There ain't a word in this world that describes my life with you | Epilogue.
NY, 20 de Agosto de 2028.
A campainha tocou pela quinta vez na última meia hora e, apesar de estar bastante ocupada, Clary fez questão de ir atender. Queria receber devidamente todos os convidados, ao invés de deixar que uma das empregadas fizesse isso. – Hey! – Abriu a porta com um sorriso, deparando-se com mais um casal e sua filhinha, colega de escola de Anise. – Entrem, sejam bem vindos. – Cumprimentou os dois e então se abaixou para dar um beijinho na bochecha da menininha, Rose, que trazia um embrulho cor-de-rosa nas mãos. – Venha, eu vou levar você até Anise e as outras crianças. Vocês podem ficar à vontade, eu já volto. – Disse aos pais da menina, gesticulando para que se unissem aos demais adultos que conversavam animadamente na sala de estar. Com as mãos nos ombros de Rose, Clary a guiou até o quintal dos fundos de sua casa, onde milhares de enfeites, bexigas, brinquedos infláveis e mesas de docinhos se espalhavam, cercados por várias crianças e animadores de festa. Deixou que a menina depositasse o embrulho que carregava na caixa de presentes e então apontou para onde sua filha estava, encorajando Rose a ir até lá.
Clary sorriu observando a menininha correr para se juntar às amigas. Era o aniversário de 5 anos de sua filha caçula, Anise, que insistira em se fantasiar de princesa Bela. Ela rodopiava para lá e para cá com seu vestido amarelo, seguindo o exemplo das moças também fantasiadas de princesas que Clary contratara para a festa. Thalia, sua filha mais velha – apenas dois anos a mais do que Anise – escolhera fantasiar-se de princesa Aurora, e saltitava pelo quintal junto da irmã. A maiorzinha entre as crianças, mas que se divertia da mesma forma, era Gwen, a irmã mais nova de David. Mesmo já com 14 anos, ela também quisera se fantasiar de princesa, e cuidava das criancinhas menores vestida de Branca de Neve. Clary quisera alugar uma roupa de Merida para si e uma de Aladdin para David, mas acabou desistindo da ideia ao concluir que teria que recepcionar seus próprios amigos e os pais das outras crianças dentro de casa, sem parecer ter saído de um filme da Disney, e não passar a tarde inteira brincando de princesa com as filhas e a cunhada, como ela queria.
Deu uma última olhadela em suas três princesinhas e então voltou para dentro de casa, encaminhando-se novamente para a sala de estar. Percebia agora que estava tão cheia quanto o quintal; por sorte era uma sala de estar bem grande. David conversava com os pais e estava cercado de amigos, novos e antigos. Os pais dos coleguinhas de Anise pareciam ter se enturmado facilmente, o que a deixou mais tranquila. Ouviu o barulho da porta se abrindo, mas não se lembrava de ter escutado a campainha, e virou-se com o cenho ligeiramente franzido, só para ver Caleb entrando como se estivesse chegando em sua própria casa, acompanhado de Tessa e seus dois filhos. É claro que ele não se daria ao trabalho de tocar a campainha. Clary riu e foi cumprimentá-los. Recebeu um abraço apertado de Seth e um beijo estalado de Michael, que Tessa segurava no colo. – Onde está a minha afilhada? Ela vai adorar o presente que eu comprei para ela. – Caleb carregava um embrulho grande e quadrado, e Clary ficou tentada a perguntar o que era, mas resolveu que descobriria depois. Apontou para o corredor e disse para Caleb seguir com Seth até o quintal, onde encontrariam as crianças. Tessa foi sentar-se no sofá ao lado de Bianca, que também segurava sua filha de pouco mais de dois anos no colo, Luna. Ela e Michael começaram a brincar.
Clary juntou-se a David e seus sogros, até que Caleb voltou com a cara toda pintada e cheia de glitter. – É isso que você recebe da sua afilhada em troca de dar a ela o melhor presente de todos. – Resmungou, emburrado, e a sala explodiu em risos em resposta. – Essa é a minha garotinha. – Disse David, e Clary olhou para ele e sorriu. Até as empregadas que serviam petiscos e docinhos aos convidados estavam rindo, mas Caleb não se deixou abalar por muito tempo, e logo entretinha a todos cantando e tocando músicas, com um violão que tirara sabe-se lá de onde. – Acho que você deveria dar uma gorjeta a ele quando a festa acabar, Clary, ele está fazendo tanto sucesso quanto as animadoras de festa que você contratou para brincar com as crianças, com essa cara cheia de glitter. – Brincou Bianca, e Clary riu. A campainha tocou mais uma vez e ela se prontificou a atender, abrindo a porta e deparando-se com seus pais. Há alguns anos, devido a uma série de acontecimentos, Valentim e Constance haviam deixado um pouco de toda a sua arrogância de lado e passado a tratar a filha, e principalmente as netas, com uma atenção que ela não se lembrava de já ter visto antes da parte deles. Uma nova atitude que ainda parecia delicada para Clary, como se a qualquer momento eles pudessem voltar a ser severos e rijos como antes. Por isso sempre assumia uma postura hesitante ao encontrá-los, esperando para ver como ambos agiriam. Quando sua mãe ergueu um pacote de presente cheio de bolinhas coloridas e abriu um pequeno sorriso, porém, Clary sentiu os ombros relaxarem, e abriu espaço para que os dois entrassem. Abraçou o pai e a mãe e, assim que eles cumprimentaram – de longe e brevemente – todos os convidados na sala, levou-os pelo corredor até o quintal, para que pudessem entregar o presente à neta.
- Thalia! Anise! – Clary chamou, sorrindo quando as duas pararam imediatamente o que estavam fazendo e vieram correndo em sua direção. – Olhem só quem chegou. – As duas menininhas abriram largos sorrisos e estenderam os braços na direção de Valentim e Constance. – Vovô! Vovó! – Clary sentiu o peito aquecer e teve que se segurar para não chorar, vendo aquela cena que sempre lhe parecera tão improvável, que era seu pai e sua mãe se abaixando para dar abraços fortes em suas filhas. Constance pegou o pacote que trouxera e de lá tirou não apenas um, mas dois presentes, e entregou um para cada neta. Thalia e Anise deram gritinhos de alegria quando desembrulharam as caixas que continham bonecas das respectivas princesas que elas representavam, e voltaram a abraçar os avós para agradecer. Assim que ambas foram liberadas para voltar à brincadeira e Constance e Valentim se levantaram, Clary passou um braço ao redor do pescoço de cada um e os abraçou como se ela própria fosse a criança que acabara de receber um presente. – Obrigada. – Disse baixinho.
- Clarissa? – Ouviu a voz de David a chamar da porta de casa. – Sim? – Aprumou-se, afastando-se dos pais e indo até o marido. Ele sorriu. – Está na hora de cantar parabéns. – Então os dois passaram os dez minutos seguintes reunindo todos os convidados e as crianças em volta da grande mesa que fora montada no espaço gourmet perto da piscina. Dav pegou Thalia no colo e Anise veio para o de Clary assim que ambos se posicionaram atrás do bolo. As princesas da Disney iniciaram o coro e Caleb acompanhou no violão enquanto todos cantavam “parabéns pra você”. Thalia bateu palminhas e Anise se inclinou para assoprar as velinhas assim que seu nome começou a ser entoado depois do “rá tim bum!”. Todos bateram palmas quando o fogo se apagou e Clary beijou a bochecha da filha. – Parabéns, princesinha. – A sessão de fotos começou em seguida. Primeiro de Clary e Dav com as filhas, depois das duas meninas com os quatro avós, seguida por uma com Alec segurando Thalia no colo e Gwen segurando Anise, finalizando com uma de Anise com seus padrinhos, Caleb e Melody. As crianças mal quiseram saber do bolo, voltando a brincar com as princesas assim que tiveram a chance. Bianca ajudou Clary a cortar o bolo e distribuir para os convidados que agora se alojavam ali, nas mesas e cadeiras espalhadas pelo jardim. Assim que terminaram, Clary resolveu se sentar um pouco para saborear um pedaço do bolo também. Passou os olhos por cada um de seus amigos e familiares, que conversavam ao seu redor, enquanto comia. Era engraçado como mesmo os adultos adoravam festas de crianças. Ela, pelo menos, nunca deixaria de gostar. Seu olhar pousou em Alec e Olivia, que dividiam a mesa com Valentim e Constance. Sua mãe aparentava estar ligeiramente desconfortável, mas já fazia anos que ela não discutia mais com Valentim, ou com o próprio Alec, sobre o fato de o enteado ter “caído de paraquedas” na família. A conversa entre eles parecia razoável e Clary sorriu; por mais que ainda não fosse exatamente como ela queria, já era um imenso progresso.
Só percebeu que David se sentara ao seu lado quando ele passou um braço ao redor de seu corpo. – 7 e 5 anos. Essas baixinhas crescem rápido demais! Daqui a pouco estarão mais altas do que você. – Ele a provocou, e Clary revidou mostrando-lhe a língua, mas acabou rindo baixo em seguida. – Nem me fale. Logo elas serão mocinhas como a Gwen e nós ficaremos velhos... – Encostou a cabeça no ombro dele, olhando para a água que tremulava na superfície da piscina, não muito longe dali. – Você está feliz? – Perguntou de repente, sem saber ao certo por que aquela pergunta lhe ocorrera. Milhares de pensamentos e lembranças haviam criado um turbilhão em sua mente no último minuto, e ela ainda não conseguira organizá-los o suficiente para explicar a necessidade de indagar aquilo a David. Ele se virou para olhá-la. – Muito. Minha felicidade só poderia estar mais completa se você tivesse alugado aquela fantasia de Aladdin para mim. – Ele brincou, sorrindo. – E você? – Ela olhou em seus olhos e pensou por um segundo em tudo o que eles haviam passado até chegar àquele momento, percebendo o quanto tudo valera a pena. Clarissa sorriu. – Mais feliz impossível












