JĂĄ passavam das duas da manhĂŁ, era a transição icĂŽnica de sexta pra sĂĄbado, uma solenidade âfarrĂsticaâ tendenciosa de um final de semana. VocĂȘ me olhou, sorriu e disse que nĂŁo me via hĂĄ algum tempo, eu ri de volta, disse que tinha me mudado e sai pra buscar uma cerveja. Te esbarrei de novo, vocĂȘ me cobrou uma mensagem que eu nunca tinha respondido e eu jurei com o dedinho mindinho do meu coração que eu nunca tinha recebido nada. Seguimos, cada um pro seu lado da noite, dois extensos infinitos caminhando festa Ă dentro, um distĂșrbio lunar de poesia saciado por desencontros. Mandei mensagem. Tu respondeu. Rebati.  CĂȘ riu e disse que tinha algo pra dividir. Eu nĂŁo era eu, vocĂȘ me dizia e eu sĂł conseguia rir. NĂŁo era mesmo.  VocĂȘ tinha me confundido com algum infinito de uma outra sexta e eu sĂł conseguia achar graça, ainda nĂŁo sabia bem se era do seu sorriso ou da sua lerdeza. Te cantei faz um tempo, eu te dizia voraz, vocĂȘ nunca reparou. Era sexta, eu nĂŁo era quem vocĂȘ tava procurando naquela noite, hoje Ă© quinta e eu sou. AmanhĂŁ Ă© sexta de novo, teu corpo chama por fogo e o meu sĂł quer te inundar, roçar tua barba pelas minhas coxas, conectar os instintos, ultrapassar a selvageria de uma cama e desafiar as leis da fĂsica. Dormir no ar de quem nĂŁo tinha certeza de quem eu era naquela fatĂdica sexta, mas que tem convicção de onde quer acordar no sĂĄbado de manhĂŁ. Te esbarro que dia?
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