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Sebastian, Noah.
Eu não quero me apaixonar por você. Mas estou quase cedendo.
Então não me trata tão bem assim, não me faz acreditar que você gosta de mim, não me faz te ver diferente dos outros, não desperta em mim algo que você não vai corresponder. Não flerta comigo, não me faz sorrir, não brinca com meu psicológico. Não mexe nas feridas do meu coração. É que demorou tanto pra cicatrizar, então não puxa a casquinha sabendo que vai sangrar. Você não está disposto a estancar o sangue. Você não sabe o quanto doeu, nem quantas lágrimas derramei por ceder aos outros. Não me dá algo momentaneamente para tomar depois, deixando apenas o buraco do vazio da sua existência. Não seja só mais um que passa pela minha vida, tira tudo de lugar e depois vai embora sem me ajudar a arrumar. Não me jogue desse precipício sabendo que não estará lá para aparar minha queda.
Deus é tão criativo.
Fez esse Universo tão imenso e tudo que há nele. Deu ao céu a mais linda das cores. Fez as flores de diversos aromas. Fez as borboletas com suas asas de tantas formas. Deu a cada pássaro um cântico. Desde sempre sonhou e pensou em cada um de nós. Nos fez e deu a cada um de nós um aparência única. Mesmo fazendo coisas tão grandiosas, consegue colocar perfeição em todas suas obras. Podemos ver e sentir Deus em qualquer lugar. Numa folha que é carregada pelo vento, numa gota de chuva que cai, numa brisa calma que acaricia nosso rosto, no sol que aquece nossa alma, nas nuvens que parecem um monte de algodão-doce, no brilho de cada estrela, na Lua que ilumina a noite, em cada ato de bondade, em cada gesto de gratidão, em cada demonstração de carinho e amor. Podemos ver e sentir Deus aonde quer que estejamos. Pois tudo foi feito por Ele. E tudo é Dele e para Ele. E é por isso que eu me sinto tão fascinada em saber que um ser tão maravilhoso assim me ama, mesmo Ele sendo tão perfeito e, eu, sendo assim, tão falha.
Oi, Deus. Sou eu, de novo.
Eu sei que nossa relação não está tão formidável e que já faz um tempo que tenho te evitado, não sei se por falta de tempo, se é esse meu costume de me reprimir quando me machuco ou se apenas não quero conversar com você. É que, você me conhece, não gosto de murmurar, nem expor minhas fraquezas, minhas perdas, me sentir vulnerável e parecer negativa, então me afasto para não desabar em cima dos outros. Mas é que ultimamente tudo tem dado errado em minha vida, toda minha estrutura está desmoronando e me sinto fragmentada, como se meus pedaços estivessem flutuando por aí sem rumo. Não é sua culpa. Sei que falei coisas que te magoou em nossa última conversa, mas quero que saiba que nunca quis te magoar, nem te culpar por absolutamente nada. Tenho o costume de atacar as pessoas, como um bicho que se sente acuado e rosna para todos que tentam se aproximar, mesmo que a intenção deles seja ajudar. Acho que já fui tão ferida que não sei mais como é se sentir acalentada. Tenho vivido nesse estado catatônico, me corroendo em autopiedade e depressão que já não sei mais sentir qualquer outro sentimento, acho até que tenho medo de me permitir ser feliz. Essa é minha zona de conforto agora e está muito difícil sair dela. Não entendo seu silêncio no momento em que mais clamo, mas, mesmo com a fé abalada, continuo acreditando em sua providência, estendendo as mãos para você me segurar, esperando por dias melhores ou, pelo menos, menos difíceis. Não sou tão boa com as palavras enquanto oro, por isso estou te escrevendo como forma de oração, para te pedir perdão e, se possível, uma reconciliação. Que o espírito santo possa levar minhas palavras até o céu. Espero ansiosa por sua resposta.

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Meu café esfriou.
A vida já não tem mais aquele sabor doce, como se estivesse insuportavelmente amarga, com um aroma desagradável, tão morna, simplesmente não dá mais para degustar. As coisas já não fazem mais sentido, eu me sinto perdida e sufocada em meio à tantas desilusões. Me pergunto toda noite quando tudo voltará a ser mais leve. Tento entender aonde e quando foi que errei, como pude deixar as coisas chegarem a esse ponto, como pude perder o controle e, será mesmo que ainda há chance de alguma remediação e, será mesmo que vale a pena? É que, às vezes, algumas coisas, de tão quebradas, se tornam impossíveis de consertar e, mesmo que seja possível, é bem provável que jamais voltem a ter a mesma beleza. Como uma obra de arte rasurada, que mesmo após restaurada, jamais terá o mesmo encanto de antes, porque sempre haverá vestígios de quem a rasurou, como uma cicatriz, sempre haverá marcas, mesmo que escondidas em detalhes minúsculos, um dia alguém irá notar. Enfim, uma vez feito o estrago, nada nunca mais será como antes. Já estou tão cansada de remendar aqui e abrir-se ali, dói tanto ter que me curar há cada vez que a vida me machuca. Isso não é sobre café.
Eu sou um cacto. Me fizeram ser assim. Eu era flor, mas agora só sobraram os espinhos. E talvez nunca mais vá florescer, talvez nada mais aqui possa brotar. Meu solo, já morto, não traz nenhuma esperança de novos sentimentos, algo que possa me fortalecer para que possa ressuscitar. E então, sigo machucando todos aqueles que tentam me abraçar, afastando de mim tudo que possa se fazer presente. Mas não me julguem mal. Não sou tão ruim assim. É só uma forma de me proteger, porque já não suportava mais conviver com a saudade de tudo que, um dia prometendo ficar, acabou indo embora. Assim, se já não me sobra mais nada para acalentar, me acostumei a ser um ser só, não correndo o risco de sofrer com a falta de nenhum afeto quando ele inevitavelmente se for.
Isso não é mais sobre você. Mas e se fosse? Será que você gostaria das minhas declarações estúpidas, desse meu amor confuso? Eu te daria esse céu azul, junto a essa Lua e todas essas estrelas. Mas se isso não fosse o bastante para você, te daria esse Universo infinito. Mas o que isso importa, se você não aceitaria meu amor, que é a coisa mais bonita que posso lhe oferecer, quem dirá algo tão simples assim. Mas isso não é mais sobre você. Mas e se fosse? Será que você aceitaria minhas desculpas medíocres, as quais uso só para simplesmente conseguir falar com você, embora, quase sempre, ignoradas sejam. Eu gostaria de escrever os mais lindos poemas de amor, te dedicando cada palavra deles. Eu gostaria de cantar as mais belas canções, onde cada refrão e cada solo contivesse você nelas. Mas o que isso importa, se você menosprezaria cada linha e cada nota delas. Mas isso nem é mais sobre você. Mas e se fosse? Será que você entenderia todas as vezes em que me fiz indiferente ou mesmo toda a frieza disfarçada de proteção, só para você não perceber o quanto me importo e me magoo, quando na verdade, a indiferença vem de você. Eu gostaria de te mostrar o quão belo pode ser se permitir ser amado e que, embora se tenha todos os motivos para temer, quando o afeto é de verdade, não há chances de se machucar. Mas o que isso importa, se você parece não conseguir enxergar tudo aquilo que eu gostaria e que você poderia ser para mim. Mas, realmente, isso importa? Isso não é mesmo mais sobre você. Mas e se fosse? Eu gostaria de ser sua coisa preferida nesse mundo, só para que, talvez assim, pudesse estar, nem que seja por alguns minutos, na sua mente. Mas tudo bem, já não importa mais, porque eu juro que isso não é mais sobre você.
Você é mais forte do que pensa e será mais feliz do que imagina. Mas só se você quiser. A vida ainda irá te bater muito e você irá fraquejar algumas vezes, mas não precisa se sentir mal por isso, porque ninguém precisa conseguir ser forte o tempo todo. Ser forte não significa nunca passar por dias difíceis. Pelo contrário, se não fossem dias assim, você nunca descobriria a força que pode ter. Há fases da vida em que sua luta começa desde o amanhecer, quando se tem todos os motivos do mundo para nem sequer se levantar da cama, mas consegue ser forte o bastante para, não só se levantar, como também tomar um banho, arrumar a cara embaçada e sair por aí, como se nada estivesse acontecendo. Se trancar no banheiro e chorar enquanto a água escorre se misturando às suas lágrimas não é fraqueza. Você está aí, não está? Apesar de tantos dias difíceis, apesar de toda tristeza, apesar de tudo parecer querer te mostrar que não vale a pena continuar a viver: Você ainda está aí. Suportando tudo sozinho, sem ninguém para desabafar e tornar o fardo mais leve. Então não permita que lhe digam que você é fraco, porque a maior prova da sua força é estar lendo esse texto de alguém nem te conhece, mas que também luta pela vida e consegue enxergar os esforços de cada um, por menor que eles pareçam ser, embora, para nós, não sejam tão pequenos assim. Quando se sentir muito cansado e não tiver mais ânimo para continuar, lembre-se que a vida reserva as melhores coisas para aqueles que fazem por merecer, que persistem até o fim, sem nunca desistir.
Filofobia.
É aquele aperto no peito, que dói, como se algo estivesse te sufocando. É aquele medo de se ferir outra vez, de sangrar até não lhe sobrar mais nenhuma gota de sangue, de sentir a perca de um amor que morreu em algum lugar. Porque você já amou outras vezes, mas as cicatrizes te fazem lembrar que alguns amores são arrancados brutalmente de nós, sem nenhuma explicação. Mas, só de sentir de novo aquelas borboletas voando pelo seu estômago, você toma coragem e pensa que nenhuma dor é maior que a sensação de amar alguém.

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O amor dói. Esqueça todo aquele romantismo barato que as pessoas usam para descrever o amor. Não acredite quando disserem que o amor é esse caminho todo florido. Muito pelo contrário, o amor é um caminho cheio de pedras, onde por mais que andemos com cuidado sempre iremos tropeçar, cair, ralar os joelhos e, às vezes, depois de muito esforço e tempo, carregar algumas feridas para o resto da vida, porque na maioria das vezes as feridas causadas no percorrer desse caminho nunca cicatrizam e permanecem abertas para sempre. Eu sei que é difícil aceitar uma realidade tão dura assim, ainda mais depois de crescer lendo e assistindo a romances que te levam a acreditar tudo ao contrário, mas sei também que em algum lugar aí dentro, afinal, você já sabia disso. Como podem ainda querer dizer que o amor é algo bom quando desde o começo ele já começa fazendo mal? Tente apenas se lembrar de quando se apaixonou por alguém. Aquela obsessão de querer saber tudo sobre a pessoa, passar o dia inteiro juntos e, assim que cada um for para seu lado, bater a abstinência, se morder de ciúmes só porque ela não respondeu rápido e, então, começar a pensar que ela está com alguém muito melhor do que você. Além de imaginar várias coisas e fazer vários planos sem nem ao menos saber se irão dar certo. Nunca vou entender como alguém pode gostar tanto de perder sua liberdade, fazendo tudo por alguém que ela não sabe se irá saber retribuir. Nunca vou entender como alguém pode gostar de perder o controle da própria vida, colocando sua felicidade nas mãos de quem por mais que tente segurar firme, uma hora irá acabar deixando cair e irá espalhar caquinhos do seu bem-estar por todo lado e é quando você irá tentar apanhar e colar cada um, mas nem sempre irá conseguir. O amor é uma doença psicológica que ainda não foi considerada pelos psicólogos. O amor é um suicídio mental. Se permitir amar alguém é como se jogar de um precipício sem saber o que estará lá embaixo para aparar sua queda, se é que sequer haverá algo. Resumindo o amor: Ele é uma soma de incertezas, porque você nunca irá saber quem irá te fazer desabrochar ou quem irá te matar pelas suas raízes. Essa incerteza atormenta, tortura e acaba com seu psicológico. Por mais que as coisas estejam bem, você sempre terá que se preocupar com algo. Então, se quiser saber o que realmente tenho a dizer sobre o amor, é: O evite a qualquer custo. Fuja dele como quem foge da forca. Porque se você parar bem para pensar, o amor é uma corda no pescoço.
O pior de tudo foi eu tentar me enganar e quase me convencer de que havia superado. Mas só agora vejo que foi tudo em vão. Durante todos esses anos tentei, te procurei, me humilhei, engoli todas as palavras que você me falava, me engasgando entre meu choro sem consolo, lutei o quanto pude, dei tudo de mim, fiz tudo que estava ao meu alcance. Mas você nunca ligou. Quem sabe debochava de mim. Ainda me pergunto todos os dias por que apareceu em minha vida. Pior ainda, por que quis entrar nela se sabia que iria sair antes mesmo que seu cheiro ficasse? Será que foi verdade quando disse que me amava? Acho que não. Mas te amei sim, de verdade, com todo o amor que tinha para oferecer. Não fui perfeita, mas quem é? Se lembra quando você me disse que ninguém iria te amar como te amo? Essa foi a mais pura verdade que saiu da sua boca. Talvez a única. Mas se sabia disso, por que não ficou? Eu não era suficiente para você? O que é ser suficiente para você, então? Se lembra quando me disse que eu havia mudado? Sim, mudei. Realmente me tornei uma pessoa fria e amarga. Esse foi o único jeito que encontrei para me defender de pessoas como você. Se lembra quando nos falamos pela última vez e você me disse que eu era uma pessoa autodestrutiva? Sei que estava se referindo ao meu estado depressivo. Mas o que você não entendia é que eu estava assim por sua causa. Era tudo sua culpa. Mas, veja bem, a última coisa que lhe disse foi que aquela seria a última vez que você me machucaria. Então saí de uma vez por todas da sua vida. Depois me tranquei no quarto e chorei até dormir. Desde então tenho superado isso a cada dia que se passa. Uns dias são mais fáceis, outros mais difíceis, mas tenho conseguido vencer todos. Imagino que deva estar se perguntando onde estou, porque sempre sumia, mas depois voltava a te procurar e, agora, finalmente, desapareci. Todas as vezes que me machucou, te perdoei, porque não conseguia sentir rancor de você. Não há prova de amor verdadeiro maior do que essa: Um amor que tudo sofre, tudo suporta, tudo perdoa. Isso é bíblico. Mas me curar de você tem me permitido voltar a enxergar a vida com outros olhos. Parei minha vida por muitos anos, hoje me sinto mais leve. Às vezes chego a acreditar que ainda pensa em mim ou até mesmo ainda sente algo, seja lá o que for que sinta. Vai ver nós não éramos mesmo para durar. Já tentei te esquecer, até mesmo te odiar, mas nada deu certo. Depois de tantas tentativas falhas de fugir do que sinto por você, acabei por perceber que o melhor que posso fazer é guardar esse sentimento tão bonito, mas que me machuca tanto, num potinho, para assim, poder continuar a viver. Talvez carregue esse amor para sempre, mas, alguns amores precisam ser guardados dentro do peito. Foi o que fiz.
Caos em órbita.
Todos somos feitos de poeira estelar. Somos resultado de explosões e colisões. Nosso universo interior está em constante expansão. Dentro de cada um cabe um infinito de sentimentos e sensações, do vazio ao transbordar. Por isso, por mais que tentemos fugir, o caos nos orbita. Não há para onde ir ou onde se esconder. Não somos mais do que o que sobrou. Tudo que nos ronda e por onde quer que passemos nos faz trazer e deixar um pouco do que nos originou. E é isso que dá sentido à vida: O fato de estarmos sempre tentando evitar um novo impacto, quando há muito tempo já estamos vivendo nos destroços dele.