nĂŁo queria estar ali, sentia-se envergonha demais por ter sido tĂŁo burra a ponto de nĂŁo ver o que acontecia debaixo do seu nariz. entretanto, queria arrancar atĂ© o Ășltimo resquĂcio de culpa do outro, queria que ele visse o estrago que havia causado na relação. tambĂ©m queria respostas, respostas sobre o motivo que o havia levado a fazer aquilo, embora parte de si tivesse medo de descobrir a verdade. âeu âtĂŽ escutando.â murmurou, os olhos fechados como se pudesse reter toda a raiva que sentia. porĂ©m, ao abri-los novamente, era quase impossĂvel nĂŁo notar a mĂĄgoa que pairava sobre eles. havia descoberto da pior forma que a pessoa de quem mais gostava estava lhe traindo, e pior, continuaria caso ela nĂŁo houvesse visto a maldita mensagem. foi por isso que nĂŁo acreditou quando o ouviu tentar se explicar, uma expressĂŁo de puro deboche em sua face. âsĂł uma vez? isso Ă© justificava pra vocĂȘ ter transado com ela?â esbravejou em um acesso de raiva, falhando em manter a postura fria que inicialmente possuĂa. âvocĂȘ respondeu as mensagens dela, axel, o que quer dizer que provavelmente planejavam se encontrar de novo⊠pelas minhas costas.â enquanto eu continuava sendo a namorada sonsa, limitou-se a dizer, meneando a cabeça para espantar a raiva que ainda lhe consumia por inteiro. ela nĂŁo esperava que ele chegasse perto, tanto que congelou quando o teve a centĂmetros de si, sentindo seu coração quase sair pela boca. seu estĂŽmago afundou com o toque em seu rosto e, pela primeira vez, estava perdendo a batalha contra suas lĂĄgrimas. âĂ© de mim que gosta? jura? e por que fez isso comigo? por que, axel?â o olhou nos olhos enquanto questionava, as Ăris castanhas a brilhar com as lĂĄgrimas que logo caĂam por suas bochechas.
NĂŁo esperava que suas palavras funcionassem, contudo, nĂŁo era como se tivesse outras para exteriorizar no momento, nĂŁo tinha sequer argumento o suficiente que explicasse o que fizera. Cerrou os olhos assim que a voz magoada quebrou o silĂȘncio da espera por uma rĂ©plica, um suspiro escapando dos lĂĄbios entreabertos ao voltar a mirar o rosto delicado contorcido em uma expressĂŁo diferente do que costumava ver. âĂ a Ășnica justificativa que tenho.â A soltura dos dizeres fora feito baixinha, tinha certo temor em a afastar se elevasse o tom. Contemplando a face entre suas mĂŁos, questionando-o por um motivo, viu-se incapaz de fundamentar o que fizera, nĂŁo tinha como explicar os atos impensados de uma noite embriagado; Axel nĂŁo costumava refletir nas consequĂȘncias de nada. As lĂĄgrimas que rolavam pela pele da jovem apenas o deixavam mais nervoso, nĂŁo estava acostumado com aquilo e definitivamente nĂŁo queria estar a fazendo chorar. âPorque eu sou um idiota, ok?â Retorquiu simplesmente, seus dĂgitos devagar deslizaram pelas lĂĄgrimas, limpando seus rastros devagar das feiçÔes alheias. âNĂŁo sei fazer isso, Lux, nĂŁo sei como nĂŁo ferrar as coisas e quanto mais eu tento, mais eu... me desculpa, tĂĄ legal? Eu juro que tĂŽ tentando nĂŁo ser que nem meu pai.â Desceu o rosto para que juntasse as testas, seus lĂĄbios quase alcançando os dela, mas nĂŁo o fez, ao invĂ©s disso, murmurou. âVou tentar mais, eu prometo...â Axel nĂŁo estava acostumado a implorar por nada, deixou a frieza caracterĂstica em seu semblante de lado ao acrescentar, mantendo a distĂąncia entre as faces mĂnima. âMas nĂŁo termina comigo por causa de um erro estĂșpido, por favor.â Afinal, nĂŁo queria perder o que tinham ou tornar-se o seu pai destruindo tudo ao seu redor, esperava fazer melhor que aquilo; esperava tambĂ©m nĂŁo voltar a se sentir solitĂĄrio do modo que sentia-se antes de Lux, nĂŁo que alguma vez admitisse aquilo.