A parte ruim de quando você ta curando a alma é que você começa a questionar tudo que já te aconteceu, todas as decisões e se pergunta, será que se na época eu estivesse bem teria tomado a mesma decisão, teria vivido do mesmo jeito, estaria onde estou agora? Quando recapitulo minha vida vejo que meu foco não estava em viver, mas em conseguir existir e percebo que passei batido por muitas etapas da minha vida que deveriam ter sido muito mais leves e felizes, acabo percebendo que estava só batendo o ponto nos dias da minha vida, mas não os vivendo. É muito triste porque você começa a se arrepender de não ter percebido que sua alma veio rachada ou se quebrou pelo caminho, de não ter pedido ajuda desde o começo, quando viver era fardo. Com alma mais leve me questiono, talvez... talvez se eu tivesse vivido meus capitulos anteriores como sou hoje, talvez, eu teria vivido uma vida mais linda e alegre, repleta de memórias felizes. Não me leve a mal, eu tive momentos memoráveis, sorrisos de ponta a ponta, lágrimas de rir, abraços de imensidão, é só que a maior parte do tempo eu estava mais ocupada em colocar bandaids nas fraturas da minha alma, colocar adesivos no meu coração. Entende? Meu foco estava em me recontruir enquanto a depressão me destruía. Me perco nas hipóteses, mas ao final vejo que tudo que vivi e como vivi me fez o que sou hoje, não perfeita, mas em construção e evolução constante, mais consciente, mais leve, mais viva.
A outra parte da história é que tudo isso é como renascer, é como neo tomando a pílula vermelha da matrix, como a verdade, dolorosa, porém libertadora. Sente daí? Eu quero mais, ser mais, viver mais, fazer mais, daqui pra frente eu quero sempre mais, estou saindo da caverna aos poucos, enquanto me adapto a nova percepção da realidade tento meu melhor, entre dores e frustações tento sorrir aqui e ali enquanto tudo vai se clareando.