> bento come de tudo, mesmo. não tem nada que ele não goste ou seja alérgico. e ele come muito.
> tem um nível intermediário de inglês e básico de espanhol, enquanto sua irmã sabe nove línguas (incluindo três de sinais)
> nunca aceito a ideia de um guarda pessoal, então a família real sempre colocou soldados disfarçados para segui-lo. e ele é tapado demais para perceber.
> a praia é o seu lugar favorito, e o fato do castelo ser muito próxima de uma faz com que praticamente viva seus dias na areia.
> tem uma marca de cerveja no reino com seu nome, e ele é o garoto propaganda. seu pai odiou a ideia.
> seus pais sempre o mimaram demais, não com luxos apenas mas permitindo vários de seus comportamentos como se sempre estivesse certo. um tiro pela culatra, já que agora que o rei e a rainha precisam que ele mude, está acostumado demais com a folga que lhe deram toda a vida.
> não tem nenhum talento muito impressionante. talvez o talento dele seja ser ruim em absolutamente tudo que tenta.
> teoricamente, tem total liberdade para escolher sua futura rainha. sua mãe, por exemplo, era plebeia antes de casar com o rei. mas seu pai sugeriu, não tão discretamente, que seria muito inteligente voltar de Illéa com uma pretendente que os oferecesse bons laços com outro país. Bento achou uma besteira e não pretende ouvir o conselho.
> é praticamente alérgico a conflitos e os evita como o diabo fugindo da cruz. não conte com ele para ajudar em uma discussão, ele vai correr.
> nunca teve um relacionamento sério porque é incapaz de se comprometer a qualquer coisa, mas várias jovens já puderam atestar terem conhecido os aposentos reais do príncipe herdeiro.
> apesar de muita música ter sido esquecida depois dos anos sob dura ditadura, várias canções perduraram repassadas por gerações e após a volta da monarquia, deixaram de ser censuradas, fazendo grande parte da identidade cultural do Reino Brasileiro. por isso, música é uma paixão que Bento compartilha com toda a família (e o povo). Cada membro dos Revéis sabe um instrumento: O rei toca sanfona, a rainha toca violão, a princesa Claudia sabe tocar piano e Bento toca a gaita.
> tem várias tatuagens, praticamente nenhuma tendo muito significado. uma águia no ombro direito, os dizeres “amor humor” na costela, uma âncora e um sinal matemático de diferença no braço são algumas das primeiras que fez. além disso, tem o mapa do reino tatuado no outro ombro, bem como uma lata de lixo na parte interna do seu antebraço (que ele fez, obviamente, muito bêbado) no mesmo dia que fez uma tatuagem do cavalo em suas costas. a gaita ele fez em conjunto com a família, depois de convencer os outros membros com muito custo a tatuar algum elemento que remetesse aos instrumentos que tocavam. todos escolheram desenhos pequenos e delicados, mas bento fez uma gaita grande que acabou parecendo um isqueiro. ele gosta mesmo assim. mas a sua tatuagem favorita mesmo é um leão no bíceps, que foi literalmente feita por uma criança que convenceu ele depois de esbarrar no príncipe na praia.
( LISTA DE CONNECTIONS AQUI. )
about:
Durante a terceira guerra mundial, os governantes do Brasil acreditavam que poderiam e deviam se manter neutros diante das disputas políticas, e alguns ainda argumentariam que havia funcionado de início, mas o decorrer dos anos demonstravam que a postura abstencionista havia sido uma péssima decisão. Muito embora uma guerra efetiva não houvesse ocorrido em território brasileiro, as consequências desta se traduziam em pobreza excessiva, fome, miséria. Com as riquezas vindo através do papel histórico de grande exportador, via-se impossibilitado de recuperar a estabilidade (ou o mais próximo daquilo) financeira quando o quadro mundial era tão caótico. Países quebrados, nações guerreando, moedas em alta e baixa constante. Se por um lado o Brasil se mantinha livre de conflitos externos, tampouco tinha aliados e os problemas internos implodiam. Tão logo, agravando a situação, o governo era derrubado em um golpe de estado. Os anos que se seguiram sob governo militar terminaram de assolar o país, mas enquanto a ditadura governava com punhos de ferro, a oposição era criada – os chamados Revéis. Enquanto o grupo crescia e tomava força, o líder Ernesto cativava os seguidores com promessas e discursos bem feitos. Foi a quarta guerra e a forma com que o governo atual falhava, uma vez mais, em impedir que o povo seguisse afundando que enfim os Revéis levaram seu líder ao poder. O plebiscito popular nomeava Ernesto Revéis como o novo monarca e governante do então chamado de Reino Brasileiro. Os primeiros anos foram de plena alegria ao povo cuja voz enfim havia sido ouvida, cujo grito finalmente conquistara seus direitos de volta. E Ernesto, bem, Ernesto de fato tinha os melhores interesses em colocar seu povo de volta a uma posição digna. Com o resquício do dinheiro que o estado ainda possuía, reestruturou alguns setores. Terras eram oferecidas em troca de trabalho, planos de auxílio de rendas permitiam que famílias oferecessem aos seus o que comer, e devagar o reino se via pouco menos afundado na lama de seus antepassados. O problema era que Ernesto tinha a postura de um líder, e até as falas de um, mas não o conhecimento. Seus projetos eram insustentáveis no cenário político do qual o Brasil havia por tanto tempo se excluído, e as parcerias e relações não se faziam da noite para o dia. O ritmo da melhora desacelerou, mas ainda sim o Reino caminhava para uma prosperidade que seria impossível sem a volta da monarquia. Assim, os Revéis se mantém no poder desde então, cada geração conseguindo elevar gradativamente a posição do país, muito embora a passos minúsculos. O Reino Brasileiro segue sendo um local bastante pobre, mesmo a família real não ostenta tanta riqueza. Embora burburinhos internos voltaram a ressurgir após a diminuição brusca na melhoria da economia, não há nenhum movimento forte contra os atuais governantes.
Após a frustração de uma primeira herdeira de sexo feminino, a família real comemorou com ânimo e alívio a vinda de seu herdeiro do trono apenas dois minutos depois; a rainha estava grávida de gêmeos! Muito embora houvesse indubitável carinho dos pais pra com ambas as crianças, não poderiam dizer que o tratamento era igual. Como seria, afinal? Bento seria o futuro do país, o governante, aquele que os levaria cada vez mais próximo de uma inegável prosperidade! Os irmãos sempre foram muito próximos um do outro, com uma relação ótima, no entanto com personalidades muito opostas. Claudia era dura, exigente, esforçada. Ansiava por conhecimento, queria mostrar a todos sua capacidade. Talvez porque sempre havia no fundo do olhar alheio uma pontada de dúvida, que a instigava a tentar mais. Bento, por outro lado, era preguiçoso, relaxado. Ouvir de todos a sua volta o quanto ele era bom, provavelmente o fizera acreditar com tanto afinco que, bem, nem faria sentido se esforçar se ele já era tudo! Enquanto a irmã buscava entender a história e planejar o futuro, Bento levava o dia a dia com a tranquilidade de quem ainda não havia completamente entendido o peso da coroa. Com a maioridade, passou a ser questionado porquê a princesa não poderia liderar no futuro — mas era obviamente uma ideia ridícula! Deveriam ter um rei, isto é, o primogênito nascido do sexo masculino. Já era um país instável demais por si só, com uma mulher governante? Loucura. O próprio Bento discordava, sabia bem que jamais chegaria aos pés de sua irmã, mas tampouco podia fazer muito para mudar aquilo. Pudera prometer, no entanto, que assim que a coroa passasse a ele, teria a irmã como sua conselheira o ajudando nas decisões do governo. Não era o que ela queria, mas teria de servir. Já seria mais do que os pais estavam dispostos a lhe oferecer.
Pode-se dizer que Bento é um cara do povo — não pela humildade ou aceitação popular, mas porque parece constantemente esquecer de que faz parte da família real. É comum vê-lo desfrutar do sol e da praia, das delícias tropicais brasileiras, com vestes que facilmente o caracterizariam como um plebeu qualquer. A postura despreocupada e relaxada era aceitável até certa época, mas conforme o rei Carlos se aproximava da idade para repassar a trono, sabia que precisaria exigir mais do filho. O que se mostrou uma tarefa difícil, quase que impossível, considerando que o rapaz mostrava grande dificuldade e desinteresse pelos assuntos reais. Foi quando os pais propuseram entregar a irmã em casamento em troca de laços econômicos com a Colombia que Bento, pela primeira vez, tomou uma postura decidida. Havia prometido que sua irmã não seria utilizada como moeda de troca, que governariam o país juntos (ou o mais próximo daquilo). A condição imposta por seu pai foi, então, que para não prosseguir com a proposta de casamento de Claudia, Bento deveria então se comprometer a olhar com maior seriedade o cargo. A primeira forma de fazê-lo? Representar o Reino Brasileiro em Illéa durante a Seleção, retornando dali com aliados importantes que pudessem compensar a desistência daquele laço familiar com o outro país latino americano.
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apesar de casada, dulce, vez ou outra, aproveitava algumas brechas para beijar outras bocas que não fossem a do príncipe francês, no entanto, ela sabia ser o mais discreta que conseguia, havia tido tantos anos de prática em manter as coisas no sigilo que agora, por ali, sabia que ninguém desconfiaria dela. se dedicava ao máximo ao marido para evitar falácias e comentários alheios, além de que era a maior cúmplice do mesmo, não podia mentir ao dizer que não existia amor na relação de dulce com o marido, ao menos de seu lado, no entanto aquele não passava de um amor de amizade, afinal, os dois se conheciam desde pequenos e era impossível fingir que um dia não fora apaixonada pelo outro. no entanto, as coisas passaram a esfriar minimamente e dulce procurava conforto com outras pessoas. havia marcado um encontro em um lugar mais afastado do castelo com @bentinhx, assim não estariam a vista das pessoas, dulce ainda precisava manter uma imagem. assim que ouviu passos, dulce parou de respirar, mas apenas esperou que fosse bento se aproximando e não outra pessoa.
Bento Ernesto tinha poucas prioridades na sua vida: zelar por sua família, se divertir, e continuar vivo. Não ser levado à forca por desrespeitar o matrimônio de algum outro chefe de estado era portanto uma forma de manter intacto aqueles três pontos principais — o que para alguns provavelmente deveria querer dizer que ele não se envolvia naquele tipo de situação, certo? Errado. Pois ah, sim, ele se envolvia para caralho. O ponto era ter cuidado! Simples, em teoria pelo menos. O que os olhos não viam, o coração não poderia sentir ou ordenar que lhe cortassem a cabeça. Na França, quando se deixara levar pelo encanto de Dulce pela(s) primeira(s) vez(s), sentia-se observado o tempo todo, o que dificultava toda a sua situação. Não o impedia de prosseguir, claro, todas as oito vezes. Mas quem estava contando? Agora estavam em Illéa, e muito embora o marido da mulher também estivesse ali (ao lado de um de seus grandes amigos, que era cunhado dela), Louis se ocupava com questões burocráticas que o irmão mais velho ignorava, o que queria dizer que ficava distante da beldade que era sua esposa por tempo demais. Se perguntassem a Revéis, a culpa era toda do francês por permitir que uma mulher como aquela se entediasse. Ele mesmo se colocava em situações complicadas para não cometer o mesmo erro; perdera as contas da quantidade de vezes que precisara se concentrar ao fingir que as mãos macias da princesa francesa não estavam em sua perna durante o jantar, ou dos engasgos quando Dulce lançava indiretas que apenas os dois compreenderiam - mas que ainda o deixavam tensos. Agora? Agora ele caminhava naquele mato, no escuro, sem qualquer senso de direção. Tudo porque a mulher havia lhe sussurrado mais cedo ao pé do ouvido o quanto ansiava por uma noite quente, e sinceramente, ele faria o que ela pedisse. Finalmente encontrou a silhueta já conhecida e se aproximou um pouco mais da jovem, era difícil enxergar com a meia luz, mas ao mesmo tempo os possibilitava se manter longe de vista. Chegou de repente, sem muita delicadeza justamente para assusta-lá conforme o braço passava em torno de seu corpo, tão logo a colocando contra o tronco largo da árvore. “Opa.” Sorriu de lado, observando-a com o rosto perto pelo tronco inclinado. “Tropecei” Fez piada, os olhos correndo pelo rosto alheio. “Qual desculpa usou dessa vez?”
Não vai mesmo falar com sua selecionada favorita? Merri brincou entre o tom provocativo quando viu @bentinhx que claramente parecia sempre lhe evitar, achava um tanto engraçado quando claramente o corpo dele respondi com o contrario. E se… não precisasse se conter, se não tivesse todas aquelas regras, ainda estariam apenas se olhando como agora? Merri não acreditava em amor, não mais… mas sabia bem quando possuía química o suficiente com alguém para deseja-la. Pode me conceder uma dança? O pedido era inocente, era só uma selecionada se aproximando de uma realeza afinal, era bom para uma futura Rainha não?
Estava terminando de enfiar três salgadinhos de uma vez na boca quando se virou na direção da jovem, com um sorriso que ao menos tinha a decência de ser com os lábios fechados. “Merri” Falou meio esquisito pela boca cheia, tentando morder e engolir logo a comida para lidar com o problem- isto é, a garota. E que não o entendessem mal! Merriwick era muito legal, e em qualquer outro contexto, Bento não teria problema algum em receber de muito bom grado todas as indiretas diretas da garota, até porque ela era gostosa para caralho. “Claro, claro. Bora lá” Concordou, simplesmente por não saber como lhe dizer não, ainda mais com o rostinho bonito e simpático lhe lançando o olhar esperançoso pela resposta. Esperava que apenas músicas agitadas tocassem, porque definitivamente não seria a melhor das ideias ficar colado demais na jovem. “Mas eu não sei dançar não. A não ser que eles toquem funk. Mentira, nem isso eu tô sabendo muito bem. Se não tiver vergonha de ser vista comigo, fica tudo certo” Tinha um tom divertido, mas falava sério. Poucas conseguiam lidar com o furacão Bento na pista de dança sem querer enfiar a cabeça em um buraco. Estendeu o braço para que pudessem caminhar até a pista, colocando-se no meio das outras pessoas que dançavam animadas.
Agora ele era um homem compromissado! Ou, pelo menos, assim deveriam ser os rumores se quisesse continuar ajudando Bellatrix. Tudo bem que estavam em um relacionamento de mentira, mas até Bento Ernesto sabia que se saísse pela festa dando em cima de todas as garotas que ele quisesse, bem, os rumores não seriam leves em cima da guarda. E muito embora o deixasse frustrado não poder dar em cima da loira gostosa que caminhava pela festa servindo champanhe, havia prometido que se comportaria em respeito ao pedido da garota. Mesmo quando a funcionária se aproximou, mesmo quando ofereceu o champanhe quase que desnecessariamente perto e mesmo quando ela arrumou uma desculpa para tocar suas vestes. Engoliu de uma só vez o conteúdo da taça de champanhe logo após dispensa-la educadamente, pensando no quanto aquela palhaçada de fidelidade com certeza não era sua coisa favorita. Enfim encontrou alguma distração quando um dos guardas começou a falar - algo sobre Drew querer matá-lo. Há! Besteira. Ele era seu amigo. O aviso para manter a porta trancada de noite foi interrompido pela figura da princesa austríaca que se aproximou de repente, deixando o Cedric pobretão confuso. “Orrevoar, mi amigô” Falou para o rapaz antes de ser puxado para longe dali “Ai Hellzinha, calma aí!” Pediu, já que a outra o arrastava sem delicadeza. Em um pedaço mais afastado das masmorras, finalmente a garota pareceu achar distante o suficiente da visão alheia. Era a primeira vez que conseguiam se falar após… bem, o ocorrido. “Claro que eu sei!” Argumentou, mas o tom ofendido era completamente injustificável, já que de fato o Revéis não era muito confiável. Mas se havia algo que era maior que sua boca, era o medo de problemas; portanto não poderia deixar que alguém descobrisse o que fizeram naquela noite. Duas vezes, uma vozinha complementou seu pensamento antes que ele semicerrasse os olhos em confusão outra vez. Ela estava rindo? E então ele a acompanhou, no instante em que percebeu do que falava. “Calma aí, você comeu metade do meu lanche! E a carne estava bem temperada, nem parecia daqui. Acho que é só na corte que o pessoal tem medo de usar os temperos” Disse, ainda dando risada. “Na verdade, se me lembro bem - e eu me lembro bem de tudo -, você disse que tinha sido uma das melhores refeições que tinha feito. Não vem não.” Inclinou um pouco na direção dela para provocá-la em tom de brincadeira.
“Eu estou calma!” ela retrucou com a voz mais alta do que planejava, e logo em seguida balançando a cabeça para si mesma, como se isso fosse capaz de mudar a forma como ela estava. Talvez estivesse um pouquinho mais tonta do que planejava, certo? Fazia parte, ela gostava de beber. Não o fazia sempre por conta da maldita postura de realeza fina que mantinha. Parada e diante dele, os olhos analisaram seu rosto com o mínimo da seriedade - não tinha qualquer vestígio de preocupação em seu rosto, além das palavras meio duras. Mas quando ele disse que sabia, Helena deu uma risada involuntária. Confiava nele dessa forma? Não tinha cem por cento de certeza. Acabou arqueando uma das sobrancelhas na direção dele, como se duvidasse do que ele dizia. “Então você sabe que inclui qualquer pessoa desse castelo, certo? Qualquer pessoa. Camareira, guarda, amiguinhos, qualquer pessoa. Não podemos deixar que ninguém saiba. Essas coisas voam super rápido e se chegar no ouvido de…” de Benedict? Sim, talvez esse fosse seu maior receio. Não que, a princípio, devesse satisfação a ele. Sim, eram noivos. Mas não se davam minimamente bem no geral, certo? Estava com a guarda baixa em relação a ele naquela noite, mas não era como se estivessem comprometidos por vontade própria. “De qualquer um. Não podemos deixar que chegue no ouvido de ning- ei? Eu não disse isso! Era um lanche nojento, e eu… ok, eu estava com muita fome aquela hora, mas foi só porque a gente bebeu para caralh-, para caramba, certo? Eu acho que você não se lembra bem de nada. De nenhuma parte, inclusive” ela continuava rindo, ainda com as sobrancelhas meio arqueadas. Acabou balançando a cabeça “Não vem não? Eu não vou mesmo, você só tem que,” levou o indicador sobre a boca dele, dando mais uma risada baixinha “ficar quieto. Ok? Você tá entendendo mesmo né? Não é papo de bêbado, né?” Porque ela claramente não estava mais sóbria. E não iria mentir, gostava de estar daquela forma, gostava de se sentir tranquila parar rir e falar o que quiser, sem a pressão das expectativas de perfeição ao seu redor. Ali era só ela mesma.
“Olha, eu sei que eu sou meio… alguns diriam lento, ok, lento. Mas eu não quero morrer não, muito menos apedrejado ou seja lá o que fazem nesse país de gente doida” Gesticulou, sem se recordar os detalhes das normas daquela corte chata e antiquada. Não que o Brasil não tivesse seus grandes pecados, claro; Bento estava em Illéa pelo maior deles. “Maior lanchão daora, Hell!” Ainda insistiu, advogado do lanche de muitíssima qualidade duvidosa que haviam consumido na noite da embriaguez. Eles podiam falar o que quisessem; podiam culpar a bebida, que não havia sido consumida com moderação. Mas o fato era que provavelmente tinham a maior resistência alcoólica de todo aquele castelo, e sim, estavam bebados — mas não a ponto de uma amnésia alcoólica. Obviamente não podia atestar pela garota, mas ele se lembrava que Helena estava bastante consciente do que fazia e do que queria. Revéis, por sua vez, havia focado em coisas demais naqueles últimos dias para se preocupar com o feito, mas vez ou outra pegava-se recordando da situação. Uma pena que não pudesse errar uma vez mais sem arriscar o pescoço de ambos. Observou a mão da jovem que encostava em sua boca, de maneira bem familiar que em um dos momentos daquela noite, e então ergueu o olhar para ela outra vez. Ah, se alguma dia precisasse trabalhar seu auto controle, aparentemente era aquele. Mas naquela ocasião, Helena claramente havia consumido mais álcool que deveria para as regras de etiqueta de uma princesa herdeira - embora ainda muito distante de qualquer exagero. Ele não conseguia beber muito daquele monte de champanhe, então seguia tediosamente sóbrio. O que por si só já caracterizava um muito sem noção Bento Revéis. Ameaçou morder o dedo dela em uma graça, balançando a cabeça em seguida. Ela parecia estar se divertindo, pelo menos. Não era aquela a sua intenção quando a tinha pedido que o acompanhasse no bar, dias antes? Ficava feliz por ela. Sem resistir, deu um pequeno riso pela mistura cômica de medo, braveza e diversão da jovem. “Fica de boa, ok? Ninguém vai saber. Ninguém mesmo. Isso vai ficar entre nós” Garantiu, apoiando o corpo na parede logo atrás dele e flexionando levemente os joelhos com as pernas afastadas, o que o ajudava a se aproximar mais da altura dela, provavelmente pelo salto alto que ela usava já que normalmente a diferença era bem maior. “Parece que nessa noite não precisa de mim para se divertir. Me sinto quase ofendido”
Ao escutar um de seus funcionários preferidos chamando seu nome, Franny automaticamente abriu um largo sorriso para o outro, surpresa por vê-lo ali. Sabia que muitas pessoas que trabalhavam no palácio também participavam da festa, mas achou icônico o fato do rapaz ter escolhido se vestir de realeza, em um figurino que, por sinal, se assemelhava muito com o que o rei da França tinha usado na última festa. “Bentinho!”, soltou feliz, caminhando para abraçá-lo. Se não estivesse já animada pelo efeito da bebida, talvez teria se controlado mais, só que a festa havia começado há bastante tempo e ela estava alegre por encontrá-lo. Sendo uma pessoa do toque e do abraço, característica comum para os atores de teatro, não viu problema em se permitir tal liberdade. Até porque, acrescentou mentalmente, não havia ninguém ali para julgar. “Que bom te ver aqui!”, disse ao passar os braços sobre os ombros do outro, precisando ficar na ponta dos pés para isso. Logo que se afastou, Franny deu uma volta em seu próprio eixo, deixando o vestido vermelho esvoaçar. “Na verdade, vim como princesa Diana. Ela foi a mãe de um antigo rei da Inglaterra”, explicou, sem querer acrescentar que não fazia ideia de quem era a tal de Xuxa citada. “Vejo que hoje você deixou as suas funções de lado para viver um dia de realeza, ein?”, sorriu com carinho ao perceber que a coroa era de plástico, de um material similar aos brinquedos de criança. “Adorei sua fantasia”, disse, antes de agradecer pelo elogio. “Obrigada, mas essa festa está tão aleatória que nem vi o príncipe ainda. Mas bom”, fez um aceno despreocupado com a mão. “Ainda tem tempo”. Por alguns segundos, pensou na pergunta do outro, recapitulando o quanto havia dançado, bebido e rido ao longo da noite. “Sim, estou me divertindo e…”, seu sorriso se tornou levemente torto. “Pelo visto você também, né? Vi você com a senhorita Dalibor. Formam um belo casal”.
Teria lhe cumprimentado de maneira muitíssimo mais calorosa logo de início se não fosse um medroso, já que realmente não queria ser mal interpretado com a selecionada. Isto é, pelo menos no meio de toda aquela gente. Então ele se limitou a fazer uma reverência completamente exagerada, que complementava a caricatura de realeza que era naquela noite. Mas, para sua surpresa - positiva! - a selecionada decidiu que lhe daria um abração, ao qual ele como bom brasileiro jamais poderia negar. Lembraria de dizer a Alexander que ela era definitivamente uma de suas favoritas! Repousou os braços ao redor da cintura da garota menor que ele, mantendo o toque acolhedor por alguns segundos e sorrindo para ela ao se afastar. Teria feito alguma piada sobre ser uma coincidência, o que obviamente não era já que Franny era uma selecionada comparecendo a uma festa da seleção, mas ocupou-se com a explicação breve sobre a fantasia alheia. Hm. Parecia bem menos divertida, mas pelo menos a loira estava muito linda. “Está vendo? Fala se eu não to igualzinho aquele exagerado do Cedric?” Para alguém que não sabia que Bento também ocupava um patamar hierárquico alto, alem de cultivar boa amizade com o rei francês, poderia achar que sua frase era bem atrevida. “BÔA NOIT SENHORRIT. PORR FAVORR REVERRENC A REI DO FRRANÇA” Fez uma imitação podre do sotaque francês, que ele nem sabia imitar direito, já que tinha o próprio sotaque brasileiro forte demais. Olhou em volta procurando Alexander, percebendo que também nem havia conseguido falar com o rapaz. “Mó trabalhão lidar com tudo isso de garota né? Eu não consigo nem com uma, quem dirá… quantas tem aqui hoje? Umas vinte e sete?” Provavelmente estava bem errado, até porque haviam acontecido algumas eliminações já. Imagine se seu pai quisesse fazer algo do tipo no Brasil! Ah não, Bento Ernesto não seria capaz de algo que exigisse tanta atenção. Muito embora ter vinte e tantas mulheres atrás dele também não parecesse o pior dos cenários. “Hm? Ah. A Bebel!” Percebeu enfim do que ela falava, ponderando se deveria dizer que era um relacionamento falso. Talvez Bellatrix não apreciasse que outras pessoas soubessem, o que normalmente não seria algo que Bento chegaria a conclusão apenas com os próprios botões, mas a Dalibor podia ser assustadora quando o ameaçava. Então era melhor evitar irritá-la! “Pois é, casalzão né?” E com aquilo, somava mais uma grande mentira para a Fitzgerald. Não costumava ter muito problema em mentir, mas ele realmente gostava de Franny e preferiria não ter de fazê-lo. Pensou, por um segundo, em ser honesto ali mesmo; até que os olhos recaíram sobre o colar que ela usava. Revéis sorriu, o medo de ser mal interpretado naquele meio sumindo por alguns instantes quando ele invadiu o espaço pessoal da selecionada para pegar em suas mãos o colar que havia lhe dado. “Você tá usando” Ele falou na língua materna, feliz que ela parecia ter, portanto, apreciado o presente. Será que já estava escrevendo no diário? Havia feito toda uma confusão desnecessária com aquela ideia de mentir, e portanto não podia dizer abertamente a ela que a patrocinaria. O patrocínio do Brasil vinha de forma anônima, o que ele lembrou imediatamente. “Digo. O que você está usando? Nossa, muito bonito. Parece ter gostado. Quer dizer, você tá usando aqui nesse baile importantíssimo né? Quem te deu?”
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Ao finalmente encontrar com Bento, os olhos de Cedric analisaram o rosto e logo em seguida o corpo do príncipe do reino brasileiro, mal ouvindo as primeiras palavras dele. Era impossível conter a risada e em seguida, passou um dos braços por cima do ombro dele, com uma sobrancelha arqueada. As palavras aleatórias sem sentido, apenas que tinham memórias francesas em seu som, fizeram Cedric rir mais uma vez e a mão livre foi ao seu peito, dando alguns tapinhas suaves. “Você está incrível, Bento, ao menos, na sua tentativa. Eu entendo seu desejo de se parecer comigo, se eu parecesse com você também iria querer, mas você tem tanto a aprender ainda, amigo. Vou te dar as dicas ok? E te dar um presentinho em dinheiro para comprar coisas de melhor qualidade. De verdade, fique longe do Mateo. Se ele te ver dessa forma, vai achar uma falta de respeito com o trabalho impecável dos ternos dele, sabe?” soltou um suspiro dramático. Arregalou os olhos quando a pergunta dele foi se ele estava vestido de sino “Por deus, coitadinho, bateu a cabeça quando era criança?” ele riu “Rei Midas, monsieur. Aquele que torna tudo que toca em ouro”
A postura de Cedric não era tão longe da esperada, embora Bento tivesse esperanças de que o francês entendesse que aquilo era mais uma piada que uma homenagem. O que também não queria dizer que queria ofendê-lo, afinal, Bourbon era um bom amigo! Podia ser meio tapado, claro (como se tivesse uma mísera moral para pensar algo do tipo), mas era gente boa. Tinha saúde, né? Era o que importava. Semicerrou os olhos por um momento quando o ouviu dizer que também desejaria parecer o rei francês se fosse como o brasileiro, mas foi enquanto prestava atenção no restante dos dizeres que dispersou o suficiente para não se ater à ofensa. “Impecável” Não aguentou; a risada alta se fez ouvir, chamando atenção de alguns convidados por perto. O estilo do rei Cedric era horrível!! Ao menos a seu ver. Mas a bermuda de tactel que usava ocasionalmente não devia lhe oferecer qualquer chance de opinar. A explicação então resultou com que ele fizesse um bico, balançando a cabeça como quem reforçava que não fazia ideia do que o loiro falava. “Conheço esse cara não. Amigo seu?” Poxa! E ele tinha jurado que seria inovador se vestir de algum amigo próximo. “E se quer saber, o médico disse que não teve problema não. Foram só duas vezes, mas o batente da porta nem era tão duro” Respondeu à pergunta sobre a pancada que sua mãe havia causado quando Ernesto ainda tinha pouco menos de dois anos de idade. “Bebelzinha não gostou muito da minha fantasia. Acho que ela tá de saco cheio de você. E se você se fantasiasse de mim amanhã? Certeza que ela ia gostar”
Não me chama assim quando eu tô brava. A guarda resmungou cruzando os braços, o apelido Beebell significava muito para si não era para ser usado ali. Se não vou te obrigar a me chamar de Dalibor. Formal claro, nem um pouco comum entre casais pensou enquanto os olhos o fuzilava de cima a baixo, incrédula. Uma piada. Escuta-lo só fazia seu sangue ferver ainda mais, iria acabar quebrando todas as realeza daquele palácio? Levou as mãos a temporã tentando se acalmar. Realmente, deveria ser uma noite divertida Bento… Ao menos era o que queria quando conseguiu a folga e penso que talvez o príncipe fosse lhe ajudar, entretanto queria envolver o pescoço do mesmo e enforca-lo. Pra ser sincera você consegue ser pior que ele. Só que menos inteligente. Pensou. Tinha escolhido ele porque ele se parecia com Cedric, de fato, e ela estava acostumada a lidar com aquele tipo, mas não pensou que seria tão… igual. E porque você tá sorridente assim? Quer que eu te soque? Revirou os olhos, as mãos em sua cintura porém lhe desestabilizaram, era seu ponto fraco afinal, ridiculamente moveu as pernas quase o chutando mas desistiu quando foi envolvida em um abraço. Ok, okay, ele era seu amigo, sem senso, mas seu amigo. É claro que tô. Bella não era convencida, mas de fato estava se sentir bonita, tinha caprichado aquela noite para isso, certo? Barra de ouro? Uma gargalhada escapou dos lábios da mulher. Acho que isso é mais a cara do Cedric não? Imaginou como a sua Majestade estaria provavelmente extravagante, sorriu, ela não conseguia ficar brava com Bento, pela coroa ele parecia uma criança. Eu sou o Sol. Disse se afastando e fazendo uma reverencia, não porque estava diante de um príncipe, mas porque ela tinha certa admiração pela estupidez do brasileiro. Mas não conseguiu e nem conseguiria mesmo. Sussurrou em confissão, com certeza eram um casal improvável demais para ser real. Não me leva mau, você não faz meu tipo. Na verdade ela tinha um bem especifico, poderia até citar cinco letras… As bochechas então coraram. O que estamos esperando? Vamos logo!
“Mas eu gosto desse apelido. Combina com você!” Dessa vez, falava com mais sinceridade que qualquer coisa. Porque sim, queria acalma-la, mas não era o único intuito dos dizeres. “E vai ser! Ó, a gente vai dançar, beber, dar risada. Deixa só eu ver a cara do Cedric, depois jogo fora essa coroa ridícula e fica tudo certo” Prometeu; na tentativa de acalma-la. “Ai!” Falou então, franzindo o cenho e levando a mão ao peito. Tudo bem que ele era ruim, mas pior que Cedric? Caralho. “Porque eu tô acompanhada da menina mais gata desse baile!” Gracejou, agora a frase tendo algumas segundas intenções, ainda que seguisse sincero ao reforçar a beleza alheia. Concordou com o comentário sobre a fantasia de ouro ser muito mais do tipo que Bourbon utilizaria. “Ahhhhhhhhhhhh” Prolongou exageradamente a sílaba, assentindo com veemência. “Claro, pô! O sol. Puts, muito bom. Bonzão. Tá perfeito” Pegou a mão da jovem, para que a fizesse dar uma voltinha no próprio eixo. Realmente, Bellatrix era uma mulher esplendidamente atraente. E estava certa! Era areia demais para aquele fusquinha velho. O que não o deixou de ofender, claro; ele sabia que era ruim em noventa e oito portento do que tentava, e meio burro. Mas oras!! Normalmente se dava muitíssimo bem com as mulheres. Ele riu, mordendo a boca como quem dizia ‘ah, é?’ Passou a mão pela cintura dela, caminhando na direção da entrada. Inclinou-se sobre a mais baixa, para sussurrar em seu ouvido. “Olha que eu vou começar a levar isso como um desafio, Bel.” E logo ao final de sua frase, que fizera questão de falar com a boca tão perto que os lábios haviam esbarrado na pontinha de sua orelha, finalmente chegavam à entrada da festa e alguns olhares recaíam sobre o suposto casal.
“Mi amigô!” Falou, colocando a mão no ombro do rei que conseguia, mesmo sem as vestes normais e ao lado de Bento que reproduzia sua moda excêntrica, se encontrar muitíssimo mais extravagante. Sinceramente, Cedric se superava. “La Belle de Jour prra você” Cumprimentou, sem fazer muito sentido e utilizando o sotaque francês forçado. Qualquer sátira poderia ser considerada uma homenagem em certo grau, certo? E o que teria demais em uma pequena brincadeirinha entre amigos de longa data? Revéis chegou a se preocupar por um minuto se o francês não acabaria se incomodando, mas claro que subestimou o egocentrismo do outro. Bentinho era burro - sim, aquilo era um fato que não lhe era desconhecido -, mas puta que pariu, até mesmo para ele ficaria claro que o tom jocoso de sua escolha de fantasia estava longe do tom fanático que Bourbon havia optado por interpretar. “Baguette. Sutiã. Croissant.” Quais outras palavras eram francesas? “Hortelã” Hm. Soava próximo o suficiente. “CADÊ MEU TERRN VERRMEI SANG? ISSO É VERRMEI TOUMAT. CORRT AS CABEÇ!” Ah, sim, uma atuação impecável como o grande rei majestoso da França! Tomou então um segundo para averiguar a escolha de fantasia do outro. “Muito bem né? Da até pra confundir a gente. Mas e você, mermão, tu tá vestido de que? Sino?”
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Sabia que tinha feito merda. Mas ela estava cansada, estressada, havia dias que não se divertia. Sair um pouco havia lhe feito bem. Não que o incidente de noites atrás tivesse lhe feito bem, não era isso que estava pensando! Mas… talvez ajudado um pouco no bom humor? Não devia ter feito, mas já estava feito, não era? Não tinha volta. E quando os olhos pousaram sobre Bento, vestido como um rei fajuto, ela teve vontade de rir. Rir não apenas de desespero, mas pelo álcool que corria-lhe as veias, que deixava tudo mais engraçado. Ah, deus, estava fodida. Esperava que ele não tivesse contado a ningué-, estava falando sobre Bento, o príncipe do reino brasileiro, que falava mais que a boca e parecia cada dia mais inconsequente. Não pensou duas vezes. Se aproximou dele, em passos pouco elegantes, e uma postura duvidosa. Tinha um copo de bebida em mãos, quando passou o braço por sua cintura e deu uma risada para sua companhia “Você se importar se eu roubar ele, só um pouquinho? Vai ser rápido, eu juro!” ela sorriu, mais amigável do que o normal, enquanto ia puxando-o para um dos locais escuros daquele andar. Até que as masmorras estarem decoradas não era tão ruim assim. Quando estavam em um lugar a sós, Helena balançou a cabeça, sacodindo as mãos perto dele “Bento, você sabe que não pode contar pra ninguém, né? Sobre… sobre aquilo” falava com os olhos arregalados como se estivesse se referindo a um crime. Mas então a mente voltou aquela noite e a princesa acabou deixando escapar uma risada alta, sem nenhuma classe, tapando a boca em seguida “Nem da parte daquela comida nojenta que você comeu na rua depois que a gente saiu do bar.”
Agora ele era um homem compromissado! Ou, pelo menos, assim deveriam ser os rumores se quisesse continuar ajudando Bellatrix. Tudo bem que estavam em um relacionamento de mentira, mas até Bento Ernesto sabia que se saísse pela festa dando em cima de todas as garotas que ele quisesse, bem, os rumores não seriam leves em cima da guarda. E muito embora o deixasse frustrado não poder dar em cima da loira gostosa que caminhava pela festa servindo champanhe, havia prometido que se comportaria em respeito ao pedido da garota. Mesmo quando a funcionária se aproximou, mesmo quando ofereceu o champanhe quase que desnecessariamente perto e mesmo quando ela arrumou uma desculpa para tocar suas vestes. Engoliu de uma só vez o conteúdo da taça de champanhe logo após dispensa-la educadamente, pensando no quanto aquela palhaçada de fidelidade com certeza não era sua coisa favorita. Enfim encontrou alguma distração quando um dos guardas começou a falar - algo sobre Drew querer matá-lo. Há! Besteira. Ele era seu amigo. O aviso para manter a porta trancada de noite foi interrompido pela figura da princesa austríaca que se aproximou de repente, deixando o Cedric pobretão confuso. “Orrevoar, mi amigô” Falou para o rapaz antes de ser puxado para longe dali “Ai Hellzinha, calma aí!” Pediu, já que a outra o arrastava sem delicadeza. Em um pedaço mais afastado das masmorras, finalmente a garota pareceu achar distante o suficiente da visão alheia. Era a primeira vez que conseguiam se falar após… bem, o ocorrido. “Claro que eu sei!” Argumentou, mas o tom ofendido era completamente injustificável, já que de fato o Revéis não era muito confiável. Mas se havia algo que era maior que sua boca, era o medo de problemas; portanto não poderia deixar que alguém descobrisse o que fizeram naquela noite. Duas vezes, uma vozinha complementou seu pensamento antes que ele semicerrasse os olhos em confusão outra vez. Ela estava rindo? E então ele a acompanhou, no instante em que percebeu do que falava. “Calma aí, você comeu metade do meu lanche! E a carne estava bem temperada, nem parecia daqui. Acho que é só na corte que o pessoal tem medo de usar os temperos” Disse, ainda dando risada. “Na verdade, se me lembro bem - e eu me lembro bem de tudo -, você disse que tinha sido uma das melhores refeições que tinha feito. Não vem não.” Inclinou um pouco na direção dela para provocá-la em tom de brincadeira.
Bellatrix iria entrar sozinha no Grande Salão, não era a pessoa mais paciente e não iria esperar mais pelo infeliz do @bentinhx que se foda! Pensou, mas antes como quem fala no diabo e ele aparece viu a figura do falso namorado, o que fez seu estomago embrulhar, ele estava de… CEDRIC? SÉRIO? A voz estridente cortou o corretor, se já estava puta antes agora estava vermelha de ódio. Vamos aos pontos, odiar era uma palavra forte quando se tratava de Vossa Majestade, mas não era como se ela amasse o estilo brega e extravagante do Rei, além da péssima personalidade, quer dizer ela não gostava de quase tudo nele… Eu tô começando a querer terminar agora. Disse em um tom dramático, quase chorando, e o pior era que era verdade. Você tem um gosto tão… questionável. E ela pior ainda por ter aceitado ser ele como seu namorado de mentira.
Bento não costumava colocar a cabeça para funcionar, mas talvez o tédio naquela corte houvesse o instigado a considerar por mais que dois minutos o que utilizaria na festa anunciada. Halloween! Não tinham isso no Brasil, ao menos não mais, mas parecia razoavelmente semelhante ao carnaval. Uma… prima gótica dele, talvez. E quando viu Cedric caminhar pelo castelo com as roupas mais ridículas que já tinha visto na vida, alguns dias antes, teve a brilhante ideia de satirizá-lo. Não foi tão fácil conseguir a coroa barata, tampouco as vestes feitas com algum tecido barato que pudesse se assemelhar aos que o amigo usava — próxima o suficiente para saberem que era, e ainda sim distante o suficiente para entenderem a piada. Ou assim ele esperava. Foi se arrumando com aquele monte de pano e tentando caminhar naquele maldito sapato horroroso (esse, sim, emprestado sem permissão do armário do rei francês) que acabou se atrasando um pouco, quase dez minutos do horário em que havia combinado de encontrar Bellatrix para entrarem juntos. Até tentou dar uma corridinha quando a viu no corredor, mas acabou tropeçando e decidindo que caminhar seria melhor. “Bebel!” Chamou, para avisar que estava ali, mas quando viu o olhar da jovem recaindo sobre ele, os próprios arregalaram. Oh. Ela parecia brava. Chegou perto dela a tempo de ouvir o comentário sobre o término fictício, que misturado com o nervosismo alheio deixava claro que ele havia feito algo errado. “Mas, Bebelzinha, eu só… é que eu achei que seria divertido, sabe?” Tentou argumentar, esperando que a expressão alheia suavizasse. Se fosse um pouco mais esperto entenderia o quão irritante deveria ser lidar com a caricatura de Cedric no único dia que não deveria servi-lo. “Não fica brava não, mon chuchu, eu vou ser um Cedric bem mais legal” Prometeu, esperando que seu sorriso o salvasse naquele momento. Até arriscou perder uma das mãos ao levá-la para a cintura da jovem e puxa-lá um pouco mais para perto. “E você tá lindona, hein! Vestida de… barra de ouro. Pô, com você assim o pessoal não vai nem conseguir acreditar que eu te conquistei.” Se é que alguém já não desconfiava — Bellatrix era muita areia para aquele caminhão brasileiro.
Depois de passar uma certa parte da festa ao lado da suposta namorada, Bento acabou se afastando da garota (que parecia devidamente entretida com o guarda pessoal de Benedict) e foi até o jardim para explorar o restante da festa; ah!! Solteiro de novo! Tinha escutado que a estufa tinha algum tipo de show interessante, não sabia bem como era, mas viu-se caminhando por aquela direção. Antes que estivesse na metade do caminho até o local, no entanto, os olhos recaíram sobre a figura conhecida ali por perto. “Franny!” Chamou com animação, caminhando até a garota o mais rápido que aqueles sapatos horríveis o permitiam no piso exterior. “Pera aí, não me fala, já sei!” Falou, apontando para ela com certeza descabida. “Veio de Xuxa!” Àquele ponto, a celebridade do antigo mundo era uma espécie de referência antiga razoavelmente conhecida no país, mas que não tinha tanto impacto nos dias atuais e portanto parecia impressionante que a outra tivesse se caracterizado daquela forma!! Porque, bem, ele definitivamente não reconhecerá a fantasia alheia - não por não estar fiel à Diana, mas sim porque era burro demais para conhecê-la. “Tá gata demais! Tenho certeza que o Alexander não vai resistir” Garantiu, porque era para ele que elas estavam ali, certo? Vestindo-se bem e usando, inclusive, o patrocínio dos países para tanto. “Até que ele teve uma boa ideia, hein? Uma festa assim, cheia dos lugares escuros. Tô ligado, o cara não perde tempo” Assentiu, como quem compreendia alguma piada interna, e então olhou em volta - estavam próximos do labirinto, devidamente decorado tal qual o tema. “Se divertindo?”
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⧽ ⠀ ⠀ ── ⠀ ⠀Basta questionar às amigas mais próximas de Annika; o dedo podre precede através de sua existência. Não que a princesa tivesse passado por relacionamentos, no entanto, poderia admitir que não arrogava boas decisões quando tomada por desejos primitivos. Se pudesse apontar uma das escolhas mais recentes, certamente pensaria em Bento. Como provar a alguém que seria uma boa rainha quando deixava se levar por um monarca tão questionável? Antes de sua vida mudar da noite pro dia, resistir a sorrisos bonitos não parecia um problema - pois não era necessário. A contra partida, passar pelo seu processo de amadurecimento requeria sacrifícios. Céus, e se alguém descobrisse tal envolvimento? Seria a ruína de Annika. Por isso, quando o ouviu a chamar, a nigeriana lutou contra o instinto de sair correndo. — Hum? Ah, Bento! — O cumprimentou com pouca animação, desviando o olhar para qualquer movimentação em volta. Conforme o homem articulava suas sentenças, o cenho da princesa franziu gradativamente. — Sendo sincera…Eu estava querendo correr na esteira, sabe? Sozinha. — Esclareceu a situação sem muita cerimônia. Em seguida, deu um passo à frente, diminuindo um pouco do espaço existente entre os dois. Não sem antes se certificar de que não tinha ninguém observando. — Vamos limitar o aeróbico em companhia a lugares privados e com quatro paredes, uh? — Sugeriu enquanto dava dois tapinhas sutis no ombro masculino, sem real intenção de permitir que o ocorrido voltasse a acontecer, mas precisava de uma desculpa para prosseguir. Foco, Annika.
Bento era um cavalheiro! Certo, na verdade, não. Mas ele era… hm, oras, era um cara bacana. E por isso, claro, que não seria indelicado quanto ao prévio envolvimento com a princesa nigeriana. Mesmo que ele tivesse um ou outro comentário para fazer sobre a forma que as leggings da jovem pareciam oferecer uma ótima visão dali de perto, bem como estaria muito mais do que disposto a repetir a dose do final de noite de pouco menos de uma semana atrás. Se pensasse um pouco, poderia até dizer que Annika vinha evitando o príncipe brasileiro nos últimos dias!! Mas ele não pensava. E mesmo que o fizesse, não acreditaria em uma hipótese tão improvável. Ha! Quem o evitaria? Era uma companhia boa demais. E muito generosa, como a garota que se aproximava poderia atestar em primeira mão. “Pô, seria mesmo um pouco apertado correr com outra pessoa na esteira” Comentou; não de forma rude ou irônica, e sim como uma realização para si mesmo, como quem havia por pelo menos um segundo ponderado se aquela opção era possível. Mas quando a garota se aproximou mais, o homem sorriu de lado, interpretando aquele avanço provavelmente da maneira mais distante do que realmente era a intenção alheia. Viu só?? Não estava o evitando! Poderiam pensar que a falha na comunicação vinha do inglês pobre do brasileiro, mas mesmo que na língua materna Bento Ernesto provavelmente não teria compreendido as entrelinhas que praticamente gritavam o quanto ela dispensava ser vista com ele em público. “Isso é um convite, Nikita?” Perguntou, absorvendo a fala alheia de forma errônea e permitindo sua atenção recair sobre o rosto bonito da jovem, mais especificamente sua boca. Eles poderiam sair dali e cansar de uma forma muito mais interessante mesmo. Sentiu a mão formigar pela ânsia de puxa-lá pela cintura, e então... “Ahhhh!! Já entendi. Tá querendo me testar né?” CLARO!! Annika apenas queria ver o quanto ele realmente ‘gostava de se exercitar’, atestando se suas falas eram sinceras. E não eram, mas agora era tarde demais e precisava fingir que sim! “Muito boa, hein, quase caí. Até porque tu tá cheirosa pra caramba, ó…” Assentiu, fazendo um bico com os lábios em aprovação. “Mas eu vim aqui pra treinar, pô. Amo. Exercício é meu nome do meio” Garantiu, mas preocupou-se por um segundo e decidiu esclarecer qualquer mal entendido. “Não é não, viu. É Ernesto” Avisou, com uma expressão séria, mas logo apontou para um dos aparelhos do lugar. “Eu vou ali, naquele…” Qual o nome? Não fazia a menor ideia mesmo. “O…negocindebraço” Falou enrolado, murmurando, esperando que ela achasse que ele tinha falado a coisa certa. Sentou-se então na cadeira, alcançando o ferro amarrado a alguns pesos por uma corda, erguendo o objeto em direção ao peito para fazer o exercícios para o bíceps. “Muito fácil isso aqui hein? Fichinha” Comentou, enquanto não apenas fazia o movimento errado, mas sem qualquer esforço já que não havia colocado a trava em nenhum dos pesos.
Enquanto Bento pegava a vassoura, Drew continuava concentrado na sua grandiosa missão de poder alimentar o furacão faminto brasileiro. Puxou da dispensa os melhores pães, os deixou cortados e separados, esperando para colocar o queijo entre eles. Em uma das panelas, colocou um pouco de óleo e o deixou esquentando; num outro pote, quebrou um ovo e o mexeu com o garfo, pronto para empanar o queijo. Só faltava a farinha que o príncipe havia guardado de volta, e estava prestes a alcançá-la quando ouviu sendo chamado novamente. ❛❛ —- Capitão Clark. ❜❜ se estivesse em um humor melhor, acharia graça da diferença tão absurda de tratamentos. Ou até, se estivesse radiante, pediria para que ele também o tratasse pelo primeiro nome. Mas era madrugada, estava cansado e estava cozinhando para um príncipe que não sabia fazer comida por si próprio. Mas por que não deixá-lo ajudar com tarefas simples? Mantê-lo ocupado, e, de preferência, de boca fechada. ❛❛ —- Vossa Alteza pode alcançar o pote de farinha outra vez, por favor? ❜❜ pediu (ignorando o apelido que ele pediu para ser chamado), já que ele estava mais próximo. Não devia ser nada muito complicado, certo? Pelo amor de tudo o que era mais sagrado, que nada de pior acontecesse. Enquanto Bento pegava a farinha, Drew pegou uma das facas e cortou um retângulo de queijo para poder empanar. Já até sentia-se um pouco mais leve, com a tarefa se encerrando.
“Que nome diferente esse. Capitão? Nunca ouvi” Brincou, com um sorriso tranquilo de quem falava com um colega qualquer na praia em dia de sol — e não com o chefe da guarda real que o olhava como quem estava prestes a testar a letalidade de sua arma de fogo. “Bentinho, brother. Bentinho” Relembrou, sem se dar conta que o homem havia ignorado deliberadamente. Provavelmente era apenas o costume! Mas não precisava daquelas formalidades, não entre dois grandes amigos!! Porque, bem, agora eles eram; mesmo que Drew pudesse discordar. Pegou o pote da farinha, levando até o soldado - daquela vez sem fazer bagunça - e então se sentou na cadeira alta do balcão, próximo o suficiente para ver o que ele fazia mas distante para não atrapalha-lo. Decidiu que ficaria em silêncio, pois o rapaz parecia concentrado na tarefa de cortar e empanar o queijo, e não queria atrapalhar. Exatos noventa e sete segundos depois, apontou para a comida. “Nunca comi assim não! Deve ficar bom. A gente tem um negócio lá no Brasil que parece um pouco, mas eu acho que é uma massa com queijo dentro, não é o só o queijo. A gente chama de bolinho de queijo. Nas festas de aniversário, assim, happy birthday to you, tem um monte. E outros também, tipo croquete. Ah! Risole, já comeu? Esse é very top. Você ia gostar. Eu acho. Quer dizer, quem não gosta? Nunca conheci alguém que não gostasse. É queijo e presunto. Frito. Puts! E tem o beijinho. Nossa, esse é bom demais, rapá. O pessoal give maior moral pro brigadeiro, e ok, é bom, mas beijinho é melhor. Sabe o que é beijinho? Little kiss. Gosta?” Apoiou os braços no balcão, balançando as pernas de forma inquieta. “É sweet. Uma dessert, very little, de coconut.” Explicou logo em seguida.