Indigo passou o tempo inteiro da festa se sentindo estranha. Amelia poderia ter só “realçado a beleza” dela, mas acaba não se reconhecendo quando se via sobre superfícies reflexivas. Assim como havia dito a Miranda, ela não se prendeu a garota que havia sido contratada a acompanhá-la e até tentou se misturar com alguns conhecidos e socializar, mas duas coisas aconteceram: a primeira foi que ela logo se viu tocando no kindle escondido no casaco vermelho sobre seus ombros, porque interações sociais aos berros por conta de tanto barulho estava começando a gastar a sua bateria social; e a segunda foi que ela se viu procurando um rapaz em específico. Por conta das duas coisas, por mais que ela não admitisse, fez exatamente o que havia dito a ele, sentando-se contra as raízes da árvore. Colocou seus airpods para se entreter com alguma playlist que havia curtido, contudo, mesmo com tudo aquilo, havia se pego em vários momentos levantando o olhar e observando as suas redondezas procurando. Deuses, o que havia acontecido com ela? Aos poucos, em uma batalha entre manter esperanças idiotas e querer ler seu livro, ela acabou puxando as pernas para si, apoiando o kindle para que conseguisse ficar presa no mundo da história. Teria feito isso até que ficasse tarde o suficiente para ser aceitável, talvez socialmente, para ela voltar para casa. Era esse o plano, não era? Então sua magia quase gritou para que ela tirasse pelo menos um dos airpods e levantasse o olhar encontrando quem… ela queria encontrar ele? Ou queria que tudo tivesse sido alguma falcatrua disfarçada de bullying? Não sabia decidir, ao se ajeitar sobre a grama. O número ainda parecia estar intacto no braço dele, quase como uma tatuagem mal feita, e era o suficiente para fazê-la por uma mecha rebelde do cabelo preso atrás da orelha, isso, e o “bolo? que bolo? isso era um…”, ela mal teve coragem de continuar aquele pensamento, e talvez tenha perdido a força para fazer isso com o elogio. Deuses, o que estava acontecendo com ela? — Está mais para “a garota antissocial não estava gostando da música que estavam tocando e resolveu continuar a ler um livro sobre robôs gigantes matando alienígenas insectóides” do que eu sendo o centro das atenções de qualquer situação — falou mostrando o airpod que havia tirado, a música ainda estava tocando, mas agora, mesmo que ela não tivesse baixado o volume, parecia ter assumido um tom secundário, não, terciário, inútil. — Eu não achei que você fosse me procurar — confessou gesticulando timidamente para o seu lado caso ele quisesse se sentar. Seu interior estava confuso, quase leve e pesado ao mesmo tempo.
❝E que músicas seriam essas que são tão melhores que as nossas?❞ Indagou com genuína curiosidade, ainda que era de se imaginar que ela não iria escutar a música que a grande massa ouvia. ❝Não sei quanto aos outros, mas você está sendo o centro das minhas atenções agora.❞ Respondeu ele em uma piscadela na direção alheia, aceitando o convite silencioso e se pondo sentado ao lado dela, ele percebia que ela, ao contrário dele, era sincera em tudo que dizia. E ele compreendia bem o por que de ela achar isso, não poderia realmente a julgar por tal feito. ❝E tinha como não? Você de longe me parece a pessoa mais interessante daqui.❞ Ou talvez ele só conhecesse a maioria ali e haviam pessoas da qual ele realmente desejava manter a distância, pelo bem dele ou dos outros. Males de ser um mentiroso, sempre estava em fuga de alguma situação ou pessoa. ❝E talvez, eu também esteja fugindo de algumas pessoas, mas isso é secundário.❞