Existem
Eu não tenho medo de quase nada
E tbm tenho medo de praticamente tudo
Pq meu maior medo é ela
Que não vou nem falar o nome pra não chamá
Ela que ronda cada um de nós todos os dias
Usa um relógio, nunca perde a hora, e está sempre bem vestida
Ela que pode nos esperar na próxima esquina
Ela que a gente passa perto e nem percebe a sina
Que as vezes sem pressa espera sentada
E em outras ocasiões caminha lado a lado de mão dada
Eu nem sempre tive medo dela
Muitas vezes implorei por ela
Talvez por isso eu tenha tanto medo
Medo dela resolver me atender agora
Quando já entendi que pode ser bom estar vivo
Havia uma adolescente que escrevia cartas e marcava encontros com ela
Ela sempre era dispensada e a menina se sentia meio abandonada
Perdida, meio sem rumo e sem resposta
Se sentiu forçada a viver
E viveu
Viveu algo
Alguma coisa
Um pouquinho além de sobreviver
Foi o bastante
O suficiente pra querer mais
E apesar de se sentir livre de encontros não correspondidos
Outra coisa lhe acorrenta
Lhe impede de ouvir os pássaros
Lhe tapa os ouvidos
O medo lateja a cabeça
E cada dor, ardência, coceira
Vira no navegador uma pesquisa besta
E lá se vão noites mal dormidas
Pensando se ela não está a espreita
E esse mal se estende de si para outros
E basta um atraso ou uma mensagem não respondida também
Que o navegador abre de novo
E vai pra aquele site de notÃcias horroroso que vocês conhecem bem
E na cabeça TUDO
Menos a paz
Uma tragédia grega cheia de detalhes
E claro nenhum final feliz
E lá vai ela
Caminhando olhando pra todos os lados
Com seus olhos espantados
Se encontra com a menina que anda com os olhos no chão
Sim, são a mesma pessoa
Não, não querem a mesma coisa
Mas sim, compartilham do mesmo destino
Existem, não mais vivem, existem











