Sua mente ainda estava em branco momentos depois, por segundos ou minutos que Celeste não saberia dizer quantos eram. Mal sentiu Cedric se retirar dela e recebeu um beijo em meio a seu torpor, reagindo apenas em reflexo à boca dele. Ele a virou levemente para o lado, agarrando-se ao seu corpo e ela sorriu, chapada de contentamento. Teve apenas a vaga impressão se sentí-lo retirar a colcha energética que a coria e quase não conseguiu ouvir o que ele disse logo depois. Deuses, estava acabada.
Suspirou baixinho, ainda sem coragem de respondê-lo. Obrigou-se, entretanto, a lutar contra a névoa em seu cérebro para se virar em sua direção. Gostava de ficar de conchinha, mas teriam tempo para dormir assim depois. Queria vê-lo.
Assentiu primeiramente antes de falar, levando o mão até seu rosto. Não teria problema dormir ali naquela noite. Havia se passado dois meses desde que ficaram juntos a última vez e Cedric estava comprometido publicamente. Não tinha chance da Matriarca Bondurant desconfiar de nada, tinha?
— Durmo. — Concordou, acariciando sua pele. Um sorriso leve adornava os lábios da maga e os olhos estavam mais pesados. Ela então emprensou sua boca na dele por longos segundos. Era esquisito estar tão impossivelmente satisfeita, mas ainda querer mais dele ao mesmo tempo. Nunca era o suficiente.
Celeste afastou o rosto, mas trouxe o corpo para mais perto, colando sua frente com a dele. Analisou suas feições por alguns segundos, seu nariz e boca, voltando a deixar carícias em sua pele. Voltou ao seus olhos.
— Como foi para você? — Perguntou. Queria saber por que ele não tinha respondido da primeira vez. Como tinha sido para ele naquela mesma noite? Como tinha sido da primeira vez? Como era para ele compartilhar sua energia assim?
Celeste já havia respondido algumas vezes; no dia em que foram para o cemitério, inclusive, quase morrera de vergonha ao perceber como tinha descrito sua aura.
O rosto positivamente cansado de Celeste se virou para ele, junto com o corpo nu. Ela acariciou o de Cedric e concordou com sua proposta, beijando-o em seguida. Ele fechou os olhos por alguns poucos segundos ao sentir seus toques, mas os abriu com sua nova fala.
Celeste já o tinha feito essa pergunta antes e, atordoado e fugindo das emoções que teria que acessar caso discutisse a experiência, ele escapou com respostas curtas, simples. Ela não estava satisfeita, contudo, ele podia ver em seus olhos. Celeste sempre queria saber mais, queria ouvir seus pensamentos e sentimentos mesmo quando, na verdade, não os queria conhecer. Dessa vez, queria de fato? Tinham se declarado um pro outro… Ela aguentaria ouvi-lo sem estremecer de receio?
Ele iniciou uma massagem suave na lombar da maga.
— Como se… — Pensou um pouco mais, lembrando-se de como se sentira minutos antes. — …eu estivesse sentindo você nas minhas veias. Não tão forte, mas o suficiente para eu conseguir distinguir o que era eu e o que era você.
Ele a tinha envolvido consigo mesmo, afinal.
— Suas emoções, principalmente, mas também algo mais… Não sei dizer o que. Sua alma? — Ele ergueu um canto da boca e deu ombros devagar. — Na outra vez, eu me assustei com isso. Confirmei que estava apaixonado por você, pela sua alma, e que realmente não sentia só desejo físico. Mas você nem solteira estava, e muito menos queria ouvir isso de mim. Então preferi não falar nada.