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Les viscéral, entrailles.
A citação soa nĂŁo mais que um sussurro. O visor do notebook revela a linha incompleta e as palavras permanecem imĂłveis, inexpressivas, como se a mĂĄquina as tivesse escrito ao acaso. Uma taça preenchida pelo lĂquido pĂșrpura se aproxima dos lĂĄbios secos, o contato com a substĂąncia Ă© vivido, mas nĂŁo o necessĂĄrio para recobrar os sentidos. Suspiro pesadamente. A exaustĂŁo se faz presente no momento em que encaro a disposição dos nĂșmeros: 4:30am. Retorno para duelar com as palavras, os dedos sob as teclas sem qualquer pretensĂŁo de escolha. NĂŁo hĂĄ rumo, derrotada, nĂŁo posso escrever uma sĂlaba se quer. Um minuto se passa seguido de vĂĄrios outros. Ainda encontro-me presa ao estado catatĂŽnico do bloqueio, cercada pelo nada, narrando a desconexĂŁo da histĂłria sem poupĂĄ-la do ridĂculo. Mencionam a normalidade do ocorrido: âGrandes escritores sempre sĂŁo amaldiçoados pela infertilidade, Vivienne.â Papai me dissera mais cedo, a voz rouca entrecortada na ligação. âE, na maioria das vezes hĂĄ apenas duas soluçÔes: sexo sujo ou suicĂdio.â Nenhuma das opçÔes parecia-me razoĂĄvel e por esse motivo, caminhei pela chuva quando Forest encerrou nossa breve conversa. Comprei o vinho na volta.
Quando o bloqueio me acometeu pela primeira vez, Julliard pedia da herdeira EtĂłile um roteiro impecĂĄvel e incendiĂĄrio. Isso enquanto cartĂ”es de natais eram o Inferno para mim e mensagens de textos impossĂveis. Pediam por um enredo quando havia apenas uma dedicatĂłria me auto declarando um insulto, cordialmente falando. Naquela altura, suspeitava que o primeiro livro seria o Ășltimo. A ideia de que o exemplar se manteria como segredo, uma incĂłgnita atĂ© mesmo para seus leitores mais Ăntimos, me atraiu e atraĂ o suficiente para sustentĂĄ-lo no anonimato. E mesmo com uma eminente expulsĂŁo de Julliard, nĂŁo pude me trair e desse modo, o bloqueio cedeu espaço para a mais crua sĂĄtira feita Ă Laila. Pediam por um incĂȘndio e foram surpreendidos pelas chamas incontrolĂĄveis em sua estrutura. Na noite do lançamento, o olhar feroz da cineasta e de meus professores alimentaram-me com a inspiração necessĂĄria para retornar a escrita. Passei os prĂłximos anos imersa no mesmo tĂtulo, despindo-me a cada capĂtulo e no Ășltimo, a dor da partida o tornou uma das obras mais importantes para mim.
5:10. O ar gĂ©lido de Paris provavelmente percorre meus pĂ©s, mas protegidos do piso com as meias grossas â um de cada par, as que Abbadon e Dragan havia esquecido â, nĂŁo hĂĄ incĂŽmodo em caminhar pelo apartamento atĂ© uma das imensas janelas. A cidade caĂ sobre o sono profundo e seus sonhos a revelam sobre a luz do amanhecer, reluzindo timidamente no horizonte. NĂŁo volto a encarar a mĂĄquina, a beleza ao olhar me impede de o fazer. Contemplo, em silĂȘncio. O corpo descansando no estofado, frente ao vidro entreaberto, os joelhos prĂłximos e o queixo sob ela. Um momento de acalento, conforto e segurança, algo que Paris me oferece gentilmente apĂłs cada madrugada solitĂĄria. Digo a ela que estou apaixonada. Apaixonada por sua mais pura e sincera companhia. Permaneço no limiar do fĂsico e transcendental por algumas horas, sendo abruptamente retirada quando um automĂłvel atropela um ciclista na esquina. ApĂłs ligar para a emergĂȘncia, prestar socorro ao homem e ser impedida de agredir o motorista, retorno para casa. Ignoro a ligação de Laila na banheira por misericĂłrdia. O corpo Ă© coberto pela ĂĄgua morna, os sais perfumando o ambiente sutilmente, enquanto meus pulmĂ”es sĂŁo impedidos de alcançar o ar.
O desembarque de Abbadon estĂĄ marcado para daqui uma hora, o que me permite dirigir pela Paris recĂ©m despertada calmamente. A melodia preenche o automĂłvel e com o cotovelo apoiado na lataria, a medida que avanço, a brisa me atinge: a ponta do nariz a mercĂȘ do inverno. Os olhos antes cansados se concentram na estrada e na massa corpĂłrea ao redor, parisienses caminham pelas ruelas em seus casacos pesados. Com o semĂĄforo tingido de vermelho, apanho a cĂąmera e a guio pelo fluxo de filmagem ideal, acompanho os moradores em sua forma natural, captando as imagens de uma perspectiva distante. O simples ato de caminhar para alguns que para mim revela pessoalidade: o momento em que mulheres encaram a luta, o momento em que amantes se despedem, o momento que⊠Fecho os olhos, cercada pela prĂłpria escuridĂŁo. Buzina. As pĂĄlpebras se erguem e retomo a condução ainda presa a sensação. Quando as mĂŁos apertam o volante, controlo o impulso com um mordiscar no lĂĄbio inferior e antes mesmo de perceber, o gosto ferroso de sangue Ă© sentido.
O aeroporto surge e minutos apĂłs encontro o portĂŁo de desembarque. O telefone celular vibra no bolso da calça e por estar inquestionavelmente entendiada, me ocupo em ler as novas mensagens. A primeira notificação Ă© de Jean: o endereço. Suspiro, o peito arfa como se o pedisse desesperadamente. Ponderando sobre minha decisĂŁo na noite anterior, constato que havia pactuado com o Diabo. Deslizo e encontro outra notificação, dessa vez de um jornal e meu nome estĂĄ em destaque. Leio a matĂ©ria sobre o longa de Laila, mas a partir da terceira linha minha mente se concentra apenas nas Ășltimas especificaçÔes da edição. Desisto e guardo o aparelho. 20 minutos⊠Sento-me em um dos assentos prĂłximos, prestes a descascar ainda mais o esmalte preto em minhas unhas, no entanto um grupo de adolescentes surge repentinamente. Merda. camisas de Tarantino nunca sĂŁo bons sinais.
â Vivienne EtĂłile? â A silhueta menor, de emaranhado louro diz. â Pode autografar nossas cĂąmeras? Somos fĂŁs da sua mĂŁe. Ă tĂŁo maneiro conhecer vocĂȘ. â SuicĂdio, eu opto pelo suicĂdio. Prossegue com animosidade, o caracterĂstico estusiasmo de quem ainda acredita que seus Ădolos lhe apresentarĂŁo o cerne da existĂȘncia humana. Ela se senta ao meu lado e sorrisos largos se formam, retomo a postura indiferente. Cruel, mas assertiva.
â Laila farĂĄ uma sessĂŁo de autĂłgrafos esta noite. â O brilho se esvai, os sonhos sendo brutalmente esmagados. â Como se chamam? Coloco vocĂȘs na lista⊠â E os gritos ensurdecedores soam. Movem-se como um organismo e nesse instante percebo que hĂĄ uma silhueta desconhecida atrĂĄs do grupo. â VocĂȘ Ă©?
â Huh, alguĂ©m que detesta a merda que Laila filma. â Quem diz carrega uma filmadora antiga no peito, a superfĂcie visivelmente atingida pelo uso e validade. â Cinema-verdade nĂŁo Ă© a minha praia.
â Cinema-verdade? â Um riso meu se impĂ”e. Para uma garota que beira os dezoito anos, ela realmente compreendeu o que Ă© a arte. â E qual Ă© a mentira que vocĂȘ filma? â A estĂĄ altura as outras adolescentes ocupam-se com os comentĂĄrios eletrĂŽnicos o suficiente para eu e Sofie, quem se identifica como uma caloura em Cinema, mantermos uma conversa calorosa sobre tĂtulos clĂĄssicos. Sofie insulta Laila com criatividade e sou entretida pelos minutos restantes atĂ© o desembarque de Abbadon ser anunciado.
â Se acreditamos no mesmo ideal⊠por quĂȘ diabos estĂĄ trabalhando para sua mĂŁe? â Sofie indaga quando suas colegas retornam suas atençÔes a mim, apenas dou de ombros.
Pedindo os autĂłgrafos com fervor desnecessĂĄrio, as adolescentes me perturbam o tempo suficiente para os passageiros do voo de Abbadon caminharem para a esteira e por um segundo, penso tĂȘ-la desencontrado. Sufocada em meio Ă s fĂŁs de Laila, busco por salvação. E, com um olhar rĂĄpido ao redor, visualizo seus olhos castanhos familiares. Sofie ri quando a lĂder do vespeiro me abraça, roubando uma fotografia possivelmente desfocada minha, lanço-lhe um curvar de despedida rĂĄpida. Me despeço com cordialidade de Sofie, anotando seu nĂșmero na minha lista de contatos. Anotando mentalmente que valeria entrevistĂĄ-la para um futuro estĂĄgio. Enquanto ando na direção de Abba, retiro o casaco, com o calor percorrendo o corpo por conta do estresse sem o apoio da cafeĂna. Minha expressĂŁo revelaria o desconforto, especialmente porque um comentĂĄrio de uma das estudantes realmente havia me tirado do sĂ©rio. âOuvi dizer que Sawyer rompeu com vocĂȘ pelos seus surtos. Quer merda, ele Ă© um gostoso!â Bufo, irritada. PorĂ©m, recolhendo a fĂșria para um momento mais oportuno, corro para Abbadon e a cerco com meus braços. Havia sentido tanto sua faltaâŠ
â A minha cadela sul-americana favorita! â Afasto-me o suficiente para cobrĂ-la de beijos no rosto. Cessando assim que ouvi alguns grunhidos. â Finalmente, Abba! Me diga, como estĂĄ? â Pergunto enquanto caminho para a esteira, fitando seu rosto em expectativa.
Oito malas nĂŁo eram o suficiente. Este era o Ășnico pensamento que cruzava a mente de Abbadon enquanto os funcionĂĄrios carregavam sua Ășltima mala, talvez ela devesse adiar o voo, ter mais tempo para se preparar para passar duas semanas com Vivienne, entretanto jĂĄ eram 08:50 da manhĂŁ e seu voo estava programado para decolar Ă s 09:10, nĂŁo parecia certo fazer com que todos os funcionĂĄrios fossem dispensados apenas por sua crescente ansiedade diante da possibilidade de nĂŁo ter tudo que precisava ter consigo. Ela sempre poderia comprar os itens faltantes na capital francesa, nĂŁo era como se nĂŁo fosse voltar com uma ou duas malas a mais como sempre. NĂŁo era como se nĂŁo fosse ser amplamente criticada pela amiga pelo seu consumismo desenfreado e analisada friamente sobre o que isso mascarava, tudo isso aconteceria de uma forma ou de outra e mesmo assim lĂĄ estava ela subindo as escadas que a levavam para o interior do jatinho particular pronta para encarar horas e mais horas de voo com o mĂnimo de sono que poderia pedir. Tudo para que pudesse rever Vivienne.
NĂŁo era para menos, dois anos significavam um perĂodo de tempo considerĂĄvel para nĂŁo se ter notĂcias de alguĂ©m, especialmente quando estes dois anos tinham um ponta pĂ© terrĂvel para um dos lados e quando o perĂodo era excruciantemente doloroso para o outro, quando tantas coisas ocorriam que mesmo sabendo que Vivi gostaria de saber os detalhes Abbadon jĂĄ tivesse decidido que assuntos pertinentes a sua vida permaneceriam enterrados, a Ășltima coisa que queria era colocar um peso nos ombros da cineasta quando esta acabara de deixar com que voltasse a sua vida. Bom, ela e provavelmente todos os outros, nĂŁo se atreveria a pensar que de alguma forma fosse uma exceção aos hĂĄbitos e decisĂ”es de Vivi, nĂŁo tinha sido Ă dois anos atrĂĄs e definitivamente nĂŁo achava que seria agora, mas isso nĂŁo importava, o que importava Ă© que o convite tinha sido feito e Ă© claro que sua mente impulsiva havia aceitado em mais uma tentativa de agradar absolutamente todos Ă queles que vinham a ter contato com sua figura.
Todos exceto por si mesma. Era por isso que se colocava em situaçÔes em que sabia que odiaria cada minuto apenas para poder ter uma centelha de certeza de que alguĂ©m sairia satisfeito. Como um voo tĂŁo longo para um paĂs frio em pleno inverno. Abbadon corria da Europa no inverno, na realidade ela fugia de todos os paĂses frios no inverno, o frio começava e a De Rosas se obrigava a colocar-se em um voo para algum paĂs tropical ou para um continente que ainda experimentava o verĂŁo. Todos os seus amigos, no entanto, pareciam ser amantes do frio e era assim que Abbadon sempre acabava sendo arrastada para as paisagens brancas apenas para reclamar sobre como nenhum deles concordava em ir para praia com ela e ainda assim esperavam que esta sempre estivesse disposta a colocar casacos grossos e ignorar seu claro trauma com frio apenas para que ficassem confortĂĄveis. Ela fazia. Todo ano. Mas nĂŁo custava nada esperar uma mudança de cenĂĄrio de vez em quando, nĂŁo Ă© mesmo?
O pequeno desconforto da decolagem fizera com que seus olhos se fechassem e por instinto o pingente de seu colar foi agarrado como uma espĂ©cie de pedido de calma, Ă© claro que o medalhĂŁo apenas a fazia se sentir pior e nĂŁo havia motivo claro para ainda usĂĄ-lo, nem para o fato de estar usando o moletom preto surrado trĂȘs vezes o seu tamanho como uma espĂ©cie de roupa de conforto. Ă claro que nĂŁo. NĂŁo havia um motivo sequer que pudesse vir a sua mente para o motivo de ter escolhido justamente a peça que nĂŁo lhe pertencia para levar na viagem apesar de seus inĂșmeros protestos sobre nĂŁo ter espaço suficiente para transportar seus prĂłprios pertences. Isto Ă©, nenhum motivo a qual se permitiria pensar pelas prĂłximas dezessete horas, nem mesmo quando o silĂȘncio sepulcral fizesse-se presente na aeronave, nem mesmo quando o sono lhe atingisse e conforme deitasse-se percebesse que nĂŁo tinha mais controle absoluto sobre seu subconsciente e as lĂĄgrimas invasivas escorressem por seu rosto insistentemente sem que pudesse dizer a si mesma o quĂŁo estĂșpida parecia ao chorar por eventos que jĂĄ deveriam ter sido superados.Â
Dezessete horas e quarenta minutos consigo mesma nĂŁo estava exatamente no topo da lista de coisas que Abbadon gostaria de experimentar, na verdade mais que trinta minutos sozinha com seus pensamentos jĂĄ era mais do que suficiente para lembrĂĄ-la o quĂŁo quebrado e abandonado seu palĂĄcio mental parecia ser, sucumbindo aos poucos as pressĂ”es externas que pareciam se agarrar Ă suas paredes como raĂzes fortes moendo aos poucos pequenas faĂscas de qualquer que fosse o pensamento minimamente construtivo que pudesse ter acerca de si.Â
O celular acendendo avisava que sua viagem estava quase no fim, sĂł mais duas horas e estariam gentilmente pousando no aeroporto parisiense, duas horas ainda pareciam muito para ela, tĂŁo perto e ainda tĂŁo distante. Seus olhos estava inchados e avermelhados, o sono misturando-se com o choro criando-lhe uma aura e uma aparĂȘncia de vulnerabilidade que certamente estava sendo bisbilhotada por seus seguranças, todos tinham a sensibilidade para nĂŁo comentar, entretanto era muito claro que os olhares preocupados gritavam a pergunta que nĂŁo queria se calar: Eles teriam problemas em mantĂȘ-la na linha em Paris ou finalmente as horas sem sono e a crescente recusa a se alimentar estavam alcançando sua mente como uma criança depois de pular seu sono da tarde? A segunda opção parecia muito mais plausĂvel considerando que a argentina estava trocando de fuso horĂĄrio pela quarta vez no mĂȘs e nĂŁo tinha permanecido tempo suficiente para que seu corpo se acostumasse em nenhum lugar.
â â Lagston, quando chegarmos poderia por favor nĂŁo fazer com que todos descessem comigo? â â O chefe de sua segurança tirou os olhos de seu livro por um instante, ele parecia tĂŁo cansado quanto Abbadon, e provavelmente estava sentindo falta de casa tanto quanto ela, mas ainda havia um sorriso gentil em seu rosto quando apresentara mais uma vez o plano que tinham para seu pouso, apenas quatro dos seguranças sairiam com Abbadon enquanto os outros dois ficariam responsĂĄveis por suas bagagens. â â Obrigada, eu nĂŁo sei onde estaria sem vocĂȘs.â â Provavelmente morta, ela sabia muito bem disso, mas nĂŁo era algo a ser dito em voz alta.Â
Quando finalmente sua chegada foi anunciada e o jatinho pousou tudo que Abbadon queria fazer era sair daquele avião e respirar ar puro, mas é claro que o inferno congelaria antes que fosse fotografada usando um conjunto de moletom que não lhe pertencia - que os olhos mais atentos saberiam muito bem reconhecer - e sem maquiagem com os olhos inchados daquela forma. Então antes de sair, enquanto tudo era aprontado, com seus seguranças levando suas bagagens e os funcionårios sendo agradecidos, Abbadon fizera-se o favor de trocar de roupa e de esconder os traços de uma viagem mal aproveitada com uma maquiagem leve e um penteado råpido. Os óculos escuros lhe cobriam quase toda a face e mesmo enquanto era levada pelos portÔes de desembarque sua cabeça continuava baixa e seu corpo sendo tampado por seus seguranças apenas para que não precisasse lidar com nenhum tipo de alvoroço.
Ă claro que a posição nĂŁo lhe dava a vantagem da visĂŁo e o susto ao sentir os braços sendo jogados ao seu entorno foi suficientemente grande para que quase cambaleasse para trĂĄs sendo segurada no lugar com uma forte mĂŁo na base de sua coluna que logo foi afastada. A tensĂŁo de seu corpo se dissipou ao raciocinar que era Vivienne lhe abraçando e logo os braços tambĂ©m envolveram o figura alheia. â â Hey, corazon.â â A voz saiu baixa e delicada, um claro indicativo do quĂŁo cansada estava e de como nĂŁo estava processando corretamente seus entornos. Uma sobrancelha foi levantada por trĂĄs dos grandes Ăłculos escuros com a pergunta de Vivi, ela queria responder que pĂ©ssima, que tinha tido um pĂ©ssimo mĂȘs, que seu voo tinha sido longo, que estava com fome, sono e que queria um banho, mas ao invĂ©s disso apenas sorrira e dera de ombros. â â Nunca estive melhor, ainda mais agora que estou te vendo novamente, sĂł demorou o que? Dois anos? â â O dedo indicador cutucou as costelas de Vivi de forma brincalhona.  â â E como vocĂȘ estĂĄ? A versĂŁo rĂĄpida, por favor, eu nĂŁo quero ficar tĂŁo exposta em um aeroporto desse tamanho com pessoas olhando. Podemos ir, por favor? â âÂ
Os olhos desviaram-se um pouco para a multidĂŁo e um sorriso foi dado ao olhar para um grupo, claramente estudantes de cinema, a cabeça foi apontada na direção de uma das garotas usando uma camisa do diretor Tarantino.  â â Eu tenho uma igualzinha Ă quela. â â Uma risada baixa foi dada antes que enlaçasse o braço ao de Vivienne e começasse a puxar a amiga em direção a saĂda.  â â Preciso que me mande seu endereço por mensagem, meus seguranças vĂŁo levar minhas malas para sua casa enquanto comemos, eu estou morrendo de fome e eu nĂŁo trouxe minha carteira de motorista entĂŁo parabĂ©ns, vocĂȘ Ă© a motorista da rodada. â â
Abbadon nĂŁo odiava comida vegana, pelo menos era o que dizia a todos que a faziam comer comida vegana, mas com toda certeza nĂŁo era o que ela queria no momento e por isso tinha tĂŁo gentilmente pedido por ĂĄgua e um mini salada de alface a qual nĂŁo tinha tocado desde que o prato chegara Ă sua mesa. â â EntĂŁo, sua mĂŁe quer que eu trabalhe com ela novamente, eu disse que eu pensaria, mas eu sĂł queria ter certeza que vocĂȘ estĂĄ de acordo com isso... Sabe, eu jĂĄ tenho gente demais no meu pĂ© por trabalhar com Priest, se vocĂȘ disser que nĂŁo se sente confortĂĄvel eu vou dizer nĂŁo a Lila. Also...Are we preteding that you didnât spend two years out of touch with the world or...? Because I would love to talk about that if you want it to, but Iâm good in faking it too, I mean Iâve dated man for the past nine years, so...Iâm very good at faking. â â