As vezes Brenna se esquecia de segurar a língua na boca e acabava soltando comentários desagradáveis em momentos não tão oportunos, portanto abriu um sorriso sem graça e murmurou um pedido de desculpas baixinho para a amiga. “Também estou feliz de te ver viva, Thea… em pensar que…” a semideusa respirou fundo abaixando o olhar por alguns segundos antes de voltar a fitar amiga com os olhos marejados. “… em pensar que te vi no refeitório assim que cheguei e depois simplesmente tudo virou um caos” Brenna balançou a cabeça para afastar a lembrança. O que importava era o agora e graças à Ares elas estavam vivas. Brenna puxou um banquinho e sentou-se a beira da maca de Dorothea, as mãos abraçando os próprios braços. Os olhos negros agora analisavam os ferimentos de Thea com mais atenção. “Você foi mordida?” perguntou alarmada, lembrando-se subitamente do perigo que seria se aquilo tivesse acontecido. Levou uma das mãos ao pescoço lembrando-se do fatídico golpe de surpresa com a pergunta de Thea. “Ah, isso…” engoliu em seco, adicionando uma nota mental para mais um treinamento intenso para se livrar com mais facilidade de um enforcamento. “Você se lembra do Gabriel? Pois bem… ele estava entre os lycans, ele me pegou de surpresa e quase me matou enforcada.” confessou baixinho enquanto massageava a pele arroxeada pelo hematoma. As bochechas coraram levemente, no entanto, ao lembrar-se de quem a havia ajudado. E parte de si sentia-se envergonhada ainda mais por ter caído em uma armadilha tão simples. “Sebastian me ajudou.” foi a única coisa que disse, dando de ombros. Em outro momento, talvez, ela falasse sobre aquela situação delicada com Thea, mas aquele não era a melhor hora. “Eu encontrei Ellie aqui na enfermaria, está bem mas ela não sabe dos outros, e Rowan… Thea, acho que você precisa saber já que está envolvida com ele, e ele… bem, é amigo do Thorn. Astória quem causou toda essa confusão, ela quem assassinou os campistas e o Thorn… ouvi dizer que ele levou a irmã embora e simplesmente sumiu.” Brenna crispou os lábios em uma careta desgostosa. “Não vi Rowan em lugar algum. Das suas irmãs a única que vi foi Ariel, ela estava no meio da confusão lutando e depois… eu não sei ao certo, muitos boatos estão correndo aqui na enfermaria desde que eu acordei, parece que ela está no chalé. Não sei mais de nada, sinto muito, Thea.”
As palavras da filha de Ares a fez suspirar com pesar sobre a noite de natal que havia terminado em um verdadeiro desastre para todos os campistas. Apesar de ferida, Dorothea não podia evitar sentir ainda mais raiva da alcateia de Lycaon. “O natal do próximo ano com certeza vai precisar de uma comissão reforçada” comentou de imediato pensando em todo o trabalho jogado fora e como precisariam garantir que nada assim aconteceria novamente, só então se dando conta de que aquilo não era sequer uma prioridade naquele momento. “Sorry... É só, muita coisa pra processar” completou em seguida, umedecendo os lábios ressecados enquanto arrumava o corpo na maca. Os olhos se atentaram com a pergunta de Brenna e a filha de Afrodite rapidamente balançou a cabeça em negativa, sentindo o corpo cansar novamente com o movimento brusco. “Não, não, pelos deuses! Rowan frisou bem essa parte” respondeu erguendo as sobrancelhas para dar enfase as próprias palavras, lembrando das palavras do filho de Psiquê antes que seguissem caminhos diferentes. De alguma forma, durante o ataque, o lembrete parecia tocar em replay em sua mente. Thea esticou o pescoço o quanto pôde para olhar nas macas próximas, mas não havia nenhum sinal do outro, o que por um lado a deixava aliviada, mesmo que a confirmação sobre o paradeiro de Rowan fosse uma de suas maiores urgências.
“Nunca fui com a cara daquele babaca” bufou após ouvir o relato da amiga. O semblante era uma mistura de raiva e preocupação. Não podia imaginar como havia sido o reencontro de Brenna com o ex e, apesar de saber das altas habilidades da semideusa, a situação era mais delicada do que apenas uma batalha. “Sinto muito por isso, mesmo" murmurou esticando uma das mãos para alcançar as de Brenna e a apertando com delicadeza, mesmo com certa dificuldade, em sinal de apoio. Um suspiro aliviado foi solto ao ouvir sobre a presença de Sebastian, que era outro assunto delicado para a filha de Ares, mas pelo menos parecia alguém que poderia realmente ajudá-la. “Você deveria pegar um pouco de ambrosia no armário” completou indicando o que estava próximo a maca que ocupava.
Quando Brenna começou a responder sobre as pessoas de quem tinha perguntado. Thea forçou um pouco mais o corpo para se sentar, tirando parte das cobertas do corpo, pelas ataduras que revestiam parte de seu corpo, a filha de Afrodite não pôde notar um pingente dourado balançando com o movimento. Os olhos castanhos acompanhavam os movimentos da outra com atenção. Assentiu com a menção de Ellie, fazendo uma nota mental de encontrá-la logo que saísse da enfermaria. O nome de Rowan, seguido pelo de Thorn, fizeram com que a filha de Afrodite franzisse o cenho em um semblante confuso, que se acentuou a medida que Brenna tentava explicar a situação. “Astória... espera, o que?” a pergunta escapou e Thea balançou a cabeça em negação. Como ela poderia estar envolvida no ataque daquela forma? Apesar das diversas dezenas de perguntas que se amontoavam em sua mente, as coisas pareceram se encaixam. Se Thorn havia saído do acampamento com Astoria e Rowan não tivesse aparecido até então, ele possivelmente estaria em busca de Brekker. Dorothea só não sabia se essa suposição a deixava aliviada pela sobrevivência do filho de Psiquê, ou preocupada e aflita pelo envolvimento dele com ambos os filhos de Caos.
Thea engoliu em seco, tentando organizar novamente os pensamentos, o que parecia fazer a dor de cabeça voltar. Pelo menos Ellie e Ariel pareciam estar bem e em segurança. Balançou a cabeça em negativa várias vezes ao ouvir o pedido de desculpas de Brenna. “Ei, tudo bem, só espero que estejam bem... Agora, principalmente, que Rowan esteja bem.” admitiu mordendo levemente o lábio inferior, aflita. “Não sei por quanto tempo eu apaguei, então só estou tentando saber o que aconteceu... E juro que depois dessa não fujo mais dos seus treinos” soltou com um risinho baixo, tentando aliviar minimamente a tensão que pairava na enfermaria, mesmo que dessa vez houvesse verdade e até um pedido de ajuda nas entrelinhas, afinal se houvesse qualquer ataque como aquele, Baysel tinha certeza de que não veria a luz do dia de novo.
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Brenna odiava ter de ir para a enfermaria porque acreditava que aquilo significava que havia falhado em sua missão. Não tinha uma parte do seu corpo que não tivesse com arranhões e cortes da noite passada, além do pescoço rodeado por hematomas onde havia sido estrangulada, e a cada vez que um dos filhos de Apolo esfregava uma gaze sobre eles ela grunhia irritada pela pontada fina de dor. Ele tinha explicado que deveria fazer uma limpeza antes de simplesmente começar a curá-lo, senão podia acabar dando algo errado e abrindo por conta de inflamações mão curadas. Ok, ela podia esperar. Seu olhar passeava pelo cômodo a procura de rostos familiares até que encontrou @callherthea entre eles, e ela parecia ter levado uma surra. Brenna teve um pouco de pena da amiga pois sabia que ela nunca fora lá tão fã dos treinos, mas se tivesse a escutado talvez não teria sido lá tão ruim.
Esperou que o seu curandeiro vacilasse para pular da maca e escapulir até onde Thea estava. “Amiga do céu, você está… péssima!” a careta em seu rosto era de puro compadecimento. “Mas antes péssima do que morta! Eu perdi todos vocês no meio do caminho…”
Dorothea sequer lembrava em que momento havia sido levada até a enfermaria, e muito menos há quanto tempo estava sendo cuidada pelos semideuses responsáveis, mas diferente de quando estava em seus plantões, presa à maca, as horas pareciam se arrastar. A dor de cabeça parecia ter finalmente acabado, mas aquela parecia ser sua única boa notícia, apesar da rapidez do efeito do néctar, seus ferimentos haviam sido profundos o suficientes para deixar marcas resistentes. Os hematomas mais graves estavam enfaixados por bandanas que cobriam parte do colo da filha de Afrodite e se estendiam até o ombro esquerdo, onde o lobo havia gravado suas garras pela segunda vez durante o ataque. Se estivesse em seu estado normal, Thea certamente estaria distribuindo ameaças caso qualquer cicatriz ficasse aparente, mas o efeito da bebida ainda a deixava um pouco tonta, o que dificultou uma resposta rápida ao ouvir a voz de Brenna. “Ouch, você poderia ser um pouco mais gentil, não acha?” retrucou com uma careta usando os braços para conseguir sentar ainda com certa dificuldade. “I’m glad you’re alive, B.” murmurou esboçando um sorriso fino. Sabia que Brenna não seria derrotada em um ataque como aquele, mas constatar que apesar dos machucados ela estava inteira lhe trazia grande alivio. “Eu não vi muito do que aconteceu, um dos filhos da puta me cercou e...” se interrompeu quando uma pontada de dor lhe acertou a medida que as palavras tomavam um tom mais duro. “Camille me encontrou, por sorte” completou em seguida, deixando que o corpo pendesse para trás, apoiando-se no travesseiro. “O que aconteceu com você?" indagou indicando o machucado no pescoço com um breve aceno com a cabeça. “Você sabe da Ellie, Rowan ou alguma das minhas irmãs e os outros?” aproveitou a deixa, apesar de certa aflição sobre as respostas que seguiriam.
“And if you're still breathing, you're the lucky ones
'Cause most of us are heaving through corrupted lungs
Setting fire to our insides for fun
Collecting names of the lovers that went wrong “
A semana do natal era sempre corrida para Dorothea. Se não estivesse no acampamento, o pai certamente faria com que ela o acompanhasse em vários dos jantares para que era convidado para passar a ceia, já que os Baysel já não faziam sua própria há muito tempo. Naquele ano especificamente, Thea havia optado por ficar na companhia de seus meios-irmãos no acampamento, prometendo se encontrar com o pai na semana seguinte para a troca de presentes de que surpreendentemente não estava nada animada.
Havia dedicada a parte da manhã para terminar de fazer a famosa faxina de natal do chalé 10, entregando os vasinhos de planta que havia feito desde o início do mês para todos os meios-irmãos. O cuidado e os detalhes podiam ser percebidos de imediato, com as flores pintadas na parte externa da peça, a coloração cor de rosa que se diferenciava apenas pela quantidade de pigmento colocado em cada um dos vasos. Depois foi a vez se presentear os amigos mais próximos.
Dorothea havia descoberto sua paixão pela cerâmica e argila logo em seus primeiros anos de acampamento e fazer os presentes no pequeno ateliê havia se tornado mais uma de suas tradições, assim como fazer um pequeno circuito para entregar as peças feitas cuidadosamente para cada dos nomes de sua pequena lista. O primeiro presente entregue foi o de Ellie, que apareceu no chalé 10 antes e sua saída. O presente luxuoso não poderia combinar mais com Dorothea, que por sua vez deu alguns vasos de cerâmica no formato de dinossauros para a filha de Dionísio. Ao sair do chalé, seu primeiro destino foi encontrar Brenna que recebeu uma pequena escultura de si mesma lutando contra uma serpente. Depois passou no chalé de Hécate, deixando o presente de Brighid e um bilhete na porta do quarto da amiga. O mesmo foi feito com Astória, que não estava presente, quando a filha de Afrodite foi deixar o espelho que havia personalizado para outra, esperando que ela se lembrasse do poder de sua transformação.
Quando se deu conta havia passado boa parte da tarde distribuindo os presentes, sendo chamada por uma das irmãs de volta para o chalé para se arrumar para a grande ceia. O presente de Rowan fora um dos poucos que ainda não haviam sido entregues, mas Thea sabia que o encontraria mais cedo ou mais tarde, então não havia motivo para pressa. O mesmo não poderia ser dito para a preparação das filhas de Afrodite para o evento, afinal era fácil se distrair e perder a hora enquanto preparava o cabelo e a maquiagem
tw: ataque, sangue, violencia (??)
A aproximação da ceia a enchia de expectativa, afinal o natal sempre foi uma de suas épocas preferidas do ano, sobretudo desde que passou a morar no acampamento. Chegou no salão acompanhada de algumas irmãs, trajando um vestido vermelho longo, com uma fenda até a altura do joelho que facilitava seus movimentos, justo na cintura e com as alças levemente caídas no ombro. Encontrou Ellie apropriadamente vestida para a ocasião, aproveitando para eternizar o momento com uma foto antes de dirigir até a mesa do chalé 10. Antes de sentar girou levemente o corpo varrendo o salão cumprimentando alguns dos companheiros de acampamento com um aceno breve e um sorriso radiante nos lábios, logo soltando um suspiro aliviado por tudo parecer começar a voltar à normalidade – dentro do possível para semideuses.
Avistou o filho de Psiquê na companhia de seus irmãos, enquanto traçava seu caminho de volta para a mesa do chalé 10 após a generosa oferenda em nome de Afrodite. Fez menção de cumprimentá-lo mesmo de longe, mas fora impedida pelo risinho estridente da meia-irmã ao seu lado, que parecia ansiosa para saber atualizações sobre o pequeno interesse de Baysel. Thea esticou o pescoço na direção do semideus, enquanto era guiada pela mais nova, pressionando os lábios em um sorriso fino quando os olhos encontraram os azuis cinzentos do outro.
O jantar seguiu exatamente como esperado. A música de natal preenchia o ambiente enquanto Thea e as irmãs cantaroladas e dançavam próximo da mesa. Pôde avistar Ellie e Ben entretendo todo o salão como de costume, enquanto bebiam. Se desvencilhou das filhas de Afrodite, caminhando sem pressa em direção aos filhos de Psiquê, fazendo um sinal para que Rowan a acompanhasse até uma das saídas do salão e erguendo o pacote com o presente que havia feito para o semideus como mais um incentivo para o convite.
“Você não pensou que eu tinha esquecido do seu presente, né?” soltou enquanto caminhavam rumo a praia, após uma breve conversa sobre o natal, esticando o presente para o outro. Os olhos aguardavam que ele desembrulhasse o pacote escuro com a frase “para iluminar as noites difíceis” escritas em um bilhete. Dentro estava uma pequena lanterna de cerâmica azul escura, com detalhes em dourado formando as pequenas frestas em formato de notas musicais por onde a luz escaparia. Esperava que o presente não tivesse sido precipitado ou invasivo, mas era impossível de ignorar que havia sido depois de uma dessas noites que os dois finalmente se conheceram e dali em diante, a filha de Afrodite parecia ter selado um compromisso para ajuda-lo a passar por elas da melhor forma possível. Logo o presente era como um pequeno lembrete de que ele não estava sozinho. “Então...?” indagou, estudando a reação de Rowan, balançando o corpo para frente e para trás de forma inquieta, enquanto a brisa da noite atenuava o movimento do vestido vermelho.
Não se passaram três minutos até que a atmosfera do acampamento ficasse densa. Um frio percorreu a espinha da filha de Afrodite que precisou se afastar minimamente de Rowan para que sua atenção fosse focada nos sentimentos de medo e pavor que pareciam se espalhar por toda a extensão do lugar, ainda que relativamente distante de onde estavam. “Rowan?” chamou, imaginando se ele também tivesse sentido o mesmo, levando uma das mãos para o braço dele em busca de um ponto de segurança.
O primeiro uivo fez com que Dorothea apertasse o braço do filho de Psiquê, enquanto os olhos se arregalavam com a imagem que se desenrolava entre o refeitório e os chalés. Lobos. Muitos deles. Em seguida alguns gritos. Alertas. “Eu preciso...” engoliu em seca, pensando nas irmãs que ainda estavam no refeitório. A urgência de sues pensamentos não condiziam com a paralização que seu corpo havia tomado, mas lembrando da morte de não uma, mas duas de suas meio-irmãs em um curto período de tempo, sabia que precisava fazer alguma coisa. “Preciso encontrar meus irmãos” completou com a voz trêmula, começando a traçar o caminho de volta ao refeitório. O plano não era claro, afinal sem seu arco e flecha não havia muito a ser feito. Teve os caminho interrompido por Rowan antes que acelerasse o passo, vendo o semideus estender a própria espada para ela. Thea ergueu o olhar com um semblante confuso. O que, pelos deuses, ele esperava que ela fizesse com aquilo? E como ele pretendia se defender sem uma arma? Foi quando sua mente teve um estalo, a filha de Afrodite balançou a cabeça em negativa com rapidez. “Rowan, pensa bem...” tentou contestar, mas no fundo sabia que aquela poderia ser a melhor chance para os dois.
Agarrou a lâmina pelo cabo sem jeito, respirando profundamente antes de vê-lo se afastar e rapidamente se transformar em um lobo alguns metros a diante. Dorothea podia jurar que perdeu o fôlego e parte dos sentidos por um momento, afinal ainda que soubesse das transformações, presenciar uma era completamente diferente. Tornava todo o sofrimento do semideus e o medo dela muito mais concretos. A pelagem castanha escura ainda o tornava familiar, assim como os olhos azuis que olharam para em sua direção por alguns segundos antes de sumir colina acima.
A adrenalina tomou conta de seus movimentos, a filha de Afrodite corria em direção ao acampamento o mais rápido que a saia longa e o sapato permitiam, segurando a espada com ambas as mãos com firmeza, ainda que de forma desajeitada pela falta de treino. Ao avistar o combate acontecendo e os lobos adentrando o salão, tropeçou no próprio vestido, não caindo diretamente no chão apenas pelo instinto rápido que a permitiu usar a espada para sustentar o corpo. “Ugh, quem diabos invade um lugar em pleno natal?!” bufou irritada, afinal se soubesse que teria de lutar, com certeza teria escolhido um look mais apropriado. Fez uma careta relutante, buscando alguma solução para o seu pequeno problema de guarda-roupa. “Foda-se” murmurou entre os dentes antes de erguer parte da saia e corta-la com ajuda da lâmina, só então finalmente chegando ao refeitório.
Se quando saiu do lugar a música que preenchia o ambiente era as conversas e risos alheios. Quando voltou, tudo o que Dorothea encontrou foi o caos. Toda a decoração estava destruída, alguns semideuses caídos no chão, outros sendo lançados pelo lugar por lobos furiosos. Antes de entrar no campo de batalha, a semideusa buscou pelas irmãs, recuperando o fôlego para chegar até elas o mais rápido possível. Tentaria ser discreta, não precisando usar a espada até o momento certo. Era o melhor a ser feito.
O pequeno plano falhou antes que se afastasse da porta de entrada, que foi derrubada por um dos lobos de Lycaon. Thea firmou os pés no chão, erguendo a espada com as duas mãos em uma tentativa de ameaça-lo e impedir qualquer aproximação. O coração batia forte contra o corpo porque ela sabia que não teria chance.
O resto não passou de um borrão. No momento em que viu o dorso da criatura de erriçar para o ataque, a filha de Afrodite ergueu a espada, sendo arremessada pelo tronco antes que completasse o ataque. O corpo da semideusa se chocou com a grande lareira, fazendo com um urro de dor irrompesse pelo salão, caindo próxima as fuligens da madeira recém queimada. Dorothea sentiu o corpo ser tomado pela dor, mas sabia que não tinha tempo a perder, ajoelhando-se para conseguir mais apoio enquanto procurava a espada de Rowan que havia caído alguns metros de onde estava. A semideusa se arrastou ainda de joelhos na direção da arma, mas o lobo foi mais rápido em afastar a lâmina da semideusa que levantou e recuou de imediato. Tudo o que pensava era em como se manter longe das garras e principalmente da boca do lobo.
Com os olhos castanhos fixos na criatura, foi dando pequenos passos para trás entre as mesas, acelerando à medida que o caminho se abria. O lobo grunhiu impaciente e fez menção de atacá-la. As mãos de Dorothea agarraram a primeira coisa que alcançou jogando o objeto na direção da cabeça do lobo. O primeiro prato se quebrou de imediato. Thea viu uma pequena chance de ganhar tempo, jogando o segundo e o terceiro prato que se quebraram ao chocarem com o outro. Assim como o castiçal e a cadeira que vieram em seguida. “Stay. The. Hell. Away. From. Me.” dizia por entre os dentes a cada objeto lançado. Estava ganhando tempo. Até que o uivo irritado e furioso do lobo preencheu seus ouvidos fazendo com que todos os pelos de seu corpo se arrepiassem. Thea tentou retarda-lo jogando a toalha de mesa na face do monstro e correu para o lado contrário o mais rápido que pôde.
Tudo o que sentiu foi o impacto das unhas contra suas costas, fazendo com que um grito agudo ecoasse pelo refeitório enquanto o corpo era projetado para frente, fazendo-a cair sem nenhuma chance de minimizar o impacto. O salão aprecia girar pela dor insuportável do último ataque, deixando a filha de Afrodite completamente desnorteada.
Thea tossiu enquanto usava os braços para virar na direção do lobo, ainda que não acreditasse que tinha o que ser feito além de aceitar a sua hora. O movimento foi facilitado pelo outro que a virou cravando suas garras em um dos ombros da semideusa, que pôde ver uma mancha escarlate abaixo do corpo, ainda mais escura do que o tecido do vestido que aquele ponto estava arruinado. A angustia tomou conta de seu corpo e as lágrimas começaram a escorrer involuntariamente pelo rosto enquanto tentava se livrar das garras da criatura. Se ao menos tivesse escutado Brenna durante os treinos.
O semblante de Dorothea se franziu em uma careta de desespero enquanto se debatia, tentando usar o que se lembrava das lições da filha de Ares, chutando para todas as direções. O cheiro do pelo e do bafo do lobo agora tão próximos pareciam o real pressagio de sua morte. Até que um escutou o tinir de um objeto metálico, um grito alto e uma das vigas de madeira se desprenderem do teto. Os olhos da semideusa se atentaram, a atenção do lobo desviou para o grande objeto vindo na direção dos dois e foi a oportunidade que precisava para chutar o animal para longe e se arrastar com o resto das forças que tinha para longe.
A viga caiu como uma estaca sobre o animal. A respiração de Thea arfou e um gritinho foi solto pelo alivio imediato. Levantou-se usando o restando dos móveis como apoio, tateando ao redor na busca de uma arma alternativa. Ainda que não soubesse como, a espada de Rowan estava agora no alcance de suas mãos. Tomada pela adrenalina e pela raiva contra o lobo, pegou a lâmina e caminhou com dificuldade até o lobo desacordado, desferindo o golpe fatal na barriga. A força do golpe foi tanta que a fez soltar um grunido alto de dor e cair de joelhos ao lado do corpo, apoiando-se na arma ainda gravada na criatura.
Com a respiração e o corpo fracos, a filha de Afrodite seguiu para fora do refeitório pelos fundos, apoiando-se em tudo o que aparecia em seu caminho, mas tentando ficar abaixada para não chamar atenção para outro ataque. Ainda que a posição fizesse com que a dor de seus ferimentos se acentuassem, ela precisava sair dali. Não conseguia ter dimensão do estrago, via apenas uma grande bagunça, corpos para todos os lados e um barulho que se tornava cada vez mais distante.
Finalmente do lado de fora, Thea se encostou em uma das paredes do lugar e permitiu que o corpo vacilasse. Precisava recuperar o fôlego antes de encontrar as irmãs, caso contrário não teria como ajuda-las. A ideia era descansar por poucos minutos antes de voltar para a batalha. Mas a visão se tornou rapidamente turva, Thea sentia todo o corpo tremer provavelmente pela perda de sangue e o frio tomou conta de si antes que perdesse os sentidos completemente.
Brenna tinha captado o olhar de Thorn a distância já fazia muito tempo, e a julgar pelo o que tinha visto algum tempo atrás ela tinha quase certeza de que ele e Rowan estava falando de @callherthea . Ela abriu um risinho zombeteiro e virou-se para a amiga com o tom de voz mais baixo a fim de evitar que fossem ouvidas pelas pessoas ao redor. “Thea, é impressão minha ou estão falando de você? Eu vi que você e o Rowan estavam conversando mais cedo, mas faz alguns minutos que o Thorn olha pra cá e fala com ele. Tem algo que eu não sei rolando por aqui?” perguntou com expectativa, as sobrancelhas erguidas e os lábios crispados em um sorriso dissimulado.
As palavras de Brenna fizeram com que a filha de Afrodite arqueasse levemente as sobrancelhas, enquanto os olhos castanhos encontravam o lugar indicado pela amiga de forma discreta. “Quem? Ah eles?” Se não fosse a presença de Thorn, era provável que um sorrisinho divertido surgisse nos lábios da semideusa com a menção de Rowan, mas seu cenho se franziu quase que imediatamente. “Vindo de Thorn, boa coisa com certeza não deve ser” murmurou soltando um suspiro irritado, mas logo dando de ombros. “Consigo até imaginar... “Fica longe dessa ai” ou “Ela já deve ter enfeitiçado você” e blablabla” soltou, deixando a voz mais grava para imitar o semideus, seguido por um rodar de olhos irritado com a possibilidade de Rowan estar realmente dando ouvidos ao outro. “Não me olha com essa cara, B.” pediu ao ver o sorrisinho se estender nos lábios da outra. “Rowan é ótimo, mesmo, um pouco dificil de decifrar, mas isso só faz as coisas ficarem mais interessantes, uh?” completou com um sorrisinho travesso. “Mas, de qualquer forma, você sabe que comigo as coisas não tendem a se estender muito...”
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Rowan costumava ser discreto. Preferia se manter afastado, isolado até e, acima de tudo, longe de problemas. Na maioria das vezes, mantinha-se no planejamento sem grandes interferências. É claro que, vez ou outra, acabava se metendo numa confusão, como a do dia anterior, que resultava em um, dois, ou sete ferimentos. Mas, sobretudo, não ia a festas. Naquela noite, por exemplo, quando Charlotte o arrastou para o tal luau, ele pretendia despistar a amiga e voltar para sua leitura no chalé vazio.
Acontece que, quando se tem um acumulo de emoções combinado a uma boa quantidade de bebidas, os problemas tendem a aparecer. E, agora, ele caminhava na direção de um. Um problema com sorriso largo e doce, vestindo uma saia que parecia dançar no vento, como se a brisa do mar fosse feita para ela. Caminhava convicto na direção de Dorothea, os labios moldados num sorriso discreto, que curvava-se para um único lado. Queria estar perto da filha de Afrodite. Não tinha nada demais nisso, certo? Afrodite gostava dele, supunha. Ele fazia coisas estúpidas em nome do amor, não era isso que alimentava a deusa? E, para falar a verdade, Dorothea vinha ocupando um espaço em sua mente com frequência, seu nome ecoava baixinho quando ele menos esperava, nos momentos mais inoportunos. Quando sóbrio, Rowan fazia questão de ignorar seus pensamentos, embora despendesse certo esforço. Todavia, com os encantos de Dionísio começando a aquecer seu corpo, ignorá-los soava como uma ideia estúpida e improvável. Estar com @callherthea parecia bem melhor.
—Thea, darling. — As palavras soaram baixas diante da música e, se Dorothea não tivesse girado o corpo para vê-lo, Rowan teria imaginado que ela sequer o tinha escutado. A forma como ela se moveu fez Rowan beber mais um gole de sua bebida.—Já que está sozinha, se importa se eu ficar sozinho com você? Sabia que sua aura é rosa? E tem um monte de auras cinzas pra lá. É um pouco demais.— Justificou sua presença, com um riso abafado. Tagarelava, temendo ouvir a resposta e piscando os olhos como se tentasse amenizar os efeitos que Thea causava nele. Sentiu o olho roxo começar a lacrimejar. — Eu nem devia estar aqui, mas seu campo magnético é um pouco forte, sabia disso também? Você devia pensar nas consequências. — O fiho de Psiquê brincou, o sorriso crescendo. Rowan se intrigava com o fato de que, embora fosse imune a qualquer coisa que pudesse afetar sua percepção da realidade, Dorothea parecia fazê-lo com destreza.
Quando se morava em um acampamento para semideuses, momentos de calmaria pareciam raros. O luau veio como um pequeno respiro do caos que estava tomando o lugar há algum tempo e Dorothea não poderia estar mais aliviada por finalmente aproveitar um pouco do lado mais “normal” da vida. Havia finalmente terminado de ajustar os últimos detalhes do luau, observando toda a movimentação com um semblante orgulhoso e divertido no rosto enquanto balançava o corpo acompanhando a música escolhida pelos filhos de Dionísio, bebericando vez ou outra o conteúdo do copo recém servido.
A voz de Rowan puxou-a dos pensamentos distantes, um pequeno arrepio atravessou o corpo enquanto Dorothea girava os calcanhares para olhar para o outro com certa expectativa, afinal desde a partida do filho de Psiquê para a missão de resgate, a única noticia que havia tido de seu paciente mais frequente havia sido sobre a volta no dia anterior, o que tornava a presença dele incerta até aquele momento. Logo que os burburinhos sobre o sucesso da missão começaram, Dorothea sentiu certo alívio, afinal por mais simples que fossem as missões, os semideuses nunca estavam realmente seguros e como Rowan, além de um semideus, tinha uma relação muito direta com a lua, sabia que talvez o pequeno estoque de suprimentos que havia preparado talvez não fossem o suficiente se a missão se estendesse por mais tempo do que o planejado.
Um risinho escapou-lhe os lábios com a primeira pergunta, seguido por um típico rolar de olhos, aproximando-se de Rowan e o observando com atenção. Apesar do bom humor, que certamente estava relacionado ao álcool, as marcas no rosto deixavam claro que o caminho de volta não deveria ter sido fácil. “Parece que você realmente tá precisando se afastar dessas auras” murmurou erguendo uma das sobrancelhas e inclinando o rosto se atentando a marca roxa nos olhos do semideus. “Algo me diz que você deveria ter me visitado ontem, uh?” completou soltando um suspiro breve, o tom apesar de divertido entregava parte de sua preocupação. “Ah, nem me fale!” exclamou soltando um riso mais alto. “Bom, pelo menos hoje as consequências não tem sido das piores” alfinetou esboçando um sorrisinho de canto antes de beber mais um gole da bebida. Dorothea pigarrou em seguida, olhando levemente ao redor. “Mas preciso discordar...” soltou em referencia a Rowan ter dito que sequer deveria estar ali naquele momento. “Vendo o saldo da sua missão eu diria que esse é o melhor lugar para comemorar o sucesso de uma missão e, claro, uma recuperação rápida.”
A verdade é que não tinha sobrado muita coisa dentro de Rowan. Tinha cinzas e um grande abismo que acabava em autocondenação e tristeza. Até as boas lembranças tinham desmoronado e não restava muito, nem mesmo um fantasma, só sua sombra.
E, por mais triste que pudesse parecer, ele tinha aprendido que ninguém se importava de verdade com o que ele vivia. As palavras gentis iam e vinham, mas sempre acompanhadas de um alívio velado, um suspiro silencioso e grato por não viverem a mesma coisa que ele, por não estarem em sua pele a cada transformação. Então, ainda que a forma como ela o tratava, fazendo comentários espirituosos e afiados, fazendo-o sentir como se não passasse de um aborrecimento naquela manhã, as palavras soaram honestas. Rowan meneou a cabeça, silenciosamente agradecendo.
Tão logo como abordou o tema, ela se desvencilhou dele, para alívio de Rowan.
― Não disse. ― Admitiu, tomando uma respiração profunda antes de continuar. ― Sou Rowan. Não é um nome muito comum, nem combina muito comigo.― Contou, de repente, mais falante do que nos últimos minutos. Não tinha um fio ruivo sequer na cabeça, contrariando os significados mais comuns de seu nome.― Mas meu pai gostava de como soava. E o seu?
Perguntou, voltando a observá-la com curiosidade. Os traços do rosto, os olhos castanhos tão expressivos, adornados por longos cílios curvados… ― Não, não fala não. Eu acho que conheço você. Isso soou como uma cantada ruim, mas eu acho mesmo que eu conheço você.
Pendeu a cabeça, revirando a memória em busca da origem daquela sensação. Tinha boa memória, algo do que se orgulhava muito mas que nos últimos anos era sua característica menos benquista. As lembranças não podiam falhar agora, deixando-o na mão.
Então vieram como uma enxurrada. As luzes dos palcos redondos, das passarelas, os vestidos bufantes adornados de pedraria exagerada, o cabelo sempre cheio de fitas coloridas. Um sorriso travesso surgiu em seu rosto.
― É você. A pequena Miss Sunshine daquele reality show.― Revelou, vendo o rosto da curandeira se transformar em algo que ele não sabia decifrar. William não gostava que Rowan passasse tempo em frente à televisão. O aparelho que ficava no sótão da casa passava a maior parte do tempo desligado e eram raras as vezes que Rowan tinha permissão para usá-la. Mas se lembrava com clareza dos concursos de modelos mirins e agora se lembrava perfeitamente da mulher à sua frente que, àquela época, ele chamava de “a pequena miss Sunshine”, em referência ao filme.― Eu torcia por você, Dorothea.
flashback
Os ombros de Dorothea relaxaram ao notar que havia conseguido driblar temporariamente o desconforto do semideus, o que também tornava seu trabalho mais simples, afinal a enfermaria nunca era facilmente lida como um lugar relativo a dor e desconforto, logo o que pudesse fazer para aliviar um pouco essa sensação era bem vindo. A filha de Afrodite soltou um risinho abafado ao notar como ele explicava sobre a escolha de seu nome, enquanto terminava de tratar os ferimentos mais superficiais que se estendiam pelos braços fortes de Rowan.
Chegou a entreabrir os lábios para proferir a respostas, sendo interrompida quase imediatamente. Sua reação imediata foi revirar os olhos castanhos, ao pensar que ele tentaria algum truque para impressioná-la, o que a fez questionar quem seria seu parente divino. NO momento seguinte, Dorothea pôde ouvir um sonoro “Oh no” em sua mente, seguido por uma pontada de nervosismo. Pressionou os lábios inquieta, esperando que a ênfase nas palavras anteriores do semideus fossem apenas uma forma de prender sua atenção. No entanto, quando a menção do reality show que havia protagonizado por quase toda a infância se fez presente, Thea fechou os olhos com força, franzindo o nariz, fazendo com que o semblante antes divertido de tornasse uma careta.
Quando chegara ao acampamento aquilo era bem comum, afinal depois de quase 10 anos na TV e uma mudança drástica de país, era difícil passar despercebida. O processo até um equilíbrio fora difícil, mas após o resgate de Afrodite e seu sumiço da mídia, Dorothea pôde ter o vislumbre do que seria uma vida longe dos holofotes - mesmo que não fosse nem perto de uma vida normal. “Isso realmente já faz muito tempo“ soltou com um risinho não muito divertido “Não me lembro a última vez que me chamaram assim” admitiu ainda franzindo o cenho, pressionando os lábios momentaneamente tentando não demonstrar tanto desconforto com o assunto, afinal sabia bem que não era algo que conseguiria fugir, principalmente com as insistências do pai para que voltasse a fazer pequenas aparições. “Bom, fico lisonjeada com a lembrança, mas aqui é só Thea” completou com um sorriso breve, esperando que o assunto não se prolongasse por muito tempo, enquanto guardava parte dos materiais já utilizados. “Ok, Rowan, esses já foram... Como está a dor? Posso pegar mais um pouco de néctar, se quiser... Tem algum ferimento que ainda esteja sentindo ou que não estavam à vista?” perguntou voltando a postura mais profissional.
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❦ Já fazia um tempo que chegará na festa e, depois de se certificar que todos estavam com suas devidas bebidas na mão, decidiu realmente ir aproveitar a bagunça que já tinha se instaurado. Infelizmente isso não durou muito, já que percebeu rapidamente uma menina que não conhecia no canto da festa chorando. Ela não parecia estar com nenhum amigo por perto e sendo manteiga derretida como era, Ellie não pode deixar de prestar ajuda para a menina. ❛ Toma isso, vai ajudar. ━ Ofereceu seu copo para ela antes mesmo de perguntar o que tinha acontecido. A outra fez uma grande careta ao tomar o liquido, muito forte para ela, talvez. Ellie percebeu que a menina deveria ter recém completado 18 anos, já que parecia mais nova que a maioria das pessoas no luau e essa era a primeira vez que a via em uma festa com álcool no acampamento. ❛ Então, quer me contar porque tá chorando? Isso não é jeito de se começar uma festa. ━ Entre soluços, a menina começou a contar que seu namorado acabara de terminar com ela por essa ser a primeira festa de “mais velhos” dos dois e querer ficar com outras garotas. Enquanto a ouvia narrar a história, a loira foi apenas ficando com mais raiva do tal ex e sua irresponsabilidade emocional. ❛ Calma, a gente vai dar um jeito nisso. ━ Tentou passar alguma segurança para a menina e começou a procurar sua dupla para aqueles momentos com os olhos, felizmente @callherthea não estava muito longe de onde estavam sentadas. ❛ Dorothea! ━ Berrou, fazendo com que a amiga olhasse em sua direção e apontou para a menina que ainda chorava ao seu lado. ❛ Emergência! Corre aqui!
Depois de um inicio de festa em que Thea se dedicou a se certificar que tudo estava saindo como planejado com os aperitivos e bebidas, além de ter certeza de que os colegas de acampamento estava conseguindo aproveitar aquele pequeno respiro da melhor forma possível a filha de Afrodite decidiu por aproveitar o que havia lhe tomado horas de planejamento junto aos filhos de Dionísio, ansiando por também poder de desligar de todas as responsabilidades e riscos que envolviam a vida de um semideus, mesmo por uma noite. O cabelo antes solto foi preso em um coque volumoso quando Thea deixou a pequena pista de dança ao lado da fogueira para pegar encher o copo mais uma vez. O sorriso divertido nos lábios denunciava a leveza e satisfação de reviver um pouco das noites que havia deixado para trás ainda na adolescência. Foi quando a voz familiar e estridente de Ellie irrompeu pela praia, fazendo com que os olhos castanhos de Baysel se atentassem mesmo com o efeito de álcool, fazendo-a praticamente correr em direção à loira. “Pelos deuses, o que aconteceu com você?” perguntou de imediato, o semblante tomando um ar de cuidado ao ver a mais nova com os olhos marejados. À principio pensou que pudesse ser uma emergência fashion, um botão descosturado, rímel borrado, mas a julgar pela aparência da semideusa e a presença de Ellie, Dorothea se convenceu de que uma linha de costuma pudesse não ser suficiente para resolver. Notou que a mais nova olhava para um canto especifico e acompanhou o olhar com atenção, vendo um semideus claramente mais novo rondando algumas meninas, sendo uma delas uma de suas irmãs. “Foi ele, não foi?” indagou semicerrando os olhos, irritada pela situação anticlimática que estava prestes a arruinar a noite da outra. “Ei, ei, vamos resolver isso e nos divertir um pouco. Prometo que ele vai se arrepender de ter te feito chorar em uma noite como essa, right, Ellie?” murmurou após se abaixar na altura da mais nova, enxugando as lagrimas que ainda escorriam pelo rosto.
Que aqueça noite seria atípica, todos sabiam, mas Dorothea não podia imaginar que deixaria a organização do luau de lado tão rapidamente ao começar a experimentar as bebidas e alguns petiscos duvidosos do lugar. Aquele já deveria ser o segundo pedaço de bolo, após alguns copos de virados. A aproximação de Isabelle a fez ficar eufórica, puxando a amazona pelo braço enquanto mastigava o doce. “Belle você precisa experimentar isso!” exclamou convicta de que aquele era o melhor bolo que havia experimentado em seus vinte e quatro anos e era sua responsabilidade fazer com que todos a acompanhassem. “Wow, você ‘tá linda sabia? Mas ugh, sério, experimenta aqui”.
Não era novidade que uma das atividades preferidas de Dorothea era ajudar outros campistas a encontrarem seu estilo e, vez ou outro, fazer uma verdadeira transformação. Com o luau se aproximando, a filha de Afrodite se colocou à disposição para pessoas seletas e quando a chance de ajudar Morgana com o look da noite surgiu, a abraçou de imediato com a promessa de que faria fazer a pena. “A música já pode ter começado, mas o atraso faz parte da produção” explicou, com o semblante orgulhoso enquanto dava toques finais no penteado da outra antes de abrir espaço para que ela se visse no espelho. “E... Voilá!”
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Que Dorothea fazia jus ao estereótipo das filhas de Afrodite não era novidade alguma. E isso não se restringia à beleza, vaidade ou no carisma, mas também no lado romântico, ainda que o último surgisse em momentos específicos. O jantar de blind date organizado pelos filhos de Afrodite e Eros era um deles. A semideusa parecia despertar seu lado mais romântico para fazer com que a noite dos convidados fosse uma experiência única e inesquecível, desde os detalhes da decoração, a comida e, claro, a companhia selecionada cuidadosamente junto aos seus meios-irmãos.
Uma parte importante desse pequeno evento também era a equipe. Aquele era o momento de cobrar todos os favores, usar os poderes de persuasão para conseguir pessoas capacitadas para que tudo saísse como esperado. Se Thea não era conhecida como perfeccionista em suas tarefas de acampamento e por vezes fugisse de suas responsabilidades, aquela noite, certamente isso já não fazia mais parte de suas características, já que o mood bossy havia tomado conta da semideusa que segurava uma prancheta rosa com diversas listas em mãos, enquanto o estalado dos saltos ecoava pela pequena estufa, que naquela noite seria o cenário para a noite mais romântica da temporada, quando os primeiros convidados chegaram.
Observou o salão pouco iluminado com atenção, vendo o restante dos semideuses seguindo o roteiro estabelecido de atendimento, até que a presença de que alguém que definitivamente não estava em nenhuma das listas do evento, fazendo com que uma bandeira vermelha surgisse na mente da semideusa, que rapidamente se aproximou do filho de Caos, que certamente não deveria estar ali com nenhuma boa intenção. Ergueu uma das mãos, fazendo com que a pasma desta de chocasse com um dos ombros do mais velho, o levando para o canto do salão. O semblante gracioso que recebia os convidados com um sorriso amigável no rosto sumiu, dando lugar a um olhar desconfiado e uma postura firma. “Quem deixou você entrar aqui?!” disparou o encarando com o olhar severo “O que diabos é isso que você está vestindo?!” questionou quando notou as vestes que deveriam parecer a dos garçons do lugar, mas que a filha de Afrodite poderia facilmente apontar cada pequena falha. As perguntas foram expelidas de imediato, enquanto Thea desviava o olhar atento de Thorn para o restante dos garçons, buscando o responsável pela presença do outro. “Se tiver vindo aqui pensando em aprontar alguma coisa... Pode esquecer”