No one laughs at god when they're staring at the end of a wand// @POV // Flashforward
This is the moment, this is the day. When I send all of my doubts and demons on there way. Every endeavor I have made ever is coming into play. Is here and now today
Você, teoricamente, não pode escolher a forma como quer morrer. Você foge, se esconde, procura abrigo e evita ao máximo possível abraçar a morte. Mas não se engane, não é só você quem faz isso. Recebi uma carta da Lily falando sobre a morte de Marlene. Recebi uma de Alice e Frank, e uma de Alastor também, todos em luto pela morte de uma das pessoas mais doces que já conheci, mas de forma alguma esperava que a morte estivesse sondando tão perto de mim. Se entocando em cada canto escuro que eu passava, debaixo das camas, nos corredores. Dizem que é inevitável, quando a morte te encontra digo, é pouco provável que você consiga enganá-la, mas eu não quis. Achei que se ela estava ali, mórbida, olhando pra mim como se eu fosse uma criatura, mas não achei que ela fosse olhar para meus filhos também. Eu me entregaria sem problemas se ela não estivesse flertando com a minha família, e é por isso que eu ri. Ri quando Malfoy estava com a varinha apontada para minha filha. Se existia algum tipo de justiça no mundo, Merlin estava agora me devendo um braço.
Eu tinha acabado de sair do enterro de Marlene. confortei Alice, Amelia, Lily, abracei a todos, e não sabia que eram abraços de despedida, ah se soubesse... Havia muito pra dizer. A reunião da Ordem naquele dia tinha um ar sombrio, mórbido outra vez. Eu estava triste, não em prantos, mas de luto. Saí de lá de carro - que Mary tinha me ensinado a dirigir ainda que precariamente - e dirigi por quatro ruas até a vila trouxa onde ficava a casa de Amelia, disse-lhe para ter cuidado mas não deixei sair nenhuma palavra de afeto. Não lhe disse o quanto a amava e que ela era a melhor irmã do mundo, mas deixei que a última visão que eu tive dela fosse seus cabelos louros entrando pela porta da casa.
Fui até em casa ouvindo uma música trouxa, o toca-fitas deixava uma melodia ininteligível sair tranquila, e meus olhos que estavam fixos na estrada pesaram um pouco. Eu gostava de frequentar as reuniões da Ordem antes da série de assassinatos, realmente gostava, mas a guerra ficou mais sombria e agora perdíamos um a cada mais ou menos duas semanas, era duro, era pesado. Meu carro dobrou a esquina conforme eu mandava no volante, parte de mim hoje preferia que eu não tivesse feito isso. Como nós estávamos evitando a rede floo, dirigir tinha se tornado quase natural, não é fácil aparatar segurando um bebê e três crianças. O ronco do motor parou na frente da minha casa, uma coisinha amarela de cercas brancas como no ideal de praticamente toda mulher, discreta e em um condomínio trouxa. Minha mulher não abriu a porta como todos os dias, mas não me incomodei, fui entrando em casa. Não reparei que o pequeno trinco do portão estava arrebentado, mas quando coloquei a mão na maçaneta e ela se soltou na minha mão - quente ainda - tive certeza de que algo estava errado.
Meu coração bateu forte contra a garganta e tive que pensar bem pra conseguir respirar, isso não podia estar acontecendo com a minha família. Não com a minha. Eu entrei pela sala, não havia barulho, minha casa estava silenciosa demais para ser o reduto de quatro crianças. Pisei em um patinho de borracha no caminho para a cozinha, e ouvi um arrastar de móveis. O corpo dela estava ali. Minha mulher tinha sido largada no meio do corredor, os olhos inertes encarando o nada, os lábios cor-de-rosa fechados. Eu quis só me jogar ali no chão ao seu lado e desistir de tudo, mas ainda precisava encontrar meus filhos. Andei até a cozinha, pé ante pé, tentando não fazer barulhos, e então ouvi a cena. Ouvi todos os barulhos do mundo, desde a buzina na rua de trás até o sangue bombeando nas minhas próprias veias. Ouvi tudo. Olívia - minha filha adotada, que tinha oito anos na época - estava amarrada a uma das cadeiras pelos pés e braços, sua boca tapada com um pedaço de pano. Pepper, de três anos, estava no colo de Travers enquanto Luke, de dois, era segurado em sua cadeirinha de jantar por Crabbe, e por último, a pequena Russia estava sendo alimentada por Bellatrix em um dos cantos da sala. - Essa porcaria aqui não parava de berrar, mas você tem uma família bonita Bones. - Bellatix riu mostrando os dentes tortos. Ela era muito mais bonita nos tempos de escola.
- O que vocês querem? - Perguntei alcançando a varinha no bolso da capa. Os quatro comensais riram juntos, mas foi Malfoy quem falou, saindo do lado de Bellatrix - antes estava ocupado em fazer caretas para Russia - e ficando frente a mim. - Os Potter. Só isso que precisamos saber. Diga-nos onde eles estão e você pode continuar sua vida medíocre e sofrer a morte da sua esposa em paz. - Deixem as crianças irem e então podemos conversar. - Mais risadas ecoaram pela minha cozinha, escárnio. - Não é assim que fazemos negócios, Bones. Primeiro a sua parte. - Vocês não vão encontrar os Potter. - Me limitei a dizer, empunhando a varinha. Eu tinha sido preparado para conseguir lutar com os quatro, mas não esperava que Malfoy estendesse sua varinha para o rosto de Pepper. - Essa aqui é a mais chatinha. Avada kedavra. - O corpo magro da minha filha apagou nos braços de Travers. Suas maria-chiquinhas loiras se espalharam e um choque subiu meu corpo. Olivia se sacudiu na cadeira, os olhos dobrando de tamanho. Não sei o que ela estava pensando, talvez tenha achado que eu era o pior pai do mundo, mas eu não podia salvar minha família e arruinar a dos Potter. - Eu não sei onde eles estão, Malfoy! - Murmurei enquanto sentia uma lágrima quente escorrer dos meus olhos. Realmente não sabia, mas não diria nem que soubesse.
- Eu perguntei onde estão os Potter, e você se recusa a me dizer, vimos que vou precisar escolher uma nova criança. - Malfoy andou pela minha cozinha, sua mão acariciou o cabelo loiro de Rússia e a varinha desceu pelo nariz pequeno da minha filha. Eu ia andar até lá, mas Travers segurou meus braços atrás do corpo, puxando a minha varinha. - Acho que vai ser essa aqui. Crucio. - Um choro esganiçado. Rússia se debatia nos braços de Bellatrix, que tinha a cabeça jogada pra trás em uma risada sinistra. Eles estavam adorando tudo aquilo. - Menos um mesticinho nojento dessa casa nojenta dos Bones. - Olívia se contorceu outra vez, lutando contra as amarras, seu desespero fez alguns dos vidros na prateleira da cozinha tombar, sua magia se apresentando com força. Eu continuei sem responder, e então Luke foi morto. Eu me sacudia nos braços de Travers tentando me livrar do aperto, mas a mão dele Apertou meu pescoço. Liv chorava, suas lágrimas descontentes escorrendo pelo rosto magro e sem poder falar nada. Malfoy caminhou até ela, e disse alguma coisa que não consegui entender. Eu esperava que ela fosse ser atacada também, mas depois disso veio o nada. Um lampejo verde na minha direção, e então o vazio.
Eu estava morto. Eu. Três dos meus filhos. Minha mulher. Marlene McKinnon. Sua família. Todos mortos.











