Passo as noites, em silêncio, a sonhar,
Com filmes de amor a me consolar.
Busco acender, em meio à escuridão,
A chama tímida que vive no coração.
Como pode alguém, com o amor nas mãos,
Deixá-lo escapar, como grãos entre os vãos?
Só perde o que é raro e tanto é buscado,
Aquele que vive com o peito fechado.
Em noites frias, trocamos palavras,
Segredos, sorrisos, perguntas tão claras...
Mas os dias passaram, levaram o calor,
E restou na memória um breve sabor.
O que clamam os corações calados,
Em noites solitárias, em sonhos guardados?
No instante em que o silêncio faz morada,
O coração sussurra, em batida encantada.
Se escrevo sobre dias cinzentos, talvez,
É por buscar as cores que a vida já fez.
A esperança dança no ar, tão discreta,
Como o voo tranquilo de uma borboleta.
Quem disse que o amor não existe, afinal?
Que ele é confuso, cruel ou banal?
O amor é valsa, é tempo e é vento,
É música muda que embala o sentimento.












