Ele era como uma casa. De alguns poucos, sua fachada chamava atenção. Para outros, era indiferente e havia aqueles que a achavam feia, antiquada, sem graça. Nunca houve ninguém que o considerasse um patrimônio digno de tombamento.
Ao longo da vida, poucos entraram lá... Um número grande foi convidado a se retirar. Muitos foram expulsos e tiveram suas fotos removidas das paredes. Um número ainda menor recebeu convites de grandes honrarias. Destes, uma porcentagem não tem fotos na parede. Ainda sobre estes: as portas e janelas estavam sempre abertas e destrancadas. O acesso era livre:
— Vá onde quiser. Mas, por favor... Aqui, nesta sala no centro, pise com cuidado... No andar de cima, escolha bem as palavras. Tudo o que é dito lá fica escrito em pedra — ele dizia.
Quando alguns partiram, na sala central deixaram marcas dolorosas nas paredes e nem todos deixaram belas palavras lá escritas na sala lá em cima. Hoje existe alguém que pode andar por lá. Acesso livre e ilimitado... Exceto por uma sala: um pequeno quartinho lá no fundo. Um quartinho onde ele guardou a si mesmo.
— O anfitrião real encontra-se indisposto — diz o anfitrião social.
— Pode ser que ele saia e seja visto esporadicamente. Anda sujo de tinta e concreto. Nas madrugadas, ele tenta inutilmente pintar de preto algumas palavras na sala de cima e tapar alguns buracos na sala central. Você gostaria de um café?