morro de medo de voltar em recife e ser metralhada e sugada por tudo aquilo que eu deixei para trás: eis a razão por trás desse texto. falo da dificuldade de lidar com meus traumas com a neutralidade de quem comenta sobre a mudança de clima e evito me demorar em alguns tópicos. meus olhos evitam contato visual, minha voz soa muito casual e toda essa áurea por trás de quem esconde algo embaixo de um tecido fino na esperança que ninguém note. dou sinais, mas não consigo me dar o trabalho de me aprofundar nos assuntos e me reprimo pelas minhas inconsistências... não é como se eu tivesse pedindo por salvação, muito menos pra ser lida e desvendada e exposta a céu aberto para quem quiser ver. crio obstáculos, na verdade. conscientemente ou não. a fluidez da conversa é mínima como se parte de mim dissesse "oi, tá tudo bem, não se aproxima não" e me aproveitasse de situações sanitárias globais para o distanciamento além do necessário como forma de proteção a mim mesma. o impasse entre querer me permitir a descoberta de outros horizontes e o receio dos fins serem os mesmos, ainda que em outros meios. o trauma machuca em sub-níveis invisíveis. tenho me desdobrado em cima desse pensamento, analisando e revivendo meus medos. me privo da culpa de ser humana (sempre que posso) e explico ao meu subconsciente que não posso tomar responsabilidade pelas ações de outros - mas é difícil me ouvir. repenso sobre terapia. a dificuldade em expor é sufocante. peço perdão pelos sumiços constantes com o coração transbordando porque é difícil permanecer e, mais ainda, conseguir explicar o porquê da dificuldade. processos de cura não acontecem da noite pro dia e lidar com o peso das minhas idas e vindas é difícil demais pra mim. dividir isso seria egoísmo. ser transparentemente vulnerável é uma das coisas mais difíceis que existem. entro em círculos e me perco em labirintos criados com as minhas palavras. vou voltar pra terapia, dialogar sobre os meus traumas, desfazer alguns organismos de defesa aos poucos. me prometo que não sou aquilo que os meus traumas fizeram de mim. é só uma noite ruim.
ridiculamente sincera, finha.
















