamente escuros.
A gente passa a vida protegendo certas camadas, usando armaduras e mostrando ao mundo apenas aquela versão que já está acostumada a se defender. Mas aí, sem aviso, alguém chega e desarma tudo. Não pela força, mas pelo espaço seguro que cria.
Ao lado dessa pessoa, uma versão nossa que nem sabíamos que existia finalmente ganha coragem de aparecer. Uma risada mais solta, uma vulnerabilidade sem medo de julgamentos, um jeito de olhar a vida que andava adormecido. É o tipo de encontro que nos faz perceber que éramos muito maiores do que a caixinha onde vínhamos nos escondendo.
Por isso, quando esses ciclos se transformam ou chegam ao fim, a saudade que fica nem sempre é da pessoa em si. É a falta que sentimos de nós mesmos naquele reflexo. Sentimos falta daquela nossa versão leve, corajosa e inteira que só ganhava vida ali, naquele abraço específico.
No fim das contas, os encontros mais bonitos da vida não são aqueles que duram para sempre, mas aqueles que nos devolvem para nós mesmos muito melhores do que quando começamos. São os que nos mudam por dentro e deixam a certeza de que, depois de ser aquela versão, a gente nunca mais aceita voltar a ser menos.
— clearlyemptyknowledge.












