oi, querido! como vc está?
To bem, meu bem. E você?
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he wasn't even looking at me and he found me

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Oi moço <3 você sabe como tratar uma mulher, né? rs
Você é extremamente encantadora, sabia?
QUE SAUDADE DESSE LUGAR
Então me beije.
Faz de conta que estamos num sonho de verão, num paraÃso artificial ou simplesmente no teu quintal. Me leve pra dentro de tuas retinas, da tua Ãris, do seu sangue. Vamos pra casa na árvore, enamorar a Lua. Deixe o seu brilho banhar nossos corpos, nossa união. Corra o mais rápido, voltaremos pro céu quando o sol despertar, fazendo seus raios brilharem da mesma forma que seu sorriso.
Vai sair
no jornal da cidade
na pagina principal
o escândalo e
o escárnio de um amor
despencado do décimo nono andar.
E o nexo causal vai ser dado
pelo sorriso desprendido
junto com a alma já elevada
de um possÃvel amante grunge
que gosta de elevar seus sentimentosÂ
a uma certa altura
sem ter medo da queda.

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Seu perfume era marine ou amadeirado?
Olho para meu vestido pendurado numa arara que roubei de um teatro falido e arrepio com as lembranças de Fábio me acariciando e roçando-se em mim, pra impregnar seu cheiro e sua essência masculina. O seu olhar carente, a boca levemente aberta puxando a minha por um imã que havia em sua lÃngua voraz, o corpo forte e dengoso, doido pra encaixar-se em minhas pernas, como um quebra-cabeça. Quase uma semana se passou e eu já procurei esquecer o seu feitiço. Liguei para meu amante mais antigo, Roberto para uma visitinha em sua cobertura no Leblon. Como aquele velho não resiste ao meu encanto, me arrumei e saÃ, como uma flor vermelha em meio as brancas - a flor da luxúria entre a pureza do bem-, ansiando esquecer o maldito, ou bendito homem que quebrou as fortalezas que criei. Chegando à casa de Roberto, foi me recebendo calorosamente com beijos e toques, surpreendendo-me com sua lÃngua áspera e grossa, invadindo minha orelha. Alisei seu peitoral, deixei que seus dedos grossos atravessassem-me o ventre, a caminho de seu paraÃso. Depois de satisfazê-lo, lembrei-me do exame que fiz e um peso caiu como uma gripe pela mudança do clima. Enquanto eu colocava os brincos e ajeitava o sutiã, Berto (como gostava de ser chamado) fez um convite: vamos comigo pra Europa, quero que vire minha mulher, lhe dou casa, lhe dou joia, lhe dou luxo. Desconversei, disse que estava atrasada pra um compromisso. Perguntou se estava para me encontrar com outro, se esse tal me dava mais prazer que ele. Beijei-lhe a boca resmungona e parti, sem antes ouvi-lo gritar do quarto, "pense no que te disse docinho". Abri minha bolsa para ver se me dava o luxo de pegar um táxi e fico chocada com a quantia que Berto tinha depositado ali. Esse velho ordinário acha que me conquistas pela grana. Cheguei à clÃnica em 40 minutos, culpa de um acidente de trânsito. Tratei logo de informar meu nome e minha data de nascimento, pra sair com um envelope branco com o logotipo da mesma e um aperto na boca do estômago. Se tivesses comido algo, tinha posto tudo pra fora. Abri aquele lacre colante como se abrisse uma carta bomba, com medo de lhe fazer ir pelos ares, junto com meus pedacinhos chamuscados. Ao procurar pelo resultado, recebo um soco invisÃvel onde estava com o aperto e me contorço pra expulsar aquela anunciação que me chegou a cavalo selado. Não poderia ser... E por quê? Sou jovem demais para me ferir com isso. Saio correndo em direção à pista, cogito em me matar. Porém, a morte é paciente, nos pega hora certa. Parece um escorpião: pragmático, calmo. Estuda sua vÃtima antes de lhe depositar seu veneno. Estava sendo analisada pra ser morta. Por um ferrão chamado...Â
Seu relógio era esportivo ou digital?
Dois dias se passaram e eu me rendi a três homens. Todos que conheci na mesma boate, mas sem aquele fogo que tive pelo meu amante anônimo. Agora eu penso em seu nome, na tentativa de invocá-lo para novamente me derreter à sua manha de macho felino. Ao passear em direção ao banho, deixo a toalha cair e uma onda daquela noite me abate, como bala perdida, sem rumo, sem ação, involuntária e traçante. Acho que tinha uma foto de formando dele, parecia ser do Ensino Médio pendurado na parede oposta a do seu quarto. Como uma mãe que se orgulha disso, mantinha seu rosto passÃvel e sereno, com o seu nome em letras formosas: Fábio Cruz. Parecia nome de colombiano, paraguaio. Um desses latinos americanos que adorava uma chica bacana. Nunca gostei desse tipo de foto, nos capturam nas piores cenas. O cabelo desgrenhado, o dente sujo, o batom borrado, a blusa amarrotada. Iguais à s fotos de passaporte e identidade. Um horror olhar pro seu retrato e não ser capaz de lhe reconhecer, porque o resquÃcio de beleza desapareceu no "Isso, levanta um pouquinho a cabeça, não sorria". Lembro-me de uma dessas ocasiões como se fosse ontem - sempre gostei de dançar e tinha que me inscrever numa academia e eu desejava muito aprender dança de salão. Ao chegar pra fazer a matrÃcula, necessitava de uma dessas malditas fotos. Disse que iria trazer, até que saà e minha ficha ficou faltando minha imagem com cara de retardada e com sono. Nunca me permiti ser fotografada, gosto de ser filmada pelas retinas e não por lentes motorizadas, com zoom capaz de ver os seus mais profundos poros. Mesmo que divagando em minhas loucuras, o dignÃssimo não me abandonou de jeito nenhum. Assim que o Sol veio me roubar a beleza de ser a única a irradiar calor, abri os olhos pensando em minha casa, um quartinho de frente pra rua, num cortiço da Gamboa que mal tinha água encanada e saneamento básico. Mas era ali que atendia meus clientes mais fiéis e experimentes capazes de me sufocar de tanto apertarem minha garganta nua, sem um colar de pérolas. E esse Fábio surgiu... Que maldito safado! Tenho inveja do que vi e vivi com ele naquele apartamento: o quarto milimetricamente arrumado, o banheiro espaçoso, cabia três pessoas naquela banheira, a sala aconchegante, com uma parede repleta de livros e enciclopédias - ele tinha cara de poeta e dos bons -, a cozinha repleta de facas, panos de prato coloridos e livros de receitas. Acho que ele tinha me feito para o prato principal para devorar-me com seus cigarros e versos e eu só fui perceber depois de assada e posta à mesa. Maldita colher de pau que me encheu de prazer anteontem, viciei-me em ser devorada por esse desgraçado.
Sua gravata era listrada ou lisa?
Precisava sair, esse era meu desejo. Precisava esquecer e me lembrar só depois, ainda estava atônita pra saber os resultados dos exames que fiz mais cedo, essa tontura não passava até eu desmaiar em plena fila de banco. Tinha ficado horas decidindo o que vestir, as bijuterias, cor do batom. Queria ser a mais exuberante, queria causar. Até que escolhi tudo, tomei um banho de banheira, com muitos sais para temperar meus poros. Aproveitei e me depilei, fiz as sobrancelhas, pintei as unhas - de vermelho, a cor do desejo e pra combinar, coloquei minha melhor calcinha. Perfumei-me e saÃ, cigarro no dedo, Louis Vuitton na mão, chama acesa. Saà e o Sol se fez cavalheiro, dando o lugar para que eu brilhasse. Naquela noite, não havia Lua - o brilho irradia de mim, uma libertina à caça - e corri em disparada pro táxi que me aguardava na portaria. Mandei um beijo para Tadeu, meu porteiro assanhado que já dei uns amassos na salinha onde guardavam os produtos de limpeza e ferramentas. A noite me chamava e eu, filha obediente corria para seu encontro. Entrei no táxi, sorri para o motorista, um velho bigodudo e gordo e pedi para que me deixasse na Lambada, minha boate favorita. Foi entrar para aquelas luzes iluminarem mais ainda o meu vestido preto. Passei no bar, pedi dois Margarita e sentei naqueles bancos altos, sacudindo meu corpo no ritmo da música. Um cara chegou e me pagou um Mojito, disse que queria me ver bailando na pista de dança. Ri secamente, não era meu tipo. Depois de despistá-lo, outro me chamou a atenção: estava mais a frente, parecia vidrado no seu whisky sem gelo. Gostei do seu maxilar e da barba por fazer, logo me subiu um fogo e para atraÃ-lo, fui dançar. Não demorou muito eu o vi ajeitando-se e caminhando até sua tigresa, doida pra abater sua presa. Senti sua mão na minha cintura e relaxei. Seu toque era macio e másculo, estava prestes a ser domada. Ouvi algo sair de sua boca, mas não consegui distinguir o que era. Só quando falou um pouco mais próximo, respondi-o: ValquÃria, mas hoje serei quem quiser. Seu membro me roçava, mostrava-se ativo, rÃgido. Sua boca calma, pragmática, percorria minha nuca, deixando ali seu hálito almÃscar de whisky. Peguei em sua mão e deslizamos de volta ao bar, onde nos entregamos ao prazer de lÃnguas quentes e ágeis enlaçando-se como duas cobras. Perguntei se queria me comer, estava ardendo dentro daquele vestido e minha calcinha estava molhada - porta de entrada para me enlouquecer. Ele me chamou pro seu apê e fui, rindo dele o tempo todo. Parecia um arcanjo, com aqueles cachos. Ficava perplexa com sua beleza e ria, até entrar no seu ninho, onde o riso foi calado por aquela boca - e que boca-, empurrando meu corpo involuntário para seu quarto, para sua cama, para seu puteiro particular. Rapidamente estávamos nus e eu pude ver o que me aguardava. Ri eufórica e senti posicionar seu pau, pronto pra me devorar. Abri um pouco as pernas e deixei que me usasse, disse que seria o que quisesse, até puta ou vadia eu seria essa noite. Com aquele corpo sobre o meu, os beijos e as carÃcias demorou pouco para que explodÃssemos como fogos do réveillon de Copacabana. Depois de exaustos de amar, dormimos um sono leve, com seu braço me enlaçando e minha cabeça apoiada em seu peito. O primeiro raio de sol me fez despertar: tomei um bom banho naquele banheiro gigantesco, usei um pouco de perfume dele, fui a cozinha e me servi de um café. Voltei ao quarto e fiquei velando o sono do meu amado deus grego. Aquele momento me despertou uma ternura ao vê-lo entorpecido no mundo dos sonhos, cabeça repousada de lado, parecia uma escultura de Michelangelo. Saà sem os saltos para não fazer barulho. O dia me recebeu quente, como um parente distante que veio passar as férias. Desci a rua e vi idosos a caminho da padaria, jovens indo para escola. Uma borboleta passou e fiquei vendo seu voo. Lambi o lábio já sem o batom e me permiti sorrir. Foi ma-ra-vi-lho-so. E muito.
Tardiamente, porém, me atrevo. ♦
Atrevida e encantadora, petit. Seu canto é o lar mais escuro que uma alma anseia descansar. Um mix de sentimentos lhe acomete ao ler todas as tuas palavras. Um desejo grande de lhe presentear com flores e palha italiana (se é que me entende). Seu ser é esguio, mas muito calmo. Tens uma alma pura e conturbada, pequena.
Eu amo o jeito que você me descreve
Você é um doce, Jubs.

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♦ <3
Olá, meu bem. Você sempre me encantando... Vamos lá!
Seu tumblr tem um ar doce e arisco, sabe? Como se nos prendesse em casa frase dos textos que rebloga. Ele mostra sua alma: fina, sutil, enigmática, voraz... Gosto de ler suas incertezas, seu olhar. Acho que é isso.
Me mande ♦ que eu digo um pouquinho do teu tumblr
Sua calcinha era preta ou branca?
Amanhã faz 1 mês que ValquÃria desandou minha vida. Estou indo mal no trabalho, vivo levando puxões de orelha do meu chefe. Outro dia ele me chamou pra termos um papo cabeça, somos amigos desde muito jovem. Perguntou se estava sofrendo pela separação ou era algum problema de saúde e disse que tudo iria se resolver mesmo. Saà do escritório com o pensamento de acabar com isso. Parece que quando tomamos certas atitudes, um flash-back nos passa pela cabeça com o intuito de nos lembrar que a nossa escolha pode ou não nos favorecer. E logo de inÃcio vem a minha história longa e infeliz com Simone: nos conhecemos na faculdade, eu fazia economia e ela gastronomia. Acho que o fato de nós termos casado dois anos depois, foi que ela tem mão boa pra comida. Todo final de semana eu ia almoçar com seus pais numa casa modesta, de 2 quartos e 1 banheiro. Foi casar pra Simone engravidar de Carol, a menina dos olhos de nozes. Depois de 2 anos de muito suor e horas extras, veio o Gustavo, xodó do Seu Martins, pai dela. Logo após de Simone, vem o crescimento dos meus filhos: Carol sendo estudiosa, tirava boas notas e gostava de fazer balé. Já o Gustavo era o "descolado", surfista dominador de risadas do seu grupinho. Em seguida, veio a tarde que passei em Maricá com Inês, minha grande amiga. Estávamos bêbados e transamos lentamente, enquanto a chuva irrigava nossos poros. Depois de toda essa retrospectiva, veio minha saudade mais quente, como o sol que queima minha vista na Avenida Rio Branco, palco das minhas quimeras: ValquÃria. Estou ficando louco por essa mulher, não é possÃvel! Chego a dar tapas na minha cara morna pelo sol - Fábio, você tem 32 anos e uma carreira promissora em mãos, vamos esquecer essa puta qualquer que tu conheceu, vai ser feliz com outra... - mas prefiro acreditar que vou reencontrá-la e será hoje, nessa sexta-feira qualquer, de um mês qualquer, sorrindo um qualquer desdentado, amor pisado. Vou dançar com a tal e devorá-la, pra depois sugar todas as informações mais que ocultas do seu ser. Pra entender e pedi-la pra ficar, tomar um vinho e comer uma massa, ouvir um blues barato londrino... E depois esquecer o tempo, o vento, a chuva tilintando na janela. Amar como nunca antes, sem ter medo, receio ou dor. Ser feliz de manhã com o cheiro e o braço dormente por abrigar tão próximo ao seu corpo o seu melhor desejo.
Seu brinco era bijuteria ou era ouro maciço?
Me sinto perdido nessas indagações que me acometem  por causa dessa mulher sorrateira que usou e abusou de minha alma e corpo. E me vejo vendido, arrendado por mÃseros objetos que Val deixou no meu apê. Um brinco estilo argola, fios de cabelo, seu batom e seu cheiro. Maldita seja a mulher que pariu essa vagabunda! Se estivéssemos na época da Inquisição, poderia ser dada como bruxa ou feiticeira... Encantadora de machos. O que me resta é ir na mesma boate toda noite, pra ver os casais se deliciando ao som de um blues de quinta e aqueles Martini's que refrescam a garganta e inebriam o cérebro. Há duas semanas que levei meus filhos à Búzios, eles pareciam transbordar jovialidade. Gustavo tratou de ir atrás das "novinhas", termo que ele usa pra chamar as meninas da idade de sua irmã. Já Carol resolveu pegar sua câmera e flagrar o pôr-do-sol com suas lentes Nikon. E eu fiquei olhando o tempo passar, divagando nos meus pensamentos mais sórdidos e ValquÃria sempre se fez presente. Foi a noite cair e tudo ficar agitado - a cidade nunca dorme á noite - fazendo alusão a Nova York, terra que meus filhos sonham em conhecer. Enquanto a noite brilhava que só, dançarina iluminada pelos holofotes dos visitantes, fui pra praia dar um passeio, deixar o cheiro de maresia impregnar meu corpo e minhas roupas. De longe eu distingui um rosto familiar, simétrico na beira mar. Corri naquela direção, como se ver aquilo fosse me devolver toda a serenidade que "tinha" antes de encontrar aquela mulher numa noite qualquer da vida. Ao chegar, me ajoelho, embabacado pela imagem ao meus olhos: uma mulher como ValquÃria, linda e enigmática está parada com um vestido branco perolado, um véu pendurado em seus braços e na cabeça, uma coroa de turquesas. Vejo-a passear em minha volta e me empurrar contra a água salgada e gelada do mar. Levanto a cabeça rapidamente, com areia e sal na boca e percebo que sumiu aquela beldade. Será que Iemanjá veio pra me alertar sobre Val ou era ilusão aquela imagem? Sento na areia molhada e deixo ser molhado pela onda que vem e vai, deixando meu corpo frio e imóvel. Até a rainha do mar queria me avisar no labirinto que estava adentrando. E eu, Teseu herói e valente, quero matar o minotauro. O problema é que minha espada mágica e nem a donzela estarão ao meu lado.  Não dessa vez.  Ouço sons e me deixo desabar. É meu peito assobiando o timbre da voz dela, o agudo do gemido... Certos tons me caem bem. Até sumir num falsete qualquer.Â
Seu perfume era âmbar ou chipre?
Passo minhas narinas pela fronha que abrigou aquela cabeça macia e tumultuada de ValquÃria. Os olhos abertos, vendo o teto branco, visão turva. Continuo a trabalhar duro, preciso me manter e ainda há a pensão das crianças. Bem que Simone deveria dar mais atenção pros filhos em vez de ficar cortando o cabelo toda semana e fazendo a unha pro merdinha do Arnaldo, amigo de boteco que hoje "encanta" a dita cuja. Acho que vou passar um fim de semana com os pirralhos, Carol e Gustavo. Eles precisam de ar, ver a praia... Búzios? Paraty? Vou ligar mais tarde, tomara que aceitem. Nossa, quando menos esperamos, nossos filhos estão maiores de idade, rumo a faculdade, com namoradinhos... O tempo passa e tenho que acostumar com essa ideia idiota de não chamar mais minha menininha de "princesa" e nem esperar que o meu garotão me chame de "herói". Maldito e bendito tempo que nos dão os momentos mas nos roubam a esperança de vivê-los novamente! Inclusive com aquela vagabunda... É, vagabunda mesmo. E das primeiras, digo mais! Na primeira oportunidade vem e me toma, agora fico jogado à s moscas à espera da sua ressurreição. Penso em esquecê-la, de dar adeus a essa aventura, porém tem um quê que me puxa até aquele corpo escultural. Se não fosse humana, serias deusa. Afrodite, Vênus, ValquÃria. Noite passa um tive um sonho intrÃnseco: Ela vinha dançando na minha direção, com aqueles olhos de lince ou de tigresa, com o charme exalando do seu corpo: um colar de rubi pendia do seu pescoço e no corpo uma cobra enrolada. Acordei suando e com o gosto de luxuria na boca e ansiando pra vê-la saindo do banheiro, com aquele mesmo olhar de sempre, abrindo os seus braços morenos, me fazendo promessas de ficar. Aquela carne era minha, eu tenho que ir atrás. Faz 5 dias que sempre vou aquela mesma boate, espero no mesmo bar, na mesma hora, no mesmo suspiro e vejo a noite sendo convidada pra dançar e ela nada de aparecer para ser minha dama nesse bolero à um em que danço, rindo e balbuciando seu nome - Ah ValquÃria, se tivesses aqui, tudo seria melhor... Seu sorriso me encantou, Val... Preciso gozar em ti, em nós, roubar-te... Val... Queria.Â

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Seu batom era vermelho ou vinho?
Depois daquela noite eu esqueci totalmente quem eu era - e se continuava a ser alguém ou algo... -  droga de pensamentos substanciais! Aquela mulher, um furacão devastador passou na minha vida carregando tudo, até o mais Ãntimo de mim. Dois dias se passaram e eu ainda vejo aquela cintura toda simétrica se contorcer com os meus movimentos vis e a voz aguda e rouca sussurrando-lhe palavras excitantes, prazerosas. Continuo a divagar nessa poltrona velha e mofada o que ela pode ter feito comigo. Magia negra? Amarração? E se foi, pelo visto foi das boas. A cada eu me mato de mil e uma formas só pra ver se ela vem pra me ressuscitar, aparecer naquela mesma boate, pousar seus olhos no meu, sacudir meus ombros e depois me tascar um daqueles beijos fustigantes. Será que isso é possÃvel,  realizável? E esse nó que permanece na minha garganta, vai desatar quando eu a ver novamente? O que ela fez comigo, hein? Homem divorciado, bem sucedido, apartamento modesto no Cachambi, um cachorro e dez mil livros devorados. Por que um qualquer, um perdido nessa imensidão de pessoas foi predestinado pra encontrar uma avassaladora a procura de prazer e que me chicoteou e carregou meu coração pra junto do seu? Vou voltar ao lugar que nos conhecemos amanhã, esperar ela ir pra pista de dança e lhe arrancar a verdade, junto com suas carÃcias enlouquecedoras. Talvez eu me junte a ela nessa vida exótica e enfim achar a felicidade. E mais, além de seus fios de cabelo no meu lençol, Val (será que me devo o atrevimento de lhe chamar pelo diminutivo?) deixou seu batom, cor vermelho ou vinho, não sei. Mas que me embriagou a ponto de chegar no coma. Comê-la ou não?Â
Eram olhos de lince, ou eram de tigresa?
Um brilho intenso escorria daqueles olhos que eu absorvia fugazmente. O charme, a cor, a nuance daquele cÃlios que guardavam duas pedras preciosas me encantavam, me chamando pra dançar. Ajeitei a gola da camisa, conferi o hálito e fui sorrindo pra cigana de vestido preto que me aguardava com aquelas presas brancas e afiadas a mostra. Perguntei seu nome, em meio aquelas luzes psicodélicas da pista de dança. Agarrei na sua cintura e entrei no seu swing, enquanto ela agarrava na minha manga, colando meu corpo no dela. Perguntei novamente seu nome, que me respondeu depois de uma risada e uma mordida no pescoço: ValquÃria, mas hoje serei quem quiser. Me excitei com suas palavras e levei-a pro bar. Depois de uns drinques e amassos, fomos pro meu apê, rindo de como ela mexia no cabelo ou me encarava. Foi entrar e o nosso fogo combustar, transformando os nossos corpos em verdadeiras fornalhas. Aquele cheiro de suor, vodca e perfume aumentavam os meus sentidos. A invasão do corpo simétrico, o encaixe, o quadril macio, o gemido, o beijo, os cabelos negros espalhados no lençol amarrotado, o prazer de ter em sua posse o desejo carnal de uma mulher desconhecida, linda e enigmática. Eu me sentia satisfeito, mergulhando naquele buraco escuro e úmido com toda minha virilidade, pra depois de manhã ser deixado na cama, de ressaca e com aquele gosto de ontem querendo bis. Acho que to apaixonado, ou será mais uma loucura de minha cabeça? Não sei, só sei que foi bom. E como foi.