escrevo no papel tudo que quero deixar pra trĂĄs: âculpa por minha relação com o gabriel nĂŁo ter dado certoâ
00:00 sozinha no meu quarto, choro por tudo tudo tudo.
lembro do primeiro dia que a gente ficou, coincidentemente num dia 22 como do seu aniversĂĄrio. dia 21 vocĂȘ me busca, acho que Ă© a primeira vez que ficamos sozinhos, sĂł vocĂȘ e eu sem seus colegas por perto.
fico feliz de que tenha comprado chocolates pra mim, coloco numa rĂĄdio aleatĂłria e alguma coisa dentro de mim acende ao estar perto de vocĂȘ. acho curioso porque nada em mim acendia daquele modo hĂĄ muito tempo.
sinto aquele lampejo como um sinal.
uma voz: âvou namorar esse caraâ
birds of a feather começa a tocar, uma das minhas mĂșsicas favoritas.
mais de meia noite, dia 22 de novembro.
fumo um cigarro sentada no meio fio, seus olhos me chamam.
(agora, olhando pra trĂĄs, penso que vocĂȘ sĂł me olhava com desejo, porĂ©m naquele momento sinto que vocĂȘ me olha pra alĂ©m de um corpo com carne ossos sangue.)(projeto em vocĂȘ meu olhar?)
me sentia em paz e eufĂłrica ao mesmo tempo, nos beijamos na cozinha daquela casa desconhecida e foi tĂŁo bom.
na volta, no carro, penso que vocĂȘ faz um caminho mais longo para ficarmos mais tempo juntos e pra que eu vejo alguns lugares bonitos que talvez nĂŁo tenha visto antes.
acendo uma vela branca, faço uma oração pra vocĂȘ. e Ă© a primeira vez que acendo uma vela e oro por alguĂ©m.
acho bonito e poĂ©tico que seja vocĂȘ a primeira pessoa.
depois seus olhos se perdem de mim, tento te olhar com mais calma pra que perceba talvez que sou um lugar seguro aonde possa entrar com todas suas bagagens que guarda dentro dos olhos.
toda vez que me olha por mais de 30s sinto que Ă© porque quer desvendar meu corpo. e eu sĂł aceito que perdi seus olhos do primeiro dia.
guardo isso como uma bomba prestes a estourar.
e estouro quando vamos para a praia sozinhos pela primeira vez.
pousa uma coruja sobre as cadeiras de um quiosque, queria que tivesse visto.
vocĂȘ me fala coisas pesadas de ouvir e as faiscas do meu estouro começam a pegar fogo de novo.
procuro seus olhos, de novo, como se fosse um guia sob nosso silĂȘncio. e quando me olha demoradamente, sĂł vejo que nĂŁo te conheço, que nĂŁo me conhece e que Ă© o fim.
sinto vontade de nunca mais te olhar.
vela preta, uma carta, o perdĂŁo e o adeus.