Faz tempo que não venho aqui.
Eu realmente não sei quanto tempo faz que não venho aqui.
Provavelmente eu nem vá voltar tão cedo.
Mas sabe quando as coisas estão mudando? Rápido? De forma assustadora?
Então.
A primeira vez que vim aqui eu tinha 12 anos. Hoje eu tenho 21.
São apenas 2 números invertidos mas que contém um abismo tão grande entre eles...
Olhando pro meu eu de 12 anos, percebo que existem tantas inseguranças em comum comigo, a eu de agora.
Eu ainda acho que meu corpo não é bonito o suficiente.
Eu ainda acho que eu nunca vou conquistar nada grande na minha vida.
Eu ainda acho que eu não aproveito minha vida.
Eu ainda sonho em estar num filme, onde eu faço amigos muito sensacionais, onde eu sou a menina mais bonita, porém escondida embaixo de um casaco largo e um par de óculos, esperando que apareça alguém pra descobrir o quanto eu sou especial...
E é tão frustrante crescer e descobrir que ninguém vai aparecer. Você é a única pessoa capaz de descobrir o quão maravilhosa você é... Mas eu não consigo.
Eu passei 8 meses num emprego que me fazia mal. Tenho só mais 5 dias lá. E estão sendo os dias mais longos da minha vida. Porque eu não quero estar lá.
Só que o desespero vem e eu morro de medo de decepcionar todo mundo.
Meus planos não são mais só meus, eu divido eles com o amor da minha vida. E pensar que, em função da minha escolha egoísta de sofrer menos, eu posso estar dificultando a vida dele... Eu sinto uma vontade enorme de desistir e pedir meu emprego de volta. Abaixar a cabeça e aceitar que todos me chamem de incompetente enquanto eu sigo dando meu melhor...
Mas essa não sou eu. Eu não sei baixar a cabeça e eu sei que agora eu vou trabalhar sozinha, comigo e pra mim, fazendo algo que eu gosto. Mas eu morro de medo de dar tudo errado.
Eu vivo pensando em muitos “mas” e “se”, sigo sofrendo por medo de dar errado, mesmo quando quem eu amo me assegura de que vai dar tudo certo.
No fim das contas, tenho medo de afastar meu amor com meus erros... e com meus medos, veja só!
Eu sempre pensei que com 21 estaria tudo certo. Que eu saberia quem eu sou.
Que eu estaria onde sempre quis estar, vivendo como sempre quis viver.
O triste de chegar aos 21 é descobrir que na verdade, “21″ é só um número.

















