A terra das oportunidades? (bônus)
Olá meus caros, como estão?
Hoje mais uma vez irei falar sobre como o sonho de construir uma vida nos Estados Unidos e a fábula de que todos iam enriquecer da noite para o dia ao entrarem em solo americano. Isso se deve diante minha a visão que tive em um filme há certo tempo atrás!
A história de hoje é um pouco diferente das anteriores onde falei sobre minha limpa e trabalhadora luta, desde um mero engraxate de sapatos sujos até encontrar minha primeira fortuna no gélido Klondike. Além disso, falei sobre os anos dourados onde os Estados Unidos sempre mostram todas as qualidades de vida e os avanças de uma sociedade em progresso diante o globo. Mas vocês já pensaram como essa perspectiva de um país livre e honrado poderia surgir um lado mais obscuro da sociedade?
Creio que a maioria dos leitores aqui são jovens e não são do tempo desta drama, mas sabiam que o romance "The Godfather" de Mario Puzo e o renomado filme de mesmo nome de Francis Copolla escritos e dirigidos nos século passado podem transmitir a mesma mensagem de um imigrante pobre que construiu sua vida e fortuna na América? Mesmo que por meios um tanto dúvidosos na drama.
Bom antes de tudo, é importante dizer que assim como seu velho Tio aqui, o protagonista do filme - Vito Andolini - era uma criança oriunda da ilha de Sicília na Itália. Entretanto sua vida vira de cabeça para baixo após alguns problemas com o "Don" da vila de Corleone na Itália, onde o faz seguir viagem para os Estados Unidos apenas com suas roupas do corpo e poucas palavras que aquela criança sabia dizer. Isso se retrada realmente à realidade, uma vez que, muitos imigrantes italianos foram para os EUA no início do século XX com a esperança de melhores condições de vida, acarretando em aglomerações desses novos grupos por exemplo na cidade de Nova York onde até hoje existe o bairro dos italianos a "Little Italy".
A fotografia acima retrata a rua Mulberry Street, palco de comércio desses novos imigrantes.
Parecia um paraíso, é claro, haviam boatos que a ruas eram de "ouro" e que com certeza todos iriam melhorar suas condições sociais atrairam grandes números de pessoas para os EStados Unidos naquele tempo, entretanto o que esse imigrantes encontraram aqui foi nada além de pouca coisa a mais do que tinham na Itália. Eles teriam que trabalhar, trabalhar e muito para ter ao menos o que comer e viver.
Outro ponto de relevância no filme que mostra sobre a questão de "sonho americano", se deve em sua cena inicial, onde um homem vai até Vito Corleone e diz que "sempre acreditou na América" e ensinou os valores americanos para sua filha, no entanto ela acabou sofrendo pelas mãos de dois jovens que ela andava, ele então relata que recorreu à polícia dos EUA mas não teve nenhum retorno diante a lei para aplicar com os agressores de sua filha, ele então decepcionado com a tão sonhaca "América, recorre até seu "padrinho", Vito, e lhe exige JUSTIÇA contra tais homens que machucaram sua filha. Essa cena evidencia muito bem como alguns italianos ficaram decepcionados com a tão sonhada e paradisíaca América quando eles desenbarcaram e viram a realidade do quadro social que eles iriam viver.
Voltado ao filme, é percebido como, agora Vito Corleone, cresceu e teve uma vida pacada trabalhando como padeiro até iniciar uma busca por melhores condições de vida para ele e sua família por outro meio (pequenos golpes e roubos) e que acaba por no futuro se transformar em um dos grandes chefes da máfia de Nova York. Além disso, durante a drama é percebido como a construção do personagem é interessante, Vito mesmo sendo um temido chefe das maiores máfias de Nova York, ainda assim é um pai de família que se preocupa acima de tudo com seus parentes, isso tem a contrução de uma imagem conservadora de uma família tradicional que pode ser considerada como intocável e até sagrada para esse personagem tão famoso.
Porém, o que é interessante no filme é a relação tradicional de Vito com a sua comunidade e família. Primeiro que. mesmo exercendo um alto grau na chefia da máfia italo-americana e cuidando de seus "negócios" Vito continua a manter relações próximas com pessoas comuns. Ele compra frutas em uma banca de feirante e diz ao vendedor... "Pode contar comigo para o que precisar" ou quando no casamento de sua filha, onde alguns homens vão até Vito e evidenciam suas problemáticas individuais com o intuíto de Corleone "resolver" tal empecilho, seja ajudando um genro de um homem a continuar os Estados Unidos ou quando ele faz uma "proposta irrecusável" para um diretor de cinema famoso dar o papel principal para seu sobrinho. Fica evidente que Don Corleone faz tudo para desenvolver o que seus "afilhados" o pedem, embora com uma dívida de lealdade à "famiglia Corleone".
Bem, o filme pode parecer que se baseia apenas em uma história sobre a máfia, no entanto ele aborda questões interessantes sobre como o estilo de vida americano também se difundiu em lados mais sombrios do que costumamos ver em outras formas de mídia. Don Corleone, um jovem que construiu um império, uma fortuna com base em "negócios" um tanto polêmicos mas que mesmo assim são sinômimos de um sonho americano, alinhados com os conceitos tradicionais mantidos sob o código de honra das "famiglias" ligadas ao conservadorismo e honra, mesmo que por meios criminosos. A liberdade proporcionada pela "América" são frutos de suas artimanhas ligadas com a relação de "respeito acima de tudo" entre o meio social dos indivíduos que conquistaram suas fortunas ilegalmente, mas não sem uma organização tradicional desse grupo oriundo da antiga Sicília.
Assim, espero que vocês possam ter entendido com base na obra de "O poderoso chefão" assimilar como a questão do modo de vida americano também se aplica as questões quase que imperceptíveis tanto no livro como no filme mas que evidenciam a falsa promessa de uma farta vida idônea diante o quadro dos imigrantes italianos no início do século XX em contraposição da vida de Vito Corleone e sua introdução ao mundo do crime diante a vida humilde que levava como um simples ajudante de padeiro até sua ascensão como "Don".
Obrigado pela leitura meus amigos! Espero que tenham gostado dessa releitura de hoje diante minha visão do "american way of life" com base na obra "The Godfather" que simboliza sim uma imersão empreendedor, mas que ao contrário do seu Tio Patinhas, usava outros meios para aplicar tal dom!
Arrivederci, amici miei. Quác, quác.
Deixo uma música icônica para vocês imergirem com o tema! Quác
Refêrencias
TOTA, Antônio Pedro. Os Americanos. São Paulo: Contexto, 2009. 292 p. ISBN 9788572444460.
QUAGLIOTO, Lucas Garcia. 97Revista Linguagem, Ensino e Educação, Criciúma, v. 5, n.2, jul. dez. 2021O DISCURSO SOBRE A MÁFIA ITALIANA PRESENTE NA OBRA LITERÁRIA DE O PODEROSO CHEFÃO. Revista Linguagem, Ensino e Educação, v. 5, n. 2, p. 97-113, 2021.





