aquela frase deixara victor pensativo, porque não era como se tivesse ouvido sem querer. parecia que ele queria que ouvisse e, de fato, ouvira. agora não sabia exatamente o que fazer com a informação, mas acabou rindo para si mesmo. porque parecia ser um pouco de cada. victor não era bobo, muito de seus movimentos eram calculados justamente para mexer com ankor do jeito que queria, mas ele genuinamente não tinha noção que tinha algum poder sobre o outro fora daquele cenário onde as provocações eram recíprocas e eles tinham um objetivo em comum. era essa parte que o deixava pensativo, no tipo de coisa que fazia com o outro de maneira inconsciente. de repente, estava curioso. queria ouvir mais sobre isso, mas ao mesmo tempo não queria. talvez fossem aquelas coisas das quais não tinha ciência que manteriam o outro interessado, mais do que as coisas que sabia. e queria que ele seguisse interessado. ━━ e esses questionamentos têm alguma conclusão? ━━ perguntou mesmo assim, porque queria ver o que ele ia dizer. e mal podia conter o sorrisinho lateral enquanto esperava por uma resposta. o que lhe deu tempo para conseguir imaginar o que podia ser, partindo de seu próprio ponto de vista. como quando observava ankor cozinhando e achava interessante a maneira como ele cortava legumes. ou quando era noite de fogueira e ficava à distância vendo rir e conversar com outras pessoas e não conseguia desviar o olhar, porque os olhos dele praticamente sumiam do rosto quando ele ria. ou quando ele sorria e as covinhas marcavam nas bochechas e tudo o que queria fazer era afundar o dedo nelas. a sensação elétrica que subia por sua pele sempre que ele encostava em qualquer parte exposta. exatamente como acontecera quando sentiu os lábios dele roçando em sua orelha, por mais sutil que fosse o toque daquela vez. todavia, eram as palavras dele que o deixaram um pouco tenso. por instinto, victor acertou um soco no abdomen de ankor, só pelo atrevimento. mas o gesto não carregava nem mesmo ¼ da força que podia aplicar quando realmente queria machucar. e, verdade fosse dita, só tinha feito porque não tinha palavras para responder. não quando sabia que realmente perdia toda a pose quando transavam.
se não tivesse ficado prontamente irritado, teria ficado confuso novamente. ele não tinha percebido que não tinha falando sério? victor acabou fazendo uma nota mental para deixar de responder daquela maneira, mesmo que fosse divertido ficar provocando o maior fingindo que não se importava com algumas coisas. mas enquanto ele não estivesse plenamente ciente que se importava sim, talvez fosse melhor parar. ━━ devo te lembrar que… que estamos juntos agora? ━━ perguntou, impaciente. mas ainda assim sentindo o coração subir algumas batidas por conta da fala, porque é estavam juntos, tipo um casal, e só o pensamento já causava agitação em seu interior. ━━ acha mesmo que eu teria concordado com isso se eu não… não gostasse de… de ficar com você? ━━ lá estava ele de novo, engasgando com as palavras que queria dizer. por que diabos era sempre tão difícil? ━━ eu acabei de te beijar, vê se deixa de falar besteira! ━━ resmungou, em conclusão, como se aquilo já fosse exemplo mais que suficiente que sim, gostava de ficar com ele. mesmo que tivesse sido arrastado para o meio do mato, não se importava. preferia isso, preferia estar com ele do que em qualquer outro lugar. e pensar daquela maneira quando estava irritado era estranho, era intenso de um jeito diferente. mas já não era o tipo de coisa que o assustava. era como estar à beira de um penhasco, mas sem medo de cair. apenas aproveitando a vista dali de cima. ━━ por quanto tempo eles se atraem? os opostos. ━━ perguntou, aproveitando aquela metáfora para falar dos dois. quanto tempo ankor achava que seu interesse duraria, considerando que 5 anos já tinham sido jogados no lixo? não dava para não pensar naquilo. quando a espera era muito longa, não era incomum que o interesse diminuísse ou até que acabasse. e isso era com qualquer coisa na vida.
victor riu baixinho com a reação alheia. ele era adorável demais, era preocupante a velocidade como aquilo o fazia sentir algo dentro de si derretendo. e era seu coração, pelo jeito. ━━ claro que não. desse jeito vamos acabar até cumprindo detenção juntos. ━━ brincou, rindo por entre as palavras. não acreditava que fossem mesmo ser pegos juntos ou que alguém faria muito caso caso viesse a acontecer, porque não tinha mais ninguém em seu chalé para levar qualquer reclamação, diferentemente do chalé de ankor. pela personalidade de victor talvez fosse possível dizer que sua mãe não era uma mulher muito agradável, duvidava que ela fosse ter outro filho a menos que ele morresse, então podia aproveitar o espaço tranquilamente. o que parecia ótimo agora. ainda mais quando sentia as bochecas enrubescendo pela correção do outro. não podia discordar. ━━ aposto que não estavam com saudades disso. ━━ comentou, divertido. infelizmente para eles, victor estava, mesmo que em sua cabeça não tivesse aquele espaço de tempo para que isso acontecesse. mas agora tinha acontecido e ele podia sentir falta sim. inclusive, correu os dedos pelos cabelos tentando se distrair dos flashbacks que estavam voltando à tona.
daquela vez, tinha ouvido sem querer. e acabou suspirando por isso. naquele dia, victor tinha tomado o veneno por escolha própria, porque tinha lhado para as pessoas na missão e percebido que elas tinham motivos para voltar para casa e, na época, achava que não tinha nenhum. que seria egoísmo seu deixar outra pessoa morrer quando era claro para ele, e provavelmente para os outro também, quem deveria se sacrificar. não pelo objeto que tinham ido buscar, mas por eles mesmos. enquanto colocava tudo na balança, tinha pensado em ankor. mas não tinham nada, ele poderia sobreviver à morte de um ficante e achar alguém muito melhor. mas tudo acontecia por um motivo, não? se não haviam cortado sua linha da vida e teve que esperar todos aqueles anos para voltar a viver realmente, deveria haver uma boa razão. e estivera pensando nisso desde o dia que saiu da enfermaria. por quê? e essa mesma pergunta se repetiu tantas e tantas vezes em sua mente. mas ali, naquele momento, estava começando a suspeitar que tinha descoberto o porquê. ━━ eu nunca vou facilitar para você, essa é sua sina por querer ficar comigo. ━━ implicou, mas falhando em conter o sorriso, que permaneceu ali mesmo quando o outro ajeitou seu cabelo. ━━ se eu perceber qualquer coisa errada, se eu te ver cansado ou algo do tipo, a gente vai brigar. tá entendendo? ━━ disse, com o dedo indicador apontando para o outro. e essa era sua maneira de concordar e também deixar avisado que ficaria de olho.
━━ não! ━━ victor discordou mais uma vez. seguiria discordando enquanto o outro não entendesse que existia uma ordem para as coisas e, definitivamente, deixar ankor morrer primeiro que ele, que já estava condenado, de certa forma, não era uma opção. ━━ eu acho que você ficaria bem. você tem que ficar bem, se isso acontecer. porque… algumas pessoas merecem viver, ankor. e você é uma delas. ━━ porque ele era uma pessoa boa, porque ele tinha um coração bom e uma visão boa sobre as coisas, sobre a vida. ele tinha família e amigos, também. merecia aproveitar tudo. victor já tinha crescido amargurado e sem esperanças, depois da morte do pai. não tinha sobrado nada além de ankor, que era uma surpresa boa em sua sobrevida. sem ele, não tinha sentido manter o coração batendo. e vê-lo falando com tamanha convicção, usando aquela escolha de palavras, que tirasse você de mim. como se o pertencesse… aquilo fazia seu coração acelerar de novo, batia repentinamente tão rápido que era como se fosse parar a qualquer segundo. a ironia em cima de todos os pensamentos que tivera um segundo antes. ━━ exatamente por isso! ━━ exclamou então, um tantinho exaltado. ━━ você salva todo mundo, você cuida de todo mundo o tempo todo. mas quem cuida de você? quem salva você? ━━ perguntou, buscando sustentar o olhar dele. no entanto, não esperou por uma resposta por parte dele, porque já a tinha: ━━ eu, ankor. ━━ disse em tom mais comedido, mas não menos firme. ━━ eu vou proteger você a todo custo. ━━ não sabia se era por isso que tinha ficado vivo, mas queria que fosse. se pudesse fazer algo tão útil quanto zelar pelo bem estar de ankor, tudo valeria à pena.
ouvi-lo dizer que estava com medo fez seu coração desacelerar na marra. como se alguém tivesse enfiado a mão em seu peito e apertado-o impiedosamente entre os dedos. era difícil olhá-lo quando sabia que ele estava assustado e por sua causa, mas manteve os olhos no rosto dele, esquadrinhando-o cuidadosamente. uma das mãos moveu-se para os cabelos dele, afagando-os gentilmente. ━━ você não vai se livrar de mim tão fácil, eu vou voltar para te assombrar! ━━ exclamou, brincando com ele na esperança de amenizar um pouco as coisas. ━━ tá tudo bem, eh? coragem não é sobre não ter medo de encarar as coisas. é sobre encarar com medo mesmo. vai ficar tudo bem. ━━ disse em toma mais ameno, tentando confortá-lo. “de um jeito ou de outro”, completou mentalmente. não podia prometer a ele que teria uma vida longa, mas faria todo o possível para prolongar quanto pudesse, como dissera anteriormente. a puxada em seus cabelos o fizera rir contra os lábios do maior, porque tinha notado o hábito novo que tinha se criado e não podia dizer que não gostava. combinado com a sensação dos lábios dele contra os seus, parecia ainda mais gostoso. fazia-o sentir como se não precisasse de muito mais para simplesmente passar a ignorar o mundo ao redor e focar apenas nele. mas foi impedido disso pelo dedo em seus lábios, criando aquela barreira necessária. ━━ sabe que essa frase tem zero poder de convencimento, não sabe? ━━ devolveu em tom baixo, porque não precisava aumentar o tom ali.
como nenhum dos dois tinha recuado, podia sentir a respiração dele cortando a sua. as mãos dele em si e as suas nele. sentir a diferença de temperatura e ver a diferença entre os tons de suas peles. tinha tempo para pensar na diferença entre suas personalidades, modo de pensar e de agir, baseado na conversa de pouco tempo antes. definitivamente, eram opostos que tinham se atraído. victor acabou recuando um pouco, mas só para que pudesse fitá-lo melhor. para que pudesse olhá-lo com ainda mais atenção, como se tentasse memorizar cada linha do rosto dele. ele tinha mudado muito naqueles anos, estava mais maduro, mais bonito - se é que era possível. talvez devesse mesmo memorizar tudo de novo. mas, é… ele era tão bonito. tão atraente. tão gentil. tão adorável. tão fácil de amar. tanto que tinha derrubado todas as barreiras que victor demorara a vida toda para construir como se elas fossem feitas de algo leve e não de muita amargura e sentimentos negativos. e victor, que tanto correra de acabar criando sentimentos por ankor agora estava ali, disposto a se sacrificar por ele sem qualquer hesitação. de fazer dele a sua razão para continuar vivo, não por qualquer obrigação, mas porque queria. porque queria cuidar dele e protegê-lo e garantir que ele ficasse bem, que fosse feliz. e que fosse a sua mão que ele estivesse segurando enquanto isso. porque ele era fácil de amar e victor o amava. ━━ 나와… 결혼해 줄래요? ━━ soltou de repente. sabia que era loucura, que era absolutamente descabido. ele sentia isso em seus ossos. mas sentia tanto quanto sentia que era a coisa certa a fazer. se podia morrer a qualquer momento, não havia motivos para não viver rápido.
ankor ponderou se deveria responder, estava em víeis de se questionar se não estava dando poder demais a victor sobre si ao revelar algumas coisas, mas se estava na beira do precipício porque não se jogar? não sentia que haveria alguma reação negativa, além de que victor poderia usar o novo conhecimento contra si e ankor até gostava da ideia. ❪ um pouquinho dos dois? ❫ viu aquele sorriso e ele o deu mais incentivo pra continuar a própria analise porque sabia que havia certa expectativa em sua resposta. victor queria ouvi-lo. ❪ acho que você gosta de se fazer de sonso, na maior parte do tempo, só porque sabe que isso me faz querer te provocar mais... ❫ era um jogo que eles aprenderam a jogar e ankor sempre pegava a isca. ❪ mas você nem sempre sabe como reagir as minhas reações... acho que as vezes eu te pego de surpresa... ❫ assentiu pra si mesmo enquanto pensava sobre alguns momentos entre eles em que aquilo acontecia, quando acabava desconfigurando victor ao ponto dele ficar sem palavras, as vezes ele ficava vermelho ou furioso querendo bater em si, era engraçado e muito satisfatório também e por isso ankor sorria. ❪ e parte disso tem haver com o fato de você saber do poder que tem em me atingir... você sabe como fazer isso muito bem... mas ao mesmo tempo você não tem noção do quanto... o quanto eu estou na palma da sua mão... ❫ e geralmente aquilo carregava um tom ruim pra a maioria das pessoas, mas não pra ankor, ainda que inicialmente ele mesmo tenha ficado assustado com os rumos que poderia tomar ao se sentir daquela forma sobre victor. ❪ não sei se você havia reparado antes... mas eu não consigo focar muito bem em nada quando você tá perto. ❫ isso o tornava as vezes desastrado na cozinha, por exemplo. ❪ eu também acabava sempre só indo ver os jogos de luta quando era você competindo. ❫ e o rosto esquentou porque era tão óbvio que só ia pra ver victor, não estava tentando disfarçar e também nenhuma desculpa seria coerente. ❪ eu tenho uma leve... ok uma grande, fascinação quando você fica puto... porque quando você fica bravo eu só consigo pensar em te beijar... mas eu sinto o mesmo quando você é fofo... porque você não quer ser mas acaba sendo e... céus eu só tenho vontade de te beijar... ❫ falou como se não estivesse com ele exatamente na sua frente escutando tudo que falava como uma confissão nervosa aos quatro ventos. ❪ e da mesma forma eu me encontro na mesma situação... eu não sei quanto de poder tenho sobre você... mas eu gosto... gosto de reafirmar que eu tenho esse poder sobre você... gosto de provar a mim mesmo que você é meu. ❫ confessou. porque de fato ankor adorava aquilo, ver victor corado, sem reação ou reagindo com raiva por não saber o que fazer.
então ankor sentiu o corpo de victor enrijecer sob suas mãos em reação ao que disse e deu um sorrisinho que beirava a pura satisfação de quem conseguiu o que queria, para então as feições se transformarem em uma de dor só pelo ato puramente teatral já que o soco que recebeu não chegou a dor de fato mas então tudo se desfez em um sorriso divertido com uma ideia ainda pior. bandeiras vermelhas que indicavam uma zona de perigo. ❪ deu pra querer me bater agora? achei que fosse você que gostasse de apanhar... ❫ retrucou e lá ia ankor perdendo o controle e atiçando mais o outro. uma das mãos de esgueirando até agarrar uma das bandas da bunda de victor com força. parecia que ele estava pedindo pra apanhar mais e não negaria que gostava da sensação de queimação no rosto quando victor lhe transferia um tapa por pura reprovação a algo que fazia. e se victor perdia totalmente a pose quando transavam, ankor mostrava um novo lado que ninguém desconfiava existir e que ele tinha adorado descobrir. no final eles eram assim, intensos, sempre levando um ao outro ao limite, agora isso se misturava em busca de equilíbrio com os toques carinhosos e sutis com os beijos sem carregar segundas intenções, sobre querer aproveitar a presença um do outro sem fazer nada ao mesmo tempo que queriam fazer tudo.
estamos juntos agora. as palavras o atingiram nos tons de vermelho que agora tomava o rosto, parte pelo significado, parte pelo tom usado por victor como se fosse um absurdo que estivesse inseguro com aquilo. era como a sensação de ser agarrado pelos ombros e sacudido, como um lembrete do que aquele homem fazia consigo. as vezes se sentia como se tivesse sido feito pra aquilo, ação e reação causadas por victor e ankor não pretendia se opor de alguma forma ao próprio destino porque ele gostava muito. gostava do nervosismo que ocupava as mãos em pequenos tremores ou naquele gelar no pé da barriga. estamos juntos agora. ele sorriu bobo ao constatar o óbvio mais uma vez, tentando não parecer tão apaixonado com aquela mania de morder o lábio inferior inutilmente tentando conter um sorriso, porque tudo em si parecia gritar o óbvio. estamos juntos agora. como se as digitais que o tocaram noites anteriores ainda estivessem ali, dizendo que era dele de todas as formas possíveis. ❪ e-eu... eu sei. ❫ sim, as vezes tudo parecia só perfeito demais pra ser real e ele custava um pouco a acreditar ser verdade mas se fosse só algum tipo de ilusão ou se estivesse dormindo, naquele instante ele estava implorando aos deuses para que o deixassem ali, nos braços de victor pra sempre. entretanto quando se pegava preso naquelas ideias bobas ele focava no momento, deixando o nariz cair rente ao pescoço do outro só pra se embriagar com o perfume, o sentia o corpo pequeno abaixo das mãos, junto de si, a temperatura fria perdendo pra seu calor e se pegando admirando a trilha de pintinhas expostas, todos aqueles detalhes eram a prova mais clara que tudo era real. mas se isso tudo já era capaz de fazê-lo se sentir derretendo a confissão proclamada só piorou tudo, fazendo aumentar a velocidade com que o sangue percorria o corpo, entre seu coração batendo tão rápido que duvidava que ele escapuliria pela boca, estes sendo os grandes causadores dos tons de vermelho mais intenso em suas bochechas, os labios entreabertos tentando buscar de alguma forma o ar como se mesmo que por um segundo tivesse esquecido de respirar. não era uma supressa mas sempre se sentia atingido da mesma forma quando victor assumia em voz alta que gostava de si e isso somado a aquele jeitinho dele meio resmungão, bravo consigo ao mesmo tempo que dizia que gostava de si, um pouco tímido e nervoso em dizer as palavras... ❪ como eu não iria me apaixonar por isso? como eu não ia me apaixonar por você? ❫ disse entre um pensamento alto mas nem um pouco arrependido de dizer em voz alta e antes que tivesse que lidar com o fato de victor ter escutado não resistiu e segurou o rosto dele entre as mãos e roubou outro selinho, que se tornou mais outros até que perdeu a conta de quantos. queria beijar ele inteiro, tentar de alguma forma mostrar o que ele fazia consigo, o que sentia tão forte e intenso o rasgando o peito. fazia tanto tempo. ankor sentiu as lagrimas se acumularem no canto dos olhos, só porque se sentia absurdamente feliz. apesar de tudo que passaram estamos juntos agora.
deixou mais alguns beijinhos por todo o rosto de victor só porque não podia resistir e não estava se esforçando muito pra isso também. ❪ seria abuso demais da minha parte... ❫ murmurou ao parar mas sem se afastar, fazendo o hálito quente esbarar contra a pele, só um pouco antes de se cortar entre a fala e se afastar mesmo que só o bastante pra olha-lo nos olhos e então continuar. ❪ pedir pra você se declarar pra mim sempre? ❫ e se a voz doce não fosse convence-lo lá estava o sorriso largo exibindo as covinhas, porque queria muito mesmo todos os dias escutar victor dizendo aquelas coisas e nem que tivesse que irrita-lo pra isso ankor faria. ❪ e desculpa. ❫ continuou achando que deveria alguma explicação ao outro sobre sua reação. ❪ eu não duvido dos seus sentimentos, tá bom? só fiquei preocupado de... ser grudento demais... de acabar te deixando desconfortável... ou... te sufocar? eu não sei... ❫ deu de ombros entre uma careta como se agora dizer aquilo em voz alto só piorasse o quão bobo aquelas duvidas soavam. ❪ só que depois de te ouvir falar assim... eu só consigo pensar que sinto muito... ❫ tentou seu melhor tom dramático como se algo terrível estivesse prestes a ser tido só pra atacar victor em seguida, envolvendo o mesmo entre os braços. ❪ vai ter que me aturar pra sempre e 24 horas... quer dizer eu ainda tenho que trabalhar e você também né? enfim vai ter que me aturar sempre que possível, não vou mais te deixar em paz. ❫ declarou animado deixando outro beijinho na bochecha do mesmo e lá estava ele sendo o que tanto temeu, grudento, só que não durou muito porque escutou a pergunta. se ajeitou pra pensar um pouco, ankor estava longe, concentrado em achar a resposta como se fosse algo muito importante, uma pequena ruga se formando em sua testa. ❪ meio que pra sempre? levando em consideração ímãs, só algumas circunstancias fazem eles perderem a propriedade magnética e parar de se atraírem. ❫ voltou a atenção os olhos piscando algumas vezes quando caiu a ficha e se deu conta que victor tinha perguntando na verdade sobre eles e os labios acabaram se curvando mais uma vez um tanto animados, sorrir sempre era muito fácil quando estava com aquele homem. ❪ sabe... não importa o quanto você afaste os irmãs, eles vão parecer não se atrair mas assim que você os aproxima... lá vão estar eles se atraindo e querendo estar juntos... e bom... é não somos ímãs mas ficar 5 anos longe de você... agora só me fez querer ficar ainda mais perto. ❫ se explicou, porque era assim que se sentia, o sentimento não havia diminuído com o tempo sim apenas aumentando. ❪ mas não invente de ficar longe de mim de novo, tá ouvindo? ❫ soltou apontando o dedo indicar pro outro em alguma ameaça.
ankor apenas contemplou victor rindo como se fosse a paisagem mais linda que ele já viu, queria poder guarda pra sempre na memoria a forma como os olhos sumiam, como o nariz enrugava na linha que encontrava com a testa e como a gengiva ficava a mostra. ele era tão lindo. ankor nunca se cansaria de constatar isso, de admira-lo, de se perder em todos os detalhes e naquela sensação que lhe tomava o peito quando o via feliz daquele jeito, era como se pudesse florescer um jardim inteiro de si por culpa dele e se dependesse de ankor o queria daquele jeito rindo ou sorrindo bobo todos os dias. ❪ eu não me incomodo não, qualquer lugar com você deve ser divertido. ❫ tinha certeza disso mesmo que obviamente ankor nunca tivesse ido pra detenção pra constatar aquilo. então como os imãs que havia falado um pouco mais cedo os dedos foram atraídos pelo tom de rubro na pele de victor, apenas para fazer um carinho na bochecha como se desejasse sentir o calor que tinha causado no outro. ankor tinha alguma fascinação nisso, em como fazia a temperatura sempre baixa de victor falhar de alguma forma e de como o contato das peles por conta dessa diferença causavam arrepios na espinha. era gostoso. todas as mínimas coisas que faziam eram prazerosas do olhar de ankor. ❪ pelo menos sei que eles não vão se importar nem um pouco comigo indo no seu chalé. ❫ comentou, mais animadinho do que deveria, mas era algo positivo afinal teoricamente não poderiam ficar no chalé um do outro mas seus irmãos com toda certeza passariam pano se isso significasse não ter que dormir sobre os gemidos do casal. se sentiu quente de novo ao se lembrar, realmente nem um pouco arrependido e não via a hora de repetirem a dose, não exatamente só da parte em se afundar no outro da forma mais lasciva possível mas de poderem ficar sozinhos e curtindo a companhia um do outro como faziam agora por mais tempo. os pensamentos porém o deixaram quando notou aquela pequena mania que o outro tinha de mexer nos cabelos e acabou sorrindo um pouco travesso sabendo que ele tinha em mente as mesmas memorias que passavam pela sua. levado pela ideia de causar mais uma onda de imagens pecaminosas na mente do menor ankor se aproximou, certo que estava procurando por perigo e que havia perdido totalmente a noção do limite. labios rente os dele, quase prontos para beija-lo enquanto murmurava com a voz um pouco rouca. ❪ eu quero te foder em todos os cantos desse acampamento... de novo. ❫ deixou um selinho antes de se afastar rindo como uma criança travessa, estava o provocando mas não era mentiria. queria mesmo fazê-lo seu sempre que pudesse, fazer todos saberem que ele era seu e de fato perder a conta de quantos lugares se pegaram.
❪ tudo bem, eu posso lidar com isso. ❫ assentiu convencido, porque já conhecia muito bem o gênio de victor e adorava aquilo, como ele parecia tão disposto a dificultar quando ankor sabia que sempre acabariam do mesmo jeito, ele sempre iria acabar cedendo e fazer o que ankor queria porque ele não era tão durão quanto parecia, o sorriso nos labios dele indicava isso e ankor só se sentia a pessoa mais sortuda do mundo por conhecer aquele lado dele, por poder ser a pessoa que ultrapassou todas as barreiras e que era a razão dos sorrisos bobos de victor, se sentia realmente privilegiado aquele ponto. ❪ tá bom. ❫ deixou um beijinho na ponta do dedo indicador do mesmo que apontava pra si como algum tipo de travessura como se não levasse tão a serio a ameaça, não porque ankor sabia que o outro não brigaria feio consigo mas sim porque ele faria o possível pra não acontecer. ❪ obrigada por me deixar cuidar de você. ❫ completou entre outro sorriso largo, porque poder fazer aquilo realmente o deixava um pouco menos aflito, queria sentir que estava o ajudando de alguma forma, que podia fazê-lo ficar mesmo que soubesse no fundo não ter controle algum sobre a vida e a morte. mas não durou muito e quando escutou outro não logo fechou a cara. ❪ você também merece viver! você merece tudo tanto quanto eu, isso não é justo! se eu pudesse... ❫ trocaria de lugar com você. não disse em voz alta porque sabia que victor não gostaria que se colocasse naquela posição mas sabia que o outro entenderia nas entrelinhas, porque ankor era assim ele não se importaria de pegar as dores pra si, muito menos de alguém que era tão importante pra si. ❪ você merece viver victor... e... ser feliz... porque você não pode entender isso também? ❫ resmungou chateado mas se permitiu escutar o outro ainda com certa carranca mesmo que entendesse o que victor queria dizer e cada palavra que ele falava só o fizesse se sentir emotivo e beira de querer chorar de novo. eu vou proteger você a todo custo. um suspiro deixou ankor entre outro sorriso, meio triste, meio agradecido, porque não conseguia acreditar que tinha alguém disposto a tanto por si mas também não queria perde-lo de alguma forma e no meio disso ficava irritado em como victor conseguia desarma-lo. queria ficar bravo, contesta-lo, faze-lo mudar de ideia. ❪ tudo bem. ❫ murmurou quase a contra gosto, ainda que houvesse uma parte contente com aquela constatação boba que victor queria cuidar de si e isso era algo novo pra si. ❪ mas tem que ficar vivo pra conseguir isso. ❫ comentou quase em um tom brincalhão.
outro suspiro o deixou entre o carinho que recebeu no cabelo, os olhos fechando mas uma das mãos foi deixada sobre a coxa de victor entre um toque um pouco firme como se temesse ainda que ele desaparecesse, como se ainda se houvesse alguma possibilidade de perde-lo naquele exato instante. ❪ acho bom. ❫ respondeu com o mesmo tom brincalhão. ainda que tivesse algum tipo de promessa velada da parte de ankor de que ele faria tudo pra ter victor ao seu lado mesmo após a morte, nem que tivesse que fazer mil oferendas ou algum acordo com o deusa celta da vida e da morte macha. assentiu as palavras de conforto, ele tinha razão, não precisava não ter medo só precisavam continuar mesmo com medo e isso ele faria, não deixaria victor, aproveitaria cada segundo que ainda o tinha ali, queria fazê-lo feliz e no dia que ele o deixasse ele pudesse não sentir nenhum arrependimento, que ele pudesse estar finalmente satisfeito consigo mesmo e com a vida que teve ao seu lado enxurrado de memorias como as daquele momento com ele tão perto, os labios juntos, a risada gostosa o atingindo o ouvido. ❪ uhum... sei... ❫ resmungou a contra gosto porque não queria parar nada, nem convencer victor a escuta-lo a parar, queria exatamente fazer o contrario, só esquecer tudo e ficar beijar victor até sentir os labios dormentes, ficar bêbado dele, ficar entorpecido com o cheiro e se perder nas curvas dele como se não conhecesse o caminho. tudo que consegui escutar era o próprio coração e da respiração desregulada brigando com os sons da natureza ao redor pra ver quem era mais alto. os labios se pressionando em um biquinho frustrado quando viu victor se afastou pra ficar o encarando daquela forma, era difícil não se sentir ainda mais quente e necessitado de querer quebrar o espaço de novo mas se conteve no mesmo lugar, se ajeitando com as mãos apoiadas um pouco atrás do corpo, então se permitindo fazendo o mesmo, decorando todos os detalhes que faziam victor ser victor. se apaixonando mais uma vez por aquele homem, se isso de fato era possível.
a pele clara parecia refletir a luz do sol. era lindo. gostava também do contraste com a sua que era em um tom bronzeado. gostava também de como era fácil deixa-lo vermelho, sendo isso algo que ankor adorava fazer desde as bochechas coradas quando fazia algo que victor não sabia lidar ou por pressionar um pouco mais a pele e deixar marcas no trajeto que as suas mãos e boca fazia no corpo do outro sem sequer se importava com os resmungos que recebia no dia seguinte porque adorava marca-lo em alguma satisfação de que ele era seu. gostava dos cabelos escuros e longos, contrastando com os seus descoloridos, gostava de emaranhar os dedos ali e fazer cafuné, de ajeitar quando algum fio caia sobre o rosto bonito ou de puxa-lo em pura provocação. gostava dos labios, de como eles soavam convidativos, de como gostava de pecar com eles envoltos em seu corpo, de como era adorável quando eles se projetavam em um biquinho ou quando victor sorria, desde os sorrisos mais contidos ou os gengivais, todos atingiam seu coração tanto quanto quando ele sorria safado entre ideias não ditas que faziam o corpo de ankor vibrar em antecipação. gostava de como as mãos se encaixavam. .gostava de como seu corpo o engolia ao ponto de faze-lo sumir abaixo de si e podia dizer sobre cada um dos detalhes do corpo dele que o enlouquecia e que amava mas amava ainda mais a personalidade conflitante com a sua. gostava da forma como sempre se batiam em provocações, como se irritavam com o outro só pra perderem a pose em seguida, como instigavam um ao outro a se sentirem curiosos, de quererem se conhecer mais, de querer entender o outro que era tão diferente e se pegar admirando todos os pontos distintos, a forma que pensava e agiam. gostava de como funcionavam. gostava de como pareciam ser perfeitos um pro outro. perfeito. victor era perfeito. perfeito pra mim. o victor marrento e resmungão que perde a pose com ankor. o victor que fica tímido e vulnerável perto de ankor. o victor que faz ankor perder a cabeça. o victor que perde a cabeça por causa de ankor. o victor que acha que não merece todo amor do mundo mas que ankor faz questão de amar com todo o coração. o victor que é tão fácil de amar. ankor se viu com as bochechas em chamas porque ele queria dizer as palavras, queimando na garganta implorando pra sair, porque era tudo que ele sentia. amava aquele homem tanto que chegava a doer.
나와… 결혼해 줄래요? os olhos de ankor arregalaram por três segundos como se questionasse se tinha ouvido mesmo, se ele apenas tinha confundido as palavras em coreano ou estava tirando sarro da sua cara mas não achou nada enquanto o encarava. então as palavras entaladas em sua garanta não conseguiram sair porque estavam presas pelo próprio coração querendo sair por ali. era loucura? com certeza! mas loucura era tudo que ankor queria fazer agora, na verdade era um desejo quase antigo se pensasse bem, não era a primeira vez que tinha fantasiado com o pedido, com a ideia de por um anel no dedo de victor e por isso que agora ankor estava chorando, de novo, mas dessa vez de uma felicidade que ele não conseguia conter. não conseguiu dizer as palavras mas sacudiu a cabeça em alguma afirmação antes de ir de encontro o outro, os labios sendo selados mais uma vez e agora um pouco agitado acabou deitando victor sobre a tolha se encaixando entre suas pernas, as mãos o seguraram, ambas em seu rosto fazendo carinho na bochecha enquanto o guiava entre o beijo, necessitado, desesperado, com se ele fosse tudo que precisasse e quisesse, com desejo e amor. o gosto era doce e salgado, o gosto da saliva mistura com as lagrimas fizeram ankor riu em meio ao beijo inebriado pela sensação. beijar victor soava como lar. não sabia explicar, mas era essa a sensação que tinha. victor era como os primeiros raios de sol de manha fazendo ankor se sentir derretendo em seus braços de uma forma tão gostosa, era o que o mantinha aquecido no frio, o que o fazia sorrir bobo durante o dia, a única coisa que mexia consigo ao ponto de revira-lo de cabeça pra baixo e ele passou muito sempre sem entender o que aquilo significava mas agora sabia. ❪ 사랑해요... 많이 사랑해... 많이 사랑해 내 사랑. ❫ murmurou entre pausas no beijo que tirava pra respirar entre a sensação que queria gritar, aos quatro ventos, pra todo mundo. ❪ eu aceito, eu aceito me casar com você. ❫ finalmente conseguiu dizer, um pouco nervoso mas não menos confiante ou determinado. era o que queria. tinha sua atenção toda no outro e por isso ainda ser dar conta que mais uma vez tinha feito um jardim botânico inteiro por causa de victor. todas as pequenas flores que desabrochavam na grama da clareira na primavera agora estavam ali. tudo aquilo era dele, pra ele, por ele...