O mero toque de Merriwick em sua mão foi o suficiente para que Sage prendesse a respiração sem nem ao menos perceber. O fato é que foi naquele exato momento em que a rebelde percebeu que realmente fazia muito tempo desde o último toque de Merri. Assim que seus dedos se entrelaçaram aos dela de forma tão natural, Sage suspirou, não conseguindo forças para tirar sua mão dali. Logo, toda a sua postura relaxou, como se naquele momento estivesse completamente desarmada e todos seus muros estivessem caído. Mas ainda sim, tentava não se mostrar tão abalada, concentrando-se em sua respiração para não dar tanta atenção ao fato de estarem tão próximas. “Não gosto de mantê-lo dessa forma.” Confessou, olhando um pouco para o céu estrelado. “Sei que ele deve estar morrendo de rir de mim, falando que eu estou sendo boba e que ele provavelmente está muito mais feliz onde quer que esteja do que nessa realidade merda. Mas…” Sage se culpava. Se culpava até o último fio de cabelo pelo o que havia ocorrido. Talvez se estivesse lá e pudesse defendê-lo, pudesse protegê-lo, ou simplesmente pudesse ir em seu lugar, qualquer coisa. Várias vezes desejou que as forças maiores tivessem a levado e não levado Aiden. Como sentia falta de Merri quando esses pensamentos viam. O jeito dela — na verdade ela própria —, parecia ter sempre algum efeito quase que mágico sobre Sage que era capaz de acalmá-la na hora, acalmar seus pensamentos. Mas foi quando Merri a contestou quando a Kang lhe disse que era forte, que uma expressão impaciente logo apareceu no rosto da rebelde. “Merriwick Morrighan! É óbvio que você é forte! Seu emocional é um dos mais fortes que eu conheço. Sabe quantas vezes eu desejei ter um terço dessa força que você tem? Várias! Incontáveis!” Confessou com um pequeno sorriso nos lábios, e de fato aquilo era verdade. Sage muitas vezes se pegou pensando que se seu emocional fosse tão forte quanto o de Merri, muita coisa seria diferente, inclusive o rumo da história delas. Mas foi quando ela lhe confidenciou sobre o sentimento de não saber mais quem era que Sage a olhou e levemente a apertou seus dedos nos dedos alheios. “Ei, ei. Como uma pessoa que precisa sempre estar mudando, se perder ou ficar confusa é normal. Mas acho que é nessas horas que você tem que lembrar de seus ideais e seus princípios. Tipo, o que te trouxe até aqui? Qual seu principal objetivo? Foca nessas coisas, porque elas costumam te dar um norte.” A rebelde opinou, mantendo um tom calmo. Gostaria tanto de simplesmente dormir com Merri em seus braços apenas para lhe afirmar o quão forte e única ela era, para que ela se sentisse amada. “Mas ei, se você achar que a mudança é boa, não vejo porque não abraçá-la também.” Sage sorriu, dando de ombros. A Kang havia voltado a olhar para as estrelas, mas ao ouvir Merri chamando seu nome, ela voltou a olhá-la e foi o suficiente para fazer a rebelde engolir seco, pois ao ver seus olhos, Sage sabia que a Morrighan estava prestes a chorar e meu Deus, se antes o coração da Kang já parecia estar aos pedaços, agora parecia que ele simplesmente havia sido arrancado de seu peito. Queria tanto abraçá-la e dizer que tudo ia ficar bem, que ela sempre estaria ali, que sempre estariam juntas, mas não podia. Merriwick era do príncipe. Sage se ajeitou na grama, a olhando diretamente nos olhos, enquanto sentia uma corrente elétrica passar por todo o seu corpo, algo que só Merri conseguia fazer mesmo após tanto tempo. ‘Não sei se posso ama-lo como amei você.’ Aquela frase agora martelava na sua cabeça como uma música de alguma música com o refrão chiclete. A Kang precisou segurar seus impulsos e apenas apertou um pouco mais forte seus dedos no dela, enquanto tentava minimamente se recompor. Sage olhou para baixo, sentindo os olhos encherem d’água e deixou algumas lágrimas escorrem por sua bochecha, mas rapidamente as limpou com a mão livre, finalmente voltando a olhá-la. “Merriwick, você é o amor da minha vida e eu duvido muito que isso vá mudar. Todas as vezes que eu te disse que você era o amor da minha vida para todo o sempre eu não menti.” Disse de forma sincera. Talvez fosse mais fácil mentir e simplesmente dizer que não a amava, para que assim a Morrighan pudesse seguir em frente de forma plena, mas ela saberia que Sage estava mentindo. Por algum motivo, a rebelde era ótima mentindo para todos, menos para Merriwick, que sempre a leu muito fácil. “Eu preciso que você faça o que é melhor pra você. Quero que você ganhe essa competição. Porque a vida que você merece é essa aqui.” Sage olhou ao seu redor, fazendo menção a toda aquela riqueza que o palácio tinha. “Você merece nada menos do que uma vida de rainha. Você merece tudo isso! Eu não posso te dar isso, infelizmente. Então, se para conseguir tudo isso você precisa me esquecer, me arrancar do seu coração, faça e faça logo. O príncipe não me parece uma pessoa ruim e se ele gosta verdadeiramente de você, que é o que me parece já que você chegou tão longe, talvez devesse dar uma chance a ele, até porque ele te faz muito bem e você é feliz com ele.” Novamente, contra a sua vontade e o seu controle, uma nova lágrima escorreu pela bochecha de Sage e outra vez ela limpou de forma rápida, esboçando um pequeno sorriso no canto dos lábios. Estava destruída e seu coração em milhões de pedaços, mas precisava colocar Merriwick em primeiro lugar, não podia ser egoísta. “Eu prometo te aplaudir de pé sempre, porque eu te amo.” Sage novamente apertou os dedos da selecionada, sendo sua forma pessoal de dizer que independentemente do que acontecesse, estaria ali.
Conseguia prestar atenção em cada detalhe de Sage, a forma como ela reagia a seus toques, lhe fazendo questionar se estava sã o suficiente ou se era coisa da sua cabeça, cada parte de si gritava se perguntando se ainda havia uma chance, se ela ainda nutria aqueles sentimentos mesmo depois de tanto tempo, se ela ainda era a razão de sonhos inquietantes, se seu peito ainda suplicava por mais. Não foi sua culpa. Sage, a vida pode ser bem cruel as vezes, mas eu tenho certeza, que vocês dois tem uma conexão forte o suficiente pra durar mais do que essa vida. Sabia que a morte doía, e que não havia conforto para aquilo, mas vê-la se martirizar todos aqueles anos por algo que não tinha controle deixava Morrighan louca. Algumas coisas acontecem sem um motivo, mas isso não significa que elas poderiam ser diferentes, ele sabia dos riscos, ele queria lutar mesmo assim porque é uma causa nobre, vale a pena morrer por algumas coisas. Sabia que Aiden apenas queria um futuro melhor, não só para ele, mas para Sage, para todos em Illéa. Isso também poderia significar que o destino tiraria Sage de si um dia, sentia um nó na garganta e um aperto no peito só de pensar. Você não é minha, eu já te perdi a muito tempo, não é? Os olhos arregalaram com a bronca, um sorriso tomando os lábios entre um riso fraco, ela sempre fazia isso, todas as vezes que se dizia não ser capaz de algo. Você não tem que ser como eu, você é perfeita. As palavras apenas saíram de sua boca, no tom mais sincero e doce que podia, Kang era a pessoa que mais admirava no mundo inteiro, não importava quem conhecesse ou o que ela fizesse, sempre seria sua fonte de base para ser mais forte, para não desistir. Eu só queria dinheiro, mudar de casta. Como eu queria antes. Mas como Sage tinha pedido para desistir de se tornar uma rebelde, aquela era a única chance de conseguia o que queria. Mas talvez Illéa tenha salvação e eu pudesse ajudar como Rainha. O que sacrificaria com isso? Algumas meninas tinha a paixão pela profissão que teriam que abdicar, algumas não queriam perder a privacidade, algumas tinham um outro amor, mas Merri, o que ela tinha a perder? Não tinha mais nada, ninguém lhe esperando, não queria voltar a profissão que tinha antes de estar ali e a única pessoa que poderia chamar de sua, estava a sua frente lhe dizendo para seguir em frente. A verdade é que nunca tiveram um termino, apenas acabaram se afastando o suficiente para saber que era o fim, mas ali, entre as palavras que a outra dizia, embrulhadas com toda a historia que tiveram, aquilo parecia com um termino, doloroso, indesejado, cruel, mas necessário, era necessário certo? ‘Você é o amor da minha vida’ Como em todas as coisas incertas que tinha em mente aquelas palavras, era uma verdade que não podia ignorar, uma que ela partilhava, porque por mais que se esforçasse para dar certo com Alex as vezes, só, era tão diferente do que tivera com Sage, aquela certeza, como quem tinha a história cravada em suas veias, isso era delas. ‘Eu preciso que você faça o que é melhor pra você’ mas o que era melhor? O que seu coração queria ou o que sua cabeça gritava? Nunca tinha se perguntado como deveria ser difícil para Alex ter que escolher entre as selecionadas, agora, bem parecia um pouco próximo, porque ela não sabia quem escolher. Sabia que podia amar Alex, que poderiam construir uma historia juntos, que ela podia ser feliz, mas também... Eu também te amo, droga, eu amo você, provavelmente eu vou te amar meu coração parar, até depois da morte, você, você é como fogo em minhas veias e eu não posso só ignorar isso Sage, eu não posso só apagar você da minha vida. Precisou parar, respirar, estava tão ofegante que sentia que desmaiaria, mas precisava dizer aquelas palavras antes que fosse tarde demais. O que era melhor para si e o que queria, poderiam ser coisas bem diferentes. Ela tinha sido colocada no chão, anos atrás, com o fim de um futuro que ela queria, os planos para o casamento, os sonhos de dividir uma família com Kang, tudo isso tinha sido destruído mas escutar ela dizer as três palavras, a fez se perguntar se ainda... Mas eu não posso ser abandonada de novo. Não suportaria lutar e vê-la se afastar mais uma vez, seu coração já tinha sido machucado antes, não poderia dá-lo de novo sem certeza que a historia se repetiria. Eu nunca pude te dar nada além de mim, mas você me quis mesmo assim, porque comigo seria diferente? Aquela altura sendo uma dois, Merri poderia dar uma vida melhor a Sage, as coisas seriam diferentes, elas não sofreriam mais com aquela sociedade, poderiam ter um final feliz, mas e os outros? Poderiam só fingir que nada aconteceria? Queria ajudar Illéa, seja como fosse e com o que estivesse ao seu alcance, não seria um grande sacrifício, era o melhor, como Kang acreditava, mas a questão é que precisava saber qual rumo aquilo tomaria se ela ficasse. Mas e se eu quiser ficar? Você ainda ficaria ao meu lado? Você lutaria por nós? O que sobrou da nossa historia seria o suficiente? As lagrimas escorriam o rosto sem cerimonia, porque no final, qualquer escolha que tomasse, acabaria perdendo alguém e isso não doeria menos. E se tudo que eu quisesse agora fosse te beijar? Era um desejo tão ridículo, não tinha uma conotação sexual, como normalmente Merri tinha entre flertes, era um pedido, queria se aproximar dela mais uma vez, deixar que seus lábios se tocassem, em uma pausa demorada, entre movimentos lentos, explorando aquela boca que sentia saudade, sorria, se dando conta de como ainda era familiar, como inconscientemente teria as mãos em seu quadril a puxando para si, como seu corpo se arrepiaria com o mínimo toque, como ela podia ser linda de todas as formas e ângulos possíveis.