⸻ A altivez dos passos diz que é nobre o sangue que corre em IGRAINE LETHE ESSAEX. Sendo CARISMÁTICA e PASSIONAL, ela foi escolhida como hospedeira e protegida de CERNUNNOS. Aos 25 ANOS, cursa o NÍVEL II, OBSIDIANA.
i wish i were a girl again, half savage and hardy, and free; and laughing at injuries, not maddeing under them.
conexões. pinterest.
BIOGRAPHY ───
Em uma poça de suor, Igraine Lethe Essaex despertava de mais um de seus sonhos febris. O linho branco da camisola grudava como uma segunda camada de pele, seus cabelos castanhos, mais cheios do que o normal, indicavam que se movimentara muito durante o sono, e seus olhos cansados e inchados mostravam que havia chorado a noite inteira. Sua ama veio rapidamente ao seu encontro, já acostumada a adormecer no quarto da princesa, e a embalou em seus braços. Imaginava que o movimento no corredor com o soar do sino seria seguido da presença materna, que nunca vinha, mas Igraine ainda era criança e nutria esperanças de obter a atenção materna.
Ao invés disso, vieram os servos para preparar seu banho e lhe dar algo de comer com rapidez vinda de anos de trabalho. Em seus sonhos, o vento sempre estava forte, e cada movimento das folhas era uma palavra de um deus cornudo, sussurrando palavras impossíveis de compreender.
Apesar da teimosia, como uma árvore de raízes fincadas fortes no chão, que se curvava, mas não era derrubada, Igraine era querida pela maioria dos funcionários do castelo. Ainda buscava o afeto familiar, apesar de crescer um rancor de que tais afetos já foram preenchidos por suas irmãs, ela começou a buscar atenção daqueles que pareciam mais dispostos a dar. Era impossível dizer não para a menina, mesmo quando ela queria pegar geleia direto do pote, sujando-se inteira, ou quando ela queria acompanhar as moças que iam pendurar os lençois ao sol e acompanhar os guardas em suas rondas, imitando os seus passos firmes. Para não enfurecer aqueles que veriam tais atos como uma profanação a família real, mãos ágeis vinham para limpá-la e vesti-lá apropriadamente antes das refeições, e quando ainda estava com fome após o jantar, a ama a levava para a cozinha para comer consigo de forma escondida.
Igraine, que era uma criança falante, aprendeu a manter segredos com essas escapadas. A ama colocava o indicador sobre os lábios e Igraine sabia que aquele era o sinal para manter não apenas o silêncio, mas o segredo de seus atos. Com o tempo, outros segredos foram cultivados. Os funcionários do castelo traziam todos os dias fofocas de dentro e fora do palácio, como um funcionário de uma casa nobre que tinha uma paixonite pela camareira do castelo alimentava sua atenção com fofocas sobre seu patrão, ou um funcionário demitido que amaldiçoava em um bar, bêbado, todos os podres da senhora para o jardineiro. Igraine guardou todos os nomes e todas as histórias, primeiro por diversão, a ideia infantil de que sabia de coisas que nem seus pais, irmãs e irmãos sabiam, mas com o passar dos anos isso se tornou algo além.
A mudança em sua natureza veio quando brincava de fugir das empregadas, as vestes sujas de lama e o cabelo desgrenhado pelo vento da cavalgada, dando de cara com o corpo de Meritaten. O olhar materno foi como nenhum outro, como se visse a filha pela primeira vez, e seu rosto, apesar das semelhanças apontadas pelas pessoas, espelhava algo como decepção — não, Igraine não acreditava que Meritaten se importava tanto assim, mas foi uma única palavra solitária que saída de seus lábios que selou seu futuro: Cresça.
Depois desse dia, Igraine ia diligentemente a todas as aulas de etiqueta. Não aprendeu a bordar com perfeição e ainda relutava em permitir ser guiada em uma valsa, mas havia se transformado de uma menina quase selvagem, saudável e livre, em uma perfeita dama da sociedade. Agora, ao invés de correr pelos bosques e jardins, cavalgando seu cavalo favorito, Igraine se resignava a observar pelas janelas de seu quarto. Já não fazia tantas visitas aos trabalhadores do castelo como antes, mas alimentou a habilidade de cultivar e colher segredos, a ser útil para a irmandade que sua mãe era líder.
Foi durante essa época que o deus cornudo que a visitava em seus sonhos a reclamou e revelou-se como Cernunnos, e este deus era imprevisível como a própria natureza, uma hora pacifico, permitindo que ela continue com a sua fachada de princesa perfeita, e outras vezes ele exigia algo que ela não podia dar, sua própria natureza, e o brilho de seu Seon, Meliae, era um lembrete constante disso.

















