Ensaio #1
O Canto EMAU, escritório modelo do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFC, realizou hoje o seu primeiro Ensaio de 2015.2.
O Ensaio é um espaço para a discussão de textos, artigos, livros, filmes ou projetos, que visa discutir os processos relacionados à formação das cidades e aos seus produtos.
O texto discutido foi Transurbâncias, de Francesco Careri. Um trecho do texto que foi discutido:
“Na América do Sul, caminhar significa enfrentar muitos medos: medo da cidade, medo do espaço público, medo de infringir as regras, medo de apropriar-se do espaço, medo de ultrapassar barreiras muitas vezes inexistentes e medo dos outros cidadãos, quase sempre percebidos como inimigos potenciais. Simplesmente, o caminhar dá medo e, por isso, não se caminha mais; quem caminha é um sem-teto, um mendigo, um marginal. Ali o fenômeno antiperipatético e antiurbano é mais claro que na Europa, onde me parece que está apenas em via de formação: nunca sair de casa a pé, nunca expor o próprio corpo sem um envoltório, protegê-lo dentro de casa ou no carro, sobretudo não sair depois do anoitecer, encerrar-se, se possível, em gated communities assistindo a um filme de terror ou viajando pela internet, memorizar os conselhos de compras úteis para quando se caminha nos shopping centers. Percebi que, nas faculdades de arquitetura, os estudantes – ou seja, a futura classe dirigente – sabem tudo de teoria urbana e de filósofos franceses, acham-se especialistas em cidade e em espaço público, mas, na verdade, nunca tiveram a experiência de jogar bola na rua, de encontrar-se com os amigos na praça, de fazer amor em um parque, de entrar ilegalmente numa ruína industrial, de atravessar uma favela, de parar para pedir uma informação a um transeunte.”
“Que tipo de cidade poderão produzir essas pessoas que têm medo de caminhar?”
















