vdelilah:
— É, sim. Obrigada. Acho que está tudo como deveria ser, então — comentou, segurando em seguida o cristal em sua mão e bebericando sem vontade o que havia lá dentro. Parecia que seu estômago tinha embrulhado, e um sentimento ruim invadiu seu peito, coisa que nunca acontecia quando estava com Azi. Bem, aconteceu uma vez só há um bom tempo atrás. Parecia, de certa forma, que estava tendo um simples déjà vu. Tinha tanto medo de magoá-lo, de dizer coisas que estavam entaladas em sua garganta, mas que sabia que não devia; e então acabar estragando o que eles tinham. Se é que tinham algo na cabeça de Azibo. Delilah perdeu muito em sua vida, muito mesmo. Não queria se dar o luxo de perder mais alguém, tampouco de deixar essa pessoa entrar e sair da sua vida quando bem entendesse. E foi por esse motivo que selou as cartas e deixou de respondê-las.
Entretanto, não conseguiu deixar de arfar uma risada irônica quando o moreno falou. — Não poderá… ou não vai querer? — pousou o copo na mesa de maneira um tanto quanto apressada e inclinou a cabeça ao questioná-lo. Afinal de contas, nada mudou, da maneira que ele queria.
Colocou a mão na nuca, tentando entender o porquê daquilo tudo. Poderia ser um ano novo tranquilo, não poderia? Só queria isso. Uma noite tranquila e calma, sem encontrar a pessoa que a guiou durante um grande período de tempo e depois foi embora. Sem ficar mexida com isso. — Tá ficando tarde. — Olhou rapidamente para o relógio no pulso - sem mesmo ver que horas eram. Levantou-se. — Acho melhor eu ir. Nos vemos por aí, ok? — Posicionou-se, então, para ir embora, e apenas tocou-lhe o ombro, acariciando-o por um segundo.
Azibo abriu e fechou a boca várias vezes, encarando a boca da garrafa que tinha entre os dedos. Eles começavam a ficar muito quentes, doendo um pouco pelo choque térmico, mas o negro não notava. Simplesmente suspirou - Ambos. - o que era uma grande verdade por motivos que ele já repetira mais vezes do que gostaria. Não podia ficar, tinha um povo para tomar conta; não queria ficar, tinha um lar para o qual voltar. Mas a dor nas palavras da mulher ao seu lado, como ela o olhava, julgando-o detentor de toda a culpa, doía de uma forma que não deveria doer.
Ele, imerso em seus pensamentos, só notou o silêncio entre os dois quando a morena se levantou, a mão gelada em seu ombro. Sem que pensasse bem, colocou a sua sobre os dedos frios, unhas bem feitas, pele macia - tudo o oposto do que ele tinha - Delilah. - sussurrou, pressionando um pouco a pele que envolvia com a sua - Não vá. - seus olhos levantaram, esquecendo-se da cerveja, do barista e dos ruídos ao redor dos dois. Tudo o que existia eram aquelas orbes de esmeraldas o esperando do outro lado do rio - Por favor, vamos conversar, minha casa é um pouco longe, mas eu aceito ir até lá em silêncio, se desejar. Por favor.
Daquela posição, ele parecia até suplicante, olhando-a com a intensidade do sol, queimando de baixo para cima, iluminando-a como as fracas luzes do bar não conseguiam fazer. Tudo o que ele queria, tudo o que mais desejava - não como príncipe, mas como Azibo -, era que ela dissesse sim.
















